Torneio das dimensões
8 Memórias Que Não Pertencem A Ninguém
Kima e Ozen estavam descansando no esconderijo.
Enquanto Kima lia alguns livros antigos, Ozen observava curioso.
— Por que você lê tanto? — perguntou Ozen.
Kima continuou olhando para as páginas.
— Porque para sobreviver nesse lugar você precisa ser inteligente. Força sozinha não vai salvar você.
Ozen ficou pensativo.
— E o que esses livros ensinam?
Kima fechou o livro e respondeu:
— Sobre os Onamuh… sobre monstros que vivem nesse mundo. Criaturas como aquele pássaro que vocês derrotaram e os Dagon Crawlers.
Ozen ficou olhando para ela por alguns segundos.
— Entendi…
Então ele se levantou.
— Vou dar uma olhada na arena.
Kima olhou para ele.
— Arena?
Ozen sorriu.
— Eu decidi uma coisa. Vou entrar nas arenas, derrotar todos que aparecerem e depois vou voltar para o meu universo.
Kima sorriu de leve.
— É um ótimo objetivo… mas vai ser difícil para você.
Ozen virou.
— Por quê?
— Porque você ainda é fraco. E, sendo sincera, você é ruim nas lutas.
Ozen ficou irritado.
— Quando eu conquistar uma arena, você vai ver só!
Então ele saiu voando.
Kima ficou olhando para ele indo embora. Seu sorriso desapareceu aos poucos.
Ela lembrou dos olhos negros de Ozen.
— Eu preciso descobrir o que é isso…
⸻
No alto da arena, Ozen observava as batalhas.
Mas quanto mais assistia, mais percebia uma coisa.
Ele não conseguia acompanhar os movimentos.
— Eles são rápidos demais…
Então uma tela gigante mostrou:
RANK B
Ozen ficou surpreso.
— Rank B?
Ele continuou observando.
Até que uma voz surgiu ao lado dele.
— Essas lutas não são incríveis?
Ozen se virou rapidamente.
Um garoto estava sentado no teto.
— Quem é você? E o que está fazendo aqui?
O garoto sorriu.
— Meu nome é Sakami. Estou assistindo daqui há muito tempo. Até antes de você chegar.
Ele olhou para a arena.
— Eu quero muito entrar nessas arenas.
Então olhou para Ozen.
— Mas como você veio parar nesse lugar?
Ozen ficou em silêncio.
Ele começou a lembrar…
A Terra.
O céu.
O asteroide.
O raio.
Tudo aquilo que fez ele parar naquele mundo.
— Eu não sei explicar…
Sakami percebeu a expressão dele.
— Você também lembrou?
Ozen olhou para ele.
— E você? Lembrou de tudo quando chegou?
Sakami negou.
— Não. Eu só lembrei depois que alguém falou uma frase para mim…
Ele ficou sério.
— “A volta para casa você não merece ficar nesse lugar.”
Ozen ficou pensativo.
— Entendi…
Depois perguntou:
— Você tem poderes?
Sakami sorriu.
— Tenho. Super força.
— Eu escalei a arena para assistir daqui.
Ozen sorriu.
— Legal.
Mas Sakami ficou sério novamente.
— Tem uma coisa estranha nisso tudo.
— O quê?
— Minha lembrança de como vim parar aqui… não parece ser minha.
Ozen ficou olhando para ele.
— Como assim?
— Parece a memória de outra pessoa.
Ele deu de ombros.
— Mas eu não ligo.
Então Sakami perguntou:
— Você já viu um Onamuh?
Ozen respondeu rapidamente:
— Sim. Eu lutei contra um.
Sakami arregalou os olhos.
— Você teve sorte de sair vivo.
Ozen ficou confuso.
— Por quê?
Sakami abaixou o olhar.
— Porque eu não tive tanta sorte.
⸻
Sakami começou a contar.
— Eu estava acampando com minha irmã em uma floresta. Até que um Onamuh de terra apareceu.
Ele fechou o punho.
— Ele nos atacou de surpresa. O primeiro golpe acertou minha irmã.
Ozen ficou em silêncio.
— Eu lutei contra ele. Quase morri de cansaço. Estava muito machucado…
Sakami respirou fundo.
— Mas ele simplesmente entrou na terra e desapareceu.
Ele olhou para baixo.
— Quando fui atrás da minha irmã… ela estava caída com sangue na cabeça.
Ozen ficou sério.
— Eu tentei levar ela para um hospital…
Sakami fechou os olhos.
— Mas não deu tempo.
Um silêncio tomou conta do lugar.
— Ela morreu.
Ozen abaixou a cabeça.
— Sinto muito pela sua irmã.
Depois fechou o punho.
— Um deles quase matou meu amigo também. Eu quero acabar com eles.
Então Ozen perguntou:
— Como entra nas arenas?
Sakami explicou:
— Para entrar, você precisa ter um certo nível de força e alguém muito forte com experiência nas arenas precisa ir com você.
— E se eu não tiver ninguém?
— Você pode tentar sozinho.
Sakami ficou sério.
— Mas vai enfrentar três testes.
— Primeiro: um robô.
— Segundo: três robôs ao mesmo tempo.
— Terceiro: o campeão da arena mais fraca.
Ozen levantou a sobrancelha.
— A mais fraca?
— Mesmo assim é difícil vencer. Eu já vi pessoas ficarem com sequelas graves… e algumas morrerem.
Ele continuou:
— Eles não gostam de fracos.
Ozen perguntou:
— E o que eu ganho se vencer?
Sakami respondeu:
— Respeito. E cada luta deixa você mais forte.
Ozen ficou parado.
— Só isso?
Sakami riu.
— Eu ainda nem entrei. Não sei dizer.
Ozen se levantou.
— Foi legal conhecer você, Sakami.
Então saiu voando.
⸻
Enquanto voltava, Ozen viu algo estranho.
Uma criança estava sendo levada por um homem.
Sem pensar duas vezes, ele desceu.
— Solta ela!
O homem foi para cima.
A criança começou a chorar.
Ozen voou e acertou um soco no homem.
Ele soltou a criança no ar, mas Ozen conseguiu pegá-la.
Porém…
Um golpe acertou seu rosto.
— O quê?!
Quando olhou, era a própria criança.
Ela tinha se jogado contra ele.
Ozen ficou confuso.
Quando tentou pegá-la novamente…
O homem acertou um chute em seu rosto.
Ele pegou a criança.
— Você caiu na nossa armadilha.
Então outra pessoa apareceu atrás dele e acertou um chute em Ozen.
Ozen se afastou.
— Então isso era tudo um teatro…
A criança sorriu.
— Não somos tão inocentes quanto você pensa.
Os dois foram para cima.
Ozen desviou de um golpe e acertou um chute poderoso no homem da criança.
Ele soltou ela por alguns segundos.
Ozen voou e pegou a criança.
Então jogou ela em direção ao chão.
O homem correu para salvar ela.
Ozen aproveitou.
O outro inimigo veio para cima.
A luta começou.
Socos.
Chutes.
Movimentos rápidos.
Até que Ozen acertou um golpe e uma energia saiu do seu braço.
Ele ficou surpreso.
— O que foi isso?
A distração fez ele baixar a guarda.
O inimigo acertou um soco.
— Até a próxima, palhaço.
Quando ele tentou fugir…
O homem com a criança atacou pelas costas.
Ozen sentiu o golpe.
Mas virou rapidamente.
Aquela energia apareceu novamente.
E o golpe acertou o inimigo causando o dobro do dano.
Ozen percebeu.
A energia tinha desaparecido.
Mas ele não se importou.
Ele avançou.
Pegou os dois.
Um em cada mão.
E começou a bater os dois contra o chão algumas vezes.
Depois soltou.
⸻
Quando voltou para o esconderijo, Kima olhou para ele.
— O que aconteceu?
Ela reparou no rosto machucado.
— Você apanhou de novo?
Ela deu um pequeno sorriso.
Ozen contou tudo.
Kima ficou séria.
— Eles são pessoas que machucam os outros só para serem reconhecidos e lutar.
Ela cruzou os braços.
— Dessa vez a vítima foi você.
Então olhou para ele.
— Tome mais cuidado. Esse lugar é sujo.
Ozen concordou.
Depois foi tomar banho, ainda machucado.
Enquanto isso, Kima ficou sozinha na sala.
Ela pensou nos olhos negros dele.
— Ele não parece ter tido relação com aquela coisa…
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