Touch-me only like you do.

33 Não é atoa que eles parecem me odiar


Notas iniciais
May, o titulo te inclui também...

Capítulo 33

“Não é atoa que eles parecem me odiar”

Loren Hannigan

Era um pouco tarde demais para considerar educado quando eu finalmente convenci Logan a descer comigo e ver a proposta que Carter tinha elaborado para a vaga que nós oferecemos a ele.

Beth e Elle não estavam mais à vista, e Rachel estava sentada com os meninos na sala, todos eles fingindo muito mal que não estava prestando atenção a nossa conversa.

O clima entre Logan e Carter não era dos mais confortáveis. Quando os apresentei, eles fizeram aquela coisa que homens fazem uma elevação de queixo, como se isso fosse o suficiente de um cumprimento. E então fomos sentar na, agora limpa, mesa de jantar. Logan me puxou o mais perto dele que ele poderia, e Carter se sentou à nossa frente, levantando uma sobrancelha pra mim, em parte me provocando, em parte pedindo uma explicação. Carter era a pessoa mais discreta que eu conhecia, ele jamais iria perguntar na frente de Logan. Eu apenas sorri timidamente, e dei de ombros em resposta, e ele deixou quieto, indo direto para o modo de negócios.

Eu tentei não me envolver nessa parte, porque eu sabia da relutância de Logan no que dizia respeito a esse emprego. Então foi Carter que explicou a ele como a empresa trabalhava, o que seria requerido na posição dele e tudo mais. Não era uma entrevista, o emprego já era de Logan. Estávamos apenas apresentando a ele o que ele precisava saber para começar a trabalhar, assim que ele cumprisse aviso em sua empresa atual.

Quando Carter finalmente chegou a proposta salarial, colocando a folha com a proposta, eu prendi a respiração e senti Logan ficar rígido do meu lado. Eu sabia que isso seria um problema, a parte do dinheiro, mas ele precisava entender que aquilo não ia sair do meu bolso, e sim que era um trabalho legítimo, como qualquer outro que ele pudesse fazer.

Carter levou a reação de Logan um pouco errado, e de maneira cautelosa, disse: — Essa é a proposta inicial, e não é muito porque estamos abrindo a filial agora, temos que manter um orçamento até que possamos funcionar plenamente.

E eu respirei fundo me encolhendo um pouco, porque o “não é muito” de Carter, era muito pra Logan.

— É o suficiente — Logan se limitou a responder, num tom duro.

Carter olhou pra mim, pela milésima vez, procurando uma explicação, e eu apenas balancei a cabeça, pedindo a ele para deixar pra lá. Eu realmente precisava falar com Carter, ele estava perdido em tudo que aconteceu hoje.

— Bem, isso é tudo, — Carter disse olhando para o relógio — tenho certeza que podemos marcar uma reunião ao longo da semana para entrarmos em mais detalhes e acertarmos a papelada necessária. — Então ele ficou de pé, arrumando a pasta de apresentação que ele trouxe e claramente indicando que era hora de ir.

Logan ficou em pé também, assim como eu.

Quando terminou de se ajustar, Carter olhou para mim e perguntou — Vamos?

Logan ficou imóvel do meu lado, e eu quase podia sentir seu temperamento começando a dominar o ambiente. Se eu olhasse pra ele, com certeza veria a mandíbula cerrada e os punhos apertados do seu lado. Tirando um momento como o qual ele me encontrou meses atrás, que precisasse de ação, essa era a extensão da reação raivosa de Logan. Ele não perdia seu temperamento sem necessidade, ele era um cavalheiro. Mas eu sabia que, seu eu podia sentir e ver, era porque ele estava quase perdendo seu controle.

— Hum… Carter, podemos conversar um momento lá fora? — Pedi.

E Carter deu de ombros e começou a andar em direção a porta, como se não fosse grande coisa, e, mesmo que estivesse entendendo claramente a hostilidade de Logan, se despediu amigavelmente dos meninos na sala, quando passou por eles.

Eu olhei para Logan e sussurrei — já volto — seguindo Carter para a porta. Mas antes que eu fosse muito longe, Logan me segurou pelo braço.

Eu olhei pra ele, esperando.

— Você dorme na nossa cama hoje à noite — Ele disse. E não foi um pedido.

Eu me arrepiei toda, mal podendo esperar, e sussurrei — Sim, Logan.

Eu dei a Carter o resumo da ópera quando cheguei na porta, e ele se limitou a rir.

— Não é atoa que eles parecem me odiar. Você poderia ter me avisado, eu estava começando a criar um complexo com a maneira como todos olhavam pra mim.

Eu sorri — Desculpa.

— Da próxima vez que você me levar pra conhecer um namorado, por favor, explique a ele que eu te vi de fraldas, e, na minha cabeça, você ainda tem 13 anos.

Eu empurrei ele de brincadeira e rindo, resmunguei — Você é dois anos e meio mais velho que eu, Carter. Não exagere.

Ele riu, e depois suspirou, ficando sério — tem certeza que quer ficar aqui?

— Sinceramente, é uma das poucas certezas que eu tenho hoje.

Ele balançou a cabeça compreendendo.

— Eu gosto de como eles agem com você e entre eles. E eu gosto que você esteja confortável aqui. Depois de tudo que aconteceu nos últimos meses, eu fico feliz que você possa voltar pra isso. Eu não ia conseguir te ver definhar por muito mais tempo.

— Carter — eu sussurrei, com os olhos enchendo de lágrimas.

Ele se aproximou e me abraçou — Shhh, se eu devolvo você chorando para o cara lá dentro, ele certamente vai chutar minha bunda dessa vez.

Eu ri, e então ele beijou minha cabeça e se afastou.

— Vou voltar para o hotel, te ligo amanhã.

Quando eu voltei pra dentro, todo mundo tinha desaparecido da sala como se nunca tivessem estado lá. Mesmo Ray, que não morava aqui, não estava em lugar nenhum a vista. E eu sabia que ela não tinha ido embora, porque eu não saí da porta.

Mas eu não tinha tempo pra pensar sobre isso, Logan estava me esperando na beira da escada.

Ele sorriu quando eu caminhei pra ele, e estendeu a mão, me levando pra cima com ele. Já passava das onze, eu tinha absoluta certeza de que ele estava exausto. Eu também estava, desde que cheguei hoje pela manhã e rodei a cidade com Carter, resolvendo coisas, antes de aparecer aqui.

Mas eu não me importava, e Logan também não, pelo visto.

Assim que ele fechou a porta do quarto atrás da gente, ele me puxou pra ele e começou a me beijar como um homem faminto.

E eu estava perfeitamente bem com isso. Sabendo quem me tocava, conhecendo no fundo da minha alma que ele era o lugar onde eu sempre estaria segura.

Nós nos beijamos por tanto tempo, como se nada no mundo pudesse nos separar agora. Deixando nossos corpos falarem pela saudade que sentiam um pelo outro. Minhas costas estavam na parede, bem ao lado da porta, minhas pernas envoltas na cintura dele. As mãos de Logan vagavam pelo meu corpo de uma maneira que ele nunca tinha se permitido antes. As minhas vagavam por baixo de sua camisa, desejando que ela simplesmente desaparecesse, para que eu tivesse mais acesso. Eu conseguia sentir fisicamente o quanto ele me queria, e eu estava bem ali com ele. Eu estava pegando fogo, minha calcinha mais molhada do que já esteve. Eu simplesmente queria que ele nos levasse para o próximo passo, quando ele aquietou suas mãos, e eu gemi em derrota, implorando por ele num sussurro — Logan..

Sua boca se afastou um centímetro da minha, ainda tão perto, que eu senti seus lábios se arrastarem pelos meus, quando ele falou baixinho — Eu não vou te levar pela primeira vez assim, baby.



Notas finais
Não me matem...