Notas iniciais
Olá cupcakes, aqui é a Quel e pela quarta vez estou tentando postar esse capitulo, haha.
Gostaria de agradecer a Drama Queen pela linda recomendação (:
Sem mais delongas, aproveitem o capitulo.

O carro de Gabe estava um pouco além do portão exterior. Percyestava colocando minha mala no porta-malas do carro. Avistei a silhueta de Gabe no banco da frente do carro, mesmo com o insulfilmeescuro eu podia senti os olhos faiscantes de Gabe me seguindo como uma serpente observando um rato antes de dar o bote.

Engoli em seco e fui até Percy pra guardar a minha mochila.

– Vamos logo, crianças! Não queremos nos atrasar para o jantar. – Gabe gritou.

Andei vagarosamente e entrei no carro. Gabe já me olhava pelo retrovisor.

Coloquei os fones de ouvido e tentei respirar calmamente evitando o contato visual.

– Você sabe que é apenas uma questão de tempo. – ele diz baixo, mas eu pude ouvir por cima do som alto.

Meu coração acelerou e a minha respiração ficou descompassada. Engoli a bile que subiu por minha garganta e reprimi o medo que sentia. Eu não era mais uma criança, poderia resolver isso.

Coloquei um sorriso desafiador no rosto.

– Veremos.

Percy entrou no carro e sorriu para Gabe.

Como ele pode ser tão idiota a ponto de não perceber o clima tenso que se mantinha ali?

Gabe dirigiu rapidamente pelas ruas de Nothingan. Tentei manter-me calma a viagem toda e evitei pensar no que aconteceria mais tarde.

Percy passou a viagem inteira falando algo sobre a escola e eventualmente implicava comigo. Ignorei-o.

Logo quando chegamos em casa, Sally nos esperava na soleira da porta com um sorriso meigo nos lábios.

– Oi mãe. – Percy saudou-a saindo do carro e dando um forte abraço nela.

Saí lentamente do carro e dei um abraço rápido em Sally.

– Como foi a escola? – ela perguntou ajeitando uma mecha do cabelo. – Fez novos amigos? Eles foram legais com você?

– Foi interessante. – disse sem entusiasmo.

Percy me lançou um olhar duro. Revirei os olhos.

– Entrem, o jantar está quase pronto. – Sally virou-se para entrar em casa.

Voltei para o carro para pegar a minha mala, mas Gabe foi mais rápido e a pegou.

–Deixe que eu levo. – disse ele mostrando os dentes amarelados.

– Não, obrigada. – tentei dizer sem gaguejar.

– Eu levo! – Gabe disse entre dentes.

VI que Gabe pegava apenas a minha mala, peguei a minha mochila rapidamente e corri pra dentro de casa.

Quando percebi que ainda estava correndo quando entrei na casa, tentei agir naturalmente, mas parece que não deu certo.

– Annabeth, você está bem? Está sentindo algo? – Sally perguntou passando a mão em meu cabelo.

– Só estou cansada. – menti.

– Cansada de quê? Você não fez nada além de passar o dia deitada. – Percy disse mordendo uma maçã.

O fuzilei com o olhar. Não preciso dizer que eu estava matando-o de todas as formas possíveis, preciso?

Cerrei os punhos e subi a escada pesadamente.

Entrei no meu quarto e joguei a mochila em cima da cama. Gabe entrou logo depois.

– Estou ansioso para esta noite. – disse ele passando a mão na sua careca.

– Você não pode correr riscos, titio. – disse eu com grande sarcasmo na voz.

– Que riscos, filhinha?

– Não sei. – disse eu passando a mão nos imóveis ao meu lado. – Talvez eu possa gritar.

– Grite e terá enormes conseqüências. – Gabe puxou um canivete do bolso.

Arregalei os olhos. Esse cara é mais louco do que eu imaginava.

Gabe aproximou-se de mim e passou a mão em meu pescoço beijando-o logo em seguida.

Segurei as lágrimas que se formavam e meus olhos. Gabe se afastou e voltou a sorrir.

– Até mais. – disse Gabe quando saiu do quarto.

Corri para o banheiro e liguei o chuveiro. Entrei de baixo da água com roupa e tênis esfregando o meu pescoço freneticamente.

Senti lágrimas quentes rolarem pelo o meu rosto.

Raiva, nojo, tristeza e desgosto, tudo isso misturado. Puxei os meus cabelos com força.

Tirei a minha roupa e a joguei no canto do banheiro.

Passei muito tempo sentava em um canto do chão abraçando os meus joelhos, imaginando diversas maneiras de fugir pra bem longe daqui, pra onde ninguém fosse me encontrar.

Claro que isso não aconteceria. Em umas horas eu teria que travar uma batalha contra a insanidade.

Desliguei o chuveiro, peguei o meu roupão e o vesti. Saí do banheiro e sentei-me na cama. Limpei algumas lágrimas que ainda resolviam cair sobre o meu rosto. Andei até o closet e peguei umas peças de roupa.

Vesti uma blusa fina azul e casaco vermelho por cima, além de jeans e meias grossas.

Fiquei ouvindo The A Team enquanto esperava o aviso de Sally para descer.

White lips, pale face

Breathing in snowflakes.

Burnt lung, sour taste.


Comecei a cantar.

Light’s gone, day’s end

Straggling to pay rent

Long night, strange men

And they say she’s in the Class A Team

Stuck in her daydream

Been this way since eighteen, but lately

Her face seems, slowly sinking, wasting

Crumbling like pastries

And they scream

The worst thing in life come free to us


Lágrimas já rolavam novamente pelo o meu rosto.

“As piores coisas da vida vem de graça”

Eu sei bem como é isso. Eu não precisava fazer nada pra estragar a minha vida, as coisas aconteciam naturalmente.

Enterrei o meu rosto no travesseiro e prendi os soluços. Ouvi alguém bater a porta, limpei as lágrimas antes de gritar para entrar.

– O jantar já ta pronto, vem logo. – diz Percy.

Levantei da cama e andei até o banheiro novamente.

– Você está bem? – perguntou Percy.

Respirei fundo e tentei me controlar, mas não consegui.

– Eu estou co m o rosto todo vermelho de tanto chorar, você acha que eu estou bem? – digo alto.

– O que houve? – É impressão minha ou Percy está mesmo preocupado? – Eu posso te ajudar...

– Você não pode me ajudar, ninguém pode me ajudar! – gritei. – Vai embora daqui!

Percy fez uma careta e depois saiu do quarto.

Lavei o rosto e passei a minha típica maquiagem pesada. Coloquei uma sapatilha preta e desci.

Chegando lá, vi que Nico e Luke, acompanhados de seus pais, Hades e Hermes, também estavam presentes para o jantar. Mas me surpreendi ao ver que o professor Arthur também estava ali.

– Annabeth! Estávamos esperando por você! – disse Sally sorrindo.

Sério, essa mulher não cansa de sorrir? Eu já estava ficando realmente irritava. Quase sentia falta do mal humor de Atena.

Dei um meio sorriso, me juntei a eles a mesa e esperei o jantar ser servido.

Sushi. O jantar era Sushi.

Engoli em seco e olhei pra todos.

Uma coisa que eu odiava mais que o Percy com certeza era sushi.

Olhei para cara de Percy e vi que ele tinha um sorriso de deboche nos cantos do rosto. Aquele fedelho com certeza pediu isso pro jantar sabendo que eu odiava sushi.

– Annabeth querida, você não vai comer? – indagou Sally.

– Eu não gosto de sushi. – disse eu com um sorriso de desculpas.

– Oh! E agora?

– Eu vou fritar um ovo. – disse levantando da mesa

Acabei arrancando uma gargalhada de todos menos de Gabe, que me olhou com raiva.

Ignorei o seu olhar e andei até a cozinha um pouco constrangida. Ainda podia senti o olhar furioso de Gabe as minhas costas.

– Querida! – saudou-me Gonçalves.

– Oi Gonçalves. — disse eu com a voz baixa

– O que houve? Você está tão quieta.

– Nada não. É que fizeram sushi para o jantar e eu não gosto muito. – disse passando as mãos nos meus braços.

– Eu não sabia disso, desculpe-me. – Gonçalves deu um sorriso tímido. – O que você vai querer comer?

– Não sei, que tal um sanduíche de salame?

– Seu desejo é uma ordem, minha senhora. – Gonçalves fez uma reverencia e se voltou para a geladeira.

Esperei sentada no balcão enquanto Gonçalves preparava o meu sanduíche.

– Aqui está, senhorita. – Gonçalves pôs sobre o balcão um sanduíche decorado com um palito com a bandeira da Inglaterra.

– Agora só basta trabalhar em um restaurante francês e dizer “Aqui está o seu sanduichéà salamé.” – brinquei.

Gonçalves soltou uma risada que, pela primeira vez desde que cheguei aqui, me trouxe lembranças boas.

Um sorriso largo se formou em meu rosto.

– Lembra da vez em que o senhor estava preparando um sanduíche e eu e Percy estávamos correndo em volta da mesa e...

– E vocês acabaram escorregando fazendo o material cair no chão. Acabou que voou mostarda para todo o canto, inclusive o teto. – Gonçalves terminou história apontando para cima.

Olhei para cima e vi que uma mancha amarela tirava o contraste do lustre de diamantes com o teto branco.

– A senhorita Chase parecia ser bem atentada quando criança.

Olhei para trás e vi que o professor Arthur estava parado a porta com um lindo e sedutor sorriso no rosto.

– E era. – confirmou Gonçalves. – Se eu fosse lhe contar todas as histórias que me lembro, ia se passar o ano e eu ainda não teria acabado de contar.

Dei uma mordida enorme em meu sanduíche, apreciando o sabor acentuado da mostarda.

– Um dia o senhor terá que me contar uma ou duas histórias.

– Com certeza. – sorriu Gonçalves. – Se me derem licença, preciso ligar para a minha filha. – com uma mensura, Gonçalves saiu da cozinha.

– O seu sanduíche está bom? – perguntou o professor quando eu já estava na metade dele.

– Uhum. – confirmei com a cabeça. – Quer um pedaço?

– Não, obrigado, comi sushi demais.

Terminei de comer o meu sanduíche bebendo um longo gole de coca depois.

– Então, professor, o que lhe trás aqui?

– Me chame de Arthur.

– Tudo bem, Arthur. O que faz aqui?

– Sally foi a minha professora de gramática quando eu estava na faculdade, felizmente, eu sempre mantive um relacionamento bom com ela.

– Você pegou a Sally quando ela era professora? – perguntei surpresa.

– Claro que não Annabeth! – Arthur soltou uma risada sexy. – Ela cuidou de mim quando a minha mãe morreu, ela sempre me tratou como se eu fosse seu filho.

– Ah sim. – disse aliviada. – Desculpe, não sabia da sua mãe.

– Tudo bem.

Ficamos em silêncio por um tempo.

– Quer dar uma volta pela piscina? – perguntou Arthur indicando a porta que dava acesso para fora.

– Claro. – respondi.

Saímos da cozinha e depois de termos dado uma volta completa na piscina, resolvi puxar assunto.

– Porque resolveu ser professor?

– Ah, porque eu gosto de interagir com pessoas sabe? Acho legal passar aquilo que eu sei para as pessoas.

– Tem certeza que não foi por causa das lindas alunas que cercam um professor? – Fiquei a frente dele.

Sim, eu estava flertando com o meu professor de calculo.

Arthur franziu a testa e sorriu com perversidade.

Aproximei para perto dele e passei a mão em seu cabelo.

– Não. – ele respondeu ainda sorrindo.

– Nunca passou pela a sua cabeça de que as alunas poderiam fazer isso com os professores?

– Isso o quê? – perguntou Arthur colocando uma mão em minha cintura.

– Isso. – Passei o dedo nos lábios do professor antes de selar um beijo.

Uma mão gelada segurou o meu rosto. Era mais um beijo normal para mim. Já havia beijados vários garotos que já nem ligava pro meu sentimento.

Afastei-me quando já falta o ar.

Arthur fazia carinho com o polegar no meu rosto. Levei a minha mão para cima da dele e senti um metal gelado em volta do seu dedo.

Olhei para a sua mão e um anel de ouro branco estava em seu dedo.

– Você está noivo? – perguntei.

– Uhum.

– Desculpe, eu não sabia. – disse um pouco constrangida.

– Tudo bem, eu gostei. – disse Arthur olhando-me.

– Annabeth, está na hora de você dormir! – ouvi Gabe dizer trás de mim.

Virei nervosamente para a porta pensando que Gabe tinha visto o que aconteceu, mas pelo o que pareceu, ele não viu nada.

– Até. – despedi-me de Arthur

– Até. – respondeu.

Caminhei lentamente até a porta, mas senti que outros olhos, além dos de Gabes e dos de Arthur, me seguiam.

Olhei para o segundo andar e vi que olhos verdes me espiavam por detrás de lindas cortinas beges.

Um sorriso involuntário brotou em meu rosto.

Passei por Gabe e subi rapidamente as escadas, antes de entrar no meu quarto, vi Percy vindo na direção ao contrária da minha.

– Que feio Annabeth, ficar beijando os professores de calculo por ai. – disse ele parando ao meu lado.

– Que feio Percy, ficar ai, bisbilhotando os outros. – rebati.

Olhei para o rosto de Percy e vi que ele havia ficado corado. Soltei uma risada baixa e entrei no quarto.

De repente me senti boba. Porque não havia fugido ou ficado na escola? Será que fui idiota o bastante pra achar que Gabe não iria tentar nada dentro da sua própria casa?

Procurei por uma chave pra trancar a porta mas não havia nenhuma tranca. Andei de um lado para outro pelo quarto. Passei a mão pelo cabelo, meu coração parecia que ia sair pela boca. Fui até a janela ver se tinha como pular. Estava no segundo andar e não tinha nada no que me apoiar então se pulasse acabaria quebrando uma perna ou com sorte o pescoço.

Balancei a cabeça e espantei esse pensamento, deveria haver outra maneira de fugir. Calcei os sapatos e abri a porta do quarto sem fazer barulho. O corredor estava escuro então arrisquei que podia sair sem problemas. O único som vinha dos meus passos abafados. Desci as escadas e saí pela porta da frente.

O alívio foi tão grande que comecei a chorar. Fiquei ali encostada na porta da frente por uns dois minutos e então corri.

Corri como se a minha vida dependesse disso. Sentia que meus pulmões estavam pegando fogo. Parei de correr apenas quando não conseguia mais aguentar a dor nas costelas.

Apoiei-me nos meus joelhos e respirei fundo. Voltei a andar rápido, precisava ficar o mais longe possível, me esconder em algum canto até poder voltar pra aquela escola que por uma ironia acabara se tornando o meu refúgio.

Um carro vinha na minha direção. Me escondi atrás de uma árvore mas ele passara direto. Entrei em uma rua e depois em outra. Não fazia ideia de onde estava nem pra onde ir. Meus dentes batiam forte com o frio da noite.

As ruas estavam desertas e uma fina garoa começava a cair o que deixava o frio mais intenso. Mas isso não importava. Eu poderia estar congelando mas o alívio que eu sentia por ter fugido daquele monstro tornava qualquer coisa suportável.

Pensei em ligar pra Thalia mas no desespero acabei deixando o celular no quarto. Não tinha a quem recorrer, nenhum lugar pra ir. Estava completamente sozinha, pra variar.

Sentei na calçada de uma casa e abracei os joelhos. Isso era tão injusto. Algumas pessoas passavam ao meu lado e não percebiam a minha presença. Com o tempo o frio apagou qualquer coisa que eu estava sentindo antes.

Devo ter adormecido por alguns instantes mas quando vi o carro parou na minha frente e Gabe saiu dele falando diversos palavrões. Levantei-me rapidamente e tentei correr mas ele me deu um chute que me fez cair de cara no chão. Senti algo quente escorrer por minha bochecha.

– Sua vagabundazinha. – ele disse me dando outro chute enquanto ainda estava no chão. – Como você ousa tentar me enganar?

Gemi de dor e tentei me levantar.

Gabe me pegou pelo braço com força e me jogou pra dentro do carro.

– Se você fugir de novo eu te mato, entendeu? – ele disse apontando um dedo na minha cara. – Eu mato você.

Não respondi nada e ele entrou no carro trancando as portas. Achei que ele iria voltar pra casa o que me daria uma chance de fugir mas ele pegou um caminho que eu nunca vira antes.

– Pra onde você está me levando? – falei tentando esconder o medo da minha voz.

Não recebi resposta. Senti que ia vomitar a qualquer momento, o pânico invadia minha mente.

– PRA ONDE VOCÊ ESTÁ ME LEVANDO? SOCORRO! – gritei debilmente recebendo uma bofetada na cara.

– Cala a boca vadia ou você vai se arrepender muito! – ele gritou de volta.

Virei de costas pra ele e coloquei a mão no rosto. Vi que ele tinha entrado numa estrada de terra afastada da cidade, cada vez mais entrando na floresta.

Tentei não tremer de frio e medo. Enterrei as unhas na minha coxa e fechei os olhos. Tentei inutilmente não pensar no que iria acontecer.

O carro foi desligado. Abri os olhos rapidamente e respirei descompassadamente. Estávamos no meio do nada, a única luz provinha do farol baixo do carro e de uma pequena lâmpada num chalé.

Não conseguia ver muito do chalé e não fazia questão de ver. Gabe destravou o carro e eu fiz minha última tentativa de fuga. Abri a porta do carro e corri porta afora, consegui correr por apenas alguns metros antes de um cara alto surgir do nada e me agarrar pela cintura. Gritei com toda a força que tinha.

O cara me carregou até o chalé e me jogou contra a parede. Perdi o equilíbrio e fui de encontro ao chão. Gabe veio logo depois.

– Ele é seu escravo sexual também? – disse com um sorriso sarcástico. – Seu gosto está bem moderno.

– Saia Albert. – ele disse e o cara obedeceu sem dizer algo. – Ele é meu segurança.

– Você não precisa de um segurança, precisa de um psiquiatra ou quem sabe um tempo numa fogueira. – disse me levantando.

– Muito engraçado Annabeth, por isso gosto de você. – ele disse chegando perto de mim. Engoli em seco.

– Espero que você queime no inferno. – disse inexpressiva.

– Eu vou. – ele disse e me jogou na cama. – Mas enquanto isso vou aproveitar o tempo que eu tenho com você.

Fechei os olhos com força. Gabe começou a passar a mão em mim e a tirar minha roupa. Senti a mão dele no meio das minhas pernas e mordi os lábios pra não chorar. Ele tirou a mão e se afastou por um momento. Ouvi o farfalhar de roupas sendo tiradas. Cerrei os punhos e apertei os olhos com mais força.

Senti o peso dele contra mim.

– Abra os olhos. – ele ordenou.

– Não. – respondi sem abrir.

– Eu quero que você olhe. – ele disse apertando meu seio. – Que você veja o quanto eu te desejo.

– Eu não vou olhar. – disse inexpressiva.

– Eu disse para abrir os olhos. – ele disse me dando outro tapa no rosto. Abri os olhos relutante.

Olhei para ele sem vê-lo de verdade.

– Agora está melhor. – ele disse dando uma gargalhada.

Senti a dor invadir a minha carne. Mordi os lábios pra não gritar e esperei aquilo acabar. Quando senti o líquido que provinha de Gabe jorrar em minhas pernas senti que ia vomitar. Esperei ele sair de cima de mim pacientemente.

Quando ele finalmente se recuperou e saiu de cima de mim eu ainda estava com o vômito na garganta.

– Vá se limpar no banheiro e me espere lá fora. – ele disse com um sorriso satisfeito no rosto. – E poupe-se da dor e não tente fugir de novo.

Peguei minhas roupas e procurei pelo banheiro no chalé. Vi meu rosto refletido no pequeno espelho em cima da pia.

Meus olhos estavam inchados e arregalados de medo. Havia um corte superficial no alto da minha testa. Minhas bochechas estavam inchadas por causa dos tapas que havia levado e o sangue do corte na testa havia escorrido pelo rosto e tinha secado.

No meu estômago havia um roxo gigante devido ao pontapé que levara.

Mas toda a dor que eu estava sentido não era nada comparada com o que eu sentia por dentro.

Esfreguei-me até tirar o sangue e sêmen do meu corpo. Vomitei até não ter mais nada para vomitar. Vesti minhas roupas novamente e cambaleei até o carro.

O ar frio da noite me envolveu como se fosse um velho amigo. O frio ajudou a apaziguar o medo e desespero que ineria a minha pele como uma praga.

Fechei os olhos e deixei que a escuridão me envolvesse.

Alguns minutos depois Gabe apareceu cantarolando alegremente.

– Está uma linda noite, não acha? – provocou-me entrando no carro.

Ignorei-o e entrei no carro.

– Veja como está seu rosto. – ele disse tocando a minha bochecha e suspirando. – Peço desculpas por ter batido em você... Mas é que você me deixa louco.

Afastei sua mão do meu rosto.

– Vai me levar de volta pra casa? – indaguei inexpressiva.

Gabe revirou os olhos.

– Claro que sim. – ele disse ligando o carro e voltando a dirigir. – Percy ficaria realmente decepcionado se você sumisse.

– Falando assim até parece que você se importa com ele. – respondi com ironia.

Gabe riu.

– Preciso manter as aparências. – ele respondeu rindo. Fiz som de vômito e abri a janela.

O resto da viagem foi lenta e destrutiva. Vez ou outra Gabe colocava a mão no meio das minhas pernas mas eu o afastava com rispidez.

– A dívida já foi paga. – disse entredentes.

– Por enquanto, minha querida, por enquanto. – disse com humor.

Engoli em seco e desviei os olhos pra estrada.



Antes mesmo de Gabe desligar o carro eu já tinha pulado pra fora dele e corrido para o meu quarto.

Olhei Gabe pela janela, observando-o entrar em casa. Esperei ouvir seus passos abafados passando pela frente do meu quarto mas só vi sua sombra debaixo da porta. Achava que ele iria entrar no quarto pra fazer alguma piadinha ou outra ameaça mas a sombra desapareceu silenciosamente.

Quando tive certeza que ele não poderia ouvir, joguei-me na cama e soltei tudo o que tentava esconder. Tristeza. Raiva. Desgosto. Nojo.

Tirei minhas roupas e joguei no cesto de roupas, me enfiei embaixo do chuveiro frio, meus dentes batendo fortemente, a temperatura do meu corpo caindo grau por grau.

A sensação congelante por alguma razão me acalmava, acalentava todo o desespero e a insanidade da situação. Quando senti que não aguentava mais o frio troquei para calor. A água quente massageou meus ombros suavemente. Depois de um tempo saí do chuveiro e coloquei uma camisa de moletom e meias ¾. Deitei na cama e me aconcheguei como uma bola.

Não havia mais lágrimas pra chorar. Não havia dor física para se lamentar. Tudo o que havia eram as lembranças e a dor que elas continham. Cada momento repetindo-se como um filme de terror na minha mente. O filme não tinha fim, ficava rebobinando de volta para o começo, para o meio, mas nunca para um fim.

Cerrei os punhos e soquei a cama com toda a minha força. Eu não podia continuar nisso. Não podia ficar me torturando desse jeito. Procurei meu celular no quarto e encontrei-o ao meu lado na cama.

Procurei o número e o disquei. Thalia atendeu no segundo toque.

– Annabeth? Aconteceu algo? – ela disse nem um pouco sonolenta.

Respirei fundo.

– Sim, estou entediada. – respondi rindo. – Vamos sair?

Thalia bufou.

– Agora? – perguntou. – Pra onde?

– Ora, você mora aqui, deve saber de algumas festas legais. – disse.

– Até que tem, mas agora mesmo? Tem certeza? Não quer ir amanhã? – ela indagou.

– Hoje é perfeito. – disse e suspirei. – Mas se você não quiser ir é só me dizer o melhor lugar pra ir que eu vou sozinha... Mas eu realmente gostaria que você me acompanhasse.

Thalia pensou por um tempo.

– Passo aí em 15 minutos. – ela disse e desligou.

Respirei fundo e me levantei da cama. Troquei o moletom por um vestido preto curto e meias 5/8 com cinta-liga. Coloquei saltos-alto e maquiagem escura. Olhei-me no espelho e revirei os olhos. Parecia um cover mal feito da Taylor Momsen. Tirei os saltos e coloquei meu all star. Bem melhor. Peguei minha carteira e desci para a cozinha pegar um copo d’água. Não notei que estava com tanta sede até começar a beber. Acabei bebendo três copos de água em um minuto.

Me enfiei dentro da geladeira e peguei um pedaço de bolo que encontrara. Fechei a porta e quase desmaiei de susto. Percy entrara silenciosamente na cozinha e olhava pra mim dos pés a cabeça.

– Cara, você quase me mata de susto. – disse com a mão no peito. – Achei que fosse...

– Você vai sair a essa hora? – ele perguntou sonolento.

– Não são nem duas da manhã. – respondi de boca cheia.

– E onde você vai? – ele perguntou coçando o olho parecendo uma criança. Só que uma criança sem camisa e bem gostosa.

– Você sempre dorme pelado nesse frio? – o provoquei.

– A turista é você. – ele disse revirando os olhos.

Meu celular vibrou com um sms da Thalia dizendo que já estava aqui. Comi o resto do bolo e respirei fundo.

– Você não vai me dedurar, certo? – disse com um meio-sorriso.

Percy bufou.

– Vou pensar sobre isso. – disse sorrindo. – Só fique bem, certo?

– Tchau Percy. – disse ignorando sua pergunta.

– Até o café da manhã, Annie. – ele respondeu quando eu estava saindo.

Saí silenciosamente pela porta da frente onde Thalia estava com o carro estacionado.

– Obrigada por ter vindo. – disse quando entrei no carro. — Você me salvou de uma noite entediante.

– E você me tirou de uma ótima noite de sono. – ela disse rindo. – Vamos dar o fora daqui.


Thalia dirigiu até o centro da cidade e parou numa rua deserta.

– Daqui vamos andando. – ela disse saindo do carro.

Entramos em outra rua e em seguida paramos na entrada de um beco.

Pelo que pude ver o beco era cheio de bares, boates e pontos de droga.

– Bem vindo ao Beco Diagonal. – ela disse sorrindo. – Só que aqui a magia é diferente.

Gargalhei da piada e entramos no beco.

Procuramos pela boate Apolo’s Club que, segundo Thalia, era uma das melhores boates que Notthingan tinha. Entramos sem que nos pedissem a identidade, o que era bem legal já quem nos EUA não tinha essa facilidade toda. Sempre tínhamos que falsificar uma identidade para entrar.

– Sabe, poderia até gostar desse lugar se não fosse pelos os meus problemas. – disse olhando para todos os lados.

Havia gente bêbada e drogada por todos os lugares, mas não liguei, já estava costumada com coisas assim.

– Que problemas? – perguntou Thalia.

– Esquece – disse dando os ombros.

Comecei a dançar no ritmo da musica que era, por sinal, muito contagiante. Thalia tratou de pegar duas bebidas e quando trouxe, nem sequer me preocupei em saber o que era, virei com tudo e senti o liquido queimar a minha garganta.

Já havia se passado algumas horas e o meu corpo pedia por descanso. Meus pés latejavam, a dor em meu abdômen já estava insuportável e minha cabeça já rodava com o tanto de vodca que havia tomado.

Mas não parei de dançar. Queria desesperadamente esquecer o que tinha acontecido essa noite, queria esquecer como eu era frágil, esquecer todos os meus problemas e queria esquecer também a dor que uma vez eu pensei que já havia me deixado.

Estava dançando com um garoto alto, ruivo e olhos verdes. Ele parecia saber todos os meus movimentos.

– Você dança muito bem. – disse ele quando parei de dançar.

– Você não é nada mal. – disse dando os ombros.

Fui até o bar e peguei mais uma garrafa de vodca.

– Você quer entrar em um coma alcoólico? – perguntou ele quando nos sentamos.

– Se possível. – dei de ombros.

Pendi a cabeça para trás e soltei um suspiro. Eu tinha que aproveitar mais essa festa, não podia ficar sentada.

Comecei a dançar, mas logo despistei o carinha. Apesar de ele ser lindo, era um chato e não queria me deixar beber mais.

Depois de dançar mais meia hora, bebi uma meia garrafa no intuito de começar uma convulsão ali mesmo, mas como eu sou uma pessoa muito sortuda, isso infelizmente não aconteceu.

Uma das poucas coisas de que me lembro é de ter visto um garoto alto com jaquetas de couro entrando na boate e se minha mente não estivesse me pregando peças, aquele parecia ser muito o Percy.

Antes de perder totalmente a consciência, me encostei numa parede e joguei a cabeça pra trás de tão tonta que estava, mas acabei caindo em um canto escuro.


Pov. Percy

Depois de ter encontrado com Annabeth na cozinha, subi pelo o meu quarto mas no meio do caminho, acabei desbarrando com a minha mãe.

– Querido, o que estava fazendo acordado à essa hora? – perguntou.

– Vim pegar uma água. – respondi. – E você, o que esta fazendo?

– Ouvi um carro parando na frente de casa e vim ver o que ela.

– Ah. – disse com um meio sorriso no rosto.

– Você sabe quem era?

Passei a mão no cabelo tentando arranjar uma resposta.

– Deve ser algum bêbado que não se lembra do caminho de casa. – disse por fim.

– Deve ser mesmo. – disse ela sorrindo.

Comecei a andar para o meu quarto, mas parei quando Sally me chamou.

– Percy, amanhã nós iremos sair bem cedo, vamos naquela cachoeira que costumávamos a ir quando Atena ainda morava aqui, será que Annabeth irágostar?

Arregalei os olhos. Geralmente quando Sally dizia que íamos sair cedo, era bem cedo mesmo, tipo umas 6 da manhã.

– Claro. – tentei disfarçar.

– Boa noite, querido.

Entrei em meu quarto e procurei uma roupa para vestir. Eu precisava trazer Annabeth para casa. Minha mãe não poderia nem imaginar que ela havia fugido.

Peguei um jeans simples e coloquei uma blusa branca e uma jaqueta de couro preta para me afugentar do frio que Notthingan proporcionava.

Depois de ter a certeza de que minha mãe já havia dormido, saí do quarto e fiz o mínimo de barulho possível. Pegue a chave do carro e saí de casa. Entrei no carro e pensei por um instante.

Para onde Annabeth havia ido? Ela só conhecia Thalia e Bianca, mas Bianca não iria sair esse horário de casa, então ela tinha ido para festa com Thalia. E Thalia sempre ia para as festas do Beco Diagonal.

Liguei o carro e dirigi pelas ruas calmas até lá. Pensei em como Annabeth havia se tornado uma mulher, mas ela parecia ter muitos problemas, o que a tornava insuportável daquele jeito.

Parei na frente do beco e quando saí, vi vários jovens jogados no chão bêbados ou drogados. Passei com cuidado por ele e procurei pela boate Apolo’s Club. Tinha a plena certeza de que Thalia levara Annabeth para ali.

Quando entrei, olhei para todos os lados a procura de uma garota de cabelos loiros. O som alto me deixava surdo. Olhei para um canto escuro e vi que uma garota estava cambaleando naquele ponto. Annabeth.

Annabeth caiu no chão e eu corri para alcançá-la, acabei empurrando um cara que dançava a minha frente e, quando alcancei Annabeth, ela dizia coisas sem sentindo.

– Annabeth! – a chamei. – Annabeth você está bem?

– Oi gatinho. – disse ela rindo.

Pelo o seu hálito pude perceber que estava bêbada, muito bêbada.

Quando a peguei no colo, Annabeth jogou os braços em volta do meu pescoço e começou a assoprá-lo causando arrepios. A levei para fora da boate e a coloquei dentro do carro.

Senti o bolso da minha calça vibrar e quando peguei o meu celular, vi uma mensagem da Thalia.

Percy, a Annabeth sumiu!”

Balancei a cabeça e respondi a sua mensagem.

“ Ela está comigo, não se preocupe.”

Entrei no carro e deparei com Annabeth cantando.

I wanna love you and treat you right. I wanna love you every day and every night. We’ll be together with a roof right over our heads. – cantou.

Ri com a tal cena e comecei a dirigir de volta para casa.

– Não sabia que você gostava de Bob Marley. – eu disse.

– Há muitas coisas que você não sabe sobre mim. – ela disse ronronando.

Olhei confuso para Annabeth e me deparei com ela levantando o vestido.

– Annabeth, por favor, pare com isso. – a impedi de tirar a roupa.

Annabeth abraçou as pernas e fez um bico.

– Gay. – disse ela.

– O que disse?

– Te chamei de gay.

Balancei a cabeça.

–Você sempre transa quando está bêbada? – perguntei com um pequeno sorriso no rosto.

– Não sei. – ela riu.

Voltei a minha atenção para o trânsito enquanto Annabeth cantarolava Thisis Love.

Quando chegamos em casa, abri a porta do carro e tentei pegar Annabeth, mas ela me empurrou.

– Eu sei andar. – disse ela saindo do carro.

Annabeth caminhou cambaleante até a porta. Andei atrás dela e abri a porta. Annabeth entrou em casa e foi direto para a geladeira.

– Quero comer. – disse ela abrindo a porta da geladeira.

– Tem comida ai dentro. – respondi.

– Eu quero comer você. – disse ela olhando-me por cima da porta.

Revirei os olhos.

– Se eu caísse na piscina, você iria atrás de mim? – ela perguntou tirando os sapatos.

– Como é que é? – disse sem prestar atenção.

– AH, você me irrita com essa lerdeza de pensamento. – disse ela antes de sair correndo pela porta da cozinha.

Corri atrás dela e quando a vi, ela estava parada a beira da piscina.

– Pule. – a desafiei cruzando os braços.

Annabeth sorriu e pulou na piscina. Annabeth não submergia e eu começava a ficar realmente preocupado.

Com um suspiro, tirei a minha jaqueta e a camisa e pulei atrás dela. Puxei o seu braço e a joguei para a superfície.

– Você me ama! – disse ela assim que submergi na sua frente.

– Claro que não. – neguei surpreso.

– Você me ama. – ela disse atônita.

– Porque você acha que eu te amo?

– Você pensou que eu estava me afogando e veio me salvar, então você me ama. – disse ela simplesmente.

– Cala a boca. – disse bufando.

– Vem calar.

Aproximei-me dela e coloquei a mão em sua boca, mas fui obrigado a tira-la pois Annabeth estava me mordendo.

Soltei uma risada baixa.

Depois de alguns minutos, Annabeth pousou a cabeça em meu ombro e por puro instinto, afaguei o seu cabelo. Mas logo senti algo quente em minha orelha e quando virei para olhar, Annabeth a beijava causando-me fortes arrepios.

– Pare com isso. – disse baixo.

– Vai dizer que não gosta? – ela sussurrou no meu ouvido.

– Você não está raciocinando muito bem.

– E você acha que se eu estivesse raciocinando bem não estaria fazendo isso? – perguntou ela com um sorriso perverso no rosto.

– Não. – respondi ainda rindo.

Tirei Annabeth da piscina e a carreguei até o seu quarto. Peguei uma toalha e entreguei a ela. Enquanto ela trocava de roupa, fui até a cozinha e peguei um café quente. Subi até o seu quarto e Annabeth já estava sentada na cama com uma blusa preta enorme e meias. Entreguei-lhe o café e fui para o meu quarto.

Troquei a roupa molhada por um moletom e deitei na cama. Quando estava finalmente conseguindo dormir, ouvi batidas na porta. Me levantei e abri a porta e por incrível que pareça, Annabeth estava ali.

– O que foi? – perguntei.

– Posso dormir aqui? – perguntou.

– Porque você iria querer dormir aqui? – perguntei incrédulo.

– Estou com medo. – disse Annabeth passando a mão nos braços.

– Sério? – perguntei sorrindo.

Olhei para o rosto de Annabeth com mais clareza e pude quer que eles estavam arregalados de medo. Talvez ela estivesse mesmo falando a verdade.

Sem pedir permissão, Annabeth entrou no meu quarto e deitou na cama.

Ótimo. Tudo o que eu precisava era ter a garota que eu mais odiava dormindo na minha cama.

Suspirei e deitei do lado oposto de Annabeth, mas antes de pegar no sono, senti as mãos de Annabeth em meu ombro. Virei para ela e fiquei brincando com o seu cabelo até ela dormir.

Isso era um bom começo, logo ela era seria mais uma na minha lista.

O tal pensamento me deixou um pouco triste. Por mais que eu e Annabeth não nos déssemos bem, eu não queria que ela fosse mais uma. Talvez porque eu sabia que estava sofrendo.

Soltei um longo suspiro e fechei os olhos tentando não pensar naquilo em que eu teria que fazer.

Notas finais
Dramatico, eu sei, haha. Mas e ai, gostaram do capitulo? Valeu a pena esperar esse tempo todo?
Esperamos os reviews de vocês.
Até o próximo capitulo :*