Touch-me only like you do.
20 Impressões marcantes
Notas iniciais
Capítulo 20
72 Horas- Parte 3- Sexta
“Impressões marcantes”
Loren Hannigan
A sensação de que eu estava sonhando ainda não tinha me abandonado pela hora em que Logan e eu chegamos em casa. Depois do terrível fim de tarde que eu tive ontem, eu sabia que só precisava de uma coisa para estar bem novamente: Logan Heidy. Sempre ele.
Mesmo cansado depois de um longo dia de trabalhos, como ele estava ontem, Logan chegou em casa e pós a priori as minhas necessidades em função das dele. Fazia eu me sentir culpada por cada risco de preocupação marcado em sua testa, mas me fazia sentir amada e cuidada também. Com cada palavra acalentadora, com seus braços ao meu redor e a promessa de um dia melhor, eu adormeci, não importando mais com o que tinha acontecido durante o dia e sem me preocupar se os pesadelos viriam para me assombrar.
A forma como Logan se encaixava em mim, na minha vida, nas minhas necessidades, no meu corpo, tanto me fazia feliz, quanto assustada para além da morte. Eu não estava certa de que acreditava em toda a baboseira de “destino” e “feitos um para o outro”, mas, caramba, não acabar acreditando nisso quando uma prova contundente caia do céu como um anjo e, literalmente, derrubava as portas para sua vida, como Logan fez comigo, era, praticamente, burrice. Ainda assim, mesmo que eu piamente acreditasse em tudo isso, parecia muita má sorte da minha parte conhecer a perfeição que era uma vida com Logan Heidy, apenas para ter que deixa-la.
E se a gente tivesse se conhecido cedo demais? Isso era mesmo possível?
Eu escolhi deixar de lado minhas auto-indagações porque eu tinha coisas mais interessantes para me preocupar no dia de hoje, do que pensar se destino e Karma eram mesmo fatores reais e preocupantes na vida de uma pessoa. Logan vinha me dizendo que passaria um dia sozinho comigo, e, desde o momento que ele me prometeu, eu não podia fazer outra coisa que me corroer em antecipação.
Foi uma total surpresa para mim. Mesmo que eu tenha implorado para Logan que me dissesse para onde iríamos, ele não fez. Pela hora em que eu acordei na manhã de sexta-feira, Logan já estava de pé, com uma cesta de piquenique quase completamente montada no balcão da cozinha.
Éramos as únicas pessoas na casa, afinal, embora Logan não estivesse trabalhando, era um dia como qualquer outro e seus irmãos estariam.
— Você tem alguma regra secreta sobre dormir até mais tarde? — perguntei quando o abracei por trás e respirei o aroma limpo de sua camiseta.
Logan não tinha me visto ou ouvido, até agora. Ele estava fazendo sanduíches de costas para mim, ao me ouvir, ele riu, fazendo a vibração percorrerem todas as partes do meu corpo que estavam pressionadas a ele. Então ele soltou a faca que usava para passar maionese no pão e se virou para mim, ainda com meus braços a sua volta. Ele levantou as mãos e suavemente acariciou meu cabelo para trás do rosto, me olhando com ternura antes de juntar seus lábios nos meus. Eu tremi, todo o meu corpo se tornando altamente consciente dele. Fechei os olhos e me derreti, permitindo que Logan tomasse posse da minha boca da maneira que ele bem quisesse. Eu não me importava nem um pouco, com tanto que ele não parasse.
Como tudo nele, seu beijo era suave, acalentador e incrivelmente enlouquecedor. Por mais gentil que Logan pudesse ser, ele nunca deixaria de ter essa aura altamente masculina que exalava. Estava em tudo nele, na maneira como me segurava possessivamente, na forma como uma de suas mãos enroscou no meu cabelo, a outra envolveu minha cintura e ele tomou o controle, me beijando a sua própria maneira, sua boca encontrando a minha, tanto com a suavidade de seu cuidado, quanto com a intensidade de sua paixão, que brotava dele e me consumia. O beijo pareceu durar uma eternidade, e, ainda assim, foi cedo demais quando ele se afastou com um sorriso completo partindo seu lindo rosto ao meio.
— Bom dia, querida — ele falou brilhantemente.
Eu apenas grunhi em resposta, antes de enterrar meu rosto em seu pescoço, nem um pouco feliz que ele parou de me beijar, mas, caramba, ele tinha um cheiro tão bom...
.❤ .
Eu não tinha sequer uma pequena dúvida de que um encontro com Logan Heidy pudesse ser outra coisa, senão perfeito.
Logan era um achado.
Carinhoso, protetor, responsável, bonito, confiante. Ele tinha um monte de falhas, como qualquer ser humano tinha, eu estava ciente disso, os óculos cor-de-rosa não cobriam meus olhos totalmente. Ele era intransigente com os meninos as vezes, rabugento, muito duro. Mas ele sabia amar, essa era sua maior qualidade.
Ele fazia cada pequena coisa com paixão, seu trabalho como advogado, a loja de tatuagem, a educação dos meninos. Mesmo quando ele precisava ser duro em exorta-los, você via o amor brilhando em cada ato, cada palavra. Não era seu corpo, sua beleza, seu jeito encantador de bom moço que faziam com que ele fosse essa surpresa maravilhosa. Era a sua forma de amar completamente, de saber reconhecer quando falhava e a maneira que buscava sempre ser uma pessoa melhor. Sua natureza tranquila, que inspira sabedoria e conforto.
Eu podia estar, agora mesmo, rememorando o nosso encontro, de como ele tinha feito completa e absolutamente perfeito o dia de hoje para mim, mas eu preferi relembrar ele. Seus traços físicos estariam para sempre impressos em minha memória, para que quando eu fechasse os olhos, pudesse vê-lo em minhas pálpebras. Mas eu queria me assegurar de guardar na memória cada pequeno aspecto de sua personalidade, de seu caráter, que o tornavam lindo e belo como ele era. Eu sentiria falta do seu toque também, mas seriam as pequenas coisas, os aspectos preciosos, que me fariam sofrer a dor da partida.
.❤ .
Christopher Heidy
(Berro!)
Eu observava Logan e Loren aninhados no sofá com um misto esquisito de pesar e inveja. O primeiro porque eu sabia que meu irmão estava a dois dias de perder sua merda. Via isso nele, mesmo que ele tentasse aparentar no mais absoluto estado de calma e tranquilidade, eu sabia que ele já estava sofrendo por antecipação as dores da partida de Loren. Era uma coisa minha, Matt ou Calebe não viam isso quando olhavam para ele, mas eu podia captar sua agonia. Ter escolhido ser quieto e calado nos últimos anos apenas aumentou a forma fácil como eu podia ler as pessoas. E, em cada movimento de Logan essa noite, pude ver o quanto seria difícil para ele deixar Loren ir.
Aconteceu de estarmos quase todos em casa. Com exceção de Thomas, até mesmo Rachel, Beth e Ellie estavam aqui para o jantar quando Logan e Loren chegaram com as roupas molhadas e os sorrisos estúpidos no rosto. Eles desapareceram no quarto de Logan um tempo e então voltaram para comer conosco, usando roupas limpas, mas as mesmas expressões apaixonadas.
Decidimos que ninguém estava a fim cozinhar numa sexta-feira à noite, então pedimos pizza e tentamos ver um filme. Foi uma guerra. As meninas queriam uma comédia romântica, ao passo de que Matt e Calebe protestaram duramente com expressões horrorizadas, das quais eu só pude rir. Logan, no entanto, não parecia nem um pouco interessado na discussão, ele tinha puxado Loren em seu colo e atuava mais que contente em apenas mexer no cabelo bonito dela. Eu também não estava preocupado com a droga do filme, havia uma certa pessoa na sala que não me permitia pensar em outra coisa, que não nela.
Rachel era a única pessoa capaz de me tirar do sério, e ela fazia isso com tanta frequência e facilidade, que eu comecei a acreditar que esse era seu superpoder especial. Tudo nela me enlouquecia. Seu sorriso largo e brilhante, sua atitude ruim, sua audácia e a forma que ela sempre parecia encontrar um caminho direto para as minhas emoções.
Isso era ruim. Eu não gostava de sentir ultimamente. Sentir fazia a dor da minha doença parecer três vezes pior e eu não estava melhorando de uma hora para outra. Podia ver no espelho todos os dias o preço do meu tratamento. Eu parecia cada vez menos comigo mesmo, e, para meu próprio bem emocional, deixei minhas emoções irem embora junto com meu peso e meus músculos.
Houve um tempo, bem atrás, onde eu seria a pessoa mais feliz do mundo sentado aqui com meus irmãos me rodeando e Rachel do meu lado. Mas agora, eu não era mais capaz de fazer isso, porque eu queria ser o menos percebido possível, de forma que eles não sentissem tão duramente a minha falta quando eu me fosse de uma vez por todas. Abandonos não eram coisas que a minha família pudesse lidar mais. Por isso era tão triste que Loren se fosse.
Mas ainda assim, eu não vinha lá conseguindo os melhores êxitos na minha determinação de me afastar, por causa dela. Tornava uma porcaria ainda maior eu estar aqui invejando a relação do meu irmão com a garota que ele adorava, enquanto minha própria menina dos raios-de-sol se estendia no sofá ao meu lado, sua animação mal se contendo em seu pequeno corpo. Rachel adorava momentos como esse, em que estávamos reunidos, pois ela não tinha muito disso antes de nos conhecer.
Alguns anos atrás, quando ela apareceu nas nossas vidas, ela tinha roubado tão completamente o meu folego que eu vivia inventando motivos para estar com ela. Rachel tinha facilmente se tornado minha melhor amiga naquela época, embora eu tivesse planos de torna-la mais que isso. Este, é claro, foi o momento em que eu descobri minha doença, o momento em que eu perdi minhas esperanças e entendi que eu não podia condenar minha menina brilhante a um futuro incerto, principalmente, não presa a um cara doente.
Afastei-a.
Só que, tão bonita e agradável quanto era Rachel, ela também tinha o temperamento mais implacável conhecido pelo homem. Ela conhecia demais de mim para ver minhas intenções a um quilometro e meio de distância, e ela não parecia disposta a me deixar ir. Ela não entendia que eu tentava fazer o melhor para ela. Por conta disso, os últimos anos pareciam uma eterna e cansativa partida de futebol americano, eu tentando empurra-la para longe da minha end zone, e ela sempre avançando jardas na minha direção. A parte animada e vibrante, que eu tanto amava nela, foi desaparecendo quando ela estava do meu lado e eu não podia culpa-la por isso.
Eu a magoei tantas vezes, quebrei tantas partes do nosso relacionamento. Ainda assim, não havia coisa que eu pudesse fazer a ela que quebrasse sua determinação de ferro. Ela também não deixou barato para mim, não se engane. Rachel era a última garota que se prestaria ao papel de correr como uma boba menininha apaixonada atrás de um cara como eu. Ela me magoou de volta em total retaliação ao meu comportamento cafajeste para com ela, dizendo que eu não tinha o poder de tomar as decisões por ela, que ela só se afastaria na hora que ela bem entendesse e que magoa-la não era o caminho para lugar nenhum.
Eu não achava que ela estava certa, que pudesse manter sua determinação apesar de tudo que eu fiz para manda-la para longe, mas ela provou para mim. Seu cabelo era uma das evidencias disso. O cabelo loiro-dourado, comprido e levemente cacheado que eu absolutamente adorava, tinha ido embora debaixo de uma tinta preta brilhante e uma tesoura amolada. Doeu, assim como ela sabia que faria, mas não fez diminuir meus sentimentos por ela. E, mesmo que eu não estivesse prestes a reconhecer isso em voz alta, em nenhum momento em breve, eu sabia que ela estava certa quando sussurrou para mim naquele dia:
— Minha má atitude não faz você me querer menos, faz? Pois bem, a sua também não. Eu não compro a sua merda. Fuja de mim o quanto quiser, tente me empurrar para longe, mas lembra, Chris, baby: eu quero uma coisa e eu estou indo para obter. Você pode lutar contra seus sentimentos, mas não pode lutar contra os meus também. Eu sou mais forte.
E, porra, se ela não era mesmo.
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