Era noite da véspera de natal, e tudo estava branco. Floquinhos de neve rodopiavam pela cidade iluminada, dançando com as músicas natalinas cantadas por humanos e Pokémons, todos juntos nessa noite tão especial.

Bell atravessou a cidade andando lentamente, observando cada detalhe das decorações festivas. Árvores com luzinhas piscando para todos os lados, e de todas cores. Grandes bolas penduradas entre ela, como enormes pingentes de pedras preciosas, brilhavam refletindo a luz dos pisca piscas.

Tudo era tão bonito! Stantlers de brinquedo que se mexem espalhados pelas ruas, como verdadeiras renas de Papai Noel. Jirachis de plástico sobre as árvores, representando a estrela de natal. Treinadores e seus Pokémons andavam sorridentes pelas travessas lotadas, todos dividindo uma compaixão infundada.

Noite de alegria, noite paz. Cantava o coral de jovens, acompanhados de seus Pikachus e Pichus, que vestiam gorros vermelhos e compunham uma segunda voz graciosa. Um Jigglypuff, também vestindo uma touca, ficava no centro do coral, soltando uma voz melodiosa que acalmava os que se aproximavam dele.

A menina parou um tempo para admirar o coral. Como queria saber cantar assim! Seria uma ótima habilidade para uma coordenadora, não? Subir ao palco com seu Pokémon e exibir uma música... Fechou os olhos imaginando a apresentação. Ah, como seria lindo! Abriu eles novamente, esboçando um sorriso no rosto. Talvez tentasse treinar isso mais tarde.

Ouviu um som de guizo ao seu lado, e olhou para seu amigo Chimecho. O Pokémon flutuava ao seu lado alegre, provavelmente também gostando da canção. Era seu melhor amigo, primeiro Pokémon, companheiro de torneios e batalhas.

Esse tinha sido um longo ano, pensou ela. Era a primeira vez que passava o natal fora de casa, e sentia uma pontada de saudades de sua família. Quando era mais nova, todos os parentes iam visitá-la, levavam presentes e os colocavam embaixo da pequena árvore, sempre decorada de vermelho e dourado.

Sentiu saudades desse tempo... Mas Chimecho estava com ela e seus amigos a aguardavam, com certeza esse também seria um ótimo natal! Um natal diferente do que ela conhecia. No entanto, novas experiências sempre são boas. A data marcava o inicio de uma nova fase em sua vida; sua vida de treinadora.

Deu as costas para o coral, já era hora de voltar. Equilibrou melhor as sacolas que carregava com salgadinhos e doces para comemorar a data, e chamou por seu amigo.

― Vamos Chimecho.

O Pokémon emitiu mais um som de sino, e a seguiu flutuando. Ele balançava de um lado para o outro, e fazia a menina rir. Bell foi se afastando da cidade, sentindo o corpo esfriar. Já não havia mais tantas luzes e tanto calor humano para mantê-la aquecida.

Puxou o casaco pesado mais para cima, escondendo o pescoço e quase afundando o nariz dentro do pano. Agora já estava distante do centro da cidade, as luzes piscavam ao longe. Sem prédios para bloqueá-lo, o vento soprou forte no rosto da menina, balançando seus cachos loiros e fazendo Chimecho se aproximar mais dela, procurando abrigo.

Aproximou-se do cais, sentindo o cheiro de maresia. Ali era ainda mais frio, e a neve não parava de cair. Ouviu um murmúrio ao longe, vozes de pessoas e seus companheiros Pokémon. Estava chegando, só mais um pouco.

Ela os avistou, seus amigos treinadores Molly e Owen, que a acompanhavam em sua jornada. Eles batalhavam alegres, o Combusken de Molly cuspia uma labareda quente e alaranjada, que derretia a neve à sua volta. Os dois pareciam se divertir bastante.

Ela abriu um largo sorriso, e fez um sinal de mão para Chimecho, que a seguiu animado, enquanto a garota corria de encontro aos amigos.

Um Delibird passou voando por eles, mas os jovens tão empolgados com seu primeiro natal fora de casa, nem o repararam. Ele planou pela cidade, carregando seu saco de presentes e assobiando.

Logo seria meia noite, logo as famílias se juntariam em volta de suas lareiras para trocar presentes e alegrar as crianças. Logo as ruas ficariam preenchidas apenas por casais apaixonados, trocando agrados e sussurrando declarações. E talvez logo um trenó vermelho fosse visto no céu, difícil saber.

A magia do natal já começara, mas Bell em nada disso pensava. Só sorria com seus companheiros, o coração aquecido, não sentindo mais falta de casa. Estava com pessoas que amava, com Pokémons que amava, e a noite prometia ser perfeita. A neve continuava a cair em flocos macios, acariciando o rosto dos treinadores.

Era noite da véspera de natal, e tudo estava ainda mais branco.

Notas finais
Ficaria muito agradecida de recebesse reviews, seria um ótimo presente de natal! ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!