Eles chegaram em casa e na mansão todas as mulheres estavam esperando-as na sala. Sarah se assustou ao ver o rosto de Nessie todo marcado, mas não deixou transparecer. Abraçou-a com carinho, Nessie sentia nesse abraço o calor e o aconchego que teria sentido se fosse sua mãe de verdade. Esperanza abraçou as duas em um único abraço, logo, Alice, Bella e Emily também desceram para abraçá-las.

-Agora deixem-nas, elas precisam de descanso, precisam de um bom banho. O doutor Soares já foi avisado e está a caminho.

Pediu Sue.

-Vem amor, eu te ajudo.

Pediu Jake.

-Jake, filho, não quer que eu ajude Nessie?

-Não mamãe, não será preciso, eu mesmo quero fazer isso. Obrigado.

-Qualquer coisa, chame.

-Tudo bem.

-Francesca levará uma sopa para as duas. Acho que elas nem ao menos foram alimentadas.

Anunciou Esperanza.

-Eu estou com sede. Ficamos o dia inteiro sem beber e sem comer nada, nossas gargantas estão mais secas que o deserto do Saara.

Queixou-se Claire.

-Francesca já levará pra vocês minhas filhas.

Jake ajudou Nessie subir as escadas e no quarto a ajudou a se despir, tirou a sua blusa que usara para cobri-la e a blusa dela que fora totalmente destruída, mordeu o lábio de raiva ao ver as marcas vermelhas na pele sensível dos seios dela, escondidas apenas pelo sutiã. Abaixando-se, ele tirou-lhe a calça e os sapatos enquanto ela se apoiava em seus ombros.

-Jogue fora essa roupa Jake. Não quero mais a lembrança desse dia em minha mente.

-Tudo bem amor, eu vou pedir pra que Francesca jogue-as.

Encaminhando-se para o banheiro, ele ligou as torneiras da banheira derramando uma boa quantidade de sais de banho, um aroma delicioso invadiu o banheiro, Nessie olhou-se no enorme espelho do closet e se assustou com sua imagem, seu rosto estava marcado, com manchas roxas e seu olho direito estava inchado, em seus seios tinham marcas de dedos e estavam avermelhadas. Lágrimas rolaram de seus olhos. Seus cabelos estavam totalmente embaraçados, daria um trabalhão para desembaraçar.

-Vem meu anjo, eu a ajudo.

-Obrigada, amor.

Ela entrou na banheira e se deliciou com a água quente e perfumada, Jake pegou a esponja e passou com delicadeza pelo corpo dela, ela sentia os músculos das pernas doloridos pela força que havia feito para mantê-las fechadas quando Félix tentara tocar em sua intimidade.

-Está bom o banho?

-Delicioso.

Ela sentira-se suja por causa daquelas mãos tocando-a, mas agora sentia que toda a sujeira saía de seu corpo.

-Amor, deixe-me agora, eu termino de me lavar.

-Tem certeza? Eu posso fazer isso com o maior prazer, você sabe.

-Eu sei disso, mas pode deixar, eu gostaria de um copo de água, poderia pegar pra mim.

-Claro que sim.

-Obrigada.

Ela esperou ele sair e se levantou da banheira ligando o chuveiro, deixou que água tirasse a espuma de seu corpo e se ensaboou novamente, dessa vez com força, Jake nunca a esfregaria daquele jeito, mas ela queria tirar toda e qualquer evidência do toque daquele homem em sua pele.

-Amor, aqui está sua água.

Disse Jake voltando.

-O que está fazendo? Vai se machucar assim Nessie.

Ele disse quando viu o que ela fazia. Entrando com roupa e tudo debaixo do chuveiro ele tirou de suas mãos a esponja.

-Eu precisava fazer isso sozinha.

-Calma amor, calma, eu entendo, mas assim só vai conseguir ferir sua pele.

-Não tem problema, eu só quero tirar as marcas dele de cima de mim.

-Vem cá vem. Me deixa te ajudar.

Pediu ele abraçando-a.

-Amor, sua pele está limpa, seu corpo está limpo. Agora você tem que tentar esquecer tudo isso.

-Eu sei disso, mas ainda está tudo nítido na minha mente. Eu estou fraca, acho que é de fome, estou meio tonta.

-Vocês ficaram muitas horas sem comer nada, deve ser isso.

Jake desligou o chuveiro e pegou uma toalha pra secá-la.

-Você se molhou todo.

-Sem problemas.

Ele respondeu tirando sua roupa e pegando outra toalha pra se secar.

-Como vai fazer? Você não tem roupa aqui.

-Acho que deixei uma calça de moletom no seu closet.

-Ah, é verdade, deixou mesmo.

-Espera sentadinha aqui que eu já volto e trago uma roupa pra você.

-Jake, eu preciso de uns minutinhos sozinha, por favor.

-Porque amor?

-Jake, você não precisa ver isso.

-Ei, acha que eu me importo? Eu não ligo pra isso meu anjo, eu quero compartilhar tudo com você, até porque quando nos casarmos vamos compartilhar tudo.

-Seu bobo. Só que é estranho, não queria que visse meu corpo assim com essas marcas

-Não tem nada de estranho nisso, você é minha mulher, não ligo pra isso.

-Teimoso!

-Vou pegar sua roupa. Depois que estiver melhor, descansada e alimentada, eu vou fazer questão de beijar cada marca, cada pedacinho de sua pele machucada.

Ele lhe avisou com um sorriso divertido.

-É uma promessa?

-Com certeza.

Ele disse fazendo-a rir.

-Agora sim, gostei de ver. Adoro vê-la rindo.

-Anda logo seu bobo, eu vou acabar congelando aqui. Sem contar que você está totalmente nu.

-Ah, me desculpa. Esqueci!

Ele disse safado.

-Gracinha né? Vai logo se vestir.

Vê-lo nu estava fazendo ela sentir que seu desejo por ele despertava e por causa da bendita condição em que se encontrava, não poderia aplacá-lo. Ao menos não agora. Fazendo com que ficasse irritada.

-Pronto, estou devidamente vestido e ainda trouxe sua roupa, um conjunto de moletom para que se esquente e fique mais confortável quando o doutor Soares chegar.

-Não está adiantando nada essa sua calça.

Ela disse rindo. Olhando pra baixo ele riu junto com ela.

-Bem, o que você queria? Eu estou aqui, com minha namorada totalmente nua na minha frente. Não tem como não ficar excitado.

-Você vai ter que vestir uma camiseta pra recebermos o doutor Soares.

-Depois que ajudá-la a deitar, eu vou ao meu quarto e pego uma camiseta pra vestir. Agora ande logo, a Francesca trouxe a sopa para você comer.

-Nossa, meu estômago está revirando.

-Venha então, come devagar.

Ele pediu carregando-a para a cama, deitou-a e cobriu-a bem antes de entrega-lhe o prato com sopa cheirosa e fumegante.

-Enquanto você come, eu vou me vestir no meu quarto, já volto.

-Tudo bem.

-Você está bem mesmo amor?

-Estou com dor de cabeça.

Ela respondeu, sua cabeça estava estourando de dor, mas deixaria pra dizer ao doutor Soares, com certeza deveria ser por tudo pelo que passara, mas estranhamente seus batimentos não estavam acelerados, pelo contrário, estavam até lentos demais. Ela sentia uma leve pressão no peito, uma pequena falta de ar, mas nada que já sentira antes.

-Não sente nenhum desconforto a mais? O coração não está acelerado?

Ele perguntou tocando-a no peito.

-Não, estranho, está até lento e sinto um pouco de falta de ar, mas é bem pouquinho, nada que possa preocupar.

-Tem certeza?

-Sim, tenho, eu vou ficar bem amor, não se preocupe.

Jake a olhou mais uma vez antes de sair do quarto. Ela comeu a sopa com uma lentidão incrível, parecia que sua mão pesava uma tonelada. Sentia-se muito cansada, agora que a ficha finalmente caía. De repente não conseguia mais permanecer com os olhos abertos, colocou a tigelinha de sopa ao lado e fechou os olhos, por alguns minutos apenas pensou, a pressão no peito e falta de ar aumentavam gradativamente. Deixou-se levar pelo cansaço.