Notas iniciais
Hey semi-bruxos felizmente essa semana foi mais calma na escola e conseguimos terminar mais cedo o capítulo. Aqui vão alguns conselhos para ler o capítulo: 1. Se você tem uma risada um tanto... exótica, aconselho ler esse capítulo sozinho, para evitar olhares de reprovamento se caso você disparar a rir. (Luna: como é meu caso) 2. Esse capítulo é contraindicado para pessoas que não gostam de capítulos grandes e hilários (modéstia a parte) 3. Eu pessoalmente adoro ler debaixo das cobertas tomando leite no meu quarto escuro (pois é, isso foi meio estranho) 4. não, não tem quatro, é só isso mesmo. Espero que gostem. Feito pela Lady e por mim (luna) Ah é, nas notas finais tem um aviso importante. Sem mais delongas o capítulo:

POV William Wallace — Bruxo

Não podia acreditar no que estava vendo. Ao entrar naquele portal, cheguei no topo de uma das maiores torres de Hogwarts, que tinha vista para toda Hogsmead. Estava na parte destampa dela, embora ainda tivesse uma pequena sala escondida com algumas cortinas, acredito que entraríamos lá depois. Aquela Torre, se não me engano era conhecida como The Night Curse, a primeira construção de toda a Hogwarts. Diz a lenda que foi erguida pelos quatro padroeiros da escola e no dia em que seria colocado o último tijolo, mais especificamente uma noite de uma sexta feira treze, um dos bruxos mais maléficos da época colocou uma maldição na Torre, que durou 100 anos. Foi daí que os trouxas tiraram a ideia de que esse dia é amaldiçoado.

– Senhor Wallace, fique aqui junto com a senhorita Merida esperando o restante dos selecionados passar pelo portal. – Pede a professora Minerva Mcgonagall apontando para a parte destampada do topo da torre onde além de Merida, se encontravam alguns telescópios.

Vou andando até a beirada da Torre e aproveito a ampla visão do mundo bruxo para ficar observando o que acontecia em alguns lugares com o telescópio.

– Aqui é bem legal, não é? – Pergunta Merida não conseguindo esconder a fascinação pelo lugar.

– É. É como se você estivesse no topo do mundo. Incrível. – Respondo dando uma olhada em uma coruja preta levando uma carta.

– Acha que os semideuses já estão aqui? – Pergunta ela se equilibrando na ponta da Torre.

– Hum... acho que não. Aliás, já viu algum?

– Não exatamente. Já ouvi falar sobre eles e o acampamento, parece ser bem legal. Só espero que eles não sejam parecidos com aqueles gregos que andam com uma toalha de mesa no corpo e umas folhinhas na cabeça. – Responde ela se sentando e provavelmente imaginando como os meio-sangues seriam. Antes que pudesse falar qualquer outra coisa minha atenção é desviada para o portal, e quando percebo, o último bruxo que faltava passa por ele. Eu e Merida vamos andando até o grupo.

POV Katryna Smith (bruxa)

Neste momento estava prestes a ouvir mais um discurso do Dumbledore. Não que não gostasse de ouvi-lo, mas estava muito curiosa para saber o que tinha na Torre.

– Caros selecionados, esta é a famosa Torre The Night Curse. Acredito que já estudaram sobre ela na história da Magia. Aqui vocês ficarão hospedados até certa parte do Torneio. Poderia fazer um longo discurso sobre isso, mas prefiro partir logo para a apresentação do lugar. Sigam-me. – Diz Dumbledore. Parecia que ele havia lido meus pensamentos, ou então também estava muito animado para nos apresentar o início de Hogwarts.

– Imagina quantas coisas nos aguardam. – Cochicha Flora para mim.

– É verdade, estou muito curiosa. – Respondo de um jeito indiferente tentando esconder a animação.

Quando entramos na sala antes escondida pelas cortinas, não pude acreditar no que via. Flora também ficou boquiaberta com o que acabara de ver.

Diante de mim, estava uma sala rodeada por estátuas de cavaleiros armados, provavelmente vigiando aquilo que estava no centro, que eram nada mais nada menos que alguns dos artefatos mais importantes de todo o Mundo Bruxo e Hogwarts: a capa da invisibilidade, um vira-tempo e o Chapéu Seletor (sempre quis saber onde guardavam) que se encontravam bem ao lado de alguma coisa coberta por um pano. “Curioso” pensei.

– Professor Dumbledore, o que é isso coberto pelo pano? –Pergunto, analisando detalhadamente o objeto não identificado em questão.

– Já irei responder sua pergunta minha cara Katryna. Minerva, por favor. – Diz o velho Alvo, pedindo para Minerva apresentar o cômodo.

– Esta é a sala dos artefatos. Vocês poderão vir aqui e ficar observando as relíquias, mas não poderão pegá-las, são vigiadas por essas estátuas de cavaleiros, que ganham vida quando algum dos artefatos é tocado. A propósito, o objeto por trás daquele pano, não é nada mais nada menos que o Ojesed. – Explica Minerva observando atentamente cada um de nós.

– O espelho que mostra tudo aquilo que você mais deseja. É importante que fique tampado até segunda ordem. – Completa Dumbledore.

Me surpreendi novamente. Aquilo era o Ojesed? O Ojesed?! Eles deveriam saber que não se deve deixar artefatos assim nas mãos e dependendo da responsabilidade de jovens bruxos. Mas fazer o que? O que está feito está feito, como diria um amigo meu: malfeito feito.

POV Luke Foster

Depois de passarmos por aquela sala milenar com os maiores artefatos do Mundo Bruxo, descemos as escadas para o próximo andar.

– Este e os próximos dois andares são os quartos, reservados para cada um dos três times. Só serão abertos ao dividirem os grupos. Por isso, prossigamos. – Avisa Dumbledore apontando para a porta do quarto.

Descemos mais dois andares e me deparo com uma das sete maravilhas do mundo, um sonho de consumo. Achava que não teria na Torre, somente em Hogwarts. Mas felizmente e para a minha alegria e posso dizer para a dos outros também, tinha. Era nada mais nada menos que uma biblioteca gigante, provavelmente enfeitiçada para caber tantos livros em um espaço tão pequeno e mesmo assim dar uma impressão de amplitude.

– Esta é uma biblioteca reservada somente para vocês selecionados. Aqui têm livros que vocês nunca encontrariam na livraria de Hogwarts, posso dizer que esse é um de meus locais prediletos. – Explica o Alvo, dando um sorriso no final.

– Isso não é incrível Luke? Uma biblioteca, somente para nós! Vejo que vou passar boas horas aqui. – Diz Savvy muito animada.

– Concordo, imagina quais os segredos que esses livros trazem! – Digo entrando na animação. Até que não seria tão ruim correr o risco de morrer, perder um braço ou sei lá, ficar enfeitiçado em um Torneio se eu tivesse uma biblioteca dessas para desfrutar.

Fomos descendo mais alguns degraus e me deparo com uma arena de combate, cheia de armas medievais e celestiais, além de alguns equipamentos como armaduras, capacetes e barras para subirmos como macaquinhos eu acho. Resumindo, era uma sala de treino para as provas, na arena de combate, também podiam ser realizados duelos de varinhas e feitiços, enfim, acredito que tudo ali era permitido.

– Esta é uma arena de treino físico e de feitiços para o Torneio. Peço que tomem cuidado aqui, porque não terá ninguém vigiando, apenas vocês, então tudo vale. Qualquer coisa, tem um portal que leva para a enfermaria, perto daquele escudo ali. – Avisa o professor Dumbledore um pouco sério.

Isso me deixa um pouco receoso, mas logo saio do transe ao ver o que tinha no próximo andar: um refeitório, com várias mesas e cadeiras, além de um menu escrito em legras bem grandes e cursivas na parede. Cada nome que lia fazia minha barriga roncar. Não sei se já falei, mas comer é uma das sete maravilhas do mundo, junto com livros.

– Este é o refeitório, possui todas as comidas do mundo bruxo e humano. Os morangos são cortesia do Acampamento Meio-Sangue. – Explica do senhor de barba branca.

Estávamos agora no penúltimo andar. Ele era uma espécie de sala de comunal que tem em cada casa de Hogwarts, só que maior e mais divertida, onde todos poderiam ficar. Tinha vários jogos, inclusive xadrez bruxo (estava ansioso para jogar com alguém depois), além de alguns sofás e poltronas em cima de um grande tapete macio, uma lareira muito elegante e algumas prateleiras com mais livros. Nesta parte da Torre também tinha uma pequena sacada.

– Esta é a sala de estar. Poderão ficar aqui sempre que quiserem, é um ótimo lugar para conversar, relaxar e apreciar a vista, embora ainda prefira o último andar para esta.

Assim terminamos nossa excursão pela torre no último andar, uma espécie de sala de reuniões, onde tinham somente três grandes mesas com cadeiras e um palco. O estranho era que não havia porta alguma. Será que para sair seria necessário sempre subir até o último andar?

– Aqui nos reuniremos sempre que preciso. Aliás, vejo que estão procurando alguma coisa. Se for uma porta não tem. Somente outro portal que fica entre o símbolo de Hogwarts e o do Acampamento Meio-Sangue. Só passam por ele além de mim e os professores, os selecionados, no caso vocês. Espero que tenham gostado da hospedagem. Aproveitem. – Explica Dumbledore desaparecendo com uma fumaça que este mesmo lançara.

– Os semideuses devem chegar hoje a noite. – Esclarece a professora Minerva que desaparece assim como Dumbledore.

Assim, todo vamos explorar e aproveitar o lugar.

– Poderíamos ir na biblioteca, o que acha? – Sugere Kristal para mim e Savvy.

– Claro, estou muito curioso para saber os livros que tem lá, mas primeiro acho que poderíamos ir comer, não acham?

POV Liam White

Não sei o que exatamente aconteceu no caça a bandeira, só sabia que agora o tal Peter Calmon estava sendo cuidado por alguns filhos de Apolo. Todos os selecionados estavam na sala de reuniões. No momento conversava com uma amiga minha, que por coincidência foi sorteada para o Torneio também.

– Acha que ainda vamos hoje para Hogwarts? – Pergunta Amélia Brave

– Não sei, se eles quiserem começar o quanto antes o Torneio, acredito que sim. Não acha muita coincidência vários amigos serem sorteados para o mesmo evento?

– Pensando bem, é até um pouco estranho, mas no mundo pequeno que a gente vive é bem possível.

Neste exato momento somos interrompidos para mais um comunicado de Louis:

– Semideuses, tenho ótimas notícias! Vamos ainda hoje para Hogwarts. Arrumem suas coisas, quero todos aqui novamente daqui duas horas.

Assim, todos os que estavam lá presentes vão para seus chalés pegar seus pertences. Não tinha muitas coisas para levar, por isso, acabei voltando mais cedo para a sala de reuniões. Lá estavam somente o diretor e a menina que esbarrou em mim, se não me engano, Akisha Assfly.

– Ah não. Com tantos selecionados tinha que logo ser ele. – Murmura ela baixinho.

– Bem, olha, desculpa pelo que aconteceu lá, acho que não começamos bem. Prazer, sou Liam White, filho de Quione. – Tento me reconciliar com ela. O que menos queria no momento era ter uma Caçadora contra mim.

– Akisha Assfly, filha de Apolo. – Diz ela que rapidamente retoma o que estava fazendo, no caso, polindo uma adaga de ouro.

– Está animada para ir a Hogwarts? – Tento puxar assunto, mesmo que ela nem estivesse interessada.

– Olha, não é só porque aceitei suas desculpas que quero conversar com você. – Fala ela determinada e fria.

– Tudo bem, desculpa então. – Digo saindo da vista dela, que voltara a limpar sua adaga de ouro. Não sabia muito sobre ela, mas tinha a impressão que não gostava muito de conversar com meninos.

Assim que todos chegaram, fomos andando até o centro do Acampamento, onde vários filhos de Hades nos esperavam. Já sabia como chegaríamos a Hogwarts, pelo transporte mais rápido e sombrio existente: as sombras.

– Caros semideuses, sei que alguns de vocês podem não gostar muito de se transportar pelas sombras, mas é o único meio de chegarmos lá a tempo, já que demoramos algumas horas com o incidente do caça a bandeira. Por isso peço que todos deem as mãos para a viagem, que deve durar somente alguns segundos. Não chegaremos em Hogwarts, mas sim numa estação de trem. – Explica Louis bastante sério.

Após todos darmos as mãos, o que não foi nada agradável. Já não gosto de contato físico, ainda mais porque não consigo controlar muito bem meus poderes gelados quando fico nervoso e acabo deixando a temperatura um pouco baixa naquilo que toco. Felizmente a viagem, mesmo sendo totalmente escura e sombria, foi bem exótica e durou somente alguns segundos. Se bem que eu fiquei relativamente tonto, assim como os outros, pude perceber. Meu estômago estava totalmente embrulhado. Quando vejo, já estou com todos os outros semideuses e Louis na estação de trem de Londres.

Estranhamente um senhor de barba e cabelos grandes mal penteados e muito grande estava vindo em nossa direção.

– Semideuses, esse é Hagrid, nosso orientador de viagem para Hogwarts. É um prazer Hagrid. – Fala Louis de modo que todos pudéssemos ouvir.

– O prazer é todo meu. Bem, então esses são os famosos semideuses. É muito bom conhece-los. Agora vamos, que o tempo ruge.

Dentro da estação todos nos olhavam curiosos. Acho que nunca viram tantas pessoas com camisetas iguais. Fomos andando até a plataforma nove onde paramos em frente a uma parede de tijolos.

– É bem simples, só precisam entrar nessa parede que estarão na estação de Hogwarts, para agilizar o processo, podem ir dois de cada vez. Normalmente por esse portal só passam bruxos, mas Dumbledore abriu uma exceção para vocês, afinal, de que outro modo chegariam a Hogwarts? – Fala Hagrid fazendo parecer que aquilo era a coisa mais natural possível.

– Quem serão os primeiros? – Pergunta Louis, esperando os voluntários.

Duas meninas vão primeiro, não podia acreditar, eram Akisha e Amélia que sumiram assim que correram em direção a parede. Assim todos vão indo, inclusive eu. Quando atravesso vejo em uma placa escrito Plataforma 9 ¾ Expresso Hogwarts e quando olho para frente vejo um grande trem preto com linhas vermelhas pronto para partir. Entramos no automóvel férreo e escolhemos nossas cabines. Na que eu entrei estavam Dylan e Nicolas, este animado com a ida a Escola de Magia e Bruxaria.

POV Akisha Assfly

Tenho que admitir, já ouvi falar dele em uma conversa de Ártemis mas não dessa maneira tão incrível, misteriosa e claro mágica. Num momento estava em uma das cabines do Expresso Hogwarts, sentada com Elizabeth Miller e Malu Calmon chega logo depois animada.

– Não vão acreditar, o Peter não corre nenhum risco e o Louis disse que ele está a caminho de Hogwarts em uma van com um filho de Apolo.

– Sério mesmo? Que bom. – Diz Liz com um sorriso.

– Isso é muito reconfortante, mas quem exatamente é ele? – Pergunto para as duas tentando puxar assunto.

Após uma explicação um pouco demorada, uma senhora aparece com alguns doces estranhos querendo vender para a gente. Sinceramente ela me lembrou de uma senhorinha que vivia em uma casa de doces que pegou duas crianças perdidas na floresta.

– Gostariam de algo garotas? Hoje vocês ganham um doce de graça, qual será? – Pergunta a senhorinha de cabelos brancos.

Todas pegamos um. Eu escolhi uma caixinha cheia de feijõezinhos coloridos, ou melhor, segundo a vendedora, feijõezinhos de todos os sabores, Malu escolheu chocobolas e Liz sapos de chocolate. Todos eram bem estranhos. Decidimos dividir os feijõezinhos primeiro. Cada uma pegou um.

– Tem gosto de morango. – Comenta Elizabeth.

– O meu tem gosto de marmelada. – Conclui Malu.

– Eca. O meu tem gosto de um broto. – Digo com uma cara meio azeda.

– Broto? – Pergunta Liz.

– Sim, de um broto. – Respondo.

– Broto? – Pergunta novamente Liz

– Broto! — Repito

– Brotei! – Finaliza Malu

As duas começam a rir loucamente, como duas dementes, devo dizer.

– Estão rindo de que?

Elas mal tem fôlego de me responder, só sei que a risada das duas foi contagiante. Logo, nós três estávamos rindo loucamente. E os semideuses da cabine do lado, acho que eram Dylan, Nicolas e aquele menino lá que me pediu desculpas, o Liam, nos olham com reprovamento ou se perguntando “o que essas dementes estão fazendo?”

– Ela...disse...brotei – Explica Liz tentando ganhar fôlego.

Logo, creio que por causa de nossa risadas e pelo fato de que a Liz já tinha caído do banco e a Malu estava batendo no joelho, e não por causa da piada em si, Dylan solta uma pequena risada, Liam ri tanto que sai um pequeno ronco e o Nicolas diz:

– Bando de doidos. Achei que estava cercado de pessoas intelectuais... mas a risada de vocês é hilária. – Nicolas começa a rir loucamente.

Aquele momento foi muito divertido, depois fomos conversando sobre vários outros assuntos engraçados até chegarmos em um lugar chamado Hogsmeade.

– Agora seguiremos o restante do percurso de van, mais especificamente nas nossas vans. Hagrid irá na primeira van, dirigida por Argos, com um grupo, eu irei na segunda com outro grupo e a terceira será dirigida por um dos semideuses. – Explica Louis, um pouco receoso. Mas o que poderia fazer, não tinha do dom de se multiplicar ou algo assim.

– Os semideuses que estiverem na 1° e 2° cabines vão com Hagrid. Os que estiverem na 3° e 4° vão comigo e os que estiverem na 5° e 6° vão por conta própria. – Conclui Louis entrando na segunda van.

Não podia ser. Eu estava com as garotas na sexta cabine e Liam, Dylan e Nicolas estavam na quinta. Todos estávamos agora dentro da van decidindo da maneira mais sensata possível quem seria o motorista, isso significa fazer “unidunitê”.

– Vocês tem certeza de que querem que EU dirija? – Pergunta Dylan um pouco preocupado.

– Foi o que o jogo decidiu, foi a forma mais democrática possível. – Responde Liz empurrando ele para o banco do motorista.

Os meninos já não me incomodavam muito, mas também não conversava muito com eles. Num momento estávamos esperando Dylan dar a partida. Sinceramente aquela foi a viagem mais mortal da minha vida. As duas van já haviam saído, só faltava a nossa, que a cada dois minutos quase atropelava alguém mesmo estando numa velocidade moderada. No banco ao lado de Dylan estava Malu, apontando para cada criança que aparecia falando:

– Ali! Ali! Passa por cima dela! – Ela gritava, percebia-se que ela não era muito fã de crianças.

– Eu não posso passar em cima de crianças! — diz Dylan, tentando se concentrar em dirigir como se sua vida dependesse disso, o que não era mentira.

– Ei, cara, podemos parar em uma lanchonete? — pergunta Nicolas, após alguns, se apoiando no banco do motorista.

– Não, não podemos! Não tem nenhuma lanchonete por aqui, caramba. — disse Dylan, irritado. Infelizmente, a van não estava lá essas coisas e quando Nicolas puxou o banco, este caiu para trás fazendo com que Dylan perdesse o controle. Acho que nunca fiquei com tanto medo na vida.

– PELO AMOR DOS DEUSES — Liz gritou, assumindo o volante do banco de trás. — MALU, FAZ ALGUMA COISA! EU NÃO CONSIGO ENXERGAR!

– VAI PRA ESQUERDA! ESQUERDAAAAAAAAAAAAAAAAA! — Malu gritou.

– NÃO! — eu gritei também — TEM UMA CRIANÇA ALI!

– EU SEI — Malu gritou de volta. — EU FALEI PARA IR PARA A ESQUERDA, CARAMBA! AH, DROGA, POR ALGUNS CENTÍMETROS NÃO ACERTAMOS.

Decidimos parar a van. O banco não tinha mais salvação. O jeito foi pedir um banquinho emprestado de uma velinha do povoado.

– Eu não vou dirigir sentado nisso. — reclamou Dylan — Não tem nem cinto!

– Pelo menos não tem como o Nicolas estragar esse também, NÃO É? — digo, lançando um olhar acusatório para o garoto.

– A culpa não é minha se ele é pior que o cachorro com catarata do meu tio no volante. — ele retrucou.

Voltamos para dentro da van. Embora estivesse receosa, achei que nada de pior poderia acontecer. Mas, é claro, eu estava errada.

POV Merida Dunbroch (bruxa)

A escola inteira havia parado. Era noite do dia da descoberta da Torre e estávamos separados por casa e série. Estava na fileira do sexto ano da Grifinória, o que não favorecia muito a minha visão. Minerva passava de um lado para o outro apontando defeitos entre as filas ou com as vestimentas de alguns estudantes. Os diretores das outras casas também faziam isso, enquanto Dumbledore esperava pacientemente entre a Corvinal e a Lufa-Lufa.

Estava realmente frio lá fora. Estávamos no fim do verão e as temperaturas haviam caído. Já haviam se passado 30 minutos desde que nos mandaram sair de nossas poltronas macias e quentinhas para ficarmos em pé como estátuas no frio. Francamente, eu já tinha desistido.

Tinha acabado de pegar minha varinha para fazer alguma coisa que me tirasse do tédio quando ouvi um barulho de motor. Vindo pelo caminho que usávamos para chegar a Hogsmead, três veículos grandes se aproximavam. Tentei identificar o que eram, mas estava escuro e eu estava muito atrás.

Quando nos falaram em semideuses gregos vindo para a escola, eu pensei que eles fossem chegar em um grande navio grego, ou quem sabe em bigas puxadas por pégasos. Pode-se dizer que fiquei no mínimo decepcionada quando identifiquei três vans brancas estampadas com morangos gigantes. Olhei para os lados e, pelo visto, os outros concordavam comigo. Onde estavam as coisas épicas? Por que diabos um acampamento grego teria vans de morangos?

A primeira van estacionou perto de nós e a porta do motorista se abriu. Era um homem aparentando seus trinta e poucos anos, meio careca e com olheiras. A segunda van parou ao lado da primeira e quando o motorista saiu, pude ouvir diversas exclamações de surpresa, inclusive de alguns professores. Era um homem que parecia um surfista, musculoso e loiro. Exceto pelo fato de que haviam dezenas de olhos espalhados pela pele dele — na bochecha, na mão, em todos os lugares.

As portas das vans se abriram e pessoas começaram a descer. Eram adolescentes, nenhum parecia ter mais de dezessete anos. Todos vestiam uma camiseta laranja forte com os dizeres "Acampamento Meio-Sangue" escritas em preto. Alguns usavam casacos mas a maioria estava sem e provavelmente estavam com frio.

Foi nesse momento que a terceira van chegou desgovernada, e veio em direção à Grifinória. Saí correndo loucamente, assim como todos à minha volta, enquanto a van continuava em direção à parede do castelo. Ela deu um cavalo de pau e conseguiu parar antes do impacto.

– Mas o que... — comecei a dizer, mas nesse momento a porta do motorista se abriu e um garoto magro de cabelos escuros e bagunçados saiu cambaleante.

– Olha, não me culpem, eu disse que ainda não sabia dirigir muito bem... — ele começou, enquanto as portas traseiras da van se abriam e outros semideuses saíam. Alguns estavam tontos demais para fazer qualquer coisa antes de cair no chão.

– É, Dylan, nós notamos. — disse uma garota de cabelos castanhos, saindo da van enquanto ajeitava os óculos. — Pelo menos agora você sabe escapar de um grave acidente mais ou menos ileso.

– Ah, cala a boca, Liz. — o tal Dylan retruca de mau humor.

A essa altura, eu já estava sem fôlego de tanto rir. Aos poucos, as pessoas se juntaram a mim (devido, creio eu, à minha risada hiper discreta) e logo todos estavam rindo, até mesmo Dumbledore. Os únicos que estavam sérios eram Louis, Minerva e o homem com vários olhos (sinceramente, eu não queria que ele risse e mostrasse algum olho na língua, vai saber). Depois que as risadas cessaram, Dumbledore olhou para os semideuses, que haviam se reorganizado

– Bem — ele disse — sejam bem-vindos à Hogwarts.

POV Nicolas di Marquês

Depois de estarmos todos devidamente alimentados, logo após o banquete no Salão Comunal onde fomos apresentados para os bruxos, nos levaram até aquela torre onde ficaríamos hospedados. Fiquei tentado a pedir comida naquele refeitório maravilhoso, mas lembrei que infelizmente tinha comido tudo o que podia (e mais um pouco) durante o jantar. Agora tinha apenas duas coisas em mente: a) Descobrir mais sobre os bruxos e b) armar uma pegadinha usando meus novos conhecimentos sobre os bruxos.

Todos estavam na "sala de estar" da torre. Dumbledore disse para nos conhecermos melhor, pois seríamos divididos em grupos no dia seguinte. Então, como vocês podem imaginar, a maioria de nós estava sentada em poltronas olhando para os próprios pés ou conversando em voz baixa com algum amigo que também estava no torneio. Malu estava ao meu lado tamborilando os dedos no braço da poltrona. O irmão dela ainda não havia acordado, mas Louis disse que era melhor evitar que outro ataque acontecesse com algum dos outros selecionados, então agora ele estava na enfermaria. Liz e Cristal haviam descoberto o xadrez de bruxo e estavam jogando. Liam e Dylan conversavam. Sam conversava com um garoto Akisha parecia ligeiramente desconfortável, talvez por estar perto de tantos garotos. Fala sério, já vi asilos mais animados do que aquilo. Decidi começar:

– Então... como esse negócio de mágica funciona?

– Como é? — pergunta uma garota de cabelos azuis.

– Ah, tipo... esse lance de mágica aí. Sei que os semideuses herdam os poderes dos pais divinos, mas e os bruxos? Existe uma fonte de magia dentro de vocês? Vocês tem que comer aqueles feijões malucos pra ganhar poderes? — saio perguntando, olhando para cada um deles. Alguns dos semideuses pararam o que estavam fazendo para prestar atenção.

– Nós também nascemos com poderes, caramba. Às vezes herdamos de nossos pais, mas alguns também tem pais trouxas... — a garota do cabelo azul começa a explicar.

– Pais trouxas? — Cristal pergunta, erguendo os olhos do tabuleiro por um momento — Vocês saem xingando os pais dos outros assim?

– Trouxas são como chamamos pessoas sem magia. — responde um garoto de cabelos negros bagunçados — A propósito, vocês não gostariam de se apresentar? Meu nome é Alfred...

– Claro, claro, eu sou o Risovaldo, agora voltando ao assunto — interrompo-o — Vocês comem aquele banquete todo dia? Onde vamos queimar as refeições para os nossos pais?

– Como vão o que? — o tal Alfred pergunta.

– Toda noite nós fazemos uma oferenda aos nossos pais olimpianos. Queimamos uma parte da refeição numa fogueira. A fumaça agrada aos deuses. — Liz responde.

– Embora eu não saiba porque diabos eles gostam tanto de cheiro de comida queimada. — comenta Malu.

– Tá, tá, também temos perguntas. — diz uma garota de cabelos loiros e olhos azuis — Eu passei algum tempo na biblioteca... — ao ouvir a palavra "biblioteca", Liz e Cristal ergueram a cabeça, subitamente interessadas, assustando a garota — ...e queria saber se tem algum filho ou filha de Atena aqui.

Cristal e Liz levantaram as mãos, orgulhosas. A garota loira lançou um olhar curioso a outro garoto sentado do outro lado da sala.

– Mas... — ela começou — Atena não era uma das três donzelas, com Ártemis e Héstia? Alguns livros diziam que filhos de Atena só poderiam nascer da cabeça da mãe. Isso é verdade?

– Bem... é complicado — diz Cristal, procurando palavras pra explicar.

– Não vamos discutir sobre nosso nascimento aqui, okay? — responde Liz.

– Mas como você pode sair da cabeça de alguém? Tipo, bum, assim, do nada? — a garota insistiu.

– E como é que Apolo pode puxar o Sol com um carro esporte? Perguntas que nunca serão respondidas. — diz Halle, num canto da sala.

– Como assim, puxar o Sol? — interrompe uma garota ruiva de cabelos cacheados.

– Você não achou que se movia sozinho, né, querida? — Halle perguntou.

Depois disso, tanto bruxos como semideuses começaram a fazer inúmeras perguntas uns para os outros. Consegui captar alguns fragmentos do que estavam dizendo, mas nada que fosse útil para alguma pegadinha. Malu havia saído a algum tempo, provavelmente para dar uma olhada no Peter. Após alguns minutos, resolvi segui-la, já que meu plano havia falhado (e eu sou bem curioso). Claro que me perdi assim que saí da torre. Aquele castelo era imenso. Depois de rondar por uns dez minutos, encontrei ela saindo de uma sala, que eu presumi ser a enfermaria.

– Ei, e aí? Seu mano melhorou? — pergunto. — Descobriram quem fez isso?

– Sim — ela respondeu, pálida. — e não.

– Olha, filha, eu não sei se você sabe, mas enigmas não funcionam muito comigo. — digo. Realmente detestava enigmas.

– Ele melhorou, sim. Mas não sabemos quem fez isso.

– Por que? O garoto é tão lerdo que não sabe quem tentou matá-lo? — digo, ironicamente.

– Ele não se lembra. Ele não se lembra de nada. Nem de quem tentou matá-lo, nem de onde esteve todo esse tempo. Nem de mim.

Notas finais
Novamente termina com um suspense, adoro *-* Sendo bem sincera, ri pacas com esse capítulo. PESSOAL, TEMOS UM AVISO PARA TODOS VOCÊS: assim como no Torneio Tribruxo, nós também faremos um baile de inverno. Para não revelarmos os ships antes da hora, queríamos que vocês nos mandassem as pessoas que querem que seus personagens convidem. Podem deixar nos comentários ou mandar por mensagem privada para uma de nós. Se você não mandar, tiraremos no uni duni tê e seu par pode não ser quem você queria. E ai, gostaram? Algo precisa ser melhorado? Bye o/