Touch
4 Reconsider
Notas iniciais
(Regina)
O sábado não poderia estar mais entediante. Zelena tinha viajado durante o fim de semana, com algum de seus amigos com benefícios, como ela costumava chamar. Sinceramente, eu não entendia como uma pessoa de 42 anos continuava com os mesmos hábitos de quando ainda era adolescente. Mas conhecendo minha irmã como eu e como não costumava a fazer pré-julgamentos com ninguém, até achava engraçadas as suas histórias. Henry tinha saído, alegando que precisava falar com Ingrid e George. Minha relação com meus ex-sogros não estava bem desde minha separação com Emma. Para eles, eu estava errada, então nos falávamos apenas quando o assunto era meu filho.
Não havia ninguém para conversar. Ruby estava em uma reunião com fornecedores do Granny's, enquanto Graham cumpria seu turno na delegacia. Mary Margaret dizia que ela e David quase não tinham momentos a sós, o que era apenas um modo delicado de dizer que não estavam transando. Por isso não queria atrapalhá-la. Além disso, a cunhada da minha ex-esposa não era a pessoa mais animada para se passar um fim de semana. Minha mãe e Morgana tinham saído, o que eu estava achando um tanto quanto estranho, pois Cora era uma mulher caseira e em Storybrooke não se tinha muito o que se fazer. Jefferson estava em um passeio com a filha, por isso não quis atrapalhá-lo. Além disso, não éramos muito próximos.
Sentei-me na varanda de minha casa. Já tinha cuidado do jardim, era uma das minhas atividades favoritas. Ouvi meu telefone tocar, e depois o celular. Não atendi nenhum dos dois, já que sabia quem era. Robin não desistia fácil. Mesmo me afastando e recusando seus últimos convites para sairmos, ele continuava me ligando. Eu já estava acostumada com seu jeito insistente e sempre tentando bancar o galanteador. Foi assim que consegiu me convencer a termos um primeiro encontro, e no terceiro me pediu em namoro. Claro que eu não queria engatar em uma relação séria, após tantos anos de casada. Mas eu estava solitária, magoada e carente por ter perdido Emma. Ainda mais por saber que, no fundo, era minha culpa. Suspirei exasperada e me dirigi à cozinha, a fim de preparar algo para comer. No entanto, a campainha me impediu.
— Precisamos conversar. — disse Robin já entrando, enquanto eu mal abria a porta.
— Mas o que é isso?
— Por que você não atende minhas ligações, Regina? — ele parecia bastante nervoso e um tanto quanto rude.
— Estava indisposta e com muito trabalho para fazer. — caminhei até o mini bar que havia na sala e me servi de um copo de whisky.
— Mentira! — rebateu me seguindo e me olhando seriamente. — A sua secretária, Belle, me contou que você não aparece na prefeitura tem alguns dias, que remarcou algumas reuniões para semana que vem e que iria revisar relatórios em sua casa mesmo.
— Robin, estamos em um relacionamento, mas eu não te devo satisfações do meu trabalho. Aliás, se você pensa que estou mentindo não deveria ter perguntado.
— Você me deve sim! — esbravejou se aproximando ainda mais. — É a minha mulher e preciso saber onde está. Um dia iremos nos casar e você não precisará mais trabalhar. É meu dever como homem sustentar a casa e você cuidar dela.
— Não me venha com discursos machistas! — respondi extremamente irritada. Eu já tinha percebi que Robin era conservador, mas não tanto. — Eu nunca precisei de homem nenhum. Não seria agora que isso ia acontecer. As coisas não são bem assim comigo, Robin. Precisamos mesmo conversar. Eu necessito de um tempo.
— Foi por que ele voltou não é? — sorriu ironicamente.
— Ele?
— Isso mesmo! — passou a mão nos cabelos, parecia bastante nervoso. — Eu já imaginava isso, mas me confirmaram assim que cheguei na cidade. Emma é um travesti.
— O termo correto é transgênero. — falei entredentes, me aproximando ainda mais dele e me segurando para não voar em seu pescoço. — Emma é uma mulher. Não ouse tocar no nome dela! Não me importo que você seja meu namorado, sugiro que vá embora agora e não me procure mais ou não responderei por mim.
— Eu não vou terminar com você. Quem decide quando acabou sou eu.
— Eu não lhe quero mais! — apontei para a porta. — Saia daqui! Ainda precisamos conversar, mas não farei isso agora e muito menos quando você quer. Não me provoque, Robin. Ainda não lhe mostrei do que sou capaz para defender minha família.
Ele apenas me olhou, ainda mantendo aquele sorriso assustador no rosto. Porém, saiu sem dizer nenhuma palavra. Deixei meu corpo cair no sofá e me servi de mais uma dose de whisky. Quando eu pensava que as coisas não poderiam piorar, eis que arranjo um namorado machista, conservador e transfóbico. Passei a mão pelos cabelos. Robin não era o tipo de pessoa que eu imaginei conhecer. Mas eu não estava triste por isso. Na verdade, estava aliviada. Assim poderia ter mais um motivo para não levar aquela relação forçadamente. Como eu não sabia se Henry demoraria a voltar, resolvi deixar uma lasanha pronta. Mandei uma mensagem para meu garoto, dizendo que sairia e só voltaria mais tarde.
Escolhi roupas simples e leves. Meu ânimo não estava nas alturas para usar minhas roupas formais. Estacionei o carro em frente a praia. Em poucos minutos estava com os pés afundados na areia. Sorri com as lembranças que invadiam minha mente. Uma delas era o dia em que Emma e eu fizemos amor sob a luz do luar, após o baile da escola. Foi uma noite inesquecível não só pela lado romântico, mas pelo cômico quando encontramos com todos os nossos amigos, que aparentemente tiveram a mesma ideia que nós. De repente, uma ideia veio em minha cabeça e por mais insana que parecesse, eu queria seguir em frente. Mordi o lábio inferior pensando em como colocaria em prática. Voltei para meu carro, pois havia muito o que se fazer.
~~SQ~~
(Emma)
Correr era das minhas formas preferidas de me desligar do mundo. Primeiro porque sempre fui ligada à atividades físicas, segundo porque é algo automático. Não preciso pensar ou me esforçar muito para fazê-lo. Porém, naquele dia não consegui me distrair como queria. As palavras de Regina ecoavam em minha mente, a insistência de Lily e meus pais me pressionando para que eu voltasse para Storybrooke. George era mais sútil. Sempre levava em consideração o contexto e o que acontecia ao meu redor. Tivemos nossos problemas no passado, mas depois que eu o perdoei, nossa relação evoluiu da água para o vinho. Já Ingrid, como toda boa mãe coruja, queria que eu sempre estivesse por perto. Sob seus cuidados constantes. Eu não a culpava e até me sentia aliviada por saber que sempre contaria com ela. Ainda mais porque minha mãe sempre me apoiou desde que um dia me adotara.
Segui por uma trilha, que era minha velha conhecida. Era perto da casa de Cora, minha ex sogra. Tínhamos uma boa relação, que não foi nada fácil no começo. Imagine como era para uma senhora que viveu quase sua vida inteira em uma cidade do interior, sua filha chegando em casa e além de apresentar uma garota como namorada, ainda era uma garota trans. Eu estava mais do acostumada com reações negativas por parte das pessoas, mas claro que às vezes isso me magoava profundamente. No entanto, após algum tempo vi em Cora alguém que tentava a todo custo manter sua mente aberta, pelo menos quando se tratava das filhas. Além disso, Henry sempre tivera melhores aptidões sociais e isso ajudava bastante sua esposa.
Por fim, éramos grandes amigas. Minha ex sogra se mostrou bastante triste com nosso divórcio e isso só me fez lamentar ainda mais. Eu sentia falta dos almoços em família, onde Swans e Mills se encontravam. Dias alegres, divertidos e com bastante conversa. A casa sempre cheia e terminávamos o dia na psicina ou em volta dela. Porém, deixando as lembranças de lado acabei interrompendo minha corrida, devido a uma estranha cena. Killian, um dos amigos de Zelena e que por várias vezes havia saído conosco, lavava o carro de Cora. Usava apenas uma calça para praticar esportes e tênis. A parte inferior do corpo estava nua, mostrando os músculos definidos por debaixo de uma fina camada de pelos negros.
Até aí tudo bem, afinal eu não tinha o costume de reparar em homens e não seria agora que faria isso, mas o que realmente me chamava a atenção era o olhar um tanto quanto predatório que minha ex sogra lançava para o rapaz. Por debaixo de um chapéu de praia, Cora encarava o rapaz com um sorriso malicioso. Estava sentada em uma espreguiçadeira, e ao seu lado sua amiga Morgana também, ambas com roupas de praia e uma taça de champanhe nas mãos. Não me admirava que a loira de olhos azuis babasse no rapaz, afinal Morgana era conhecida por sua longa lista de namorados e encontros casuais. Dentre esses, algumas mulheres.
Mas agora Cora? A viúva intocável e séria? Eu nem mesmo imaginava que fosse ver minha ex sogra com outra pessoa que não fosse seu falecido marido. Ainda mais alguém tão mais jovem, não que eu tivesse algo contra, mas eu sabia que Cora não aprovava muito esse tipo de relação. Principalmente, quando a mulher era a pessoa mais velha. Dei de ombros e continuei minha corrida, um sorriso brincando em meus lábios. Seria cômico ver a cara de Regina se ela descobrisse que sua mãe andava se aventurando com um belo rapaz por aí. Zelena faria mil e uma piadas, é claro.
Antes que eu voltasse a lembrar Regina e momentos que me deixariam abatida, resolvi voltar para meu apartamento. Já era quase hora do almoço e tinha combinado de me encontrar com meus pais, Henry também estaria. Eu desconfiava que minha mãe fosse me apresentar para Ariel, a filha mais velha dos Fisher. Uma família que havia se mudado há pouco tempo para Storybrooke após comprarem uma empresa de pescaria, que se encontrava no porto. Era um dos fortes econômicos da cidade.
Ao chegar estranhei o fato da porta estar destrancada. Henry possuía as chaves, caso precisasse entrar ou viesse quando eu estivesse fora. Ruby também, pois às vezes passava noites aqui com mulheres que se encontrava casualmente afinal mesmo com quase 36 anos de idade ela ainda era expulsa de casa pela avó. Granny queria bisnetos e sonhava com a festa de casamento da neta, já que não pôde realizar o da filha, mas claramente minha amiga não tinha nascido para qualquer tipo de relacionamento estável.
Tentei afastar pensamentos negativos, não queria surtar. Porém, uma vez que se entra na polícia seus instintos estavam sempre em alerta. Caminhei lentamente pelo corredor que ligava sala e cozinha. Mas abri minha boca lentamente, ao ver quem estava ali. Sentada em minha mesa, de modo bem provocante, devo dizer, estava a dona dos meu sonhos e pesadelos. Regina sustentava aquele sorriso malicioso, com uma sobrancelha arqueada e uma expressão com um ar de mistério, com a postura de uma rainha. As pernas desnudas e cruzadas davam margem para a imaginação do mais fiel dos cristãos. Usava um sobretudo claro, por cima de um vestido preto e justo, que não chegava até os joelhos.
— Bom dia, Swan. — disse com a voz arrastada e manhosa, descendo da mesa e caminhando lentamente em minha direção, como se eu fosse sua presa e ela uma pantera negra sem qualquer misericórdia.
— R-Regina, o que faz aqui?
— Agora que você assinou os papéis, vim lhe entregar o restante de suas coisas. — parou em minha frente, com o rosto a poucos centímetros do meu. Mesmo com a diferença de altura, seu olhar ainda era bastante felino. — Talvez você precise de algo, já que vai voltar para NY. — com um dedo percorreu meus lábios, descendo por meu pescoço, colo até parar em meu abdômen coberto por uma regata branca. Minha pele se arrepiou imediatamente. Regina sabia o que fazer, e quando fazer para me deixar louca. — Estão naquela caixa, espero que faça bom proveito. — sussurrou a última parte em meu ouvido, com sua voz rouca.
Eu poderia deixá-la ir, era o correto a se fazer. Mas era impossível agora que senti novamente um pouco do poder que aquela morena complicada tinha sobre mim. Isso era algo que eu sentia falta em nossa relação, o jogo de sedução, aquela paixão avassaladora que nos queimava por dento. Infelizmente, como todo casamento corremos o risco de cair na rotina e nos dias completamente iguais e cansativos. Talvez fora aí que nossos problemas começaram a surgir e Lily apenas adiantou o que um dia poderia acontecer. Nosso divórcio.
— Por que você veio aqui? — puxei em seu braço, colando seu corpo ao meu. — Poderia muito bem pedir a Henry que trouxesse o restante das minhas coisas. E como você entrou?
— Nosso filho pode ter crescido, mas eu ainda tenho acesso ao quarto e à mochila dele. — passou a mão sobre meus braços e ombros, repousando ambas em meu pescoço. — O que foi? Não consegue ficar no mesmo lugar que eu sem querer me prensar em alguma parede, Swan? Eu não imaginava que ainda tinha esse efeito em você.
— Não me provoque, Mills. Você mais do que ninguém sabe do que sou capaz.
— Você sabe do que sou capaz. — sussurrou deixando seus lábios roçarem nos meus. Sua mão descendo novamente pelo meu corpo e parando no meio de minhas pernas, onde um volume se fazia em minha calça. — Está feliz em me ver, meu bem?
— Droga. — praguejei enquanto a pegava no colo, com movimentos rápidos a sentei em minha mesa, me posicionando entre suas pernas. — Estamos divorciadas, você tem o seu namorado e minha vida em NY está mais do que estabilizada. Por que faz isso comigo? — encostei minha testa na sua, enquanto minhas mãos agarravam suas coxas.
— Porque eu sei que nenhuma outra mulher receberá o mesmo que eu. — o sorriso malicioso voltou ao seu rosto. Entrelaçou suas pernas em minha cintura, me trazendo para mais perto de seu corpo. Pude sentir a umidade molhando sua calcinha. — Nós pertencemos uma à outra. Sempre foi assim desde o começo. — mordeu meu pescoço, como gostava de fazer sempre. — Mas eu vim aqui apenas para isso. Tenho uma reunião de última hora na prefeitura.
— O que? — eu ainda estava tonta devido ao que aconteceu.
— Sempre apressadinha, não é mesmo, Swan? — suspirou pesadamente, me empurrando e descendo da mesa. — Agora está em suas mãos. Se quiser me ter, se quiser que tudo volte a como era antes, venha para casa. Venha para mim e para Henry. — deixou um beijo rápido em meus lábios, mas havia um leve gosto de amargura e saudade. — Estarei te esperando.
Saiu sem ao menos me deixar responder e quando pensei em ir atrás, escutei o barulho da porta batendo. Soltei meus cabelos e passei a mão por eles. Não importava o que eu fizesse, sempre terminava da mesma forma. Eu ali, sozinha e sentindo um aperto no peito cada vez maior. Uma dor sufocante e uma agonia sem fim. Bebi um pouco d'água para ver se me acalmava os ânimos. Devido ao meu estado deplorável, e com deplorável eu quero dizer extramente excitada e frustrada, decidi tomar um banho.
Com a água o mais fria possível, minhas mãos também deveriam servir para me acalmar. Por que raios arranjei uma mulher tão sensual e que amava me ver implorando por alívio? Regina sempre me torturava no sexo, até mesmo em nossas rapidinhas no escritório, na delegacia, no carro, no quarto dela, no meu e claro, no sofá dos pais dela quando estes saíram para um cinema.
Não consegui evitar uma gargalhada ao me lembrar dessa noite. Zelena nos flagrou, tirando algumas fotos que com muito custo, consegui que ela apagasse. Não sem antes me ameaçar dizendo que colocaria em todos os porta-retratos da casa dos Mills. Claro que ela queria algo em troca e o resultado foi que Regina e eu lhe dessemos cobertura para mais uma de suas muitas aventuras.
Haveria um casamento de uma prima de Regina, acontece que Zelena tinha uma queda pela melhor amiga da outra, que se chamava Glinda. Elas eram mais ou menos da mesma idade, porém a loira de olhos claros, que era a madrinha da noiva aliás, não queria cair nos encantos da minha querida ex cunhada. A fama de Zelena a procedia. Com muito custo, a filha mais velha dos Mills conseguiu levar a moça para a cama, em plena festa. Era meu papel e de Regina que não deixasse ninguém entrar no quarto, principalmente se esse alguém fosse Cora, que com certeza pegaria a filha pelos cabelos. Acontece que Glinda era filha de um importante empresário, com quem Henry fecharia negócios no dia seguinte.
Com muito sufoco, a história terminou com um final feliz para todos. Quer dizer, menos para Glinda que ao ver que fora largada por Zelena no dia seguinte, foi embora para NY bastante magoada e jurando nunca dirigir uma palavra à ruiva. Promessa essa que ela cumpriu com sucesso. Duas foram as vezes que eu vi Glinda ignorar totalmente a presença de Zelena, mesmo que estranhamente eu tenha visto minha ex cunhada pedindo perdão em uma dessas vezes.
Nunca tinha visto Zelena se desculpar com ninguém devido ao seu comportamento, muito menos com alguém que fosse vítima de suas aventuras sexuais. Ela nunca tocou no assunto e por mais extrovertida que fosse, havia coisas que guardava para si mesma. Eu a compreendia e por isso respeitava seu espaço. Talvez ela gostasse de Glinda, mas por não saber lidar com seus sentimentos não conseguia se envolver de forma mais séria.
Afastei esses pensamentos, terminando meu banho gelado e colocando uma roupa apresentável. Ingrid me mataria caso eu chegasse “desleixada” para o almoço, como ela gostava de dizer sempre que me via. Com uma jaqueta vermelha, botas de montaria, calça jeans escura, regata preta e cabelos soltos, passei uma leve maquiagem. Peguei as chaves do carro e me dirigi até a casa de meus pais. Henry estava ali, por isso não havia necessidade de buscá-lo. A construção de dois andares, não era muito luxuosa, mas também não era simples. Havia um pequeno jardim rodeado por cercas brancas.
Era reconfortante estar na casa onde nasci e cresci. Claro que nem todas as lembranças eram agradáveis e essas se remetem principalmente na época em que briguei com George. No andar de cima, haviam cinco quartos. Um que pertencia aos meus pais, outros três que eram divididos entre meus irmãos e eu. Já o outro, que ficava perto das escadas, era usado para guardar objetos velhos e inutilizados. Tornando-se em um quarto de hóspedes anos mais tarde, logo depois do nascimento de Henry e onde ele tinha o costume de dormir.
No andar de baixo, a sala de TV e a de jantar se dividiam por um pequeno balcão. Havia um escritório onde meu pai passava a maior parte de seu dia agora que estava aposentado e a cozinha. Era possível ver, agregado na lateral da casa, o pequeno ateliê onde minha mãe fazia suas obras de argila e suas pinturas. Era seu passado tempo preferido, depois de cuidar dos filhos e do marido, é claro.
Eu podia escutar uma algazarra na área da piscina, onde também tinha uma churrasqueira e uma mesa enorme. Era ali que, às vezes, nos reuníamos na época que eu era casada com Regina. Eu reconheci a voz de Henry, de meu pai e mais duas pessoas que não conhecia. Deveriam ser Ariel e alguém de sua família. Suspirei antes de caminhar até o encontro deles. Seria um longo dia, minha mãe vinha tentando me arranjar uma nova namorada e eu não sabia se estava preparada para isso. Eu não sabia se estava preparada para me relacionar com alguém que não fosse Regina, mesmo sabendo que isso era impossível.
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