Touch.

1 you and I and noboy else.


Notas iniciais
Eu escrevi essa oneshot assim que eu soube que teria um mês dedicado ao meu casal favorito, lá em agosto - empolgada pouco, não é?
Eu estava numa fase experimental de escrever algumas cenas mais sexuais e eu senti que essa poderia ficar um pouco melhor, mas eu acabei gostando, porque eu gosto de porn with feelings HAHAHHA.

De qualquer forma, não é uma songfic, apesar de que estar escutando touch foi o que me fez começar a escrever a fic.

Como sempre, eu espero que vocês gostem ♥

Nós já não estávamos juntos há algum tempo que mais me parecia uma eternidade para falar a verdade. Era como se nós não soubéssemos o que dizer um para o outro a fim de retornarmos de onde paramos. Se é que um dia paramos.

Ele havia me dito que precisava fazer o que tinha que fazer, e, por todos os meus ancestrais, obviamente eu entendia. Na verdade, eu quis ir junto: não apenas para protegê-lo ou porque eu tinha o desejo de estar perto dele, mas para fazer o que me cabia. Para ter uma chance de viver finalmente uma vida justa e sem medos.

Nos vimos duas vezes depois de nosso (não)término. No casamento de Bill e Fleur, quando nos beijamos com um sabor horroroso de despedida; e no castelo com um sabor de medo, esperança e saudades.

Eu apenas queria que fosse fácil. Que fossemos eu, ele e ninguém mais: descobrindo e sentido coisas que nós nunca sentimos. O jeito que ele me mantinha sob algo que eu não sabia se era magnetismo ou pura magia era tão forte que eu me perguntava se eu tinha o mesmo efeito sobre ele.

— Feche a boca, senão a baba escorre. — George murmurou ao me ver observando Harry cortar a lenha no jardim, desajeitado. Tinha uma roupa de flanela desalinhada e suja, usava calças jeans surradas e um tênis desbotado. Por dentro da camisa xadrez, uma camiseta preta maior que ele e com tons amarronzados que denunciavam a sua velhice.

— Não sei do que você está falando. — disse, prendendo meu cabelo em um coque. — Vou levar um copo de leite para Harry. Ele parece cansado.

— Se é isso o que os jovens estão usando hoje em dia — ele deu de ombros, mas eu não estava o escutando de verdade para dar ouvidos ao seu sarcasmo e insinuações sobre meus sentimentos acerca de Harry Potter: aparentemente eu nunca fui muito capaz de escondê-los bem.

Tentei ensaiar uma feição despreocupada e descompromissada quando ajeitei meus jeans e camiseta para encontrá-lo no jardim. Queria ter, talvez, me arrumado um pouco melhor para vê-lo hoje; apostaria em uma de minhas saias mais curtas e algo mais justo no busto. Algo menos delicado e mais sensual que o fizesse decidir se me daria um pouco daquele toque que poderia me fazia enrubescer ou não.

— Achei que talvez você estivesse com sede — ofereci o copo de leite frio naquele fim de tarde de outono.

Era outubro de mil novecentos e noventa e oito. Havia alguns meses que Harry e Hermione se instalaram quase que definitivamente aqui em nossa humilde casa e de certa forma isso era positivo para os meus pais e nossa família enlutada; minha família era acolhedora e carinhosa e todos estávamos sofrendo um tanto.

Para mim, vê-lo era especialmente complicado, uma vez que eu jurava que quando ele voltasse, tudo se encaixaria perfeitamente.

— Obrigado — ele balbuciou, tomando o leite em um só gole. — Foi muito gentil de sua parte.

— Não acho que hoje vá fazer tão frio a noite para precisarmos de toda essa lenha. — Encolhi os ombros e me sentei sobre um tronco de árvore cortado e envelhecido.

— Eu gosto de me manter ocupado e ajudar na casa. — Ele limpou o suor com as costas das mãos. — Sabe, é o mínimo que eu posso fazer.

— Entendo. — Sorri, cruzando as pernas e ignorando as mechas soltas de cabelo que voavam com a brisa inquieta de início de noite. Eu conseguia imaginar outras mil coisas que ele podia fazer, apenas não as verbalizaria. — Sabe, Harry, eu estava me perguntando se você não gostaria de dar uma volta.

— Agora? — Ele me olhou de verdade pela primeira vez desde que eu apareci ali fora. Seus olhos verdes estavam bem acesos encarando os meus.

— Acho que você pode se beneficiar de um descanso. — Eu o convidei com confiança, ficando de pé.

— Eu estou imundo.

— Eu não me importo. — Dei de ombros e estendi a mão.

Nunca fui de esperar outras pessoas tomarem a iniciativa, uma vez que eu sou plenamente consciente de quem eu sou e do que eu quero. A única pessoa que me deixava insegura em relação às minhas decisões impulsivas era Harry Potter. Seu rosto por vezes era um enigma, como se ele guardasse todo o peso do mundo e não quisesse dividir com ninguém.

Entretanto, varrendo minha insegurança para um local completamente remoto de minha mente, ele me segurou pelos dedos e me deixou guiá-lo sem destino enquanto o céu começava a exibir suas primeiras estrelas e uma lua nada tímida.

— Para onde estamos indo? — Ele me perguntou depois de andarmos por cerca de vinte minutos. Já estávamos perto das árvores frutíferas e longe da Toca.

— Por que? Não confia em mim? — Sorri de maneira travessa.

— De olhos fechados. — Ele confessou de maneira conspiratória.

— Eu só queria te levar para longe. — Também confessei mordendo meu lábio inferior levemente. — Você sabe, privacidade.

Ele assentiu, imagino que sem saber ao certo o que dizer.

Quando chegamos ao gramado alto e relativamente afastado de casa, perto do pequeno córrego que nos separava do restante da civilização, sob as copas das árvores altas e centenárias, acendi com a varinha a pequena lamparina que pendurara ali anos antes. Tirei do interior oco de uma árvore uma manta gasta e meu cobertor favorito.

— Quando se tem muitos irmãos em uma casa sempre lotada, temos que arranjar um pequeno oásis para nós mesmos. — Encolhi os ombros tentando me explicar.

— E você escolheu dividi-lo comigo?

— Apenas se você o manter em segredo. — Apontei para a manta que tinha estendido no chão e ele se sentou.

— Prometo que não contarei a ninguém. — Ele sorriu e por um instante imaginei se ele não estava se referindo a algo mais.

Me sentei de frente para ele, encarando o rosto agora levemente avermelhado a meia luz. Seus olhos eram inexpressivos, eu tinha a impressão de que ele estava pensando em muitas coisas naquele momento.

— Então. — Respirei fundo e inquiri de uma vez. — Por que ainda não estamos juntos?

— Como? — Harry pareceu engasgar com o ar, cobrindo os lábios para tossir.

— Você me ouviu. — Quis que minha voz soasse menos agressiva naquele instante, mas romance não era bem o meu forte. — Você gosta de mim e eu de você, você está aqui e eu também.

— Gin. — Harry murmurou perplexo, acredito. — Eu...

— A não ser que você tenha mudado de ideia. — Continuei. Talvez eu tivesse mais coisas entaladas na garganta do que eu imaginava. — E nesse período que ficamos separados você repensou em tudo e não esteja mais tão a fim de mim.

— Não é isso, Gina. — Ele reclamou com os olhos verdes arregalados sob os óculos embaçados.

Limpei suas lentes com a varinha enquanto esperava que ele dissesse alguma coisa.

— Você sabe que eu só pensei em você durante todo esse tempo em que estive fora. — Harry confessou com a voz baixa me encarando nos olhos. — Pensando se você estaria em segurança, o que eu faria se nunca te visse novamente ou se eu teria a chance de te beijar de novo.

— E você nunca pensou no que faria se me visse novamente? — Eu não sei se eu queria falar naquele momento do pavor que senti na ausência dele. Que o que me fazia seguir em frente era a esperança de que ele estava bem. A vida de ninguém deveria ser tão complicada assim na adolescência.

— Ah, eu pensei bastante. — Ele me lançou um sorriso doce e lascivo ao mesmo tempo. — Eu pensei em te beijar, eu pensei em você de shorts com essas pernas longas sobre as minhas... A imagem de você de biquíni talvez tenha salvado minha vida inúmeras vezes.

Não pude evitar enrubescer e tentar disfarçar com a mão em meu rosto.

— Estou apenas me perguntando se você pretendia me beijar ou não.

— O timing não parecia adequado. — Ele colocou as mãos nos cabelos ainda mais escuros na penumbra da noite. – Com tudo o que aconteceu, quero dizer.

— E agora é? — Sussurrei olhando diretamente para os seus lábios de maneira pouco inocente.

Quando ele anuiu, eu engatinhei até ficar a poucos centímetros de distância de seu rosto. Com o decote em V da minha camiseta revelando pouco do que ele fantasiara nos meses passados. E eu o vi olhando, depois sorrindo e depois me puxando pela nuca para encostar meus lábios nos seus. Fora um beijo romântico e com sabor de saudades, daqueles que você não quer que acabe.

— Eu estava com saudades. — Ele murmurou colado na minha boca. — Eu ainda estou com saudades.

— Eu também. — Respondi, puxando-o pelo pescoço para mais um beijo.

Esse beijo já tinha um gosto diferente, em questão de segundos sua língua estava em todos os cantos de minha boca, meus dentes estavam em seus lábios molhados e a outra mão dele estava em minha coxa. E eu continuava ali, com os joelhos e uma mão apoiados no chão, enquanto me equilibrava segurando o seu pescoço.

— Muitas saudades. — Ele gemeu em minha boca, sem me soltar.

Os sons de desejo que ele fazia durante aquele beijo tornavam a tarefa árdua de me controlar cada vez difícil. Era quase obsceno.

Em um só movimento, ele deitou meu corpo sobre o dele, de modo que a minha boca continua sobre a dele e nossos quadris se encontravam. Instintivamente, meus quadris se moveram sobre o dele, para cima e para baixo exercendo uma certa pressão enquanto sua ereção provocava minha virilha coberta pelo jeans.

— Gin. — Ele murmurou entre os beijos, segurando meu cabelo. — A gente não...

— Shhh. — Movi meus lábios em direção ao seu pescoço e ele a mão em direção a minha bunda. Apertando-a de leve. — Gostei disso.

Ele apertou a minha bunda um pouco mais forte agora enquanto eu exercia a pressão sobre sua virilha. Era impossível não demonstrar minha excitação enquanto eu gemia baixo em seu ouvido. Ele me observou quando, sentada sobre ele, eu tirei minha camiseta. Seus olhos verdes ficaram escuros de algo que eu esperava que fosse desejo e isso me fez sorrir.

— Você é perfeita. — Ele balbuciou com as mãos em meu sutiã de algodão simples. Na hora eu não pensei sobre como eu gostaria de ter aquelas lingeries refinadas de renda e ele não parecia pensar também. Parecia mais interessado em tirar a peça de algodão do que em observa-la. — Perfeita.

— Você diz isso porque eu estou seminua dançando em você. — Murmurei com a voz rouca e irreconhecível. Decidi ajuda-lo e desafivelei o sutiã nas minhas costas; o que fez Harry perder o fôlego. — Considere um presente de aniversário atrasado.

Ele sorriu com os olhos me queimando a pele já quente pela luxúria. Era um sorriso torto e cheio de vontade, como se ele estivesse faminto. Com as mãos grandes ele passou a massagear suavemente meus seios a princípio, fazendo-os se enrijecerem. Aparentemente ele gostou do efeito que provocara em mim, então resolveu se sentar comigo em seu colo e envolve-los com a boca. Isso me deixou inquieta e agitada, com os quadris desgovernados e com as costas arqueadas. Harry pareceu gostar ainda mais disso e usou os dentes, observando o quanto isso me afetava e eu senti aquela corrente elétrica de arrepios fluir em meu corpo.

Embaixo de mim, sua ereção parecia cada vez mais... Forte. Eu não me considerava a rainha das experiências sexuais, tivera poucas em minha vida. Mas ele parecia realmente muito... Hmmm... Estimulado. Eu também gostei disso e resolvi tirar sua camisa de flanela e sua camiseta.

Passei os dedos por seu abdômen e seu peitoral com poucos pelos enquanto ele mordiscava ora o lóbulo da minha orelha ora os meus sensíveis seios enrijecidos.

Era incrivelmente possível que eu chegasse ao clímax daquela maneira. Por isso me levantei, deixando-o completamente surpreso e embasbacado. Me levantei e tirei meus jeans e calcinha de uma vez, me revelando nua na frente dele.

— Eu tirei a minha roupa. — Murmurei nervosamente e mordi o lábio. — Agora é a sua vez.

Harry se levantou em silêncio, alto e desengonçado, mas totalmente atraente tirando primeiro a calça jeans e depois as boxers. Era incrível e de certa forma muitíssimo sensual vê-lo nu na minha frente. Completamente despido de qualquer veste e de qualquer pudor ele deu os passos para frente e me agarrou em um beijo novamente, com os dedos cravados em minha pele nua, me sentindo, me apertando.

Em seguida sentou-se no chão para que voltássemos a posição anterior. Devagarinho, desci com os joelhos um de cada lado de seu quadril me posicionando lentamente entre seu membro que encontrou sozinho seu caminho até o centro inteiramente molhado entre minhas coxas e ali se encaixou, me arrancando um gemido alto e um profundo dele, que estava totalmente dentro de mim. Com as mãos nos meus seios ele me beijou e depois voou para o meu pescoço, mordendo levemente meu ombro e me fazendo me mexer cada vez mais rápido sobre ele.

— Vai devagar. — Ele murmurou. — Eu quero que isso dure para sempre.

Eu o obedeci por um momento, sentindo-o por inteiro e rebolando devagar, mas meu nível de excitação tinha urgência, vontade e desejo. Eu queria aquele clímax que eu sabia que seria exaustivo e extenuante ao mesmo tempo que extremo e delicioso.

Era isso o que eu queria.

Era o que preencheria o buraco que a ausência dele me causou — ou começaria a preencher.

Eu me sentia algum tipo de deusa sob o olhar dele, com os dedos entre os meus cabelos enquanto eu cedia ao que meu corpo precisava. Enquanto ele parecia enfeitiçado e sem conseguir dizer mais que meu nome.

— Harry. — Gemi entre outras palavras nada inteligíveis enquanto praticamente dançava e pulava alucinadamente num ritmo que se fosse musical certamente seria proibido.

Quando me contraí extasiada por dentro notei que ele também se deixou levar pelo clímax enquanto sussurrava meu nome. Eu nunca tinha me sentido tão devassa e sexy na vida inteira. Ali, sob as estrelas, ao céu aberto, nua e extremamente satisfeita.

— O que você acha de voltarmos a namorar? — Harry murmurou após recuperar o fôlego.

— Parece uma ideia boa. — Murmurei ainda um pouco sem ar e olhei para ele com um sorriso de canto e uma piscadela. — Vou pensar no assunto.

Notas finais
Usem camisinha.

♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!