Toque De Doçura – One-short

1 Capitulo unico - Douçura


Notas iniciais
Boa leitura.

Clarie estava na casa forte esperando Alan voltar da maldita NSA que ultimamente estava-o tirando dela e ainda havia o plano que há muito não prosseguia. Tudo estava desandando e ainda vinha muita coisa por ai. Ela andava de um lado para o outro, nervosa e com mil perguntas na cabeça.

Será que ele iria gostar da novidade? Ou iria xinga-la por isso ter acontecido? Finalmente poderia vê-lo sorrir abertamente? Tinha até medo de qual seria a reação dele pelos acontecimentos dos últimos tempos. Quem poderia acreditar que ele um dia poderia voltar para casa com uma sacola cheia de “porras femininas” –como ele mesmo fala – e sem uma carranca... Até ela não acreditaria.

Riu sozinha ao lembrar-se da cena, mas logo se lembrou da preocupação de antes e voltou à aflição.

—Ahhhh... Porque aquele idiota não chega!?

—Calma novato. Seus desejos já foram atendidos – Ele chegou por traz colocando as mãos fortes na cintura dela puxando-a pra si – Sentiu a minha falta?

O cheiro dele era bom e a acalmava, mas não trazia a coragem que ela precisava para contar para ele. Ela virou de frente pra ele e encarou os olhos verdes, só o que conseguir fazer foi encaixar a cabeça no pescoço dele e sentir o seu cheiro, mas em vez dele sentiu um perfume doce que dava enjoo.

—Que cheiro é esse? – interrompendo os beijos que ele dava no pescoço da criminosa. Olhou nos olhos dele com raiva. O homem sabia do que ela estava falando e se sentiu um idiota por não ter tomado um banho na agência.

—Eu me encontrei com uma mulher para conseguir partir para a segunda parte do plano. Tive que convencê-la da legalidade da viagem por isso demorei a voltar– Ele falava sem emoção e cansado, mas a raiva de Clarie não diminuía nem com o visível desinteresse dela com a tal mulher.

—Sei muito bem como convenceu ela! – A ex-infiltrada não estava mais nos braços dele. Ela saiu da sala e entrou em um dos quartos do corredor, fechando a porta na cara dele. Ele bateu na porta sem muita vontade de comprar aquela briga.

— Deixa de frescura, sai logo daí – O general tentou, sem sucesso, acabar com o ataque dela.

— Nem adianta Sr. Berckert eu não vou sair daqui, pode ir dormir sozinho hoje ou voltar para onde estava, parece que lá estava bom – falou com um tom irônico e raivoso.

Alan estava cansado demais até mesmo pra brigar com a mulher. Ele foi para o quarto que eles dividiam há algum tempo.

Era incrível como eles estavam se dando, razoavelmente, bem esses últimos dias, até mesmo uma rotina estava se formando entre os dois, todos os dias ela esperava-o e depois vinham as brigas que sempre terminavam em beijos e caricias. Nos fins de semanas ou nas escapadas de Alan da agência eles planejavam a ida para a Itália.

A vida dele de alguma forma estava se tornando mais fácil e mais difícil ao mesmo tempo; mais fácil a cada felicidade, cada momento de paz, cada prazer; mais difícil por ele está se abrindo mais e se entregando a esses sentimentos novos isso dificultava as coisas e já via os erros acontecendo, ainda não acreditava que deixou a arma para trás sem pensar nas consequências.

O general entrou no quarto morto de cansaço, só tirou a farda e deitou. Quando acordou eram três da manhã, estava suado e com o coração acelerado. Tinha sonhado com a morte dos seus pais, depois de tanto tempo sem essas lembranças vê-la novamente lhe pareceu ainda mais real.

Ele levantou e foi até o banheiro lavar o rosto e tentar dormir novamente, quando ligou a luz se deparou com várias caixas coloridas, tubinhos estranhos e uma peruca loira, uma das muitas que ele deixou antes de ir pra guerra. Não queria saber nem o que aquela louca estava fazendo, foi até a pia e encontrou mais um tubinho e o jogou no chão sem mesmo olhar.

A água da pia não estava ajudando em nada a esquecer das memórias dos seus pais, foi ligar o chuveiro, antes de conseguir se segurar em qualquer coisa caiu no chão com um baque surdo. Praguejou a mulher com todas as forças. Ainda no chão olhou o que estava debaixo de si, examinou o pequeno tubo com duas listras vermelhas.

Estava com uma sensação de dejavú, onde tinha visto aquilo antes? Nem fez questão de saber resolveria isso depois. Tomou um banho demorado, a água escoria pelo seu corpo e levava o sono e os sonhos ruins. Ele estava de olhos fechados tentando não pensar em nada, perdido em si mesmo, então sentiu as mãos nas suas costas fazendo caminho até o abdomem e voltando. As mãos pequenas percorriam o corpo másculo e a dona delas estava amando a sensação.

Senti-o ficar mais calmo com o toque, muito diferente de quando ela lhe tocava antes. Não era a primeira vez que em momentos assim Clarie comparava Alan a um cachorro feroz que fora domesticado, ela sempre ria da analogia barata, mas não podia negar fazer sentido.

Ela ainda fazia o carinho e rindo do pensamento. Alan só grunhiu e nem quis saber qual o motivo da graça, com certeza era ele, tinha coisas mais urgentes a fazer como aplacar aquele desejo que sentia da boca dela.

Entre eles as coisas ainda não estavam claras, ainda existiam palavras não ditas, sentimentos não expressos, mas tudo funcionava melhor dessa forma. O não dito era sempre melhor do que ficar tudo às claras, pelos menos no caso deles.

Ele virou segurando a cintura dela possessivamente. A lembrança do episódio do chuveiro veio na mente dos dois, hoje não teria ninguém para interromper o momento. Os beijos estavam se tornando mais e mais urgentes, o general levantou o seu novato e a prensou na parede fria do boxe, as pernas dela foram logo se enroscando no quadril dele, o general também tinha presa; penetrou-a e os dois soltaram gemidos de satisfação por ter o outro tão perto e em um momento tão intimo com nem um deles um dia imaginou poderem ter.

O ápice veio logo, se a casa não fosse debaixo do mar qualquer um poderia ouvir os gritos e grunhidos que os dois soltavam, foi assim até amanhecer. Eram seis da manhã quando eles finalmente dormiram um nos braços do outro.

Era quase meio dia quando ele acordou e ficou olhando para a mulher ao seu lado. Estava acostumado há acordar do lado de mulheres quando não estava na NSA, mas não estava acostumada há dormido com uma delas mais de uma vez, não estava acostumado há ter uma mulher tão perto dele conhecendo-o tão bem, dividindo planos e um futuro — mesmo que incerto era esse futuro – e também conhecê-la saber de suas manias e suas inseguranças, conhecer seu corpo e poder ter a certeza: O que eles faziam era mais do que algo físico tinha sentimento envolvido – ele grunhiu do pensamento esse sentimento era novo para ele.

A mulher abriu os olhos com preguiça vendo o seu general a observando com aqueles olhos verdes intensos, ainda não acreditava que podia sentir algo tão forte por ele, sem ser ódio, mas para qualquer um estava claro, como duas pessoas podiam se odiar tanto e isso não ser amor, ela mesma que adorava ler aqueles romances melosos da Itália não via o que estava acontecendo entre eles?

Os dois se encararam, a mulher nem se lembrava de mais o que tinha acontecido na noite anterior e o general também se esquecera da reunião que teria essa manhã com Arthur na fazenda, o motivo de ter ido até lá. Eles só queriam saber de sentir o outro.

—Acho melhor eu me levantar pra fazer o café, minha barriga já esta roncando. – Ela disse já se levantando parou quando ouviu ele dizer com a voz rouca.

—Já se esqueceu do nosso trato, você — apontou pra ela – só entra na cozinha pra esquentar água e descongelar comida e que eu saiba você não sabe fazer café, então nem se atreva a querer fazer mais uma daquelas suas tentativas de “cozinhar”.

Ela nem dei ouvidos pra ele, já estava acostumada com as alfinetadas dele. Entrou no banheiro e se deparou com a bagunça que ela mesma fizera no dia anterior antes de Alan chegar, então se lembrou de que ainda não tinha dito nada a ele. Adiantou-se para recolher tudo antes que Alan visse aquilo tudo, talvez tivesse visto na noite anterior quando foi tomar banho.

—Eu acho que... – Alan entrou no banheiro e viu Clarie com um monte de caixas na mão tentando se livrar daquilo tudo, mas não deu tempo. A mulher não sabia o que fazer, seu coração se acelerava com cada passo que ele dava à sua direção, quando ele estendeu a mão para pegar uma das caixas ela, em um momento desesperado jogou tudo pra cima.

—Ficou loca? – ele falou com a voz raivosa, queria saber o que ela andara fazendo e porque estava escondendo isso dele. Não que ela não fizesse isso normamente, mas queria um mínimo de confiança, eles estavam juntos nessa de igual para igual, mas só que ela não entendia isso, porque ele não tinha coragem de verbalizar tudo isso, ainda tinha medo de se entregar demais e perde-la, ainda não estava pronto para sofrer mais.

Ele se abaixou para pegar, mas antes de tocar na caixa a mulher soltou um grito desesperado, ele nem deu importância para ela e pegou a caixa. Passou alguns segundos para ler a outros tantos para processar as informações. Ele virou a caixa e viu escrito:

I – Para negativo.

II – Para Positivo.

Então ele se lembrou da noite passada, do tubinho em que caiu.

Desespero. A palavra que descrevia Clarie naquele momento tinha medo do homem, mas agora não tinha mais volta já estava tudo feito. Depois de tanto tempo em silêncio ele falou.

—Tem certeza? – Ele ainda não demonstrava nem uma emoção, mesmo que escondida, esse tipo que ela havia aprendido a identificar. Ela só fez um movimento com a cabeça confirmando. Ele olhou mais uma vez para a caixa saiu do banheiro deixando-a sozinha.

Ela o seguiu enquanto se vestia ainda em silêncio, só disse que tinha uma coisa importante para fazer e saiu, ela correu para a sala de monitoramento assim que ele fechou a porta com um pouco mais de força do que o necessário. Lembrou-se da ida dele para a guerra, o sentimento era o mesmo de o ver saindo daquela forma. Ele olhou pra ela pela câmera, rosto ainda impassível, ela não aguentou e chorou não entendia porque, mas tinha medo dele ter voltado a ser o mesmo General de antes, rude, frio e calculista.

A mulher se levantou depois de alguns minutos de choro, não ai conseguir fiar dentro daquela casa esperando Alan voltar. O esconderijo parecia e claustrofóbica demais para ela continuar ali. Foi até o quarto que eles dividiam e procurou dentro do armário uma peruca e mais um pouco de maquiagem, depois procurou uma roupa confortável para a época fria.

Uma hora mais tarde estava pronta, se avaliou no espelho, verificou se a peruca ruiva estava no lugar. A ex-infiltrada nem se deu o trabalho de pensar nas consequências dos seus atos, só queria ver gente e tentar se passar por uma americana normal por algumas horas. Se os mafiosos ainda estivessem de campana do lado de fora ela seria uma presa fácil, mas para a sorte dela eles haviam seguido o general.

Não sabia para onde os seus pés a levavam, só os deixou leva-la para longe da angustia.

O general, mais uma vez depois que Clarie havia entrado em sua vida, não tinha controle sobre a situação. Não sabia o que fazer o que pensar. Simplesmente... O que deveria fazer? Onde estaria indo? Como seria tudo daqui pra frente?

Ele saiu de casa sem pensar em nada, estava em modo automático. Só agora se deu conta que deixou a mulher sozinha naquela casa, tinha ate medo do que ela poderia fazer naquela casa.

Só deu conta de onde ia quando estacionou na frente do cemitério onde seus pais estavam enterrados. Saiu do carro e foi até o local, não se lembrava de mais da ultima vez que estivera ali, uma raiva lhe invadia toda a vez que olhava para aquelas lapides, eles não deveriam esta lá, deveriam ter vivido esses anos, deveriam ter apoiado ele em todas as decisões de sua vida.

Mas dessa o sentimento não era de ódio, no lugar dele sentia-se culpado por colocar a culpa da sua infelicidade nos outros, não fora os assassinos deles que o obrigaram a viver se isolando do mundo e nem a deixar de se importa com que o quer bem. Esse alguém fora ele mesmo.

A pequena parcela de raiva nele era direcionada para ele mesmo, porque nunca conseguiu viver tudo o que a sua mãe lhe ensinou, onde estava o perdão nele, onde estava o amor, onde estava a felicidade. Esses sentimentos nunca puderam crescer dentro dele.

E agora como poderia passar esses mesmos ensinamentos para o seu filho, o pensamento o pegou de surpresa. Sim, ele seria pai. Mas com seria aquele pai que filho se orgulha se nem um bom filho ele foi como seria um bom pai?

O poderoso general se ajoelhou diante do tumulo dos seus pais e fez uma coisa que havia muito tempo que não fazia, ele fechou os olhos e falou com Deus, sentiu um alivio de poder ainda ter uma pessoa com que poderia contar em momentos tão difíceis.

Mary nunca viu o pequeno menino orar junto com as outras crianças, mas ela o observava pedir perdão por ter sido mal durante todas as noites, ela não entendeu das primeiras vezes, mas foi em uma noite de verão que ela finalmente entendeu porque aquela criança inocente pedia perdão, ele se culpava pela morte dos pais. Na noite seguinte ela chorou quando ouviu a oração do pequeno.

“Deus, eu não sei o que eu fiz para o senhor me castigar assim, minha mamãe sempre disse que eu nunca deveria ser um menino mal, eu sempre tentei, mas não conseguiu. Perdoo-me eu prometo que nunca mais faço nada de mal, prometo que vou sempre à missa e me comporto sempre. Mas, por favor, me devolva os meus pais, eles devem esta com saudade de mim, eu também estou com saudade deles. Quero receber um beijo de boa noite da minha mãe e quero brincar com o meu pai. Por favor, atenda o meu pedido. Por favor, me ajuda.”

E o choro de criança enchia o quarto, Mary sabia que tentar consola-lo não adiantaria então ficou ali observando o menino chorar de saudade.

O mesmo menino três anos depois disse que não acreditava em Deus e se existisse era muito mal, nunca lhe atendia. E hoje esse menino transformado em um homem estava ali recorrendo ao mesmo Deus que disse não acreditar.

Ele se levantou com a face rígida, mas que o conhecia podia olhar para o olhar para os seus olhos e dizer que diferente do exterior no interior ele estava totalmente sem rumo. Ele saiu do cemitério e entrou no carro decidido do que iria fazer. Talvez se conseguisse deixar o passado para trás poderia ter um recomeço. Talvez se livrasse desses sentimentos ruins pudesse ser perdoado pelos seus pais, por Deus, até mesmo por Mary.

Dirigiu mais um pouco até para em frente ao prédio familiar de fechada antiga. Antes de bater na porta a senhora já a abrira, depois de tanto tempo sem ouvir o barulho do carro a sua porta já sentia se eufórica por poder ver o seu filho mais uma vez. Sabia o quanto ele não gostava de abraços, mas nem se importava só estava feliz por poder ver ele.

Não esperava receber um aperto forte dele, talvez aquilo não fosse um abraço comum, mas mesmo assim a freira estava feliz de por sentir o seu filho, depois de muito tempo receber carinho dele. Não pode conter as lagrimas e nem a emoção.

Alan percebeu que a mulher chorava e então secou as lágrimas dela e deu lhe um beijo estalado na bochecha, naquele momento não via mais o general impetuoso só via a criança que corria para ela quando se sentia sozinho nas primeiras noites depois da morte dos seus pais.

Ela soube que aquela conversa que tivera com Clarie meses antes tivera o melhor resultado possível. Sem nem uma palavra eles entraram e foram direto para a cozinha onde ela o serviu cookes de chocolate com leite e o homem sem se importar com nada voltou a ser aquela criança que amava os cookes da freira Mary.

—Alan o que foi que te trouxe aqui?

O homem já esperava essa pergunta e sem mais enrolar, estava se sentindo constrangido com aquele clima diferente entre eles, mas se sentia aliviado por poder fazer aquilo antes que não pudesse ter mais a chance.

— Quero construir uma área de recreação para essas crianças.

Ele não disse mais nada só comeu os dois últimos biscoitos de restavam no seu prato.

— Quero ceder o espaço da casa dos meus pais para construir essa área para essas crianças. – ela ficou surpresa coma revelação, não imaginava nunca poder o ouvir dizer isso, ele tinha algum motivo para querer seguir em frente, parar de se apegar ao passado.

— Alan o que ela te falou? – ele sabia que ela se feria ao encontro da infiltrada com a freira quando ele não estava em casa.

— É difícil dizer o que aconteceu, mas eu sei que nada pode continuar a ser assim eu tenho que mudar, agora não é só eu, tem mais coisa em jogo mais um futuro em jogo. — ele ainda estava indeciso se dizia ou não para ela a grande noticia.

Mary sabia que não adiantava perguntar mais nada e as perguntas que queria fazer a muito tempo não sentia mais a necessidade de fazer, eles estavam bem, o seu filho estava feliz, podia ver isso no seu olhar.

— Vou mandar o dinheiro amanhã – o clima já estava desconfortável demais para ele. A mulher o acompanhou ate a porta, mas antes que ele pudesse sair uma vozinha o impediu.

— Tio Alan? Onde tá a dia Tia Clarie? Eu to com saudade dela. – o menino surgiu de trás de Mary. Tony. Alan se lembrava do menino, gostava dele se lembrava do menino acertando varias bolas de neve na cara de Clarie durante o natal passado.

Alan se abaixou para ficar cara a cara com o menino, viu nos seus olhos o mesmo abandono que sentia quando estivera na mesma situação dele.

—Ela vai vim visitar você, mas pode demorar um pouco. – ele viu a tristeza no olhar dele – mas sabe de uma coisa que pode te deixar um pouco mais feliz, você vai poder brincar muito com os seus amigos em um parquinho que logo-logo vai está pronto e quando a Tia Clarie vier aqui vocês poderão brincar juntos.

O menino não disse nada, não ligava para nada disso ele queria infiltrada com ele, se sentia sozinho desde quando ela se fora. Alan não poderia dizer mais nada então só foi embora sentindo a mesma dor daquele menino ele sabia o que ele sentia.

O General voltou apresado para a casa com medo que a mulher pudesse ter feito alguma burrice, que era o forte dela. Andou apresado pela praia, entrou na casa e procurou a mulher em todos os quarto, nos banheiros e quando foi procurá-la na adega viu o corpo da dela adormecida com a peruca vermelha na cabeça.

Ficou observando a mulher, olhou ela gravando cada curva, cada pedaço de pela que estava de fora do casaco bege, os olhos estavam maquiados dando mais força ao contorno deles, lembrou-se da festa de casamento e de como a mulher estava com aquela mesma maquiagem. Ele a observava e pensava como seria realizar todos os desejos, de ter uma casa, ter uma família, como seria afastar todos os seus medos de ficar velha e sozinha e de ter sete gatos. Como seria ter um futuro com ela. Ele finalmente teria uma casa, uma família e amor.

Ela foi abrindo os olhos devagar, mas quando a visão se acostumou com a luz pode ver perfeitamente a imagem do general nem pensou na raiva que estava de por ter a deixado em casa sozinha também não se lembrou dos xingamentos que tinha guardado para ele. Só queria senti-lo, abraçou com toda a força, tinha medo de sentir de novo a angustia que sentira horas antes. Mas o movimento foi rápido demais o que a deixou tonta ela voltou a deitar fechando os olhos.

— O que foi? – O homem estava com a voz aflita.

— Nada eu só me senti tonta. Onde você foi? – Ela duvidava que ele fosse responder, mas precisava saber.

— Estive resolvendo o meu passado para ter um futuro melhor – ele não esperava que ela entendesse, mas essa seria a única resposta que ela receberia era melhor que nada. – Eu só quero que você confirme o que eu li naquela caixa.

Um bolo se formou na garganta dela a deixando sufocada, não queria dizer nada em voz alta, se falasse tudo se tornaria verdadeiro, não haveria mais volta, não haveria dúvida.

— Eu to grávida, e depois de fazer quinze testes eu não posso dizer que ainda tenho duvida. – pronto tudo era real – mas eu não sei se eu quero ter esse filho, como posso cuidar de uma criança, como ainda podemos pensar na vingança, não posso ter esse filho. – ela concluiu e só fez uma pergunta e esperou a resposta.

— E você pretende fazer o que novato?

— Aborto – era essa resposta que ele esperava sair da boca daquela idiota, ele só olhou pra ela e começo a falar.

— Novato você como merda ou o que, como pode pensar que eu deixaria você fazer isso com o MEU filho. Mas eu não poderia esperar outra coisa sair dessa boca, espero que não esteja falando serio – ele ainda não entendia como ela poderia achar que aborto seria a solução

— Essa não é solução então me diga qual seria? Oh grande general, eu acho que não sou só eu que não vai dar conta de cuidar dessa criança. Que eu saiba não sabe nem trocar uma frauda.

— Seu instinto pela primeira vez funcionou, é claro que você não vai saber cuidar, na verdade não sabe cuidar nem de um bichinho de estimação virtual, imagine de uma criança, eu que não confiaria um ser vivo na sua mão, mas também não da para aborta, é meu filho também e eu nunca deixaria você fazer isso com ele.

Ela se calou e ficou fitando ele, se deu conta que ela seria mãe e ele seria pai, eles criaram uma coisinha juntos, ela se viu pensando como poderia ser o rostinho do filho deles. Ela sentiu algo dentro de si, um sentimento bom e reconfortante. Ela começou a chorar.

— O que foi dessa vez? – Alan perguntou.

— Eu vou ser mãe – a mulher declarou com as lágrimas se intensificando.

— E eu pai. – Não podia chamar aquilo de sorriso, mas ele estava feliz.

Ela chorou por algum tempo com o rosto encostado no ombro dele, chorou de felicidade, de emoção, nunca se imaginou tendo um filho ainda mais ele sendo do General, e não acreditava que tudo isso estava acontecendo ainda mais que um dia poderia dizer que o amava, não era apenas atração era um amor, crescia a cada dia, a cada hora, a cada segundo. Mary e todos que disseram que isso ia acabar acontecendo estavam certos ela o amava, mas será que ele a amava?

Criou coragem enquanto o choro parava, olhou para ele e falou.

“Eu te amo, por tudo que me deu, por tudo que és para mim. Eu te amo por ter me salvado”.

E voltou a abraça-lo com força. Ele também disse o mesmo, mas nem um pode ouvir os pensamentos do outro, mas cumplicidade que os dois tinham não deixava enganar o a mo se fazia presente a cada minuto entre os dois. Ninguém pode dizer o exato momento em que tudo isso aconteceu, mas aconteceu e um fruto desse amor estava para vim, um dos vários futuros.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!