Notas iniciais
E no terceiro dia, Torre de Névoa ressuscitou.

Benditas sejam as salamandras, as ninfas e as fadas. Os duendes em arbustos e o canto das sereias. Bem vindos às nossas vidas, os seres desse e de Outro Mundo. Os sussurros das sílfides aos ouvidos da poetisa, a beleza das filhas d'água aos olhos da artista e sobre todos nós, as suas bênçãos dadas de bom grado. Iluminados sejamos nós pela luz do sol e da lua. Nossos corações que à Deusa pertencem, eternamente os guardiões da magia. Sendo assim, que cada singela flor, cada semente a germinar, cada pássaro a voar e cada cristalina gota de chuva carreguem consigo o extraordinário.

E sob a vigia de nossos ancestrais em cada uma de nós resida: a paciência de uma sacerdotisa, a coragem de uma guerreira e o poder de uma Bruxa.

Durante toda a existência, Bruxas sempre estiveram presentes junto a terra. Alimentaram sua energia e por ela foram alimentadas. A cada novo ciclo de vida, foram nomeadas de diferentes formas. Para alguns, elas eram curandeiras dotadas de conhecimentos advindos do extraordinário. Outrora, elas foram mortas pelo mesmo pensamento. Eram Bruxas, feiticeiras, anjos, deusas, escórias e demônios. Filhas de um satanás que nunca existiu em seus corações. Criações diabólicas de um dito anjo caído que nada mais era do que a desculpa perfeita para os sentimentos malditos dos homens. Culpe o diabo e seu pobre Deus cego entenderá suas motivações. Afinal, Ele pode enxergar tudo, mas decerto não enxergará dentro de ti.

Storybrooke estava longe de ser uma cidade normal e todo bom morador sabia disso. Não que fosse dito aos quatro ventos sobre as lendas que rodeavam o lugar, mas, no fundo, eles sabiam que algo para além do normal acontecia. Era estranho como o tempo mudava sem explicação prévia, como nuvens negras e frias se formavam roubando o protagonismo de um sol quente bem no meio do verão. Estranho como as árvores tinham formatos inusitados e, num instante, pareciam normais ao ponto de qualquer sujeito julgar ser mero mal entendido. Estranho como nenhum bem aventurado conseguia penetrar às matas sem acabar saindo de volta pelo mesmo lugar que entrou. Estranho, dado que ainda com todos esses detalhes e com todos os motivos para duvidar, todos achavam normal, quase como se esquecessem no segundo seguinte.

Não obstante, assim como todas as pequenas cidades, Storybrooke possuía suas figurinhas carimbadas. Um político nada honesto metido a salvador, uma fanática religiosa entendida profeta e, claro, seus zangões que a seguiam por todos os cantos e o bom partido com quem todas as garotas supostamente querem casar.

Por algum motivo curioso, todos cruzavam os caminhos da família Mills.

Rotinas decoradas ditavam os passos de todos os moradores, mas mesmo aqueles que valorizavam reuniões caseiras acabavam cruzando as portas do Granny’s em algum momento. As mesas simples e bem arrumadas guardavam mais segredos e confissões do que o próprio padre e, diga-se de passagem, até mesmo ele por vezes recorria a elas. Por isso, quando um segredo era extremamente secreto, não demorava até que todos soubessem.

Edward Bealfire era o conhecido prefeito de Storybrooke. Não que tenha sido realmente escolhido pelo povo, mas o poder de sua família o garantia um mandato ou outro. O que realmente incomodava Edward eram as lacunas por onde esse poder não conseguia se infiltrar. Lacunas preenchidas por um poder maior do que ele poderia compreender.

— Não é possível que haja tanta dificuldade, basta que descubra a quem pertencem essas terras e a prefeitura fará uma boa oferta! — Edward bradou, um segundo antes de agressivamente desligar a ligação. — Bom dia, Granny! — sorriu, cordial.

— Olá Edward, como vai seu pai? Continua explorando a vida de pobres homens ou também passou esse cargo a você? — a mais velha devolveu-lhe o sorriso sem simpatia.

— Apenas um café preto para a viagem, por favor. — desconversou, já conhecendo as opiniões da senhora. — Granny... Na verdade, talvez você possa me ajudar. As terras a margem do rio, próximas a floresta. Você sabe a quem pertencem? Estamos perto de trazer uma importante empresa para a cidade e não posso correr riscos com instalações ilegais.

— Ah! — Granny gargalhou. Gargalhou tão alto e com tamanha vontade que chamou a atenção de clientes próximas. Inclusive, chamou ainda mais a atenção de uma curiosa loira que disfarçadamente já ouvia a conversa. — Você está se referindo às terras onde pessoas vivem, Edward? Onde aqueles pobres homens e mulheres se esforçam para sobreviver sem apoio algum?

— Bom, certamente estão vivendo ilegalmente. Aquela terra tem um dono e, se não tiver, a prefeitura tomará providências.

— Sim, aquelas terras têm um dono. Uma briga antiga. Pense bem, Edward, você sabe a quem elas pertencem.

— Mas eu... Não é possível! — o homem elevou a voz, perdendo a compostura por um segundo. Recuperou-se, ajeitando o terno bem passado. Tamanho era seu descontentamento que, ao sair, deixou seu café para trás.

Emma Swan fingiu desinteresse, tamborilou com os dedos sobre o balcão, folheou alguns livros, suspirou, mas não resistiu. Aguardou pacientemente até Granny atender a todos os pedidos e passá-los as suas ajudantes para se aproximar despretensiosamente.

— Então... — a loira suspirou.

— Você está ficando tempo demais nessa cidade. — a velha sorriu. — Está se tornando tão fofoqueira quanto todos nós.

— Eu? Não, não. Não é como se eu quisesse saber sobre toda a história, só achei curiosa a reação dele. Tão cheia de... Rancor.

— Ah sim, querida, há muito rancor em tudo por aqui, muita raiva daqueles que não conseguem controlar tudo o que querem. A questão, Emma, é que o dinheiro pode comprar muitas coisas e mover muitos mundos, mas não este. Há aqui coisas que o dinheiro não alcança, nem sequer chega perto de tocar. — Granny se perdeu por um instante, falando mais do que planejara. Irritava-se ao recordar o quão desonestos foram aqueles que cresceram pela ruína de outros.

— Mas quem é dono das terras que interessam a ele? — arriscou. Granny ponderou antes de falar, mas decidiu que não havia mal em revelar algo tão fácil de ser descoberto. Além disso, suspeitava de que peças curiosas estavam se movendo naquele jogo. As coisas mudariam, não iria demorar.

— As Mills, querida.

***

Zelena e Regina cresceram respondendo às constantes perguntas sobre sua família. Durante um tempo, Perpétua achou que seria prudente colocá-las na escola de Storybrooke, junto com outras crianças comuns. Mas suas netas não eram comuns, jamais seriam. Zelena conseguia as melhores notas lendo a mente de suas professoras, não que ela realmente precisasse recorrer a isso. Regina se saiu bem, até a escola começar uma caça ao tal gato preto que se esgueirava pelos corredores e arranhava certos alunos. Elas não eram comuns, não eram como os outros. A vida que as duas levariam ao longo de suas existências não exigiria o conhecimento sobre o valor de pi ou logaritmos. A química que manipulavam transcendia as barreiras da ciência escrita e caminhavam junto à alquimia desprezada. A história que estudavam não vangloriava heróis escravistas, mas contava sobre genocídios secretos. Elas jamais seriam comuns.

Não à toa, suas netas controlavam dois importantes pontos da cidade que ligavam a pacata Storybrooke às lendas antigas. Aos poucos, os moradores se acostumaram com a presença das irmãs e quase... Esqueciam-se da ausência de Perpétua. Na verdade, muitos ali nem sabiam de sua existência. E assim deveria ser.

Mas Perpétua existia e sua magia corria em cada tronco de árvore e gota d’água naquele lugar. Seguia firme com sua promessa de cuidar dos mais pobres e passara isso as suas netas. Remédios surpreendentemente eficazes eram produzidos sob a luz da Lua, ervas poderosas eram colhidas e tratadas. Sua magia era, mais do que qualquer coisa, um trabalho de caridade ao qual se dedicara durante anos. Não se importava quando agradeciam a Deus por àquilo e não a sua Deusa. Vivera anos demais para entender que a energia esperançosa curadora era apenas uma. Todo amor a Ela era devoto. Seus anos vividos também a ensinaram que maldade alguma poderia superar o desejo de massacre por poder e embora isso existisse no universo mágico, também era a principal falha humana. Não se surpreendeu quando a breve visão lhe revelou os recentes planos de Edward.

Cassandra ainda se via perdida em Storybrooke. Não estava acostumada com o acolhimento e nunca ficara tempo o bastante num lugar para ser conhecida. Desde seu ato heroico no Granny’s, era isso o que estava acontecendo. Acenos simpáticos de cabeça, singelos sorrisos e alguns até mesmo se lembravam de seu nome.

— Você não está prestando atenção, não é? — Regina questionou pela segunda vez.

— Eu estou! — a tia insistiu. — Eu realmente estou.

— Então para o que estamos olhando agora? — a morena encarou a grande estante organizada, mas sua mente respondeu com o vazio. — Registros... Registros do século X?

— Isso foi há dois corredores! — bufou, exausta. — O que está acontecendo?

— O que não está acontecendo seria uma pergunta mais apropriada. — Cassandra deixou que os ombros exaustos pesassem enquanto se sentava em uma das muitas caixas que estavam por ali.

— É sobre a vovó? Você pode me contar se quiser, está tudo bem. Eu e Zelena somos ótimas em guardar segredos. — a preocupação nítida no olhar acastanhado fez com que o estômago de Cassandra se revirasse.

Ela queria tanto contar a Regina sobre todos os medos que a afligiam. Queria tanto alertá-la sobre o mal que rodeava seus pés e sobre o algoz plantado pelo destino a cada esquina de sua vida. Queria proteger Regina com todo seu coração e a Deusa sabe que ela o faria, mas a promessa feita à mãe ardeu em sua boca.

— Eu e sua avó temos uma história complicada, Regina. Nós não estivemos sempre na mesma página dessa história e ela perdeu capítulos importantes por pura conveniência. Mas é a minha história com ela e não a sua ou a de Zelena. — não totalmente, quis dizer. — Nós estivemos longe uma da outra durante tantos anos que eu me esqueci de como é tê-la por perto. Quando ela me oferece uma xícara de café ou me pergunta como estou, eu não estou acostumada a encarar a preocupação que encontro naquele olhar. Nem mesmo a que encontro no seu. — a mais nova esticou a mão, acolhendo a tia em um conforto sincero.

— Nós nos preocupamos com você, é claro. Queremos que fique aqui conosco, mas vamos entender se precisar ir embora. Storybrooke não é tão agradável como parece, mas estou conformada demais para me incomodar.

— Vocês não saíram muito daqui, não é? Há tantos lugares incríveis que precisam ser conhecidos. — Cassandra aproveitou a oportunidade de fugir da conversa.

— Algumas vezes, apenas. Zelena sempre teve essa mesma inconformidade que você, sempre quis conhecer outros lugares. Nós fomos à Itália, Nova York... Los Angeles foi nossa última viagem. Então decidimos que era melhor estar aqui.

— Decidiram ou foram forçadas à escolha? — o questionamento despretensioso feito pela tia lembrou a Regina que Cassandra era muito atenciosa às palavras. Seu descuido fora pescado como um peixe desatento. — Você também pode confiar em mim, Regina.

— Eu sei que posso. — Regina suspirou, mas não deu continuidade a fala. O barulho ainda longe fez com que seus olhos se arregalassem em esperança. — Alguém está chegando. Vamos subir. Deve ter sido um sinal da Deusa para que você se levante dessa caixa que está cheia de livros mais velhos do que a vovó.

— Duvido muito dessa última afirmação, ela tem a idade do tempo. — Cassandra gargalhou, pondo-se de pé e seguindo atrás de uma Regina apressada. — Está curiosa para saber se é Emma?

— Não muito, na verdade. — mentiu. — Talvez, um pouco.

A verdade é que Regina pouco pensava em outra coisa desde o presente inesperado que lhe foi dado pela escritora. Forçava sua mente a seguir outro rumo, forçava-se a preencher formulários e organizar estantes, mas seus pensamentos encontravam caminhos até aquele maldito olhar esverdeado que acusara todos seus recentes conflitos. Ela era uma Bruxa. Não só uma Bruxa, Regina tinha sua magia intensificada por seus instintos e eles vibravam quando Emma estava perto. Vibravam como um imã.

Não era Emma quem a esperava e aquela não era sua primeira frustração do dia.

— Edward. — Regina cumprimentou com um breve aceno por pura formalidade.

— Regina! É um prazer! — o sorriso amargo pintou seus lábios e ele ajeitou a gravata em desconforto. — Bem, eu vou direto ao ponto.

— Espero que o faça. — a morena sorriu.

— Nós estamos visando o avanço de Storybrooke. Precisamos crescer, queremos crescer. Finalmente conseguimos firmar a vinda de uma grande multinacional para cá, iremos gerar empregos e renda para famílias carentes...

— Pensei que você iria direto ao ponto, Edward.

— Preciso que sua avó autorize a construção nas terras que beiram o rio. Elas são as melhores para que a instalação aconteça. Eu... A cidade precisa disso! — finalizou, como se falasse para uma chamada à eleição.

— A cidade precisa de projetos sociais, Edward. Infraestrutura, saúde. Não acho que precise de pobres homens sendo tirados de suas casas por pura conveniência.

— Regina, com todo respeito, eu prefiro discutir isso com a dona dessas terras. Até onde sei, — conferiu em seu celular. — Perpétua Mills.

— Acontece que ela não está disposta a ter essa conversa. — Cassandra chamou a atenção do homem que até então parecia não ter se dado conta de sua presença. — Nós não iremos ceder a autorização para construção e aconselho ao senhor que não tente importunar qualquer um que viva ali. Eles, diferente de você, têm a bênção para viver naquele lugar. Espero que tenha a consciência de que podemos recorrer legalmente se qualquer uma de nossas terras for invadida.

— E quem é você? — o lábio inferior de Edward tremia em irritação e ele pouco conseguia manter a faceta de bom moço.

— O meu nome é Cassandra, eu sou filha de Perpétua Mills. Acredito que eu seja a responsável legal pelos bens familiares em sua ausência. O seu pedido está negado, senhor.

— Isso é inaceitável! — Edward bradou. — Mais da metade das terras dessa cidade pertencem a um fantasma nunca visto. Onde está sua mãe? Ela não pode responder por si mesma? Sua presença é uma grande incógnita para a maioria de nós.

— A presença de minha avó não é uma incógnita para aqueles com quem ela se importa, Edward. Se você nunca a viu, decerto sua aprovação ou desaprovação pouco interessam a ela. Eu sugiro que você não pense em incomodá-la com esse assunto, a sua resposta já foi dada por minha tia.

Os sapatos caros foram batidos contra o piso de madeira. Ele se virou, inconformado pela batalha perdida.

— E Edward, — a voz de Cassandra fez com que ele se virasse. — não ouse mexer com as pessoas que vivem lá. Nós estamos ao lado delas, portanto, se o fizer, nós estaremos contra você.

***

Emma sofria com uma enorme dificuldade para se concentrar em sua real tarefa. Ainda se lembrava da noite em que entrou em seu carro e rumou de Boston à Storybrooke, certa de que encontraria forte incentivo por lá. Encontrou o incentivo. O incentivo para seus batimentos fora de compasso, suas inspirações poéticas e artísticas. Para sua história, apenas uma enorme certeza de que ainda precisava buscar por mais. A cada conversa com Regina, a cada mínimo segundo passado naquele lugar, seu faro apontava para uma verdade tão distante quanto o horizonte estava da ponta de seus dedos. Ainda assim, sempre que a loira se sentava para escrever, para tentar esboçar um misero rascunho que fosse, os seus pensamentos corriam tão rápido quanto as águas revoltas de um rio, levando-a de volta à floresta, a casa e à mulher que nela residia. Estar com Regina fazia com que Emma se lembrasse de sensações que enterrou profundamente em seu peito, sensações que ela jurou jamais vivenciar. Muitos anos de terapia intensa a fizeram entender que sua mente era capaz de enganá-la e por isso evitava acreditar em qualquer grande fantasia, ela não podia acreditar. Não podia se perder de novo em invenções cruéis. Escrever já era uma enorme aventura. Um escritor não poderia resistir à fantasia, mas Emma se esforçava para manter uma linha visível entre o real e o imaginário.

Contudo, aquela confusa mulher nublava qualquer certeza bem definida que ela jurava ter. Plantava dentro de Emma questionamentos tão profundos que a carregavam para o colo de memórias cruéis. Não era culpa de Regina, Emma sabia. Ela jamais poderia imaginar que sua fuga não fora só de Boston, mas de todos os castigos encarnados que estavam naquela cidade. As imagens de sua mãe, um pai punitivo e jamais amoroso, um noivado fracassado que fez com que ela fracassasse em sua própria autenticidade. Quem era Emma Swan? Ela não poderia responder. Seu reflexo no espelho agora mostrava o natural cabelo loiro, mas que durante a adolescência transitara entre as mais diversas cores em busca de uma nova identidade, uma nova cor que a fizesse renascer. Tolice, sabia. Boa parte de sua vida foi levada em uma enorme inércia entre sonhos e realidade, mal compreendia quando estava vivendo um ou outro. Emma foi forçada a retornar, forçada a reconhecer, forçada a firmar seus pés no chão. Não poderia enlouquecer como sua mãe doente. Contudo, não havia desejo maior em seu coração do que contemplar a paz que encontrava naqueles olhos distantes quando a mãe mergulhava num mundo de invenções próprias. Emma não sabia quando essa linha outrora tênue se tornara tão nítida, tão marcada e firme. Imóvel, imutável... Incoerente quando vista por seus sentimentos.

Naquela manhã, como em todas as outras, ela deixou o Granny’s com a certeza de que deveria ir até a biblioteca, todavia um impulso curioso, um minuto de coragem, fez com que ela mudasse seu curso. Queria encontrar Regina, queria conversar e se alienar por mais algumas horas naquele universo castanho obscuro. Queria encontrá-la de novo e mais uma vez, entregar-se ao movimento daqueles lábios vermelhos e do sorriso tempestuoso. Aliás, tudo em Regina ecoava como uma tempestade. Desde sua intensidade até a promessa de um céu aberto. Incerta promessa. Assim como uma tempestade, causava a necessidade de recuo ao mesmo tempo em que convida a dançar.

Ela não foi à biblioteca, discutindo com seu próprio coração ansioso e com as borboletas em seu estômago, o burlesco clichê que pouco esperava viver.

O Museu de Storybrooke era quase tão irresistível quanto à biblioteca. Não pela construção em si, não havia nada de faraónico, mas os detalhes talhados na madeira de entrada fizeram com que Emma se recordasse da Mansão no meio da floresta. As portas eram grandes e lustrosas, o piso era de mármore negro e grandes placas indicavam para onde deveria seguir de acordo com sua curiosidade. E mesmo com tudo isso, uma simplicidade massacrante revivia dentro do peito um acolhimento com gosto de casa. Não que a casa de Emma fosse acolhedora, ela riu com a ironia.

— Emma!? — a animação genuína fez com que a loira se perdesse por um instante antes de avistar a cabeleira ruiva. — Finalmente! Eu já estava julgando ofensivo que não viesse me visitar! Entendo que a biblioteca é mais atrativa para você, — piscou travessa. — mas nós também temos muita história por aqui.

— Eu sinto muito, de verdade. Estive tão dedicada a... — as palavras faltaram por um instante e ela viu a ruiva assentir em entendimento. — Dedicada a estudar alguns livros que cometi o erro enorme de não vir aqui. Espero que me perdoe.

— Claro, já está perdoada. — Zelena checou seu relógio. — Bom, eu tenho tempo vago, você gostaria de um tour particular pela história?

— Oh! Mesmo? — a loira sorriu em genuína animação. — Seria uma honra, por favor.

— Então, se a minha irmã me explicou bem a respeito de suas pesquisas, você está procurando entender sobre lendas locais para seu novo livro, certo? — Emma abriu a boca, mas pouco teve tempo para responder. Tentava ignorar a ansiedade súbita ao relato de que Regina falava sobre ela. — Sendo assim, nós precisamos ir mais afundo.

— Eu adoraria uma explicação completa. Não se reprima, por favor. — ela pegou seu bloco e preparou um lápis, pronta e curiosa como uma estudante ávida.

— Não há muito que não seja encontrado na internet, mas espero te surpreender com minha apresentação. — caminharam juntas até o final do corredor, seguindo pelo caminho indicado por Zelena. — Storybrooke guarda muitos relatos interessantes sobre sua história marítima, agricultura e formação, mas acredito que o maior interesse dos que vêm até aqui seja mesmo pelas lendas que, eu juro, não entendo porque causam tanto alvoroço. Salém oferece mais atrativos nesse sentido, mas, de alguma forma, as pessoas quase sempre vêm movidos por essa curiosidade, por isso montamos essa sessão e raramente alteramos.

— Particularmente, eu não se explicar como decidi vir para cá... — Emma tentou refletir por um segundo, mas sua mente pareceu nublada por uma forte sensação de recuo. — É claro que a história das bruxas não começa em Storybrooke, certo? Como isso chegou até aqui?

— Essa é uma pergunta curiosa, na verdade, porque sim, a história das Bruxas não começa em Storybrooke, mas não se sabe ao certo onde começa. Nós precisamos caminhar para um mundo distante, uma realidade totalmente diferente da que conhecemos agora. Não importa se você é cristã ou ateísta, sua realidade é em vários pontos pautada pelo cristianismo e por isso precisamos que desapegue de todos esses conhecimentos. Nós voltamos para um mundo sem calendários e sem grandes construções religiosas. — Zelena indicou um grande quadro onde um círculo era pintado. A coloração já antiga ainda ressaltava as diferentes áreas e suas divisões. Os olhos de Emma arderam em contemplação e curiosidade. — Essa é a Roda do Ano, originada da cultura Celta. Ela funciona como um calendário, mas não caminha de forma linear como estamos acostumados. A Roda do Ano é cíclica e incentiva o recomeço, não há fim. Essas divisões que você vê eram chamadas de Sabbats. Eles são a celebração do Deus e da Deusa e são divididos em oito, também chamados de Festivais do Sol e Festivais do Fogo. Yule, Ostara, Litha e Mabon são os Festivais Solares enquanto Imbolc, Beltane, Lammas e Samhain são Festivais do Fogo.

— Então estamos perto de... Beltane? — Emma questionou enquanto apontava para a pequena explicação deixada abaixo do quadro.

— Sim, exato. Todos esses festivais existiam para a celebração do Ciclo da Vida e as transformações da Deusa, você consegue relacionar esse pensamento as nossas estações do ano. Eles se guiavam pela Lua, principalmente. Beltane é a celebração da fertilidade e do amor. Fogueiras eram acesas para que a energia sexual e reprodutiva fosse celebrada. Aqui, o sexo não era entendido como uma punição, ele era uma dádiva. Uma dádiva divina de conexão e reprodução. Algo a ser agradecido e reverenciado em um grande evento. — Zelena indicou para que elas continuassem. — O grande ser espiritual adorado por esses povos era a Deusa, a Grande Mãe. Eles entendiam que somente uma mulher poderia ser capaz de comportar essa energia geradora de ciclos infinitos. A Terra só poderia ser abrigada pelo útero de uma Deusa. Assim foi durante muito tempo. Essa crença era alimentada principalmente por camponeses que viviam em bosques e dependiam da terra, mas não somente por eles. Os cultos eram difundidos entre os Reis e Rainhas, a ideia de Freiras devotas ao deus cristão nasce a partir das Sacerdotisas da Deusa. A mulher era exaltada e entendida como um ser poderoso. Até o Cristianismo.

— A Santa Inquisição? — Emma perguntou ao contemplar o quadro tortuoso de uma mulher pendurada por seus pés enquanto a cabeça era engolida por chamas intensas. Seu estômago se revirou e ela quase não conseguiu sustentar o olhar.

— Antes dela, na verdade. Emma, Bruxas... Aquelas que eram ditas como Bruxas não foram mortas apenas por essa condenação religiosa, foram mortas dentro de um enorme plano político. Roma foi responsável pela morte de Jesus, mas Constantino adotou o Cristianismo como a religião do Império. Por quê? Não é só um grande plano religioso, não tem como ser. Nós caminhamos de uma religião que exalta mulheres para uma que condena e as queima, nossas existências foram afuniladas. Genocídio legalizado pela santa mão de deus. Muitas mulheres inocentes morreram por puro desejo de opressão — as duas chegaram até uma estante de vidro. Emma demorou pouco mais de dois segundos para entender o que olhava.

— Malleus Maleficarum. — aproximou-se, resistindo à vontade de tentar tocar. — É tão... Diferente.

— É uma das primeiras edições. — Zelena suspirou, guardando para si a tentação de confessar ser a edição original. — O Martelo das Bruxas. Foi escrito por dois monges dominicanos, como se um monge soubesse qualquer coisa sobre bruxaria. Ele foi seguido tão arduamente pelos católicos que seu deus deve ter se incomodado da bíblia parecer tão desinteressante. O conselho eclesiástico de St. Patrick condenava qualquer cristão que acreditasse na existência de Bruxas, demônios ou vampiros, mas a Igreja autorizou a inquisição por meados de 1326. Em 1486 esse livro é lançado como um grande manual, mas a matança, na verdade, só foi intensificada. As mulheres se tornaram o maior alvo porque o pecado original de Eva as condenava como eternas pecadoras e, como vindas da costela de Adão, deveriam servir ao seu homem. Uma mulher que vivia sozinha era entendida como Bruxa, uma mulher que plantava e produzia seus próprios remédios também. Uma mulher que engravidava sem marido, seu filho era fruto do demônio. As pobres coitadas nem ao menos podiam ter um gato. As torturas eram diversas para provocar a confissão e só depois a morte. Isso é uma Dama de Ferro. — uma enorme caixa cinzenta de ferro negro. Seu formato era perfeito para a entrada de um corpo, o rosto carregava traços que lembravam a face de uma mulher. Em seu interior, afiados espetos esperavam ansiosos para perfurar a carne.

— Céus, isso é horrível. — os dedos de Emma pairaram próximos a ponta afiada de um dos espetos, mas não conseguiu tocar. Seu corpo ardia em uma repulsa que a fazia querer gritar. Independente de crença a cerca dos motivos, mulheres foram mortas, torturadas, mutiladas... Seu estômago doía em uma revolta seca.

— Já me pediram para guardá-lo, mas eu gosto de deixar aqui. Gosto que seja visto, como um lembrete do que somos capazes de fazer por poder. Venha, — a ruiva gentilmente caminhou ao lado de Emma, guiando-a pelo braço. Zelena já não se surpreendia com aquilo. Sabia ser apenas a ponta do iceberg, apenas uma parcela da história. Apenas a que podia ser contada. Nada dito sobre o verdadeiro motivo do Massacre as Bruxas. — É nesse ponto da história que grupos de Caçadores de Bruxas se revelam. Eles já existiam durante muito tempo, mas nada como a barbaria legalizada. É quando, segundo lendas, muitas Bruxas fogem para esse lado do Maine, encontrando acolhimento. A terra ainda não era muito povoada, mas os poucos que aqui viviam as aceitaram de bom grado. A presença dessas Bruxas, sua magia e seus rituais fizeram com que a terra se tornasse muito fértil. As Bruxas cuidavam da natureza e serviam a Deusa que respondia com fertilidade e proteção. Os alimentos plantados e as ervas transformadas em remédio eram distribuídas ao povo, elas não se escondiam. Mas a informação passada de boca em boca não agradou a todos, alguns vieram para cá com a ideia de domínio da terra que ficou conhecida como sendo tão boa e acabaram infelizes ao saber que existia proteção. Os Caçadores vieram atrás delas e, então, elas se foram.

— Como... Para sempre? — Emma questionou, perdida dentro da história. Seus olhos contemplavam as pinturas de mulheres em sua natureza pura. Peles brancas, morenas e negras, fogueiras, arvores, animais. Os chifres lustrosos de um Deus cornífero, o brilho intenso de uma Deusa.

— Não se sabe, Emma. Bem, na verdade, não se pode esperar o retorno daquilo que não se acredita, certo? — o riso contido de Zelena fez com que a loira retornasse à realidade. Os olhos piscaram freneticamente, como se lutassem para apagar as imagens produzidas por sua própria mente. — Sim, claro. Você está certa. Mas, Zelena, qual era o nome dessa Deusa tão adorada?

— Ela não tem um nome. Alguns ligam a existência dela a Hécate, Deusa Grega. Brighid na cultura Celta, enquanto outros cultuam a Tríplice formada por Morrigan, Macha e Babd, fúrias da mitologia Irlandesa. A questão, Emma, é que não importa o nome que se dê. Essas Deusas todas são um fragmento do poder da Grande Deusa e assim Ela está presente em todas as crenças. Até mesmo, imagino, em Maria, Nossa Senhora. — Zelena respeitou o silêncio de Emma enquanto caminhavam, sua mente era uma confusão de pensamentos nebulosos e até mesmo a Bruxa tinha dificuldade para se encontrar ali. Decidiu ausentar seu dom para que não acabasse respondendo uma pergunta não verbalizada e pôs uma barreira entre elas. — E aqui está, Lilith. Ela também é entendida como uma Deusa por muitos povos, embora tida como demônio por outros.

— A primeira mulher de Adão? — o quadro a frente dançava em tons frios e quentes. Duas mulheres, ou assim parecia ser. A primeira, deitada no chão. Seus cabelos ruivos misturados ao fragmento de vegetação, enquanto os braços lutavam para esconder os seios outrora expostos. Acima dela, a segunda mulher. Suas mãos unidas serviam de base para levitação de um fruto, uma maçã. A fruta proibida. O rosto possuía traços mais puxados, quase élficos. Os cabelos também ruivos caíam pelos ombros, mas não escondiam as singelas asas que brotavam de suas costas. Mais atrás, a cauda de serpente pairava, quase passando despercebida a olhos desatentos.

— Não apenas a primeira mulher de Adão. A primeira mulher. O primeiro sopro feminino da criação. Existem inúmeras lendas sobre ela, nós poderíamos passar um longo dia aqui, embora eu ache que Regina possa te explicar melhor, ela adora essa história. Acredito que a principal crença seja a da criação segundo o catolicismo, ainda que Lilith não esteja presente na bíblia, alguns acreditam que foi censurada no Concílio de Nicéia, como o apagamento de Maria Madalena. — a ruiva divagou, precisando de alguns segundos para retomar sua ideia central. — Enfim, Lilith teria sido, então, criada do mesmo pó de Adão. No entanto, Adão exigiu que Lilith se curvasse a sua superioridade masculina, em muito retratado como a dominação sexual, mas ela não aceita a submissão visto o princípio da igualdade. Sendo eles criados do mesmo pó, não existia motivo para um se curvar ao outro. Sua revolta faz com que ela fuja do paraíso. Nesse ponto, a lenda se fragmenta ainda mais. Algumas contam que ela se refugiou à beira do mar vermelho e copulou com o anjo da morte, o que deu origem a primeira leva de demônios. Outras revelam uma história diferente, onde ela foge para a porta dos céus e clama a seu criador que a deixe ser guardiã dos querubins, mas esse criador a condena. A figura de Lilith é apagada em muitas culturas, mas renasce em tantas outras. Essa pintura de Klapouh é uma imagem curiosa. A calda de serpente aponta que Lilith não era totalmente humana, assim como as asas. A mulher deitada é Eva. A história conta que Eva é persuadida pela cobra a comer a maçã, o fruto do conhecimento. Então, o primeiro pecado, o pecado original, é cometido pela mulher. Também é dito que aquela cobra era Lúcifer, a fim de atrapalhar os planos de seu pai, mas, nessa imagem, ela é Lilith. Se a vingança de Lilith era contra deus, seu criador, ela poderia ter levado o fruto a Adão, mas ela não o faz. Ela leva o fruto a Eva. Até onde essa atitude de Lilith é uma vingança e até onde é um ato de empatia com a mulher que foi criada com o intuito a submissão? Lilith oferece o conhecimento a Eva para que ela se desprenda da masculinidade opressora de Adão, assim como a própria Lilith se desprendeu?

— É uma teoria confusa. — Emma bufou. Sua criatividade gritava em tantos pontos que ela mesma não sabia por onde se guiar. Descobrira muito agora e, ainda assim, parecia ainda mais perdida.

— Tudo aquilo que parte da crença é confuso, Emma. Você pode acreditar em tudo o que eu contei agora e revolucionar sua vida a partir disso. Você pode não acreditar em nada, seguir outro rumo, modificar-se da mesma forma. A crença humana é algo imparável. A maioria de nós não acredita porque realmente quer acreditar, a maioria acredita porque busca a resposta para seus vazios, suas dores, seus males. Um conforto em dias tempestuosos. Não entendem que a crença não é construída para nós e sim para além de nós. No entanto, até mesmo esse pensamento é mera suposição. Antes mesmo de qualquer bíblia ou livro sagrado, os povos africanos adoravam seus Deuses, os gregos adoravam outros e assim seguia-se pelo resto do mundo. A semelhança entre todos eles é a humana necessidade de acreditar em algo além de nós. Um conforto, uma justiça. Crença está totalmente aliada à esperança.

A frase final fez com que a mente de Emma estourasse em um turbilhão de sensações. Zelena levou a mão até a própria cabeça, sofrendo com a pontada aguda que a atingiu quando sua barreira foi quebrada e, em seguida, mergulhou no abismo de uma dor austera. A mente de Emma era um jogo confuso, um quebra cabeças fragmentado por feridas humanas demais. Lembranças de uma infância solitária, a incompreensão, o castigo. O sorriso afetuoso de uma mulher, o abrigo acolhedor de seus braços e o rasgo doloroso de quando isso lhe foi tirado. Os olhos azuis do pai e a beleza nublada pela maldade genuína. A esperança de um amor salvador que a atirou num poço profundo. Ela recuou. Inocentemente, recuou, por pura formalidade. Não poderia desmembrar aqueles sentimentos, não era de seu direito.

Quisera a Deusa que Zelena não tivesse recuado.

— Então, acredito que já foram muitas informações, não é? Não queremos que sua mente exploda ou coisa parecida. — a ruiva brincou, tentando quebrar a tensão. — Se um dia quiser, temos muitas outras obras aqui que são bem interessantes. Essa de Klapouh é uma das minhas preferidas. Foi uma vitória conseguir roubá-la do Museu de Kiev, mas finalmente consegui.

— Você tem obras incríveis aqui pra uma cidade tão pequena. — a loira amenizou, apertando seus próprios braços por uma necessidade de conforto. Ela sorriu o mais genuinamente possível, não queria que Zelena sentisse qualquer rastro do seu desconforto.

— O segredo é uma boa administração. — elevou o queixo, em exaltação própria. — Não que eu esteja me gabando, mas não é algo comum por aqui. Começando pelo prefeito.

— Ah, sim! Aquele homem, céus! Eu o conheci hoje, lá no Granny’s. Estava perguntando a Granny sobre algumas terras à beira do rio, pareceu bem frustrado quando descobriu que elas pertenciam a sua avó. — o assunto chamou a atenção de Zelena e Emma pôde perceber a irritação em seu olhar.

— Aquele homem é uma mistura de tudo o que há de ruim na terra com pitadas de psicopatia, acredite. É asqueroso. Ele elevou os impostos em níveis tão absurdos que a única alternativa de algumas famílias foi abrir mão de suas propriedades. Vovó deixou que vivessem lá e construíssem suas casas. A ideia primária era doar a terra, mas Edward provavelmente encontraria um jeito de arrancá-los de lá. Justiça é um conceito abstrato, Emma.

— Isso é horrível. Quase me faz torcer para que as bruxas voltem e o queimem na fogueira. — a frase pegou Zelena de surpresa, mas logo notou ser só uma brincadeira e se entregou as gostosas gargalhadas. — Não sei se elas são capazes disso, acho que seriam bondosas como anjos.

— Oh sim, elas seriam capazes. Bruxas não são cruéis, mas definitivamente não são anjos. Você sabe, segundo as... Lendas. — apressou-se em ressaltar.

— E toda aquela história moderna de adoração e somente adoração?

— Sim, elas adoram a Deusa, mas não são seres perfeitos e justos. Ainda se fossem como anjos, nós precisamos nos lembrar de que eles eram como guerreiros dos céus. Os anjos de Bernini carregam lanças e espadas, não corações e promessas de salvação. — retornaram a entrada e Zelena só se deu conta do horário quando percebeu a chegada de estudantes prontos para sua aula semanal. — Eu estou quase atrasada para minha aula.

— Algum evento específico? — Emma se surpreendeu ao perceber o Museu tão cheio.

— Não exatamente. Nós temos um acordo com algumas escolas e os alunos vêm até aqui. Uma forma de ver a história de outro ângulo, acho. Não são todos os assuntos que conseguimos demonstrar através de pinturas, esculturas ou artefatos, mas eu me esforço para fazer o máximo.

— Tenho certeza que sempre consegue. Você triplicou o meu interesse por bruxas, agora. Sinto que preciso estudar ainda mais. — a ruiva sorriu em enorme satisfação. O sorriso só vacilou ao lembrar que o objetivo era sanar o interesse de Emma para que ela fosse embora, mas a avó que a perdoe por isso. E, bem, a irmã que a agradeça por garantir a permanência de sua nova paixão.

— Acredite, elas são muito, muito interessantes e atraentes. Eu posso responder suas dúvidas em outro dia, mas tenho certeza que Regina é capaz de fazê-lo também. Talvez não com tanta paciência e beleza, mas ela se esforça. — surpreendendo a loira, Zelena a conquistou em um abraço rápido. — Foi um prazer, Emma. Volte sempre.

— O prazer foi meu, acredite. Eu agradeço muito.

A escritora já estava quase cruzando a porta quando os saltos retornaram para ela e Zelena a chamou.

— E Emma, — o andar apressado fez com que as bochechas brancas ganhassem um avermelhado. — As sextas feiras, eu e Regina costumamos ir até o Leon’s. Não é tão longe da pensão, Granny certamente pode te indicar o caminho. Se você quiser nos encontrar, está mais do que convidada.

— Certo, claro. Eu... — a confusão nervosa se instalou em seu peito. — Eu vou sim, com certeza.

O lápis quase inutilizado girou nos dedos de Emma. A possibilidade de estar com Regina em um encontro completamente informal a fez suspirar. Fora o episódio na floresta que precedeu seu patético desmaio, ela pouco encontrara Regina senão na biblioteca. Eram poucas as vezes em que a morena ia até a lanchonete e Granny revelou a ela que Perpétua, avó de Regina, era insistente com as refeições da manhã e dificilmente admitia que as netas saíssem antes de alimentadas. O convite de Zelena ainda ecoava em sua mente. Ela iria, deveria ir. Sentia que estava tudo bem e esperava permanecer assim. Esperava, também, que seu coração não explodisse em ansiedade antes que a escuridão tomasse o céu.

E ela já havia notado, o céu de Storybrooke era, por vezes, imprevisível.

Notas finais
Queria informar aos 3 leitores que ainda tem fé em TDN que esse capítulo está dividido. Ele, originalmente, tem pra mais de 10 mil palavras, então eu optei por dividir para não ser um combo de informações. Peço que prestem bastante atenção porque ele será MUITO importante para quando entrarmos no olho do furacão. A outra metade já está pronta e eu consigo soltar essa semana, depende do interesse de vocês. Outra coisa, se puderem, POR FAVOR, comentar suas dúvidas, o que estão e o que não estão entendendo vai me ajudar DEMAIS, porque o enredo é bem complicado e por vezes fico com medo de não estar explicando tudo tão bem. No mais, eu agradeço muito a todos vocês e peço desculpas por ser sempre uma vadia enrolona que demora a atualizar. Estou me esforçando para melhorar, eu juro. Me mandem um tweet de amor, eu imploro: @aloritsor