Torneio meio-bruxo: jogo ou profecia?-interativa
4 Nunca pense que o impossível não é possível
Notas iniciais
POV Akisha Assfly
Ser uma caçadora tem muitas vantagens, dentre elas acredito que a melhor seja a liberdade, viver junto com muitas outras meninas tendo um contato único com a floresta e a aventura. Ainda mais quando somos guiadas pela mais forte das deusas, em minha opinião, Ártemis. Porém, quando ela não está presente, existe uma sub-líder, ou tenente, no caso eu.
Era mais um dia de caçada, estávamos atrás de uma hidra que estranhamente encontrava-se em uma zona da floresta pouco frequentada por seres como ela. Fazendo um barulho com as mãos semelhante a deu uma andorinha, dei o sinal de um ataque estratégico (sim, temos alguns códigos transmitidos por sons animalescos): em cada lado, duas caçadoras cercavam a hidra, esta já estava atordoada e muito agitada. Francielle deu o primeiro ataque, acertou as costas da criatura que deu um pequeno urro e começou a correr atrás dela. Kiara, Talita e Marie contra-atacaram a hidra com flechas afiadas como os mais pontudos espinhos de um cacto, isso deixou a “presa” desnorteada, somente mais um ataque seria necessário.
Rapidamente peguei meu chicote flamejante e dei o golpe final, a corda pegando fogo enroscou as patas da vítima que caiu de imediato, bem em cima de algumas pedras um pouco afiadas na ponta, o resultado foi uma vitória merecida, embora não seja sentimentalista, prefiro não relatar o estado da falecida hidra.
Em seguida surge Ártemis, com toda sua postura de heroísmo e coragem. Ela havia saído para ter uma reunião com os deuses, que como se pode ver demorou “um pouco”, o que era raro de acontecer, já que não gostava muito de deixar de nos supervisionar.
– Caçadoras, vejo que fizeram um ótimo trabalho aqui sem mim, principalmente você Akisha, fiz uma boa escolha em nomeá-la tenente. – Diz ela não escondendo o quanto estava orgulhosa. Todas, inclusive eu, dão um leve sorriso como um significado de agradecimento, uma fala como aquela era um elogio e tanto!
– Sei que está em cima da hora, mas precisamos ir imediatamente para o Acampamento Meio-Sangue, não questionem, quando chegarmos explico à vocês. – Completa com um tom sério, tirando qualquer ideia de uma de nós fazer um simples comentário como "mas..."
Ártemis nos dá as costas e faz um leve assobio, de repente surge um cavalo para cada uma, eles eram majestosos, brancos e em boa forma, dispostos a darem uma longa corrida. Quando todas montamos nos azalões, estes correram em disparada para o Acampamento, conduzidos por nós que seguíamos a deusa da caça pela floresta com várias irregularidades. Isso que eu chamava de liberdade.
No caminho estava pensando, como estaria o Acampamento, cheguei a vê-lo somente duas vezes, uma no ano retrasado e outra quando tinha dez anos, mas nunca cheguei a morar lá. Ao nascer minha mãe, Diana, morrera no parto, restando-me somente meu pai, Apolo, este ficou abalado com a grande perda, assim, acabou me entregando ainda bebê para sua irmã, Ártemis. Por esta só ter um chalé simbólico no Acampamento, já que não tem filhos, somente caçadoras ocupadas com missões relacionadas a criaturas mitológicas e animais, poucas vezes eu ia lá. Mas de uma coisa eu sabia, para estarmos a caminho de lá tão rápido, a situação era séria.
Chegando ao Acampamento, após descermos dos majestosos cavalos, alguns semideuses nos observavam, era um pouco estranho ver semideuses do gênero masculino, afinal, fui criada somente no meio de garotas, mas enfim, logo me esqueci sobre o assunto e comecei a observar o local, estava um pouco diferente, de uma maneira boa. De repente...
Eu esbarro em alguma coisa.
Mas na verdade não era qualquer coisa, nem chegava a ser uma coisa, e sim um ser.
– Ai! Oh, desculpe-me estava andando e...
– Não olha por onde anda não? Se não percebeu, é para isso que servem os globos oculares. – Eu digo um pouco irritada, ainda mais porque era um menino.
– Só para constar, era você que estava distraída e sim eu sei para que servem os globos oculares. Mas quer saber? Isso não vem ao... – Liam tenta terminar de falar quando percebe que a garota de cabelos loiros, ondulados, como o Sol e os olhos dourados semelhantes a mais preciosa barra de ouro sumira. Achando isso estranho, achou melhor deixar para lá e se dirigir ao centro do Acampamento, onde o diretor Louis faria um comunicado.
Como toda boa caçadora, tomei a melhor decisão possível, deixar ele falando sozinho. Não tinha tempo, nem vontade para conversar, precisava ouvir a explicação de Ártemis, que já estava um pouco mais adiante com as outras caçadoras e felizmente não percebeu a minha demora.
– Caçadoras, como vocês sabem ontem fui a uma reunião com os outros deuses, lá fizemos uma decisão muito importante e necessária. Nesse ano, as Olimpíadas serão diferentes, não só pelo fato dos semideuses enfrentarem e trabalharem junto com seres mágicos, mas também porque vocês, pelo menos todas que forem semideusas, poderão serem sorteadas para os Jogos
Na “rodinha” as caçadoras, incluindo eu, ficamos perplexas, que eu saiba, nunca em cem anos uma caçadora participou das Olimpíadas e nunca um semideus jogou com seres mágicos, além dos filhos de Hécate. Protestar seria inútil, porque essa era uma ordem de Ártemis e juramos lealdade a ela, mas principalmente eu acredito que posso dizer por todas que ninguém teria a fraqueza de desistir dessa missão nos Jogos.
Assim, fomos em direção ao centro do Acampamento, lá eu vi aquele garoto estranho novamente, felizmente ele não me viu, talvez estivesse muito curioso com o que Louis iria dizer. Eu já sabia, o que queria ter conhecimento era sobre os escolhidos.
– Caros semideuses, devem estar se perguntando por que logo no dia da Caça a Bandeira eu reuniria todos vocês aqui. A resposta é simples, as Olimpíadas vão começar. – Diz Louis fazendo uma pausa esperando a reação dos meio-sangue, estes, ao menos a maioria ficaram muito animados.
– Mas como tudo tem um porém, este ano, os Jogos serão diferentes. Agora vocês terão outros adversários e companheiros, os bruxos. Não como os filhos de Hécate, bruxos com sangue mágico e não da deusa da magia. Mas isso não é tudo, serão trinta semideuses que irão competir, estes, serão sorteados pelo Cálice do deus do mar, Poseidon, um cálice com a água do mar primordial. – Explica Louis, gerando um grande silêncio entre os semideuses.
– Só para constar, ao se referir aos semideuses, são todos, sem exceções, inclusive as caçadoras, por isso estou aqui hoje. – Completa Ártemis em alto e bom tom.
Quando a deusa da caça termina de falar, surge um raio de água do céu, era Poseidon, com toda sua magnitude marítima. Logo depois aparece em sua mão esquerda o Cálice, colocado em cima de uma mesa de mármore bem detalhada, posta segundos antes de sua chegada. Sem dizer uma só palavra, o deus anda até ficar ao lado de Ártemis. Todos os semideuses pareciam vidrados com tudo que acontecia.
– Que comece a seleção! – Diz Louis tentando de certa forma descontrair o clima.
Por fora estava inexpressiva, não gostava muito de mostrar meus sentimentos, mas por dentro meu coração estava a mil, com um evento ou missão de tamanha importância e responsabilidade, era um pouco difícil não ficar apreensiva com o resultado. Por um lado estava torcendo para entrar, honram Ártemis, as caçadoras e a mim mesma, mas principalmente pela grande aventura que seria, por outro estava pensando se não teria um segundo sentido em tudo isso. Respirei fundo e esperei o resultado, afinal, o que mais poderia fazer?
Do grande e detalhado Cálice, pequenas ondas são formadas que logo dão origem a um pequeno papel dobrado de uma forma que parecesse um peixe que foi nadando até as mãos de Poseidon. Este assim como Dumbledore, abriu o papel bem lentamente e o leu.
– Akisha Assfly. – Diz o deus do mar em um tom grandioso.
Imediatamente vou ao encontro do deus e percebo todos olhando para mim, alguns com um olhar de “boa sorte” outros com um olhar de “eu deveria ser o primeiro”. Mas pouco me importei, chegando lá, recebi um parabéns de Ártemis, Poseidon e Louis, além de algumas breve palmas de poucos semideuses e todas as caçadoras. Fiquei lá, esperando o próximo jogador.
Um outro papelzinho sai do Cálice, também em formato de peixe que se dirige à Poseidon, este abre dessa vez um pouco mais rápido e lê:
– Liam White.
Ao ver quem era já pensei “essa não, com tantos semideuses e principalmente semideusas, tinha que logo ser ELE?”.
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