Touch
1 único
Davi se apaixonou por suas mãos, eram grandes com um pulso fino. O nós dos dedos acentuados e as unhas sempre aparadas. Nunca havia sentido amor por nada, e quando viu aquelas mãos, experimentou algo novo. Uma onda de prazer e felicidade tomou o interior de sua barriga e seus lábios passaram a se comprimir cada vez mais para dizerem “eu te amo”.
Se confessou quando voltavam pra casa, ele ainda se lembra do medo que teve de perder o seu melhor amigo pra sempre mas, no fim, tudo terminou bem. Nicolas sentia o mesmo.
Embora tivesse terminado bem, choraram muito numa rua com muros e casas em volta, porque reprimiam ao máximo o sentimento que só crescia em seus peitos. Uma tristeza que se tornava prazerosa quando se deitavam para dormir e pensavam em um com a mão dada ao outro.
Era recorrente Davi imaginar seus dedos envolvidos naqueles tão compridos e ásperos, até porque era sua parte favorita dele.
Os lábios também eram muito bons, mas não conseguia ver a pureza que via nas mãos de Nicolas, que pareciam carregar todas as fases, todos os momentos em que sua personalidade mudou e cresceu, uma história nas palmas das mãos.
Não era porque a vida de Davi era pequena, mas as mãos de Nicolas eram grandes o suficiente para pegá-la. E era tão prazeroso quando elas lhe envolviam, porque Davi pensava que podia contar com alguém, uma pessoa que o compreendia por completo.
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