Tot: The Four Winds Alchemist
16 15. Corais, conchas e macacos
O grupo logo percebeu que eles haviam perdido muito tempo. A maioria dos competidores já havia deixado Blooming Cora e avançado para a praia de coral. Mas com a informação que Ashlee e Kurt conseguiram, eles podiam até se considerar em vantagem.
No terceiro dia, eles resolveram deixar Blooming Cora, juntando dinheiro suficiente para alugar um barco.
- Não gosto desse Gwenfild. – disse Sam. – Ele deixa suas opiniões pessoais interferirem no processo científico.
- Também acho. – concordou Amy. – Ele não é nada comparado com Wilderson.
- É mesmo! Você viu aquele artigo dele sobre a reserva de Yellowstone? – perguntou Sam, animado.
- Se vi? Aquele é meu artigo favorito dele!
Sam e Amy, felizmente, deram uma pausa nas brigas e passaram a discutir sobre um artigo da revista científica dessa semana, na qual Gwenfild contesta se C-R2027 é realmente uma estrela.
- Cara... Parece até que eles estão falando em outra língua! – disse Katy.
- Nem tanto. Quando eu vencer esse jogo, eu vou criar a minha própria revista científica. – disse New.
- Se você vencer, seu nerd. – retrucou Katy.
- Ei! Amy e Sam ficam falando disso toda hora! Por que eu sou o nerd? – perguntou New, indignado.
- Porque eles já são velhos... – Nisso, Katy levou dois cascudos. – Ai! Isso doeu!
- Só porque temos mais de 20 anos não quer dizer que somos velhos. – disse Sam.
- Mal nos tornamos adultos e já temos que aturar esses comentários... – disse Amy.
- Parem de se mexer tanto! O barco vai virar! – avisou Bill.
O barco estava realmente quase afundando. Oito pessoas era demais para um barquinho velho daquele.
Foi uma viagem rápida. Logo eles chegaram à praia, e o barco não resistiu e se despedaçou com uma onda. Felizmente, todos já haviam descido dele.
Agora, uma imensa terra coberta de areia úmida, além de muitas plantas estranhas, se abria diante deles. O jogo realmente começara.
- E então? Vamos? – perguntou Victoria, animada.
- Vamos! – disse Katy. – Já posso até sentir o gosto daquela estátua!
O grupo começou a caminhada. Eles rumaram para a parte mais alta da praia de coral, que ficava a leste. No final da tarde, eles já estavam chegando na parte alta da praia.
- Sensei... Eu não agüento mais... – disse Ashlee, ofegante e de aparência cansada.
- E eu tô com fome... – reclamou Katy, a barriga roncando.
- A gente poderia ter mais comida, se alguém não tivesse perdido o dinheiro. – disse Sam, lançando um olhar mortal para Kurt.
- Ei! Eu fui roubado! Aquela pirralha deve ter me roubado quando esbarrou em mim.
- Esquece. O que passou, passou. – disse Bill. – Vamos descansar um pouco nessas conchas gigantes.
Havia um grande aglomerado de conchas gigantes, que dariam um ótimo lugar para descanso.
- Ufa! Eu to exausta! – disse Katy, se jogando em uma concha.
E, para surpresa de todos, a concha começou a se mover. Ela se remexeu e começou a pular.
- Que tipo de macumba é esse? – gritou Katy, caindo no chão.
Então a concha se abriu e revelou ser mais um monstro da ilha. Ela emitiu um grito agudo, e logo todas as conchas ao redor se abriram, gritando furiosas.
Uma concha mordeu a perna de Bill. – AI! Sua filha da...
Todas as conchas atacaram ao mesmo tempo, sem nem ao menos dar muito tempo para o contra-ataque.
Bill e Katy desferiam chutes e socos em todas as conchas que podiam; Ashlee conjurava magias que envolviam as conchas dentro de bolhas; Kurt simplesmente explodia as conchas na tentativa de conjurar uma magia boa; Amy jogava nas conchas tudo o que encontrava pela frente; New atirava nelas com a sua arma d’água e Sam e Vicky atraíam o resto delas para o mar, onde tinha um pequeno redemoinho se formando.
Depois de certo tempo, todas as conchas tinham sido abatidas. Ninguém se machucou seriamente, só a perna de Bill estava um pouco inchada e sangrava, mas não era grave.
- Legal! Nossa primeira batalha! – disse Katy, sorrindo de orelha a orelha.
- Ei, Kurt! Mandou bem explodindo as conchas. Agora temos uma boa janta quentinha. – disse Sam, pegando os pedaços de monstro torrados.
Kurt jogou o cabelo para trás. – Eu estava planejando isso desde o começo.
Poucos minutos depois, o jantar estava pronto.
- Itadakimasu! – disseram todos antes de comer.
O sol acabara de nascer. Sam acordou antes que todos. Eles tinham dormido em desconfortáveis sacos de dormir, o que o deixou com uma baita dor no pescoço.
Depois de seus exercícios matinais, ele viu seu reflexo em uma poça d’água.
- Putz, minha barba ta crescendo... – Sam pegou uma navalha de sua mochila e tirou a barba rala usando a poça como espelho. Só faltava um pedaço, quando...
- AHHHH! – um grito feminino o assustou tanto, que ele se cortou.
- Ai! Mas o que foi isso? – gritou Sam, com sua bochecha direita sangrando.
Todo o grupo havia acordado. Eles encontraram Katy batendo em um macaco estranhamente vestido com uma touca e uma jaqueta.
- Esse macaco estava me apalpando enquanto eu dormia! – gritou Katy depois de ter nocauteado o pobre macaco.
- Tá bom... Isso é muito estranho. – constatou (desnecessariamente) New.
- Gente... Acho que temos companhia. – disse Bill, olhando em volta.
Pelo menos uma dúzia de macacos iguais ao primeiro estava cercando o grupo, pulando e gritando.
- Ei! Aquele macaco pegou a minha bolsa! – gritou Amy. Ela pegou uma pedra e atirou-a bem entre os olhos do macaco com a bolsa, que por sua vez apenas caiu pra trás, atordoado.
Isso só deixou os macacos mais irritados. – Amy, sua tonta! Você os irritou! – gritou Sam.
- Pelo menos eu não estou sangrando antes mesmo deles atacarem!
- Parem de gritar, seus inúteis! Assim eles vão... – Kurt foi interrompido por um macaco que pulou em sua cara.
Todos os macacos atacaram. Eles eram bem mais fortes do que as conchas. Bill lutava com 3 macacos ao mesmo tempo, e estava sendo derrotado. Kurt tinha problemas com o macaco em sua cara, que puxava com força seu cabelo. Ashlee fazia o possível para prender os macacos em bolhas mágicas, mas eles eram muito rápidos para caírem nesse truque. Vicky e Katy lutavam juntas e estavam até se dando bem. A arma d’água super potente de New conseguia manter os macacos à distância, e ele até conseguiu resgatar Bill, com vários tiros certeiros. Ele só errou um tiro, que por acaso acertou o macaco em cima de Kurt. Já Sam e Amy ainda discutiam enquanto lutavam.
- Você é muito chata, sabia? – disse Sam se desviando de um ataque.
- E você é um guaxinim tarado. – disse Amy, socando um macaco. – E também não sabe se barbear.
- Pelo menos eu não sou estressadinho como certas raposas...
- Estressadinha? Mas eu sou COMPLETAMENTE CALMA!
Eles só não lutavam um contra o outro por causa dos macacos.
Finalmente, depois de uma longa briga, quase todos os macacos foram nocauteados, e alguns presos em bolhas.
- Vocês são muito maus! – gritou um macaco de dentro de uma bolha.
- Você fala? – todos perguntaram juntos.
- É claro que sim! Já viram um macaco tão bonito que não fala? Hehehe. – o macaco piscou para Vicky, o que a perturbou um pouco.
- É o que faltava. Um macaco convencido. – disse Kurt.
- Mas nós não somos macacos comuns! Somos Thiefmons! Uma raça de macacos geniais e honestos. – disse o macaco.
- Honestos? Um de vocês me apalpou enquanto eu dormia. – disse Katy.
- Ele não estava te apalpando. Ele estava te roubando.
- Muito honesto né? – comentou Amy.
- Ai, minha querida raposa, suas palavras me machucam. – chorou o Thiefmon. – Roubar foi a única alternativa que sobrou para o meu povo, depois que fomos expulsos de nosso lar.
- Primeiro, sua queria raposa é o cac***, e segundo, como assim expulsos de casa? — disse Amy.
- É uma história muito triste... Aconteceu anos atrás, neste mesmo local... – ele começou. – Eu era só um Thiefmon inocente, tinha apenas alguns aninhos de idade. Minha família morava em paz nas cavernas da praia de coral, junto com todos os Thiefmons dessa parte de Caballa Island. Foi ai que apareceu aquele... Aquele monstro!
- Tadinho... – disse Ashlee, que chorava também.
- Ele nos expulsou de lá, para usar a caverna como sua nova toca. Ele se chama Mestre Mong, o mais temido da praia de coral.
- Sei... Tudo bem, não é problema nosso. Tchau. – disse Kurt.
Ele se virou para ir embora, mas Vicky o segurou. – Kurt-chan... Nós não podemos abandonar os pobres Thiefmons assim... – então Kurt viu que os olhos dela estavam cheios de lágrimas também.
- Tem razão. Um cavalheiro não abandona uma pessoa. Ou macaco. Enfim, vamos ajudar. – disse Sam.
- HÁ! No dia em que você for um cavalheiro, eu serei a Madonna. – disse Amy.
- É, você tem cara de 50 anos mesmo... – rebateu Sam, rindo.
- AGORA VOCÊ CONSEGUIU! – berrou Amy, mandando anos de aulas de controle de raiva para o céu. Ela tirou várias agulhas bem grandes e ameaçadoras de sua bolsa e atirou nele.
- Ai! – Sam gritou. Ele desviou de uma, duas, três... Ele já estava se sentindo o cara do Matrix quando se esquivou de quase todas as agulhas. As duas últimas acertaram suas coxas.
- Sensei! Ashlee correu para ajudá-lo, enquanto Vicky e Katy seguravam Amy.
Mas o Thiefmon ignorou a briga. – Então vocês vão nos ajudar? Hehehe. Somos muito gratos! Não acho que vocês vão conseguir derrotar o Mestre Mong, mas vale a pena tentar!
Eles passaram o resto da manhã treinando e se preparando para enfrentar o Mestre Mong. Ashlee havia curado as pernas de Sam, mas vira e mexe, o ferimento abria de novo. E o corte no rosto foi curado, mas deixou uma marca desagradável. Amy treinou sua mira com as agulhas, ainda bastante irritada. Victoria aprendia alguns golpes com Katy e Bill batia numa árvore. Kurt aprendeu alguns truques com Ashlee. Com certeza, isso não seria fácil.
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