Totalmente Seu...
8 Capítulo 8
Manhã de sexta-feira, Cornualha – Inglaterra.
Esme Carlie Swan, uma professora de jardim de infância, estava em casa preparando o café da manhã para ir trabalhar, ouviu a porta do quarto de sua irmã Renné se abrir e viu surpresa quando ela entrou na cozinha, arrumada, perfumada, com os cabelos arrumados.
Durante dezoito anos cuidou da irmã mais velha, não sabia direito o que acontecera a ela, só sabia que uma noite, ela batera em sua porta com expressão assustadoramente perturbada e chorando muito, Esme tentou saber o motivo de tanta angústia, mas nunca conseguiu.
Alguns dias depois, sua irmã não saiu mais do quarto ficou meses sem falar com ninguém, não queria mais saber de tomar banho, só depois de muita insistência, não se arrumava mais, se não fosse por Esme os longos cabelos cacheados teriam virado um verdadeiro ninho de ratos, definitivamente ela não era mais a mesma. Por isso a surpresa de vê-la arrumada, após dezoito anos.
–Bom dia Esme.
–Bom dia Renné, tudo bem contigo?
–Sim, minha irmã, não se preocupe, eu estou de volta e vou lhe contar finalmente o que aconteceu comigo.
–Uh, até que enfim.
–Só me ouça minha irmã e não me julgue, por favor, não mais do que eu própria me julgo.
–Tudo bem, eu prometo, só quero saber o motivo dessa depressão profunda a qual você caiu.
–Exatamente dezoito anos atrás, algumas noites antes de eu bater aqui, eu deixei minha filha recém-nascida em um orfanato em Madri.
–Como assim? Você estava grávida do Charlie?
–Sim, eu estava grávida, quando ele não apareceu mais eu me perdi, não sabia o que fazer, você conhecia perfeitamente nosso pai, ele nunca aceitaria uma filha grávida e abandonada, quando eu dei a luz eu comecei a apresentar os primeiros sintomas da depressão, eu parecia uma louca, sem saber o que fazer, eu a deixei no orfanato porque eu sabia que não conseguiria cuidar dela, eu a amava e por isso que eu a entreguei, não queria vê-la sofrer, eu nem sabia se conseguiria sobreviver, tudo o que eu mais queria era acabar com minha própria vida, se não fosse seu carinho em cuidar de mim durante todos esses anos eu acho que teria me jogado em um desses precipícios existentes na Cornualha.
–Olha minha querida, você é minha irmã, minha única irmã, somos só nós duas, não temos mais ninguém, eu não a julgo e se quiser podemos dar um jeito de sei lá, tentar descobrir o que aconteceu com sua filha e até mesmo com o Charlie porque eu não acho que ele a abandonou assim deliberadamente, eu suspeito que algo muito sério tenha acontecido a ele, o amor que ele sentia por você era evidente, nunca vi alguém amar tanto como ele a amava.
–Você pode estar certa, eu não sabia onde a família dele morava pra tentar saber algo sobre ele, e como fiquei louca, não conseguia raciocinar com clareza.
–Juntas, vamos conseguir, olha só, eu vou pedir uma licença na escola e vamos pra Madri, eu tenho umas economias do dinheiro que papai me deixou e a sua parte está intocada. Você se lembra onde era o orfanato que a deixou?
–Sim, eu acho que sim, mas não devem ter muitos também.
–Tá, então arrume suas coisas e as minhas também, amanhã iremos viajar para Madri.
–Ai, minha irmãzinha, você está me tirando um peso enorme das costas, eu sabia que poderia contar contigo.
–Eu faço tudo pra vê-la feliz novamente.
Manhã de sexta-feira, Madri.
Renesmee acordava para mais um dia, levantou-se e foi ao banheiro tomar banho e voltou para pentear os cabelos depois de vestida, sentou-se em frente a penteadeira e começou a penteá-los, por serem muito longos e cacheados, eles davam um trabalho imenso, mas não sabia o porque, não tinha coragem de cortá-los.
Ouviu uma leve batida na porta e deu autorização para que quem quer que fosse entrasse.
–Pode entrar.
Pelo espelho da penteadeira, viu que era Seth.
–Seth? O que faz aqui ainda? Achei que já estava na escola.
–Eu precisava falar contigo antes, é importante.
–Diga.
–Ontem eu inventei uma pequena mentira sobre você para o Jacob.
–Uma mentira?
–Sim, eu disse a ele que você tem namorado, que é um sobrinho de uma das freiras do orfanato e que vocês estão apaixonados.
–Porque fez isso Seth?
–Porque desconfio que ele esteja interessado em você e como sei que ele não é confiável no que diz respeito a mulheres, resolvi contar essa pequena mentira.
–Tudo bem, se ele vier me perguntar, eu confirmarei.
–Valeu.
–Eu é que tenho que agradecer.
–Bom, agora eu tenho que ir. Tchau.
–Tchau Seth e um bom jogo.
Ele deu-lhe um beijo no rosto e saiu.
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