Totally Wrong
9 Brigas.
Notas iniciais
Na moral, ele não vai nessa viagem. Quer dizer, ele não vai se mudar! Ah, por quê? Porque eu irei impedir! Nem que eu tenha que me jogar no chão do aeroporto e fingir que estou tendo um troço. Ou até dizer que...
Eu amo ele.
Mentira, isso eu não diria.
Simplemente irei tentar impedi-lo até os últimos segundos.
Mas está bom. Isso não é o maior problema agora. O maior são os meus pais.
Realmente eles nem estavam se olhando direito. Meu pai tomava café da manhã e saia, sem dizer nem, ao menos, uma palavra. Eu já estava notando isso tem um tempo. Mas a minha mãe adora fingir que está tudo bem, mesmo quando o mundo está desmoronando sobre a cabeça dela.
E essa última cena que eu vi, é rara de se acontecer. O que me deixou muito triste.
Me aproximei da sala para ver o que aconteceu – mesmo eu já sabendo o que tinha acontecido.
– Mãe... – comecei, logo quando a vi sentada na poltrona de cabeça baixa soluçando.
– Katherine. – ela começou a limpar as lágrimas para disfarçar o que acabara de acontecer.
– O que aconteceu? – indaguei.
– Nada... – respondeu-me, querendo me fazer de otária.
James se levantou, me fitou e torceu o nariz.
– Mãe, eu já não sou uma criança... – retruquei, um pouco irritada, admito.
Sarah ficou em silêncio.
– Está bom. Não me importa. Eu já ouvi tudo. – falei, e Sarah voltou a chorar.
Eu poderia dizer o meu melhor – e mais apropriado –, conselho do momento.
– Eu conheço o meu pai... vai por mim. Manda se foder. Porque com ele só assim... – soltei o máximo que eu poderia dizer no momento.
Eu sei que Sarah não vai me ouvir. Fazer o que, não é.
Voltei para o meu quarto. E James continuou consolando mamãe.
Depois de, quase, uma eternidade, James foi para o quarto dele. Quando eu ouvi-lo bater a porta do quarto, fui calmamente até o quarto dele. Abri a porta abruptamente. Encontrei James deitado, com o braço apoiado na testa. Ele se assustou. Eu fechei a porta e me aproximei dele.
– James, você definitivamente não pode se mudar! – falei um pouco exaltada. Porque esse assunto está me dando nos nervos.
Ele riu um tanto sarcástico. Me incomodou um pouco. Torci o meu pescoço.
– E quem vai me impedir? – ele riu ironicamente – Você? – fez uma nova pergunta para reforçar a primeira. E riu novamente.
– É, será eu.
– Katherine, relaxa. Semana que vem será o seu aniversário, você vai para a Flórida. Se divertir. Ao mesmo tempo eu estarei indo para Nova Iorque. Olha que beleza.
– E você está feliz? – perguntei desanpontada.
– Vou tentar ficar. – respondeu-me e sorriu fraco.
Caminhei até a porta.
– Katherine, e você? Está feliz? – perguntou-me.
Eu sou olhei fixamente para ele. E fechei os meus olhos. Saí sem dar uma resposta concreta para ele.
Fui até a sala para falar com a minha mãe.
– Mãe.
– Oi Katherine.
Ela já tinha parado de chorar, e estava na cozinha fazendo o almoço.
– Não quero ir para a Flórida mais.
Ela tirou os olhos das panelas, secou as mãos e me olhou.
– Como assim?
– É, eu não quero ir mais para a Flórida.
– Mas p-por que? – ela me indagou assustada.
– Não estou afim mais. Quero ficar em casa.
Sarah apenas assentiu, e eu fui para o meu quarto.
***
Meu pai chegou um pouco mais tarde. Em torno de seis horas da tarde. E meus pais estão brigando já tem duas horas... Gritando... Quase se matando.
De vez em quando rolava UFC aqui em casa. Mas normalmente quem estava no ringue era, sempre, eu e James. Meus pais raramente brigavam.
Por isso eu estava ficando com medo.
A única pessoa que eu poderia recorrer era James.
Por isso fui até o quarto dele. Sem bater, entrei.
– James... – cutuquei-o, já que ele estava dormindo.
– Oi, oi! – ele acordou desesperado, e eu ri disso.
– Posso ficar aqui com você?
– Por que você quer ficar aqui?
– Você já ouviu a gritaria?
– Não... – ele esfregou os olhos e bocejou. – Por quê?
– Para de fazer esse joguinho de perguntas...
– Que jogo?
Caralho, que asno.
– Esquece James... Esquece. – suspirei – Papai e mamãe já estão brigando há duas horas.
– Como que eu não ouvi isso?
– Porque, talvez, você estivesse dormindo enquanto eles gritavam um com o outro...
O quarto ficou em silêncio, pelo barulho de alguma coisa quebrando.
– Eu não quero mais ficar com você! – ouvimos Sarah gritando.
– Está vendo? Aliás ouvindo. – murmurei e James assentiu em resposta.
Voltamos a ficar quietos.
– E então... posso ficar aqui? – perguntei.
– Pode, pode...
Me joguei na cama, ao lado dele.
– James, estou com medo dos nossos pais se separarem.
– Já ouviu falar em tempo?
– Já... Mas sei lá.
– Não se preocupe pequena. Vai ficar tudo bem com o tempo...
James se virou para o meu lado e ficou me observando.
– Katherine. – ele me chamou através de um murmúrio.
– Oi.
– Posso te fazer uma pergunta.
Suspirei.
– Pode. – respondi.
– Você me ama?
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