Total Eclipse Of The Heart
1 Capítulo 1.

- Tomara que a Kel não me mate! — murmurei para mim mesma, enquanto dirigia o mais rápido possível. Havia perdido a hora novamente e sabia que minha melhor amiga odiava isso.
Mas ela deve estar com o boymagic dela... nem deve estar sentindo sua falta, uma parte de mim pensou.
Yeah, aquele cara sabe mexer com alguém, concorda outra parte.
Pode parecer loucura, mas as vezes é bom ter conversas consigo mesma. Faz bem.
Logo avisto o morro coberto pela mata. Rapidamente, subi vários quilômetros pela linda estrada sinuosa e margeada por árvores. Por entre elas, vi ruas de terra e casas que pontilhavam a floresta aqui e ali, mas a área era em grande parte intocada. Kel tinha sorte.
Tomei coragem e peguei meu celular, desbloqueando e logo ligando para Kelsey. Hora de ir amansando a fera.
"Alô?" A voz dela estava levemente rouca e ofegante. Hm.
"Oi, Kel. Sou eu!" Falo, simpática.
"Oi, Lette. Como vai?"
"Vou bem e você, amiga?"
"Muito bem." Notei uma pontinha de duplo sentido ali. Aposto que um certo indiano de olhos cobalto tinha haver com isso.
"Tá com o Ren, né safada? Aposto que sim!" Falo, rindo.
"E-eu..." a coitada gaguejava, mas logo o celular foi tirado dela.
"Olá, Lette." Ren diz educadamente.
"Fala, Ren! E ai?" Cumprimento o moreno.
"Tudo bem. A Kelsey não pode falar agora, tudo bem?"
"Ah, claro." Dou uma risada maliciosa "Entendo perfeitamente! Mas eu queria saber se o trabalho ainda está de pé."
"Com certeza. Daqui a meia hora estamos em casa, fique a vontade."
"Não precisa pedir duas vezes." Ri "já posso ir arrumando minhas coisas no quarto? Fala pra Kel não se preocupar que são poucas."
"Ela disse "bobagem. Ela pode levar quantas quiser." Isso é bom, uh?"
"Muito. Mas se eu levasse o que quisesse, teríamos que usar sua parte da casa também." Brinco.
"Eu quase não uso mesmo." Ele rebate.
"Então tudo bem, Ren. Nos vemos mais tarde. Beijos."
"Até mais tarde, Violette." Ren se despediu e ouvi Kel ao fundo: "Beijos!"
Suspirei feliz pelos pombinhos e estacionei em frente a casa, já que o casal do ano tinha seus carros.
Fiquei uns segundos encarando meu novo lar temporário.
Cada lado do prédio era a imagem espelhada do outro, com dois andares, garagem e um pequeno pátio compartilhado. Ambos tinham uma ampla janela na sacada que dava para as árvores, O revestimento de madeira era pintado de castanho e um tom escuro de verde, e o telhado era coberto com telhas verde-acinzentadas. Eu adorava aquele lugar!
Peguei minhas coisas e fui até a parte da Kel. Peguei a chave que estava no meu bolso e já fui indo até meu quarto.
- Puta merda. — xinguei, me lembrando que não tinha tirado o tênis sujo quando entrei — Kells que me perdoe!
Entrei no meu quarto e larguei as coisas no chão. Tirei meus tênis e taquei pro canto do quarto, deslizando agilmente de meia pelo quarto.
- Hora da arrumação!
***
Arrumei minhas coisas até o casal chegar, duas horas depois.
- Meia hora, uh? — disse, descendo as escadas.
Ren e Kel estavam abraçados, sorridentes.
- Oh! Desculpe, Lette! Esquecemos completamente! — diz Kelsey, envergonhada.
- Nos perdoe, Lette. — diz Ren, sorrindo culpado.
Não resisti e sorri para eles.
- Tá tudo bem, meus amores! Mas eu quero retratação, hein! — rio, pegando meu material no escritório e levando para sala.
- Tudo que você quiser. — promete Kelsey.
- Vou cobrar. — pisco para ela, que sorri — e agora... latim!
- Latim... — resmungou Kel, desanimada, se sentando ao meu lado.
- Cruz credo, garota. Que desanimo! — reclamo, ajeitando tudo — latim é legal. É muito interessante que...
Mas Kel não estava prestando atenção em mim, claro. Babava pelo Ren, que sorria para ela. Tá, ele é lindo, charmoso e ama ela. Ela pode ficar babando por ele.
Mas qual é! Temos trabalho a fazer e desse jeito não da!
- Ren. Sai daqui, já! — mando, apontando pra porta.
- Por quê? — aquela safado ainda se finge de inocente.
- Mas é muita cara de pau, mesmo! — falo, me levantando. Vou até ele e puxo-o pela camiseta até a porta — você desconcenta a pobre Kelsey! E sabe muito bem disso! — sussurro para ele — eu preciso de nota, mas do jeito que tá... — respiro fundo — vocês terão a vida inteiro para ficar juntos, Ren. Agora vá.
Ele assente e sai.
***
- Você tem certeza mesmo que não quer ir, Lette? — Kel me pergunta pela décima vez.
Torci o nariz. Não estava com clima para bailes ou jantares.
- Absoluta. Ficarei bem aqui. — sorri para ela — Me conte tudo depois, hein!
Ela assentiu e me abraçou, radiante.
- Eu te amo, Lette! — disse, com a voz um pouco embargada.
- Eu também te amo, Kel. — sussurrei, beijando sua bochecha — como uma irmã.
Ela sorriu mais ainda.
- Como uma irmã. — afirma ela.
- Kells? — a campainha toca e ouço Ren gritar, impaciente.
- Estou indo! — ela grita.
Pisco para ela e a empurro gentilmente até a porta. Antes que pudesse abri-la, dou uma corridinha até a cozinha, deixando-a aproveitar o momento.
Tento não ouvir o que eles estavam falando, me concentrando em fazer brigadeiro, um doce viciante que aprendi a fazer quando fui visitar o Brasil. Logo pude ouvir a porta se fechando, o barulho do carro... tcharam! A casa todinha para mim! Dia dos namorados e eu aqui... uhu!
Eu deveria estar triste, mas estranhamente estou um pouco em paz. Uma sensação diferente de que algo bom está prestes a acontecer.
Sorri, fitando a cozinha, enquanto mexia no brigadeiro.
A cozinha era pequena, com cortinas amarelas, eletrodomésticos de aço inoxidável novinhos em folha e paredes decoradas com padrões amarelo-limão. Limão. A Kel realmente adorova isso.
Terminei de fazer o doce logo fui pegando outras besteiras na cozinha. Tinha muitas, já que Ren passava aqui todo dia.
Separei os melhores filmes de ação e vi durante muito tempo. Depois de um fiquei entediada e arrumei tudo (até porque a Kel me mataria se eu não arrumasse) e fui para o meu quarto.
Quando já estava na cama, ouvi algumas vozes lá em baixo. Decidi ignorar, provavelmente era Ren e Kel voltando do encontro.
Adormeci rapidamente, exausta, mas antes consegui ouvir algo que me deixou curiosa:
- Você comeu todos os meus biscoitos de manteiga de amendoim?
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