Notas iniciais
Essa one surgiu de mais um pedido especial de minha querida Kaline Bogard quando lhe mostrei uma imagem que achei, ao navegar pelo Site Pinterest. Deixarei o link da imagem no corpo do texto, não quis deixa-la como capa do capitulo, nem como capa da fanfic, pois tem a assinatura do autor e não pedi autorização. A imagem é tão lindinha que vale muito dar uma olhadinha. Espero que, tanto ela, quanto vocês gostem.

Se existia uma coisa que Inuzuka Kiba gostava, essa coisa se chamava bolo, e se fosse de aniversário com recheio e cobertura de morangos, então... Humm! Era irresistível para ele. Tsume bem sabia disso. Conhecia sua cria, afinal, ela o carregou em sua barriga por nove longos meses.

— Eu quero um morango! — Uma frase apenas. Simples, direta. Não era um pedido, tinha entonação de ordem e demonstrava o quanto o caçula da família era genioso.

— Não! Já disse que o bolo é para comer amanhã com seus amiguinhos no parquinho. — O bico que surgiu nos lábios do garotinho era lindo e incitava na mãe um desejo de apertá-lo e enchê-lo de beijos, no entanto Tsume tinha que o educar, mesmo que às vezes acabasse parecendo a bruxa da história. A correção seria para seu bem, deixaria os mimos a cargo de Hana. Estava na hora de Kiba entender que não podia ter tudo o que queria, na hora que queria.

— Por farvor, por farvor... — Outra coisa que a matriarca adorava em seu filho era como trocava as letras das palavras e como era persistente. Puxou isso dela.

— Quer uma uva?

— Não! Quero morango do meu bolo de aniversário! — Cruzou os bracinhos em frente ao peito, fazendo birra. Com toda a autoridade que um serzinho de três anos poderia ter. Os olhinhos cheios de água e um biquinho nos lábios anunciavam o choro iminente.

— Pivete, é melhor aceitar a proposta da mamãe enquanto é tempo — Hana debochou, estava calada desde o início da discussão entre mãe e filho, mas não perdia uma oportunidade de implicar com o irmãozinho.

— M-mamãe... — O lábio inferior tremeu durante a fala, a expressão do rostinho era suplicante. A visão cortaria o coração de qualquer mãe.

— Não tem mais mamãe, nem menos mamãe, você não irá comer o morango hoje e ‘tá acabado, Kiba.

Mesmo já sendo esperado, o choro sentido e magoado deixou as duas mulheres completamente desconcertadas, embora tenham demonstrado o contrário. Aquele garoto era o mundo de ambas, todavia não podia pensar que poderia ganhar as coisas no grito. Eram somente morangos, mas...

Hana agachou-se para pegá-lo no colo, em seguida explicou o porquê de terem que manter o bolo intacto até a manhã seguinte. Falou do quanto os amiguinhos ficariam felizes ao ver a torta linda que a mãe havia feito para comemorarem o seu aniversário. Kiba nada falou, apenas enterrou o rostinho na curva do pescoço da irmã e continuou a soluçar. Rendida diante da cena, Tsume colocou a mão em sua testinha num leve carinho, notando o garoto um pouco febril, não perdeu tempo para tomá-lo em seus braços. Trinta minutos depois da crise intempestiva por conta dos benditos morangos, o caçulinha já estava cheirosinho e devidamente medicado deitado em sua caminha e ressonava tranquilo. Logo que a mulher apagou o abajur na mesinha de cabeceira, Hana revelou sua presença atrás de si e questionou:

— Como à senhora consegue? — A mãe pareceu não entender a pergunta, Hana continuou: — Dizer não a ele?

— Às vezes é preciso... e é para seu bem. Um dia você me entenderá. É como tantas injeções que ele já tomou na sua curta vidinha, em cada uma delas eu chorei junto dele na hora das aplicações, entretanto hoje posso vê-lo vendendo saúde. É para o bem dele... — insistiu, como se precisasse acreditar no que dizia. — Me apego nisso antes de escolher o melhor caminho a seguir como mãe.

Kiba era uma criança passional demais, Tsume conhecia-o bem. Tal temperamento, tanto podia ser algo bom, como ruim no seu relacionamento com os outros. Quanto mais cedo aprendesse a lidar com os "não" que a vida lhe iria impor dali por diante melhor seria.

Algumas horas se passaram depois das Inuzukas colocarem o baixinho na cama, Tsume não pregou os olhos, a culpa lhe corroendo por dentro. Esporadicamente ia ao quarto do filho fiscalizar seu sono, aos pés da cama, o fiel companheiro peludo se encontrava tão sonolento quanto o dono. Já em seu dormitório, por volta das três da madrugada, ouviu cochichos provenientes da cozinha. Saiu do quarto devagar e encontrou-se com Hana se dirigindo para o cômodo também. Surpresas, as duas ficaram na porta espreitando o miúdo enquanto ele papeava com o amigo de quatro patas.

Akamaru, será que a mãe está magoada comigo? — Kiba era só sussurros. — Eu não queria deixá-la triste. Será que ela ainda vai me amar depois da minha malcriação?

O cãozinho soltou um ganido como se respondesse: ”Claro, seu bobão. ”

Eu sei. Irei pedir desculpas assim que ela acordar e só irei comer os morangos quando estiver com meus amiguinhos na minha festinha. — Akamaru abanou o rabinho, e o menino suspirou cansado. Kiba e o cachorro achegaram-se até à mesa onde se encontrava o bolo confeitado. A miniatura de homem feito ficou na pontinha do pé se apoiando na madeira, num salto certeiro, o cão fez o mesmo.

Mesmo sendo tão novinho, ao bater os olhos no doce, entendeu o que a irmã queria dizer com todo seu discurso mais cedo. Se ele pegasse um daqueles morangos, o bolo não teria ficado tão bonito, tampouco os amigos — que o menino amava tanto —, poderiam contemplar aquela maravilha do jeito que ele fazia naquele instante.

— A mana está certa, Akamaru, eu tenho o bolo mais lindo do mundo e a mãe mais maravilhosa também. E quero que todos os meus amiguinhos fiquem sabendo disso quando virem meu bolo do jeitinho que ela fez, com todos os morangos o enfeitando.

Conforme o menino ia falando com o cachorro, Tsume colocava a mão sobre os lábios, seus olhos começaram a marejar diante daquela cena. A culpa por ter dito não ao seu filhotinho já não lhe corroendo mais, no lugar, um sentimento novo surgiu: orgulho. Seu pequeno havia aprendido uma valorosa lição naquele dia:

A lidar com um dos primeiros "não" que a vida lhe dissera.

Notas finais
Espero que tenham gostado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!