Too Easy

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Eu me recuso a fazer notas sensacionais numa Oneshot, vai ficar maior que a história. Tenha dó, viu...

A garota esticou o pescoço para espiar a cena na sala. Os gritos horrendos que não conheciam barreiras, a mulher jogada no chão sangrando, o homem vermelho tropeçando nas próprias pernas.

Ela engatinha o caminho até o telefone na cozinha, esperando não ser vista, desejando que os gritos continuassem lhe dando o abrigo necessário. Ela vê pelo canto dos olhos a mulher olhar tentativamente para a faca largada no chão, vê o homem sentar ruidosamente alheio a qualquer mudança na esposa.

“Smokey Joe you're calling at the station,
"If I kill him there are complications"
I did not ask for this
"Oh but Love yes you did"

A mulher envolve o cabo da faca quase como se agarrasse um sonho, o telefone para no ar preso no braço imóvel da menina, a mulher parece temer o próprio braço quase incerta de como a faca havia chegado em sua mão. A garota apenas estreita os olhos e passa os olhos maliciosamente no homem. Tão fácil desejar o mal.

“It's too easy

It's too easy

to wish you harm

It's too easy”

A mulher parece ainda mais aterrorizada com a faca, mas ainda observa o objeto dubiamente, lutando consigo mesma.

"If I kill him there are complications"
O homem tenta se pôr de pé novamente e a mulher cuidadosamente esconde a faca atrás do corpo machucado, ignorante da presença da garota, talvez tão machucada quanto a mulher. Diferente da menor, ela ainda tenta argumentar.

“maybe it terrifies me
this quiet siege
maybe it terrifies me”

O homem ainda bambeia mas consegue se aproximar o suficiente para agarrar os cabelos da mulher, a garota se encolhe e o telefone volta a se mover as teclas sendo apertadas lentamente, ela ainda espera uma reação. Como que em resposta a um pedido não feito os olhos da mulher da brilham. O homem nota, tomando o brilho como ofensa ele mira um bem sucedido chute no estômago da mulher caída. Só a garota pode ver a faca sendo revirada com malícia.

“My dark twin
the annihilating Feminine
does not need
civilizing”

No Segundo chute a mulher finalmente reage, puxando a faca em ameaça. O homem não recua, apenas sorri em deboche, cantando sua coragem a covardia da oponente. Acha que não pode morrer. Não teme a morte.

"It is a coward who will say he's not afraid
of dying when clearly he is potently alive"

Segundos depois ele deseja que tivesse temido, a lâmina entra primeiro na perna e depois reavivada continua a perfurar a carne, buscando sangue. Conseguindo. Ele tomba, incapaz de diferenciar o gosto da lâmina encostada a boca do sangue engolfado aos goles. Quem diria que alguém tão ruim poderia conter tanto sangue, afinal.

Os olhos quase sem vida finalmente vislumbram a criança, fixando-se na garota, pedindo interferência. A luz no olhos da garota e o telefone novamente parado perdidos aos sentidos quase mortos. E ambas as mulheres desejam de vê-lo atravessado, sem vida, cruzando o mítico rio Estige para os braços de Hades.

“It's too easy
It's too easy
to wish you harm
It's too easy
you through black ice
at the bottom of the river”

A mulher finalmente a nota ali, o sangue ainda espalhado no chão, a casca do que havia sido uma pessoa largada no chão. O mesmo brilho passa dos olhos da mulher, a menina teme pela própria vida diante da visão da mulher.

“maybe it terrifies me
this quiet siege
maybe it terrifies me”

Mas a faca caí ao lado da mulher, ela parece perceber a situação. Os olhos focam na garota segundos depois, enlouquecidos, já sem o brilho maníaco. A menina se considera abençoada, deixa o telefone cair, corre o mais rápido possível para a porta, se atira na rua.

De repente livre, sábia, alerta. E as feridas não parecem mais incomodar.

Não nota a sola dos pés banhadas em sangue. A mente repassando a cena incontáveis vezes, tem de ir embora.

“you have been blessed now go be wise.”

Corre até a delegacia, inconsciente do destino até muito tempo depois. Até ouvir o telefone tocando e a multidão agitada movendo-se em espera do juízo final. O telefone da delegacia continua tocando. O toque fica gravado, encravado em cada parte do seu ser. Não está mais aterrorizada. Mas o telefone continua tocando.

“Smokey Joe is calling at the station,

calling at the station.”

Notas finais
Aconselho que ouçam "Smokey Joe"- Tori Amos.
Música sensacional, cantora incrível. Me mata que as pessoas adorem (coloque o nome de algum cantor famoso que vocês não considerem grande coisa aqui) se digam fãs de boa música (sim vocês que se acham incríveis e dizem gostar apenas de Rock e nunca nem ouviram falar de Greg Lyn...) e jamais tenham escutado Tori Amos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!