Que lugar é esse? Onde estou? Ouço gritos. Quem são essas pessoas? Por que estão gritando? Por que estou com frio? Estou caindo.

Novamente em um lugar estranho, frio, tem um cheiro esquisito, parece terra molhada, está chovendo, estou cansada, não consigo me mexer.

Não está mais frio, não está mais chovendo, uma luz quente toca meu rosto, me despertando, mais pessoas estranhas aparecem, elas estão gritando, por que tanto gritam?

-É uma menina!

-Mas tem asas!

-Ainda sim não deixa de ser uma menina

-O que faremos?

-Sei lá, chama a policia.

Estou sendo carregada, mais pessoas conversam ao meu redor

-Para onde vamos levá-la?

-Para o laboratório central, uma série de experiências serão efetuadas

-E essas asas?

-Não sei, ela parece ser um tipo de anjo

-Mas e os olhos vermelhos?

-Não sabemos como anjos são

-Isso está mais para demônio

Tento me mover um pouco

-O elemento está se mexendo doutor!

-Aplique um calmante. Rápido!

Algo perfura minha pele, então tudo escurece

Estou um lugar totalmente branco, não tinha nada, fora uma garota de cabelos lisos e logos, laranja avermelhados, ela usava um vestido branco, tinha olhos verdes, olhava para mim sorrindo sadicamente.

-Expulsa né?

-Quem é você?- pergunto assustada

-Uma pessoa que você foi semelhante, um dia

-Como assim?

Ela riu sadicamente

-Não seja idiota! Aliás, impossível você não ser né? Se você não fosse não teria caído no meu joguinho- então ela jogou a cabeça para trás e gargalhou alto

-Como assim?

-Claro, antes de te jogarem de lá apagam sua memória certo? Ainda bem, você não iria gostar nada das lembranças que tem

-Você é muito esquisita, pare de agir assim, garota displicente!

Uma voz estrondosa falou

-Namine! Aqui agora

-Está bem, está bem,já vou

Então ela se aproximou de mim e sussurrou ao meu ouvido

-Asas que estão quebradas têm que ser pregadas à cruz para morrer e apodrecer, por sorte você será pregada no meu lugar

Ela sorriu de lado e deu alguns passos para trás, duas asas brancas surgiram em suas costas, ela as bateu e começou a subir

-Ah, só para avisar, eu sou um garoto

Sua risada maníaca encheu o lugar, enquanto ele subiu até desaparecer em meio à luz

Quando acordo, estou em um lugar esquisito, deitada um uma cama com varias pessoas vestidas de branco ao meu redor, havia tubos presos aos meus braços e fios colados na minha cabeça, uma mulher se aproximou de mim com um objeto metálico nas mãos e fez um pequeno corte em uma de minhas asas negras. Soltei um leve gemido, o sangue escorreu pelo corte, manchando as penas negras de vermelho

-Existem vasos sanguíneos nas asas doutor, aparentemente são articuladas por ossos ocos, assim como os pássaros

-Leve-a para a sala de cirurgia, vamos retirar uma delas

-Mas doutor, assim o corpo do espécime ficará incompleto!

-Façam os estudos necessários, depois sacrifiquem e mandem embalsamar com a asa costurada ao corpo

-Mas...

-Mais um mas e será despedida!

-Certo doutor

Novamente algo perfura minha pele, tudo fica escuro.

Quando acordo estou deitada um uma maca novamente, sinto uma dor horrível nas costas.

Levanto-me ainda meio zonza, a dor aumenta, corro cambaleante pelo laboratório, as vozes irritantes voltam a gritar, me deixando atordoada, com uma forte dor de cabeça

-Ela se levantou!

-A segurem, não deixem que faça nenhum estrago!

Varias pessoas me rodeiam, segurando meus braços, solto um grito e tento me livrar delas, com um movimento brusco jogo um dos médicos no chão, corro para fora, consigo me livrar de todos que tentaram me segurar, passo em frente a um espelho.

Parei para observar meu reflexo, não sabia como era minha aparência, tinha cabelos pretos, curtos, meus olhos eram vermelhos, havia uma asa em minhas costas, no lugar onde a outra deveria estar havia uma costura enorme, lagrimas escorrem de meus olhos, rolando pelo meu rosto branco, onde estaria a outra asa?

Conseguiram me pegar, desta vez levei uma pancada na nuca, cai no chão sem forças, injetam algo em minhas veias, tudo fica escuro.

Apareço de novo na sala branca, um homem de cabelos pretos que usava óculos aparece na minha frente

-Não se lembra de nada?

-Não- digo me sentando e abraçando meus joelhos- quem é você?

-Fui seu amigo um dia

-Porque não é mais?

Ele se calou, olhando para mim receoso

-Por que... Não é permitido ser amigo de gente como você

-Gente... Como... Eu?

-É, olha eu sei que vai ser complicado para você entender isso, mas você era um anjo, só que você fez coisas erradas, e te jogaram na terra

-Jogaram... Na Terra?

-É, você é um anjo caído

-Um garoto parecido com uma garota disse que eu seria pregada na cruz no lugar dele, o que significa?

Ele me olhou assustado,

-Tenho que ir

-Espera!

Levanto-me e seguro o braço dele

-Me diga o que significa

-Eu realmente preciso ir

-Antes me diga o que significa-digo apertando seu braço

-Me solte!

-Antes o significado!- digo apertando o braço dele ainda mais

Ele se curva soltando um gemido

-Está bem! Eu falo! Olha, aquele garoto, ele não eraboa gente, ele cometeu vários erros propositais, sempre fazia algo errado, mas ele nunca foi punido, vários anjos caíram por causa dele, e...

-E...?!

-Você é um desses anjos

Agora tudo fazia sentido

-Como... Assim?!

-Olha, para ser mais exato há alguns dias, ele matou um humano, um humano bom, ele simplesmente desceu até a terra e sufocou a pobre criança com um travesseiro, e... Antes de a alma seguir seu caminho, ela é julgada, no dia do julgamento você estava lá, junto comigo, com esse garoto e todos os outros anjos. Mas... Esse garoto, o Namine, fez a nossa cabeça, disse que a criança era maldosa e que merecia ir para o inferno, e assim foi feito, perguntaram para onde o menino merecia ir e como a resposta foi unânime ele foi para o inferno, e uma vez lá nunca mais sai. No dia seguinte descobriu-se que o menino fora morto por um anjo, perguntaram se sabíamos quem tinha matado ele e Namine nos convenceu que....

-Convenceu que...?

-Você tinha matado a criança.

Agora tudo fazia sentido, soltei o braço dele, ele correu enquanto asas saiam de suas costas e voou rapidamente, eu estava sendo torturada daquela forma por causa de um anjo ridículo, aquilo me fez querer ter vingança.

Acordei novamente, estava deitada em uma cama, dentro de uma sala branca, usando uma camisa de força. Acordar em lugares estranhos estava virando rotina. Uma médica entra na sala, sem dizer nada me leva até um laboratório, lá eles tiram a camisa de força e pregam vários fios pelo meu corpo, colocam uma mascara de oxigênio e me colocam em um tanque cheio de um liquido verde. Fiquei lá, por vários dias, pensando em como me vingaria daquele anjo. Depois de alguns dias percebi certa agitação entre os doutores,estavam trazendo um novo “elemento” para o laboratório. Tiraram-me do tanque e me colocaram sentada em uma sala vazia, em seguida trouxeram o mesmo rapaz de óculos que havia encontrado alguns dias antes, agora seus olhos eram vermelhos e tinham duas asas negras saindo de suas costas

-O quê sou eu?

-Um anjo caído, provavelmente

-Porque você não me é estranha?

-Fomos amigos, um dia, agora que nos rebaixaram ao mesmo nível poderemos ser amigos novamente.

-Rebaixar...?

-É uma história complicada, outra pessoa vai te explicar

-Eu sonhei com uma garota ruiva, ela me agradeceu por alguma coisa

-Depois que conhecer ela melhor, vai desejar matá-lo

A conversa fluiu normalmente, tive que explicar o conceito de “anjo caído” para ele, e contar toda a história novamente, até que os doutores nos tiraram de lá.

Jogaram-me novamente dentro do tanque, fiquei lá, observando o movimento do lado de fora, levaram o meu amigo até uma mesa de cirurgias e o dessecaram ainda vivo, não creio que tenha sobrevivido a isso, mas eu percebi que ele sentiu muita dor, ele berrava tão alto que pude ouvir seus gritos claramente de dentro do tanque.Aquilo ficou muito entediante depois de 4 horas, acabei dormindo.

Namine, o anjo que me derrubou estava em uma sala branca, junto comigo, sorria sadicamente, nos encaramos por alguns segundos antes de eu avançar sobre ele, meus dedos foram em torno de seu pescoço, enquanto eu chacoalhavam sua cabeça para frente e para trás, batendo-a contra o chão branco que em alguns segundos adquiriu acor vermelha. Ele aproveitou alguns segundos de distração minha e se levantou tentando voar, puxei sua perna e o joguei no chão, segurei suas asas brancas firmemente e as arranquei, fazendo com que ele gritasse implorando para que eu parasse, joguei suas asas para outro canto qualquer, minhas mãos estavam sujas com seu sangue e com algumas penas brancas manchadas de vermelho, ele se levantoue se jogou sobre mim, apertando meu pescoço.

-Não vai se safar! Quando um anjo morre ele pode continuar sua vida como um humano qualquer! Um anjo caído não passa de um humano com asas!

Ele bateu minha cabeça varias vezes no chão, minha mente oscilava entre o sonho incrivelmente real e a realidade

-Doutor! O Elemento 1 está sentido dor! Seus batimentos cardíacos estão acelerados!

-De onde está vindo esse sangue? E essas penas brancas?

-Está me ouvindo vadia?! Eu vou me dar melhor do que você! Você vai ser julgada quando morrer! E eu vou estar no seu julgamento! E farei com que você vá para o inferno!

Ele tirou uma adaga do bolso e levou ela em minha direção, a tomei de suas mãos e fiz um corte em seu rosto, ele gritou e caiu para trás, tampando o rosto com as mãos ensangüentadas.

-Rápido! Injetem morfina no elemento!

-Mas doutor! Não sabemos a causa da dor!

-Injetem mesmo assim! E estanquem essa hemorragia!

Ele vinha para cima de mim, o sangue escorria do corte horizontal que fiz de uma maçã do rosto até a outra. Sem pensar enfiei a adaga em sua barriga, ele cuspiu sangue e caiu imóvel

- Vou virar um humano agora- disse ele fracamente

-Todo humano morre um dia- digo caindo no chão sem forças

Minha visão estava turva, ainda estava dentro do tanque, que agora estava vermelho, me debato inutilmente, quebrando as paredes de vidro e caindo no chão em meio ao meu próprio sangue e cacos de vidros, vejo os pés dos médicos correndo apressadamente, então tudo fica escuro

No fim, ela não passava de um anjo caído, tentando ser um humano normal.

Notas finais
obs.: a frase 'Asas que estão quebradas têm que ser pregadas à cruz para morrer e apodrecer' que o Namine fala foi tirada da música Eternal Force Blizzard, do Namine Ritsu
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!