Totalmente demais 2
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Foi uma longa noite. Entre pequenos acidentes cometidos por Cassandra, surtos de Josephine e risadas minhas e de Jonatas, o jantar apesar de tudo foi um sucesso.
— Então carinha! — visualizei Jonatas sentado sozinho com meu irmãozinho no colo — eu não fui feito pra esses jantares chiques. E você? O que acha?
Ele lhe respondeu com uma bolha de baba.
— Porque está aqui sozinho? — me juntei a eles e Felipe estendeu os bracinhos para mim — cadê meu pai e os outros?
— Seu pai está dançando — ele me mostrou onde ele e Lili dançavam perto do palco. A banda já havia ido embora, e alguém deixou um cd de clássicos tocando. Os dois estavam entretidos demais para notar qualquer pessoa ao redor. — Fabinho e Cassandra estavam aqui, mas sumiram e eu realmente não quero pensar no que eles estão fazendo ou vou ficar traumatizado — ele fez uma careta pro bebê que riu.
— E você não dorme não? — peguei meu irmão e o levantei no ar — tá certo vou te contar uma história, como eu fazia com a Dayse. Era uma vez uma garota que vivia em Campo Claro — Jonatas sorriu.
— Gosto dessa. Menos da parte do playboy. Corta essa parte — rolei os olhos.
— Como eu dizia, tinha uma garota — deitei o bebê em meu colo — e um dia essa garota precisou fugir.
Eu fugi.
Fugi do desamparo, da solidão. Do medo e do desespero. Fugi do mal que aquele nojento quis me causar.
Fugi de mim mesma e da vida a qual eu estava condenada.
Fugi, e fugindo me perdi.
— A garota conheceu um sapo Felipinho — o garotinho me olhava sem piscar — ele era amigo, apoiava, respeitava. E assim...a garota se apaixonou pelo sapo — Jonatas estufou o peito e eu ri.
Eu fugi sim. Mas ele me encontrou. Me salvou. Sem querer nada em troca. Ele sorriu pra mim e o sorriso dele iluminou todo o meu mundo. E foi a partir daí que eu aceitei que poderia ser feliz de verdade.
— Oi gente o que estão fazendo aí?!
— Cassandra, silêncio o bebê já estava quase dormindo! E onde vocês estavam... — olhei pra blusa abotoada errado do Fabinho — esquece, não quero saber — vou continuar com a história pra ele dormir.
— Ahh eu tenho a melhor história de todas! A da princesa que saiu na capa da totalmente demais DUAS..
— Cassandra fala baixo!! — ralhei ninando o bebê.
— Não precisam brigar, ele já vai capotar em minutos— Fabinho garantiu —quais os planos de vocês dois para quando voltarem?
Eu e Jonatas nos encaramos.
— Tudo vai ser como antes — disse confusa
— Certo — Fabinho franziu a testa — é que vocês dois vivem juntos faz um ano, então eu pensei que...
— Ahh nossa para tudo!! — Cassandra deu um pulo fazendo o bebê abrir os olhos já quase fechados — vocês vão casar?
— Cassandra fala baixo — sussurrei— e eu...nós...não...
— O que a Eliza está tentando dizer é que não estamos fazendo planos —Jonatas me olhou confuso — vamos voltar e ver as coisas. Além disso, Hugo e Gilda é que realmente irão se casar antes.
— O paizinho! — Cassandra bateu palmas — vai ser uma big big festa!
— Minha mãe nem quer festa Cassandra.
— Mas eu quero! Só não vai ser maior do que o nosso casamento não é Fabinho?
Eu esbugalhei os olhos.
— Vocês vão se casar? — perguntei incrédula — não sabia disso.
— Eu também não estava sabendo — Fabinho suspirou tentando mudar de assunto em vão.
— O Fabinho ainda não fez o pedido, só que a noiva tem que preparar tudinho antes! Com bastante antecedência! Eu vou me casar de branco, só que meu vestido vai ter uma cauda rosa, e um véu dourado bem brilhante! E eu vou usar uma coroa enorme!
— Nossa que lindo — Jonatas ironizou enquanto eu tentava visualizar o vestido na minha cabeça.
— Ainda não terminei! Vou chegar lá em uma carruagem levada pelo paizinho! A Débora vai ser minha madrinha, e você também pode Eliza, o seu vestido vai ser verde aspargo — ela sorriu maldosa pra mim. Sério que ela não tinha esquecido isso? — vou convidar a Santa Kim e toda a família Kardashian para o casamento! O Fabinho vai entrar na igreja montado em um cavalo branco. E eu vou estar lá esperando por ele.
— A noiva entra depois do noivo Cassandra. Apesar de que no meio de todas as bizarrices que você falou, isso é o de menos.
— Viu ele dormiu — Fabinho apontou.
— Acho que o casamento de Cassinho foi demais pra ele — Jonatas debochou enquanto passava um braço ao meu redor me encostando nele.
— Cassinho vai ser o nome do nosso primeiro filho, — ela continuou, enquanto Fabinho negava veementemente. Ela tagarelou mais sobre 500 pombas brancas que seriam soltas, valsas, os 5 vestidos diferentes que ela iria usar e muita lagosta servida. Ao menos não teve lagosta essa noite, ou Josephine teria infartado.
Olhei ao redor, quase todos já tinham ido embora. Lili e meu pai dançavam juntos pelo salão rodopiando como dois adolescentes. Cassandra começava a anunciar seus planos bizzarros para o casamento da minha mãe e do pai dela, Fabinho a chamava de maluca, mas bastava um olhar mais apurado para perceber o meio sorriso escondido em seu rosto, como se cada doideira que ela dissesse só fizesse sua adoração por ela aumentar. Ele segurou sua mão, e a puxou pra ele mandando ela ficar quieta, seus olhos brilhando de amor. Olhei para o Jonatas, e percebi que estávamos iguais, tão grudados quanto possível, com uma pequena criaturinha em meus braços.
Fabinho me perguntou do meu futuro. Eu não sabia. Visualizei infinitas possibilidades. E ao contrário de antes, quando eu tinha medo, dores, decepções, inseguranças, e sonhava com uma história de contos de fadas, hoje eu não sonhava mais. Sabia que meu presente, era real, e mais valioso do que qualquer sonho, que por mais vividamente que o imagine, nunca é tão valioso e magnífico quanto a verdadeira realização que você um dia pode alcançar.
Era uma vez, uma garota. Ela vivia em campo claro.
Um dia ela fugiu.
Eu ainda tinha meus medos, meus pesadelos, meus traumas. Só que bastava olhar para minha família e amigos, e Jonatas ao meu lado, para eu saber. Eu não precisaria fugir nunca mais.
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