Notas iniciais
Vamos ler? Vamos! Altere seu sentimentos. Sofrimento -on Esperança -off

Acho que finalmente me perdi em todos os pensamentos. O furacão venceu e eu estou sendo carregado pelos sentimentos. Eu posso dizer que uma pessoa se declarar para outra não quer dizer muita coisa. Mas isso me fez pensar que ele está distante de mim, quer dizer que não é bem assim como eu pensei. Ele não está nem aí para mim.

Tentei pensar que não ligo para ele, mas seria mentira. Eu o amo, eu quero ele. Seu corpo, sua alma. Necessito fazer algo para extravasar. Eu estou caindo num abismo e não sei como parar. Estou com medo de nunca dar certo.

Ele me quebra, me explode e então me cola novamente. Estou tão perdido, também me sinto... diferente. Como se todas minhas dores estivessem sendo aliviadas. Porém, estou aceitando que sou fraco demais para aguentar isso.

Eu bati minha mão no vidro da grande janela da sala de aula. O estrondo fez grande parte da sala olhar para mim.

– Ei Fernando, está nervoso é? – perguntou Ester, vindo em minha direção.

– Não é nada, isso que me irrita. Não passa de um nada! – eu falei, um pouco eufórico.

– Calma, eu tenho certeza que vai dar tudo certo. Só basta você crer. – ela parecia feliz, eu apreciava seu cuidado comigo.

– Então, crer é muito pouco. Quero resultados! – eu abaixei minha cabeça para ela não me ver dessa maneira patética. Ela deu uns tapinhas em meu ombro e foi embora.

– Oi, cara. – disse Bruno, calmamente sentando ao meu lado.

– Oi, como vai? – Eu tentava ver se meus olhos estavam avermelhados pelo vidro do celular. Sim, quando penso em coisas tristes ou estou sob pressão meus olhos ficam avermelhados, porém não choro. Me sinto estranho, todo mundo diz que choro por que quero ganhar algo, mas não é verdade.

– Bem, na verdade nem tanto. – Me sentia estranho, com algo preso em mim, porém não posso expressar para ninguém. Engraçado, às vezes nem ligo muito para tudo isso. Passando algum tempo parece que vem acima do limite, como um pico de sentimentos.

– Então, você parece meio triste. – Ele era bem direto.

– Não é nada demais. – Eu não tenho coragem de me abrir sobre esse assunto, apenas evito.

– Certo. Então já vou indo, conta comigo. – ele disse, colocando a mão em meu ombro. Me sinto estranho, tudo o que eu mais preciso agora é de um abraço, e o que me irrita é que homens não tem costume de se abraçar. Ao menos não com outro homem.

Desculpe pela expressão, mas estou realmente ferrado. Me sinto tão fraco, eu o amo. Eu quero ele ao meu lado. Quero ele me apoiando. Eu quero poder sentir seu calor, sabendo que ele sente o que eu sinto. É como um quarto totalmente branco, e eu finalmente vi cor naquele lugar. Meu rosto cora apenas de falar dele. Mas nunca falarei com ele, pois sou fraco.

Tenho vontade de gritar. Quantas vezes eu já expressei minha tristeza para ele, e Henrique não pode entender. Ele não se interessa muito, pois sempre estou desviando desse assunto. Ele me faz sangrar, mesmo quando não está por perto. Esse cara, é a pessoa dos meus sonhos. Literalmente, se bem que eu nunca tive uns sonhos devassos com ele, acho que meu cérebro espera pela visão "completa" de seu corpo. Se bem que ele tem um corpo de atleta, e eu amo passar minha mão, mesmo que discretamente, pelas costas dele.

Agora eu falo para meus queridos leitores: Quando se apaixonarem, faça questão de ser grudento com todos, pois quando você dar "aquele deslize" acidental no crush, ele não irá perceber. Palavra de mestre, sofrido e apaixonado.

A aula estava quase acabando, eu resolvi escrever uma pequena dedicatória para Henrique, estava muito óbvia. Seu título era Tormento Eterno. Eu me imaginava lendo aquilo, estava muito idiota. Eu precisava deletar do meu celular. Não tinha porque manter isso. Quem leria tal idiotice? Meu Deus!

– Tormento Eterno? – perguntou Ester, atrás de mim. Eu a olhava, não sabia o que responder. Estava desesperado.

– Posso ler? – ela perguntou, tentando pegar o celular de minha mão.

– Nunca! Sai! Sério, nunca leia isso. – bloqueei meu celular e o guardei no bolso. Eu estava, no mínimo, ferrado. Agora levantei suspeitas até demais. Resolvi sair da sala, achando que não tinha como piorar. Eu vi Henrique, conversando com Rebeca.

– E aí, gay. – falei, passando reto.

– Oi, Rebeca! – eu a cumprimentei, então cumprimentei Henrique.

– Oi, Fernando. Como vai? – ela perguntou, amável como sempre.

– Mais ou menos. – menti, na verdade me sentia um lixo. Ainda mais do lado de uma menina linda como ela. Depois de uma conversa, resolvi voltar para sala. Estive um pouco aéreo na aula.

O caminho parecia calmo, eu estava esperando Henrique e Bruno. Então apareceu os dois. Henrique parecia mais ligeiro que Bruno.

– Nunca mais faça isso! – ele gritou para mim. Mas... falar o que?

– Então, o que eu fiz? – respondi no mesmo tom.

– Você é um otário mesmo! Faz as merdas e nem percebe. Cara, nunca mais! – Cada palavra que saia daquela boca me perfurava, mas eu não cedia. Eu não podia, ao menos não na frente deles.

– Por favor, me diz o que fiz. – eu baixei o tom, apenas desviando o olhar de seu rosto. Procurei o rosto de Bruno nesse assassinato interno. Ele me fitava, seu semblante era de total surpresa, provavelmente não entendia nadado que se passava.

– Rebeca! Agora ela pensa que sou gay! Por sua culpa, você fica me chamando de gay na frente das garotas. – ele então parou de gritar, parecia falar mais baixo.

– Não foi minha culpa, me perdoa. Sério, por favor. Eu te imploro. – Eu não ligava mais para nada, apenas queria manter essa amizade suicida. Seu rosto teve um breve sorriso.

– Sério, nunca mais faça isso. Me prometa. – Eu acenei a cabeça, conformando. Eu estendi a mão para ele, eu não achava que ele iria apertar, mas assim Henrique fez. Ao sentir seus dedos se entrelaçando nos meus, me arrepiei. Eu apertei sua mão mais forte. Eu a olhei, ele parecia não ligar.

– Quer fazer sexo com minha mão? – ele perguntou, então todos rimos. Senti uma leveza incrível. Porém eu sei que quando uma pessoa é ferida, nunca mais retorna ao seu estado original.

– Eu amo vocês, caras. – Bruno cortou meu contato visual com Henrique, então passou seus braços entre nossos ombros, e então saímos, juntos, até nossas casas. Depois que eu cheguei na parte que o caminho estava vazio, eu olhei para o céu e sorri. Talvez não sou mais tão fraco. Talvez eu seja um guerreiro.

Notas finais
Bem, esse capítulo foi um pouco intenso. Realmente. Quero ver os comentários, os amorzinhos. E eu não liguei por vocês terem deixado o outro capítulo no limbo