Torn
1 Capítulo Único
Reyna estava sentada na mesa de um café em Nova Roma. Ela não viu o tempo passar, já era noite.
Ela passou aquela tarde de domingo no café, bebericando aos poucos seu chocolate quente. Aquela bebida lhe trazia boas lembranças. Lembranças calorosos, lembranças de seus dias no Senado, com ele.
Lembranças que ficaram há muito enterradas no passado.
As vezes, Reyna não sabe se preferia estar no passado, para passar cada momento feliz com Jason de novo, ou se prefere tudo como está, onde ela sabe que nada daquilo vai ser para sempre, e que ela sofrerá de novo. Ela prefere errar só uma vez.
Mais um erro doloroso na vida de Reyna Ramírez-Arellano. Mais um erro que ela não pode concertar: Aproximar-se de Jason Grace, confiar nele, se apaixonar por ele.
Ela acordou de seu torpor quando ouviu seu nome ser anunciado num microfone, na frente do café. Deparou-se com o café cheio de gente, em sua maioria, casais. Aquela visão fez Reyna sentir uma pontada em seu coração.
O dono do café a olhava e convidava para subir no palco. Ela negou veementemente com a cabeça. Um coro se formou pedindo que a pretora subisse.
Karaokê. Ela odiava aquilo. Ah, deuses. Ela preferia cantar em seu quarto, sozinha.
Gwen e Dakota (o mais novo casal de Nova Roma, o qual ela nem mesmo havia percebido que estava ali) a deram leves empurrões em direção ao palco.
Por algum tempo, permaneceu apenas ali, com o microfone na mão, em êxtase, observando a todos.
Não sabia o que fazer. Até que, pela porta do café, ela viu um garoto, de sua idade, loiro, corpo bem definido. Ele passou numa lenta caminhada, e Reyna o reconheceu. Jason havia acabado de sair de sua vista quando soltou o primeiro verso:
“I thought I saw a man brought to life
He was warm he came around like he was dignified
He showed me what it was to cry”
O garoto pareceu se surpreender com uma voz melodiosa vinda do café que acabara de passar, pois apareceu na porta novamente e encontrou Reyna.
Ele arregalou os olhos, ela continuou:
“Well you couldn't be that man I adored
You don't seem to know-or seem to care
what your heart is for
But I don't know him anymore
There's nothin' where he used to lie
My conversation has run dry
That's what's goin' on”
A música foi a primeira que veio na cabeça de Reyna. Ela percebeu que Jason estava ali. O garoto agora se aproximara do palco. Ela sabia porque estava cantando aquela música. Era a música que traduzia o que ela sentia por ele. Ela estava cantando para ele.
“Nothing's fine
I'm torn
I'm all out of faith, this is how I feel
I'm cold and I'm ashamed
Lying naked on the floor
Illusion never changed
Into something real
I'm wide awake and I can see
the perfect sky is torn
You're a little late
I'm already torn
So I guess the fortune teller's right
I should have seen just what was there and not
some Holy light
But you crawled beneath my veins and
now I don't care
I have no luck
I don't miss it all that much
There's just so many things
That I can't touch
I'm torn
I'm all out of faith
This is how I feel
I'm cold and I'm ashamed
Lying naked on the floor
Illusion never changed
Into something real
I'm wide awake and I can see
The perfect sky is torn
You're a little late
I'm already torn
Torn
Ohh, ooh
There's nothing where he used to lie
My inspiration has run dry
That's what's goin' on
Nothing's right I'm torn
I'm all out of faith
This is how I feel
I'm cold and I'm ashamed
Lying naked on the floor
Illusion never changed
Into something real
I'm wide awake and I can see
The perfect sky is torn
I'm all out of faith
This is how I feel
I'm cold and I'm ashamed
Bound and broken on the floor
You're a little late I'm already torn
Torn
Oh
Oh”
Ela encerrou a música, seus olhos arderam, quando encheram de lágrimas. Jason não parava de encará-la. Ela não podia chorar. Não na frente dele. Não na frente de todas aquelas pessoas.
Os olhos elétricos de Jason refletiam tristeza. Ela desceu do palco. Estava na frente dele. O microfone deixou com alguém ali do lado.
Jason se inclinou.
“Eu estava te procurando, Reyna. Preciso falar com você.”
Ela continuou em silêncio.
Antes que pudesse pensar em algo. Jason a puxou pela cintura e a beijou. As mãos dela envolveram o cabelo loiro. Eles corresponderam um ao outro, ao seu redor, as pessoas aplaudiam e gritavam, até que fez-se silênico. Pareciam um só. O beijo que ela tanto queria. Ao abrir um dos olhos, pode ver Piper parada na porta.
Ela empurrou Jason com força, fazendo ele cambalear e tombar sobre uma mesa. Parecia confuso, então viu Piper, e seus olhos miraram o chão.
“Como pode fazer isso?” Ela cuspiu as palavras. “Você gosta de brincar comigo, Jason Grace?” Ela estava fervendo de raiva.
Ele tentou dizer alguma coisa, ainda estava no chão. Todos a sua volta assistiam.
“Você é o maior erro de toda a minha vida idiota. Jason. Eu me arrependo a todos os momentos o maldito dia que confiei em você!”
“Se não tivesse confiado, estaria morta, Reyna! Confie em mim! Mais uma vez.”
Ela se lembrou do dia. Precisou ter confiança em Jason, se quisesse sair viva. Ele havia lhe estendido a mão, e ela a agarrou,
“Eu preferia morrer a ter que passar tudo o que passei! Eu amaldiçoou o dia em que confiei, porque faria de novo? Você faz jus ao nome de seu pai.”
Ela cuspiu as palavras e saiu dali antes que não aguentasse mais. Ela se odiava por isso. Mas ainda era apaixonada por Jason Grace.
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