Tot: The Four Winds Alchemist

5 4. A ovelha negra da família


Notas iniciais
Este capítulo trata apenas do motivo pelo qual o Dragon foi parar no jogo. '-'

Já chega. Eu não vou suportar mais nem um minuto disso.

Ninguém havia avisado a Kurt que a vida de um Dragon adolescente não era fácil. Ainda mais quando se faz parte da família dos magos mais renomados do país. Ou melhor, quando se é a ovelha negra da família.

Kurt se sentia muito inferior em relação aos primos e irmãos. Não pela parte da aparência, porque nisso ele definitivamente ganhava. Era alto, 1,83 m de altura, seu porte físico era mediano; nem muito forte, nem muito magro. Mas era o ideal para torná-lo perfeito. Deixara seus cabelos azul-marinho crescerem, sendo mais longo do que o cabelo de sua irmã. Seus olhos eram sérios, ainda mais ressaltados pelo azul profundo de sua íris. Tinha a pele clara, e as feições do rosto angulosas e proporcionais. Definitivamente, ele de longe era mais bonito que seus primos e irmãos. Mas o que o deixava para trás era sua magia.

Seu irmão caçula, com apenas 13 anos, aprendia magias mais poderosas do que ele, que já tinha 17. Ele sofria com piadinhas diariamente. E pra piorar, seus pais só sabiam apontar suas falhas, ao invés de apoiá-lo.

Eu juro que se eu ouvir mais uma piadinha ao meu respeito, eu fujo dessa casa sem nem me despedir.

- E ai Kurt, já aprendeu alguma magia básica? Ou eu vou ter que bater naqueles valentões do seu colégio por você de novo? – disse seu primo mais velho, John, em tom de deboche.

Agora você pediu.

Kurt se dirigiu a John bruscamente, metendo-lhe um forte soco na cara. Com a mesma rapidez que ele viera, ele se fora, subindo as escadas até seu quarto, jogando a mala em cima da cama e as roupas em cima da mala.

Em instantes depois, Kurt estava de volta à sala de estar, se deparando com o primo sendo socorrido pela tia, mãe de Kurt. Quando o primo apontou pra ele, sua mãe o encarou com um olhar de profunda raiva e decepção. Ao ver a mala na mão de Kurt, a raiva e a decepção se transformaram em indignação.

- Kurt, aonde você pensa que vai?

- Pra qualquer lugar longe de vocês. – respondeu ele de maneira rude, mostrando o dedo do meio antes de virar as costas e sumir.

Ele podia ouvir os gritos de sua mãe chamando por ele, dizendo algo como ‘eu não te dei educação suficiente não?’, mas ele simplesmente fingiu ser surdo. E isso era muito bom.

Porém, a êxtase de finalmente ter saído de casa deu lugar a uma preocupação: o que fazer agora? Ele não tinha amigos, apenas aqueles que fingiam ser amigos. Não tinha parente a não ser os que moravam naquela casa. Resumindo, agora ele era um ninguém. Kurt se sentou na calçada para planejar o resto do seu dia, tentando manter a calma ao invés de voltar desesperado para o conforto de sua casa. Foi quando avistou um panfleto bem colorido preso no bueiro.

\"Kurt\"