Touch-me only like you do.
13 Sobre sexo, atração e garotas
Notas iniciais
Eu não teria entrado neste tipo de trabalho temporário que eu estou fazendo agora, se não tivesse sido realmente preciso. Exibição era a coisa do Matt, mas não era muito minha praia. Não que eu tivesse qualquer problema com ter mulheres olhando para mim, é só que eu nunca havia sido pago para isso. Até que o aluguel do espaço, onde eu e meus irmão mantínhamos a loja de tatuagem, subiu de preço e, por isso, agora estava atrasado.
Quando nosso pai morreu, nove anos atrás, ele nos deixou a casa onde morávamos como único bem para herdar, além da licença da loja de tatuagem, que àquela altura, já tinha alguma base de clientes. Não que eles tenham continuado a ser uma base sólida, porque uma parte deles ficou meio receoso de tratar com alguém que não fosse tão experiente como meu velho foi, felizmente, eles não demoraram muito para perceber que tínhamos algum talento também. De qualquer forma, tínhamos a loja, porém, não tínhamos o local. Ele era alugado.
O dono, Senhor Solomon, era um velho fodido e não tinha consideração nem pela própria família, se o assunto fosse dinheiro. Assim que o nosso contrato acabou, no mês passado, ele veio com a notícia de que ele estava aumentando o aluguel, e, que se não estivéssemos de acordo, pegássemos nossas “tranqueiras de fazer tatuagem” e nos mudássemos para outro lugar. Nós não podíamos nos dar ao luxo de mudar a loja de lugar, primeiramente porque esse ponto já era muito conhecido como nosso, e, em segundo lugar, porque ficava na esquina de casa. Não tínhamos que gastar dinheiro em transporte, e era bastante confortável estar a alguns metros de casa. Achar qualquer outro prédio vazio nessa rua era uma tarefa impossível.
Então, o nosso aluguel estava atrasado, e a demanda da loja de tatuagens estava um pouco mais lenta naquele mês. Era fim do verão, e já não tínhamos mais tantos turistas circulando por aí. Matt teve que voltar a trabalhar de segurança nos finais de semana, Logan estava fazendo hora extra quase todas as noites e Calebe estava pegando um turno na cafeteria da universidade. Eu tinha que dar minha contribuição também, mas ficava difícil arrumar qualquer coisa com o meu horário fodido.
Sem Chris trabalhando, minha carga-horária na loja aumentou consideravelmente, de forma que só me sobrava um pouco da noite e a madrugada para fazer algo. Isso foi sobre o que eu estava reclamando para Brad, um dos outros seguranças no bar onde Matt trabalhava, numa noite quase dois meses atrás.
Brad, entre uma briga de bar e outra, me contou de um emprego que ele pegou algum tempo atrás, antes de se casar com sua esposa, e disse que me ajudaria a consegui-lo. Segundo Brad, era uma coisa fácil, e que pagava um bom dinheiro.
Ele não explicou, naquele dia, que eles pagavam a porra de uma pequena fortuna, porque o que fazíamos precisava de discrição. Eles não nos pagavam pelo nosso trabalho, mas sim pelo nosso silêncio.
Nós estávamos lidando com gente muito rica e exclusiva neste local, e não era para qualquer pessoa como eu, pobre e vinda de uma área não particularmente espetacular, ter sequer uma pequena ideia, a menos, é claro, que você tivesse as conexões certas. Feliz ou infelizmente, Brad me conhecia e confiava o suficiente para me levar lá e fazer com que eu fosse contratado.
A mulher que nos atendeu olhou para mim de forma fria e especulativa, antes de lançar um olhar torto para o Brad, e dizer: — É melhor para você que ele não disperdesse o meu tempo, Brad.
Brad engoliu em seco, e essa foi a primeira vez que eu testemunhei um pouco de temor nos olhos do meu amigo. Eu quase ri da situação, porque, honestamente, julgando pelo tamanho do homem que era Brad, você nunca imaginaria que ele fosse temer a nada menos que um jogador da linha de defesa do futebol americano. A mulher parada na minha frente tinha em torno de 45 conservados anos e não parecia capaz de infligir nenhum dano nele.
Eu apenas não sabia naquela hora, mas o que Brad fez foi grandiosamente perigoso, se você considerasse o enorme contrato de confidencialidade que tínhamos que assinar para entrar naquele lugar. A multa de rescisão era tão enorme, que você poderia passar a vida inteira trabalhando, vender alguns órgãos no mercado negro, e, ainda assim, talvez nunca chegar a pagar.
Essa foi uma questão que me pegou, mas, uma vez que estava dentro, eu não podia apenas sair. Não sem deixar Brad numa má situação, e, apesar de tudo, o cara estava tentando me ajudar. Ele apenas não previa que eu iria me tornar obcecado por uma das outras “funcionárias” daquele lugar, mas isso é uma longa história.
O Climax era um clube de senhoras, ricas, que eram muito bem cuidadas e bonitas, mas péssimas em agradar seus marido em.. bem, uh, sexo. Cansadas de não agradarem seus riquíssimos maridos esnobes e de serem constantemente trocadas por outras mais novinhas e melhores, nas palavras de Miss. Willians, a gerente — que, eu juro, se apresentou para mim com esse nome —, elas procuravam a “ajuda” da Climax. Lá elas pagavam uma exorbitante quantia de dinheiro para aprender a foder.
Sério.
E eu achando que já tinha visto de tudo na vida.
O mais surpreendente de toda a coisa, é que o lugar realmente era como uma escola de merda, como se ao invés de ensinar mulheres a fazer sexo, eles estivessem estudando alguma ciência exata. Não fazia nenhuma merda de sentido na minha cabeça, porque, para mim, uma boa transa não era fruto de atos pré-estabelecidos e estudados arduamente. O sexo era uma atitude natural do ser humano, era sobre instintos e não sobre métodos.
Miss. Willians riu da minha cara quando eu disse isso a ela.
— Abençoada seja a sua ignorância, Thomas. — Ela disse. — O sexo pode até ser um instinto, mas a conquista não é. Ela é uma combinação do olhar certo, no momento certo. Do que dizer e quando dizer. Do que vestir e de como saber tocar, do que mostrar e do que não mostrar. Apesar de vocês, homens, serem as vezes tão animais a ponto de foder qualquer coisa, a maioria precisa de estímulos para realmente sentirem atração. Essas mulheres não precisam de sexo casual, elas precisam que seus maridos sejam tão atraídos por elas, que não vão querer se satisfazer com mais ninguém. Entende?
Na verdade, eu ainda não entendia. Mas eu estava certo de que não queria ouvir o discurso uma segunda vez. Para mim faltava uma coisa nas relações que ela descreveu: Amor. Eu certamente não me casaria com uma mulher que eu não amasse, e certamente não trocaria ela por uma que fosse mais nova ou bonita apenas por um sexo melhor. Quem no inferno fazia uma coisa dessas?
Eu tinha absoluta convicção de que os únicos culpados por isso eram os próprios homens. Talvez eles fossem ruins de cama, a ponto de precisarem de uma parceira melhor que eles. Porque eu digo, como homem, que o ato sexual era sobre dar prazer a uma mulher e ter prazer nisso. Não apenas satisfação pessoal, isso era apenas egoísta pra caralho. Se suas esposas não fossem espetaculares nisso, e eles fossem pessoas decentes, eles as ensinariam eles mesmos. Não havia nenhuma inexperiência que não se tornasse em experiência perante prática e tempo.
Eu tinha pena dessas senhoras, pois elas pensavam que aprender a teoria do sexo ensinada naquele lugar, iria realmente resolver seus problemas conjugais. Depois que eu as conheci, percebi que elas não eram más pessoas, ao contrário. Eram boas mulheres, e queriam se tornar melhor e agradar, como se fossem um maldito brinquedo. O triste, é que, na verdade, não importava quantas tentativas de ganhar o afeto de seus maridos elas fizessem, ou quão boas em foder elas se tornassem, elas nunca deixariam de ser apenas troféus que seus homens ricos usavam para exibir.
Por isso, eu odiava aquele lugar, e teria dado o fora de lá no momento em que a grana estivesse no meu bolço. Eles não estipulavam tempo de trabalho no contrato. Eu era pago por sessão, e podia ir embora no momento que eu bem entendesse, como Miss. Willians me informou, elas precisavam de pessoas que estivessem dispostas a cooperar; a única exigência real, era o absoluto silêncio. Mas eu não pude ir embora.
Não importava quantas vezes eu repetisse na minha cabeça que era última vez que eu colocaria meus pés naquele lugar, eu sempre me encontrava voltando, porque a curiosidade era demais. Bem, pelo menos curiosidade era como eu gostava de chamar o que aquela menina provocava em mim, mas, na verdade, eu sentia uma atração tão forte por ela, que em mal conseguia processar.
E, apenas para provar a minha teoria e descartar toda a baboseira que Miss. W pregava, minha atração por ela não tinha nada a ver com olhares estipulados e saber como agir e o que dizer na hora certa. Porque ela odiava que eu apenas chegasse perto dela, e me olhava como se eu fosse escória. Tudo que a gente trocava, eram farpas e eu sempre era um babaca perto dela. E, ainda assim, eu não podia deixar de me sentir atraído pela garota.
A garota, era como eu a chamava, porque ela não quis me dizer o seu verdadeiro nome, e eu me recusava a chama-la pelo seu pseudônimo do clube. Porra, ela me enlouquecia.
Me enlouquecia tanto que esses dias eu não aguentei e confessei toda a minha insana e platônica atração por ela para Loren. Bem, deixando de fora toda a coisa do clube e tudo mais, claro. Loren riu. RIU. E depois disse que eu deveria beija-la.
Eu fiquei olhando para ela como se ela tivesse perdido sua maldita cabeça, porque eu conto que a menina me detesta e tudo que ela seriamente podia fazer era rir e me dizer para beija-la a força. Loren riu ainda mais.
— Você não se lembra do jardim de infância, Thomas? — Loren perguntou retoricamente. — O que acontecia quando você gostava de uma menina?
Ela estava certa, afinal. Quando criança, os meninos não fazem mais nada que ignorar e tratar mal as garotas que gostam. Loren continuou:
— As meninas agem do mesmo jeito, só que quando mais velhas.
Eu seriamente esperava que Lo tivesse certa, porque amanhã à noite era dia de eu ir para a Climax, e eu estava fortemente tentado a seguir o conselho dela. Não era como se houvesse algo a perder...
Mas talvez eu precisasse de alguns outros concelhos femininos, e foi com esse pensamento que eu andei para casa depois de fechar o estúdio. Eu entrei em casa, e pendurei as minhas chaves no lugar, ao invés de apenas joga-las por aí, como eu faria normalmente. Estávamos tentando manter a casa no lugar desde que Loren arrumou-a, primeiramente porque o Logan nos ameaçou, e em segundo lugar, porque era realmente bom.
A casa cheirava a frango assado e batatas, mas a cozinha já estava arrumada, de forma que eu sabia que eles já tinham jantado. Eu não precisava perguntar para saber que Loren tinha deixado um pouco de comida para mim na geladeira, e, por mais que eu estivesse morrendo de fome, eu queria falar com ela primeiro.
Eu estava fodidamente amando ter uma irmãzinha. Sorri pensando nisso. Logan bem que poderia ir em frente e tornar oficial, ninguém aqui contestaria. Nós nos acostumamos com ela, rapidamente.
Eu me virei, saindo da cozinha e reparando, pela primeira vez, que não havia ninguém na sala de tv. O que era realmente estranho.
— Alguém em casa? — Eu gritei em direção as escadas.
Nem meio minuto depois, Matt desceu de lá em uma corrida, e com um rosto tão assombrado que eu pensei que ele poderia ter visto o fantasma do nosso falecido pai.
Antes que eu pudesse perguntar o que diabos estava acontecendo, ele agarrou meus braços e disse:
— Merda, Thomas. Eu acho que ela está nos deixando. Tipo, realmente nos deixando.
— Quem? — Eu perguntei confuso.
— Loren, porra. A Loren está nos deixando.
Oh, cara! Eu não sabia se eu e meus irmãos éramos fortes o suficiente para lidarmos com o abandono de mais uma mulher. Principalmente, se Logan podia lidar com o abandono dessa mulher. Não conhecíamos ao certo quem ela era, ou de onde veio, mas se ela estiver mesmo indo para algum lugar, isso iria acabar com o meu irmão.
Foda.
Puta foda.
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