Notas iniciais
Adivinha quem voltou para quebrar alguns corações? o/

Capítulo 21

72 horas- Parte 4- Sábado

“Últimos dias de sol”

Loren Hannigam

Eu tinha certeza de que eu estava vivendo em algum tipo de universo alternativo. Sério mesmo, até a luz era perfeita, banhando a manhã ensolarada com uma aura amarelada que fazia tudo parecer incrivelmente brilhante e cheio de vida. Os pássaros cantavam, a grama aquecida pelo sol da manhã era brilhante, macia e convidativa. Era sábado, o parque estava cheio de crianças correndo entre as árvores e competindo pelos balanços do playground. Eu observava a uma certa distancia os meninos fazendo sua própria tentativa de jogar futebol, e mesmo que não fosse a partida mais tecnicamente perfeita, ou justa, você podia ver a quilômetros de distancia que eles estava se divertindo como ninguém mais. Eu ri quando Calebe, segurando um bebê em uma mão e a bola na outra, driblou Matt tão facilmente que parecia que não havia ninguém entre ele e a linha que eles tinha marcado no chão para ser a end zone. Matt soltou um bufo indignado, e eu ri um pouco mais duro. Calebe, por outro lado, não conseguia tirar o sorriso pateta quando segurou Elle para cima, como na famosa cena de “O Rei Leão”. Ela soltou uma risadinha completamente feliz e desdentada para ele, e, naquele momento, você podia dizer com certeza que Calebe era sua pessoa preferida no mundo inteiro.

Rachel correu para pegar a bola de volta e recomeçar a partida, e eu continuei assistindo de longe, apreciando ver seus rostos e ouvir o som de suas risadas felizes. Era como seu tudo estivesse em câmera lenta acontecendo a minha volta.

Eu senti uma mão no meu ombro e me virei para ver o meu irmão parecendo tão estupefato com a cena como eu estava. Esse não era o tipo de ambiente que a gente conhecia, tudo era muito frio e solitário onde crescemos e ver uma família como essa, que mesmo apesar de todas as disfuncionalidades, era feliz em cada monto possível, era quase surrealístico. Eu ainda me deslumbrava e eu tinha vivido com eles por alguns meses agora.

Chase sacudiu um pouco a cabeça para se livrar do estupor e olhou para mim.

— Onde diabos você achou essas pessoa? — questionou soando levemente impressionado.

Eu suspirei, não sabendo nem por onde começar a contar, não querendo ter que estragar o momento de felicidade dizendo a ele as condições nas quais Logan tinha me encontrado em primeiro lugar. Eu não estava preparada para contar essa história, e acho que Chase jamais estaria preparado para ouvi-la.

Eu apenas balancei a cabeça, fazendo pouco caso, quando segurei sua mão e decidi que era um bom momento para me juntar ao jogo, levando Chase comigo.

Eu corri diretamente para Logan, que tinha a bola e se preparava para joga-la. Eu bati contra ele, pegando-o de surpresa e tirei a bola de suas mãos. Antes que ele pudesse tentar qualquer coisa para recupera-la, eu me virei e joguei para Beth.

Chis gritou — jogo sujo, Loren! — quando Beth pegou a bola e começou a correr, não que ela tenha ido muito longe.

Mais tarde, quando todas as meninas tinha decidido que não conseguiam mais ficar um segundo em pé sem entrar em colapso, nos sentamos todos na grama para o almoço. Chase e Nicole pareciam tão à vontade com o pessoal que era como se todos nós nos conhecêssemos desde sempre. Thomas até mesmo o provocava um pouco por algumas jogadas errôneas, não que Chase se importasse. Ele e eu sabíamos que ele nasceu uma artista, não uma atleta.

Eu estava, mais uma vez, afastada de todos, sentada escorada no peito de Logan, apreciando a perfeição de um tempo quieto entre nós dois. Senti quando ele deu um beijo na mina têmpora antes de declarar: — Eu gosto do seu irmão.

Eu ri.

— Eu gosto dos seus irmãos também.

Eu senti seu peito vibrar nas minhas costas quando ele sorriu para a minha réplica.

— Qual a história de Nicole? — Ele perguntou.

Eu suspirei um pouco.

— Ela e Chase são melhores amigos desde a primeira vez que se viram, o que nem sempre esteve em bons termos com o Colin porque, bem, esse era o cargo dele antes. As vezes ele se sente um pouco por fora com a amizade deles dois e eu suspeito que a ultima briga, que resultou em Chase vindo para a Califórnia sem dizer uma palavra a Colin, tenha, mais uma vez, sido provocada por uma dessas vezes.

Logan ficou quieto por um momento, apenas observando os meninos de longe.

— Ele gosta dela — observou. — Não apenas como sua melhor amiga.

— Você pode ver isso também? — perguntei um pouco surpresa.

Logan riu um pouco.

— Bem, ele pode disfarçar bem, mas veja — ele apontou com um movimento de cabeça —, ele olha irritado para o Matt a cada poucos segundo desde que começou a conversar com Nicole. Eu não acho que ele aprecia o fato de meu irmão estar fazendo ela rir.

Eu solto uma “Oh meu Deus” automático quando eu vejo Chase fazer exatamente o que Logan disse. Cara, e eu achei que o irmão ciumento era o Colin.

Naquela noite, estávamos todos mais uma vez sentados em volta da televisão na sala dos Heidy, e, apesar de toda a nova discussão sobre quem escolheria o filme, você podia dizer que todos nós apreciávamos poder ficar mais tempo juntos.

A ameaça da minha partida no domingo era uma presença constante, mesmo depois do dia feliz.

Saber que eu teria que dar adeus a essas pessoas não era uma sensação que caia bem no meu estomago, e eu estava inquieta. Logan estava inquieto também. Ele não me soltou um segundo desde que chegamos em casa, como se caso ele tirasse suas mãos de mim eu fosse desaparecer bem diante do seus olhos. Não que me incomodasse, eu amava suas mãos em mim, mas eu queria poder dar a ele algum tipo de garantia que aliviaria a tristeza já visível em seus olhos. Eu queria dizer a ele que ele nunca teria que me deixar partir, mas eu não podia. E isso quebrava meu coração em um milhão de pedaços pequenos.

Precisando que ele me segurasse um pouco mais forte, eu me levantei do seu colo, tomando sua mão e nos levando escada a cima, para o quarto. Logan não disse uma palavra quando me seguiu. Ele deitou na cama e abriu os braços para mim. Eu me enrolei nele e ele me segurou em um abraço apertado, como se tentasse me fundir a seu próprio corpo. Logan beijou cada lágrima quando elas começaram a rolar silenciosamente e sem permissão pelo meu rosto.

Nenhuma palavra foi dita; as vozes no primeiro andar eram apenas um ruído distante. O silencio nos encapsulou num momento só nosso, onde palavras não eram necessárias para expressar os sentimentos que estavam rodando a nossa volta.

Eu me sentia incapaz de abrir a minha boca para professar palavras e não concebia a ideia de assistir o rosto de Logan ruir quando o adeus fosse ouvido dos meus lábios.

Talvez tenha sido por isso que, quando a respiração dele finalmente estabilizou, indicando que ele tinha cedido a um sono exausto, eu me sentei na cama e observei ele dormir por um tempo, desejando ter um milhão mais de momentos para gastar com ele.

Na quietude do quarto escuro, eu disse adeus ao homem pelo qual eu tinha me apaixonado tão rápido e tão profundamente, sem dizer uma só palavra. Sua mão estava estendida para o lado da cama onde eu deveria estar quando eu saí fechando a porta nas minhas costas. Eu chorei silenciosamente enquanto caminhei pelos corredores do lugar que sempre seria minha casa, levando apenas a minha bolsa, deixando tudo mais para trás, inclusive o meu coração.

Eu fui embora de lá sem professar um único adeus, porque eu não achava que seria capaz de dizer as palavras sem colapsar no chão na total bagunça que eu me sentia.

Eu chorei durante o trajeto de taxi até o aeroporto e chorei durante todo o tempo que durou o voo da madrugada. Pelo momento que eu pousei, eu já me sentia uma casca seca e vazia, como se eu tivesse deixado para trás tudo o que me aquecia por dentro e enchia minha alma de luz.

O clima de Chicago combinava com a frieza que eu sentia no meu interior. Eu desci do avião fazendo o trajeto até a saída de maneira automática até que eu avistei Carter.

Ele olhou para mim por um longo momento, ante de suspirar pesadamente.

— Oh, Loren — disse em um tom lamentosamente triste antes de abrir os braços para mim. Eu me joguei contra o seu peito com força; lágrimas, que eu não sabia que ainda era capaz de produzir, rolavam mais uma vez pelo meu rosto. E quando os braços de Carter se apertaram a minha volta eu não senti o consolo que ele tentava passar, porque aqueles não eram e jamais seriam os braços que eu precisava para me segurar.

Notas finais
Não vou me demorar por aqui porque me sinto seriamente devastada depois de escrever esse cap. Sinto muito por qualquer possível dor no coração de vcs. O meu está em pedaços. Se vc chegou até aqui, deixe um comentário para incentivar essa autora, ela está precisando seriamente. Bjo a todos ♥