Totalmente demais 2
17 Capítulo 16
Notas iniciais
Meu filhinho entrou na mata cheia de zumbis! Eu preciso salvar ele! Acho que é o que chamam de instinto materno, eu vou lutar contra as bruxas zumbis e não vou ter medo. Minha calça está toda molhada porque me mijei de medo, mais tudo bem!
— Cassinho volta aqui! Filho não pode! — meu filho é bastante atlético viu! — Cassinhooo — ele parou e olhou pra mim vindo até os meus braços. Não é lindo? — seu danado! Vai ficar de castigo quando chegarmos na casa da vovó e do vovô. Gente, tudo bem eu achei ele. Gente?
Me virei e não tinha nada. Cadê todo mundo?
— Ai meu Deus Cassinho estamos sozinhos igual nos filmes de terror! Fabinhoooooo!!
Por favor meu Deus não faça isso! Eu sou mãe, e ainda não conheci a Santa Kim! Meu paizinho vai desencalhar, e eu ainda não encomendei as lagostas.
— Eu juro que nunca mais vou mandar vírus pro email da Débora. Mesmo porque eu sempre faço errado e quem abre o vírus sou eu. Eu juro que vou devolver o vestido verde vômito que escolhi pra Eliza usar no casamento do paizinho. Juro que não vou mais fazer montagens do Fabinho no corpo do Thiago Lacerda. Eu sou boa! Eu nunca matei, nem roubei. Pera, matar baratas conta? E quando eu pego os hidratantes da sogrinha sem ela perceber isso é roubo? Eu juro que não faço mais, meu Deus, eu ainda não saí na capa da Totalmente Demais pela terceira vez!! E quem sai três vezes pode pedir música no fantástico né?! Deus tá me ouvindo?
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— Cassandra!
— Sandra por favor responde!
— Cassandra!
— Como é que um porco e uma menina tão magra conseguem correr tão rápido?!
— A culpa foi de vocês que ficaram assustando ela! — Fabinho nos acusou.
— Desculpa Fabinho — disse culpada.
— Também quem poderia imaginar que isso iria acontecer! — Jonatas tentou acalmar os ânimos, só que não estava funcionando.
Cassandra e Cassinho entraram na mata e ela estava sem celular. Débora estava quase tendo um colapso e Fabinho prestes a nos matar. E ainda continuávamos perdidos.
— O jeito é ligarmos pra sua mãe e pedir ajuda! Ou pra polícia logo — Charles pegou seu celular e franziu a testa.
— O que aconteceu?
— Está sem sinal? O de mais alguém está assim também?
Chequei o meu. Fora de área. Pela expressão dos outros estava igual.
— E agora? — Débora se desesperou — vamos morrer aqui!
— Claro que não! — Fabinho disse — vocês voltem pro carro e eu continuo a procurar eles.
— Sem chance, você vai se perder também!
— É um risco que eu preciso correr pra encontrar aqueles dois.
Jonatas riu.
— Você está preocupado com o porco — Fabinho lhe deu um olhar que me fez temer pela vida do meu sapo e eu o belisquei puxando-o para trás de mim.
— Sem discussões — Charles implorou — vamos nos dividir. Nós dois voltamos pro carro, lá o sinal pega. Vocês continuem procurando sem se afastar.
— Eu também vou procurar, é minha irmã!
— Não Débora, é melhor vocês voltarem pra buscar ajuda. Nós três vamos.
— Eliza você pode voltar com eles nós dois damos conta!
— Não sou uma donzela Jonatas, não precisa me proteger. E vamos logo — o puxei pela mão e entramos de vez na floresta.
Que Deus nos proteja.
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Onde será que eles estão? O almoço já estava pronto quando falei com o Fabinho. Isso foi há quarenta minutos.
— Onde aqueles meninos estão? — Germano entregou Felipinho pra Euzébia — eu estou faminto!
— E eu preocupada— falei e me arrependi porque ele não podia se estressar. Ele, no entanto parecia mais preocupado com a comida olhando horrorizado para a mesa posta pela Euzébia — vocês só colocaram comida pro porco e se esqueceram da nossa? — ele apontou pra salada.
— Você sabe muito bem que isso é pra você Germano, sua alimentação mudou.
Ele bufou e voltou sua atenção pra Euzébia tentando convencê-la a preparar algo pra ele, enquanto eu atendi meu celular que tocava, sem reconhecer o número. E se alguma coisa aconteceu? Nunca teríamos paz?
— Quem fala? Charles?
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— Nós vamos acabar perdendo o caminho de volta Fabinho. Deveríamos voltar — Jonatas pediu e apertou minha mão.
— Não posso voltar e deixar ela aqui! — ele passou a mão repetidas vezes no cabelo, um tique recém adquirido nos últimos minutos. Eu estava preocupada com a Cassandra, e ainda mais com Fabinho que estava prestes a surtar — Vamos procurar mais, ou voltem se quiserem — ele caminhava sem olhar pra trás e sem marcar o caminho. Jonatas e eu marcávamos as arvores com um canivete que sei lá porque estava com ele.
— Cassandra! Cassinho!! — ele berrava.
— Se isso não fosse trágico eu estaria rindo. Tenho certeza que o Florisval e meus irmãos vão rir quando eu contar.
— Jonatas, minha mãe e o Hugo vão se casar em duas semanas. Se acontecer alguma coisa com a Cassandra, ou com a gente...
— Fica tranquila ruivinha vai dar tudo certo. Já já vamos sentir o cheiro do óleo johnson's baby do Cassinho e vamos voltar todos juntos.
— Cassandraaaaa
— Fabinho? Fabinhoooooooo — ouvimos a voz dela ao longe. Graças a Deus.
Fabinho saiu correndo e eu fui atrás com Jonatas resmungando que precisava marcar o caminho e para esperarmos.
— Cassandra!! Cassinho! — ele gritou.
O porco gritou em resposta. Sério o que se tornou a minha vida? Avistamos a maluca vindo correndo em nossa direção com o porco nos braços e me passou o porco enquanto se atirava nos braços do meu irmão. Socorro tem um porco no meu colo!
— Vocês são surdos?! — Jonatas apareceu correndo— Eu falei pra esperarem enquanto eu marcava o caminho! Vamos nos perder e...
Ele me encarou com o porco no colo e um sorriso maldoso brotou em seus lábios.
— O sinal não pega — ele puxou o celular do bolso — mas dá pra fazer isso — ele apontou pra mim e tirou uma foto que com certeza passaria de mão em mão na família.
— Vocês demoraram! Eu estava esperando.
— Você fez tudo menos esperar! Saiu correndo em disparada, e sumiu no mato com ele — levantei o porco que parecia ansioso pra voltar pros braços da ‘’mãe’ — idiota a gente quase morreu de preocupação! Onde estava todo esse tempo?
— Antes eu estava falando com Deus. A propósito Eliza, você não vai mais usar o vestido verde aspargo fica tranqüila. E eu te amo mesmo sem o corpo do Thiago Lacerda Fabinho!
— Oi? — eu e Fabinho falamos ao mesmo tempo.
— Depois eu achei uma casinha linda ali atrás. Eu achei que era a casa da bruxa fantasma zumbi e saí correndo, só que ouvi um barulho na mata e voltei pra casa, chamei e ninguém atendeu, daí eu entrei!
— O barulho na mata éramos nós te procurando sua besta! — falei.
— Cassandra, isso é invasão de domicilio! — Fabinho falou, mais parou pensativo — vamos voltar lá.
— Tenho uma idéia melhor, vamos voltar, pelo caminho que eu marquei — Jonatas disse emburrado.
— Não não, talvez o dono ou dona da casa esteja por perto, a não ser que esteja mesmo abandonada. O que você acha Cassandra?
— Não vi nenhuma bruxa.
— Não foi isso que eu perguntei, a casa tinha telefone? Sinal de que é habitada ou está tudo abandonado?
— Tudo em perfeito estado. O Cassinho até comeu algumas maças que estavam na mesa e...AAAAAAAAAA E SE ELAS ESTIVEREM ENVENENADAS?!!!!
A ignoramos e caminhamos até a casa enquanto ela enfiava o dedo na garganta do porco que se debatia desesperado. Era uma casinha linda mesmo. Simples, mais decorada, com flores e vários anões e estátuas.
— Eu não vou voltar lá pra dentro! Vamos embora! — Cassandra pediu mais Fabinho já tinha entrado a procura de um telefone e fomos atrás.
— Não tem telefone. Que droga, mais é claro que alguém mora aqui! Vamos esperar a pessoa voltar e vamos pedir ajuda.
— E se a pessoa ficar brava Fabinho! Fora que não sabemos o tipo de pessoa que mora aqui, isso é ridículo! Vamos voltar, eu marquei o caminho!
Enquanto Fabinho e Jonatas discutiam, Cassandra soltou o porco que começou a correr e derrubar tudo enquanto eu e Cassandra tentávamos recolher tudo de volta. Ele bateu em uma pequena estante que virou e derrubou todos os livros.
— Droga Cassandra, segura esse porco idiota!
— Não fala assim do seu sobrinho, ou você vai voltar a usar o vestido verde vômito! Que livros são esses? — ela pegou um e leu o título — Wicca? — ela abriu e continuou lendo — AVISO! NÃO LEIA!.
Ela encarou o livro por uns segundos.
— Vou ler!
— Cassandra larga isso! — tomei dela.
— Meus livros são proibidos — uma voz feminina falou e nós duas demos um grito, fazendo o porco gritar e correr até o Fabinho.
— Quem é você? — Jonatas perguntou.
— A dona da casa. E vocês são os invasores não? Eu que deveria perguntar.
— Desculpe — Fabinho pegou o porco no colo enquanto Cassandra corria até ele ficando atrás se protegendo — estávamos atrás de ajuda. Nós e nossos amigos nos perdemos, estamos atrás da fazenda dos meus pais.
— Eu sei — ela disse enquanto recolhia os livros do chão.
— Sabe?
— Sim, a garota e o namorado dela já conseguiram ajuda com um dos vizinhos. Acho que um dos seus parentes que pediu eu não sei. Eu vi quando eles chegaram, devem estar esperando por vocês agora.
— Sério? Ai muito obrigada, e desculpe a invasão — disse enquanto me levantava e ia com Jonatas pra porta.
A mulher parecia bastante jovem pra morar sozinha e isolada ali. Ainda assim havíamos invadido e não poderíamos nos intrometer na intimidade dela. Pedimos desculpas e saímos enquanto seguíamos o caminho demarcado pelo Jonatas.
— Que moça simpática, e eu que pensei que era a casa da bruxa fantasma zumbi.
— Cassandra, não existem...ah esquece, olha eles lá — Débora veio correndo até a gente, abraçando a Cassandra aos prantos.
Lili estava nos esperando com uma cara desgostosa olhando de Fabinho, para Cassandra, para o porco e Charles parecia animado ao nos ver bem, acenando logo atrás com um senhor ao lado deles.
— Vocês quase nos mataram de susto — Débora falou chorando — já estava pensando em ligar pro nosso pai.
— O importante é que tudo ficou bem — Lili abriu o carro — vamos lá, estamos quase em casa, não acredito que não pediram ajuda antes. Ao menos o senhor Stênio aqui conhecia bem a região e ofereceu ajuda, ou o Germano acabaria vindo também. Vamos, estamos quase lá.
Débora e Charles entraram no carro que estávamos e nós entramos no outro com a Lili e o homem que Lili identificou pra nós como um dos poucos vizinho que havia na região, porque era extremamente isolada.
— Vocês deram sorte, muitas pessoas se perdem na mata — ele falou.
Jonatas estufou o peito.
— Eu pensei em tudo, e marquei o caminho, e também tenho boa memória, fui memorizando bem os lugares que passávamos.
— E mesmo que tivéssemos nos perdido a moça boazinha nos ajudaria a voltar! — Cassandra falou enquanto levantava o porco até o rosto da Lili que empurrava os dois.
— Que moça boazinha? — ele perguntou confuso.
— Quando estávamos lá, achamos uma cabana perto do caminho que trilhamos — Fabinho falou — estava vazia, e nós entramos atrás de ajuda, então a mulher entrou e nos disse que viu vocês chegando e nós voltamos. Não sei se morava sozinha ou não.
O homem brecou o carro com tudo, nos jogando com o impacto.
— Ficou maluco?! — Lili ralhou — ei, espere aí, quando vocês apareceram, nós tínhamos acabado de chegar.
— Mas nós levamos uns 30 minutos pra voltar, como ela pode ter visto vocês? — Fabinho perguntou.
— Ninguém mora naquela floresta — ele disse tremendo — uma mulher foi morta por bruxaria há uns 90 anos e desde então a floresta é mal assombrada pelo espírito dela.
Nós o encaramos incrédulos. Cassandra começou a gritar enquanto Jonatas ria, e o porco subia assustado no colo da Lili.
É estava sendo uma viagem fantástica.
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