Totalmente Seu...
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Jake se trancou em seu quarto e não recebeu ninguém nem mesmo Jasper conseguiu fazê-lo descer para jantar, não queria ter que ver ela sendo tocada pelo namorado, não sabia se conseguiria se controlar, ele sempre fora meio passional e agora sentindo tanto ciúme, não controlaria sua raiva.
Tomou um banho e deitou-se, mas não conseguiu dormir, percebeu quando todos se deitaram, não ouviu nenhum barulho vindo do andar de baixo. Resolveu tomar um ar fresco no jardim, estava se sentindo sufocado dentro de casa, não sentia a menor fome, mas quem sabe não tomaria um copo de leite?
Desceu vestindo apenas a calça de moletom, estava nu da cintura pra cima, sem fazer barulho chegou a cozinha, pegou o leite na geladeira e esquentou no micro-ondas.
Nessie também não conseguia dormir, estava sentindo uma dor de cabeça intensa, precisava de um comprimido, nunca sentia dores de cabeça, mas, talvez as emoções da noite tivessem sido um pouco demais para ela.
Usava uma das camisolas transparentes que Claire escolhera pra ela, vestiu um robe por cima e desceu descalça mesmo para ver se encontrava Francesca e pedir um comprimido. Desceu sem fazer barulho e ao chegar próximo a cozinha viu luz acessa e se alegrou pensando que era Francesca que ainda não tinha se deitado. Seu coração, porém, disparou quando viu quem era.
–Jake? Pensei que estava dormindo.
–Oi Nessie, algum problema?
Ele perguntou sem olhá-la.
–Eu estou com muita dor de cabeça, não conseguia dormir, por isso desci pra ver se a Francesca me arrumava algum comprimido.
Jake foi até um móvel no canto da parede no alto e pegou o que era tipo uma maletinha de primeiros socorros, revirou e encontrou o que queria, guardou novamente e veio até ela, foi só então que a olhou, não pode evitar de soltar um suspiro. Com a camisola branca, longa, o robe por cima e os cabelos soltos e revoltos, ela era a imagem da tentação.
–Puta merda Nessie.
Ele praguejou.
–Jake!
–Me desculpe, mas é que ver você assim. Olha, toma o seu comprimido.
–Obrigada!
Ela disse pegando o comprimido da mão dele, ele segurou sua mão na dele, encarando-a.
–Jake! O que foi?
Ela perguntou inocente. Ele a puxou para si e a beijou novamente, queria constatar se ela sentia algo por ele como ele achava que sim. Precisava saber, sem se controlar ele enroscou as mãos nos longos cabelos dela a puxou ainda mais para si, a boca dela o enlouquecia, queria saboreá-la inteira.
Sua língua invadiu a boca dela e não encontrou resistência, ela se entregou vencida, queria-o, precisava senti-lo, ela o amava e precisava dele. Jake a ergueu de encontro a seu corpo e ela sentiu a evidência de seu desejo por ela. O copo de leite que ele deixara próximo a bancada foi parar no chão, eles nem se deram conta, Jake a soltou novamente e aos poucos o beijo se findou, ela colocou os pés no chão e gemeu sentindo dor.
–O que foi Nessie?
–Acho que cortei meu pé.
–Hã? Como assim? Onde?
Ao olhar pra baixo ele viu que o chão estava cheio de cacos do copo caído e o leite derramado, se abaixou e viu um enorme caco enfiado na delicada carne do pé direito dela.
–Merda, está sangrando muito Nessie, eu preciso puxar o caco, vai doer.
–Tudo bem, eu aguento.
–Segure-se em meus ombros.
Ela se segurou nos ombros fortes enquanto ele retirava com cuidado o caco do pé dela que jorrou sangue quando ele saiu, o corte era bem fundo.
–Caramba, acho que vai ter que dar uns pontos aí. Me desculpe Nessie, a culpa foi minha, mais uma vez eu me precipitei e você acabou se machucando.
–Deixa pra lá, ninguém teve culpa, não se culpe, por favor.
–Olha, eu me comportei mal hoje a tarde, mas é que eu não sei o que senti quando a vi com seu namorado.
–Tudo bem Jake, eu entendo.
–Não Nessie, você não entende, o que eu estou sentindo nem eu entendo direito, eu sempre me achei imune a esses sentimentos e agora eu estou aqui louco de ciúme de seu namorado, eu sei que não devo sentir isso, mas não consigo evitar.
–Você sentiu ciúme de mim?
–Senti, senti sim, muito ciúme.
Ele respondeu tocando-a com carinho no rosto.
–Mas, por quê?
–Você não adivinha?
–Bom eu ainda não aprendi a ler mentes e tampouco tenho bola de cristal.
Ele sorriu com as palavras dela, voltou a se abaixar e rasgando um pedaço do robe dela amarrou no pé ensanguentado.
–Eu vou levá-la pra dar pontos nesse pé, não para o sangramento, parece que pegou uma veiazinha.
Disse e a ergueu nos braços.
–Não precisa Jake, logo para de sangrar.
–Não vai parar Ness.
–Ness? Monstro do lago Ness é isso?
Ela perguntou rindo.
–Não, claro que não. Só diminuí mais seu apelido, não gostou?
–Não é isso, só que eu nunca tive apelidos e aqui, já me deram dois.
–Mas só eu posso chamá-la assim, combinado?
–Combinado.
Chegaram ao quarto dela e ele a colocou sentada na cama, tirou o pedaço de pano e verificou que realmente não havia parado de sangrar.
–Ainda está saindo muito sangue?
Ela perguntou preocupada, não queria ter que ir essas horas para um pronto socorro.
–Está e muito, eu vou vestir uma roupa e venho levá-la.
Ela se levantou pulando em um pé só.
–Onde você vai?
Ele perguntou indignado, sorrindo divertida ela explicou.
–Eu preciso colocar uma roupa, você não quer que eu vá de camisola em um hospital não é?
–Bom, tem razão, eu já volto.
–Tudo bem.
Ela vestiu um conjunto de moletom, a calça era larga em baixo na barra, então foi fácil vesti-la, quando saiu pulando do closet, Jake já a esperava, pegou-a novamente no colo e perguntou.
–Onde estão seus documentos?
–Estão no bolso.
–Ótimo, vamos.
Jake carregou-a escada abaixo, ela sentia o pé machucado latejar pela dor intensa, nem se lembrava mais da dor de cabeça. Ele a colocou com cuidado no carro e avisou ao Félix.
–A senhorita Renesmee cortou o pé Félix e eu vou levá-la para o pronto socorro, se alguém perguntar você avisa sim?
–Pode deixar patrão.
–Manda abrirem os portões, fazendo um favor.
Jake dirigiu com cuidado pela noite de Madri, o pé dela continuava a sangrar, o pedaço de pano estava empapado de sangue.
–Está doendo?
Ele quis saber.
–Está latejando. Vai sujar todo seu carro de sangue
Ela respondeu.
–Dane-se o carro. Droga, a culpa foi minha.
–Eu já disse que ninguém teve culpa.
–Eu não raciocinei na hora, agi por impulso.
–Está tudo bem Jake, eu já disse.
–Tudo bem.
Chegaram ao pronto socorro e mais uma vez ele a pegou no colo, ela era tão leve, ele pensou. Foram atendidos e realmente o médico que os atendeu disse que o corte fora bem fundo e que havia pegado uma das inúmeras pequenas veias que temos no pé, por isso sangrava bastante.
Ela levou doze pontos ao todo, mas o médico explicou que fez pontos bem pequenos pra não ficar marca. Recomendou que ela não forçasse o pé nos primeiros dias e que com sete dias ela deveria voltar pra retirar os pontos. Também receitou uma pomada pra ajudar na cicatrização e medicamentos pra tomar se ela sentisse dor.
Voltaram pra casa e ela veio cochilando no carro, por incrível que pudesse parecer, estava feliz, ele lhe confessara que sentira ciúme dela, se ele sentira ciúme é porque ele sentia algo mais forte que apenas desejo.
Ele estava feliz porque voltara a sentir os lábios deliciosos dela de encontro aos seus e o melhor, ela correspondera, mesmo que fosse desejo o que ela sentia, já era algo bom, ela correspondera ao seu beijo.
Chegaram em casa e ele não a acordou, pegou-a no colo e a levou para o quarto, deitou-a na cama e a cobriu, colocando o pé machucado apoiado em uma almofada, passou o dedo de leve por seu rosto e depositou um beijo leve no alto de sua cabeça.
–Boa noite meu amor!
Ele sussurrou baixinho. Saiu e fechou a porta, ela abriu os olhos e sorriu encantada.
–Boa noite pra você também meu amor.
Ela respondeu, mesmo sabendo que ele não a ouviria.
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