Notas iniciais
Pessoal, foi mal a demora. Ainda estou sem net, mas dei um jeito de postar o capítulo. Não estou mais tão ocupado, vou tentar postar o próximo o mais rápido possível.

- Tashiiiiiigi! Está tudo tão perfeito! Eu vou à festa com meu príncipe encantado, você vai com o Zoro, não podia estar me...

- O-o qu-que – Tashigi tentava falar enquanto engasgava com a maçã que estava comendo – E-eu e o Zo-Zoro-san?

Perona arregalou os olhos

- Não, espera, por um acaso você está me dizendo que ainda não convidou o Zoro? – A garota falava incrédula, enquanto a novata voltava a tossir engasgada – Tashigi! Hoje já é quarta-feira!

- P-Pe-Perona! De onde foi que você tirou essa idéia totalmente sem cabimento de que eu iria convidar o Zoro-san para ir à festa?

- Ah, ta bom, você vai perder seu tempo tentando negar o que está estampado na sua cara? Tashigi, você está caidinha por ele. –

Tashigi voltou a tossir, e então desistiu de terminar de comer a maçã

- Isso não tem a mínima graça. Eu não sei do que você está falando.

- Tudo bem que ele é meio esquisito com aquele jeito dele lá – A veterana voltou a falar ignorando o ultimo comentário da amiga – Mas, vamos combinar, não é de se jogar fora...

- Perona!

- Ta! Ta bom...mas eu vou falar só mais uma coisa...é melhor você se apressar e ir convidar ele. Faltam só alguns dias para a festa e você precisa de um par

- Eu não...tinha pensado nisso.

- Você quer que eu fale com ele pra você...eu posso pergun...

- Não! Não, pelo amor de Deus. – Tashigi interrompeu a parceira de projeto – Imagina...o que ele iria pensar se você fizesse isso...que eu sou uma medrosa...

- Então você vai falar com ele?

- Eu...posso ir com outra pessoa...quem foi que disse que eu tinha que ir com ele? – Tashigi tentava arranjar uma desculpa

- Ah, é...outra pessoa. Quem? – Perona não dava credibilidade às palavras da novata

- O-o...o...o Sanji-san, por exemplo. Ele é sempre muito gentil comigo e...

- Tashigi, eu acho que você deve ser a pessoa mais ingênua da face da terra – Dessa vez foi a veterana quem não deixou a amiga completar a frase – O Sanji é o maior mulherengo dessa escola, todo mundo sabe disso. Ele galanteia e joga charme para todas as meninas do colégio.

Tashigi sabia disso, ela só estava tentando disfarçar o fato de que Zoro era realmente sua única opção.

- Ta, ta, eu...eu não sei...vou pensar nisso. Tá vendo? Eu sabia que aceitar ir a essa festa foi um erro desde o começo – A garota falava contrariada

- É o que vamos ver...

Então, a dupla parou de falar, pois a professora Hancock tinha entrado na sala. As duas haviam escolhido Dança como atividade extracurricular para o projeto, já que Tashigi já estava inscrita nas aulas.

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- Eu vou com a Robin, chamei ela ontem – Yass informava seu par a Zoro

- A Robin? Vocês estão...

- Não, não...nada disso... – Yass interrompeu o amigo ao entender o que ele queria dizer – O lance é que...bom, eu não estou vendo uma namorada aqui do meu lado, você está? Então, a Robin está na mesma situação, somos amigos, vamos juntos, nada demais.

- Ah, certo.

- E você, chamou quem?

-Ainda não falei com ninguém – Zoro falou de forma direta, após tomar um gole da sua água

- Ihhh, ta se achando é? – O monitor falava em tom de deboche – Ta esperando a donzela montada num cavalo vir convidar o príncipe encantado preso na torre?

- Não, não é nada disso. – Ele respondeu sem dar bola à provocação do amigo – É que...eu... – O marimo fez uma pausa, suspirou, bebeu água antes de terminar a frase quando Yass falou de repente:

- Ainda não tomou coragem pra convidar a Nami – Disse de forma rápida e segura

Zoro cuspiu toda a água que estava na sua boca. Precisou de um momento pra se recompor e então voltou a falar:

- Voce ficou doido de vez? – Perguntou enquanto tentava limpar a bagunça que tinha feito com a água

- Ah, sério isso? Esse drama todo? Entre a gente? Fala sério

Zoro parou. Ele sabia que Yass estava certo, não havia sentido em tentar esconder as coisas do amigo daquele jeito.

- Ta, ta certo...a Nami...realmente...chama minha atenção – Admitiu o veterano

- Chama atenção? Ta bom... – O líder dos monitores respondeu sem dar crédito ao que o colega de turma havia dito

- Não, sério...ela chama minha atenção. É só disso que eu tenho certeza. Eu sinto alguma coisa diferente em relação a ela, mas ainda estou sem entender essa situação, ainda não sei o que é. Por tanto, tudo o que eu posso falar é que ela chama minha atenção, ou você vai querer me dizer que eu estou apaixonado? Fala sério – Zoro explicou tudo ao amigo



- Ta, ta bom. – Yass realmente não achava que o marimo pudesse ter se apaixonado tão rápido. Aquilo poderia acontecer com todas as pessoas do mundo, menos com ele – Mas é melhor você resolver logo tudo isso porque a festa já está batendo na porta – O monitor deu o aviso

Zoro suspirou, levando a mão à testa de modo que apoiasse a cabeça. O garoto sabia que aquilo não seria nada fácil.

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- Eu não posso acreditar que você ainda não se decidiu, Nami! Já vai fazer uma semana que o coitado do Law fez essa proposta e nada de resposta. Imagina a aflição que ele deve estar agora...

- Mas, Vivi, o que é que você quer que eu faça? Eu ainda não tenho certeza, e se eu apressar as coisas eu tenho certeza de que vou me arrepender...

- Esses cinco dias não foram o suficiente pra você se decidir? Mas o que é que você está esperando, afinal? – Vivi não acreditava que Nami ainda não tinha falado com Law

- O idiota do Zoro! Eu to esperando o idiota do Zoro fazer alguma coisa, dar algum sinal, o mínimo que seja, de que ele reconhece a minha existência! Nós estamos grudados por mais de 10 horas por dia há quase duas semanas, e ele não deu nem uma luz! Na verdade, eu sou a idiota, sou eu quem estive fantasiando esse tempo todo, ele nunca se mostrou interessado em mim desde o começo, por que é eu estou esperando algum movimento da parte dele então?

Vivi se arrependeu de ter cobrado a amiga, estava morrendo de pena da situação da novata

- Bem, agora que você falou isso, eu...

- Você viu, Vivi, a gente tava com você fazendo os trabalhos do monitores esses dias. Você viu como ele super prestava atenção em mim, não é? – Falou Nami com ironia

- Ehr...eu acho melhor você...

- Sabe de uma coisa? Eu vou dizer “sim’’ ao Law, vou aceitar a proposta dele e vou com ele à festa. Pronto, acabo com dois problemas de uma vez só

Vivi teve uma leve surpresa com a decisão repentina da amiga. A garota havia entendido o motivo de Nami estar indecisa, por isso queria perguntar se ela estava realmente certa da escolha, mas, no fundo, até mesmo Vivi não tinha esperança de que Zoro fosse dar algum sinal de que ele estivesse interessado em um relacionamento com a novata, então, desistiu de falar qualquer coisa que pudesse fazer Nami mudar de idéia, justo agora que ela já tinha se decido. Assim, a veterana mudou a pergunta:

- E quando é que você vai fazer isso? Hoje?

- Não, hoje não dá. Ele vai ter que correr pro hospital depois da aula com o Yass. Mas amanhã na hora do intervalo a gente conversa. – Nami falava determinada – É, amanhã...sem falta.

- Então tá, ótimo assim -A monitora se mostrava mais aliviada com a decisão da amiga

- Isso. Chega dessa conversa. Vamos mudar de assunto...e você e o Luffy, como estão?

- Ainda não falei com ele desde que eu chamei pra ir à festa comigo. Não acho ele em lugar nenhum e ele não me procurou. Mas deve só estar ocupado.

- É, novatos sempre são mais ocupados, principalmente no início do ano.

- Nossa, Nami, eu estou tão feliz que ele aceitou...ele é tão fofo .

- Vocês formam um ótimo casal...acho que não vai demorar pra ele te pedir em namoro. Ainda mais com vocês indo juntos á essa festa. Você sabe que festas são o melhor catalisador não-alcoólico pra relacionamentos, não é?

- Hahaha, tomara que você esteja certa

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- Desculpe o atraso, eu tive que levar um relatório dos monitores na sala do Crocodile e ele ficou falando comigo por dez minutos – Yass se justificava enquanto se aproximava de Law no estacionamento da escola

- Não tem problema, estamos no horário... Vamos nessa?

- Vamos. – O monitor falou positivamente enquanto abria o carro para Law entrar. Sentou-se no banco do motorista e logo o New Civic do terceiranista veterano havia saído do estacionamento, indo em direção ao hospital.

A instituição que a dupla havia escolhido, na verdade, que Yass havia escolhido, era o maior centro médico da região, o Hospital da Universidade de Loguetown. O lugar dispunha de uma clínica destinada ao atendimento ás pessoas sem condições para pagar o tratamento e os remédios muito caros. A dupla fazia pequenos trabalhos como criar o registro dos novos pacientes na clínica, guiá-los às devidas salas onde seriam atendidos, distribuir senha e horários e organizar a sala de espera.

O caminho da escola até o hospital não era longo. O trânsito na cidade estava tranqüilo. Os garotos conversavam banalidades até que Yass percebeu que o parceiro estava diferente do usual e então perguntou:

- Ta tudo bem com você? Você ta quieto, falando pouco... ta diferente...

- Ta tudo certo, sim. Só os velhos problemas de sempre

- Mulheres?

- Mulher. Singular. Lembra da garota pela qual eu ganhei um olho roxo?

- Lembro

- Há alguns dias eu falei com ela sobre darmos o próximo passo na nossa relação. Mas ainda não recebi nem um sinal de resposta

- Próximo passo seria o passo que envolve uma cama?

- Não. Próximo passo seria o primeiro passo de todos. Mesmo. Ainda não passamos de bons amigos.

- Bons amigos que já se beijaram...

- Bons amigos que já se beijaram – O novato repetiu a fim de fixar a afirmação.

Os garotos chegaram ao hospital e seguiram o caminho até a clínica. Enquanto andavam, a dupla passou por um quarto de leito na Unidade de Terapia Intensiva, onde um paciente havia sofrido uma parada cardíaca e a equipe médica tentava o reanimar. Após algumas tentativas frustradas, o médico responsável anunciou a hora da morte, e o restante da equipe começou os preparativos para lidar com o corpo e informar á família. Era a primeira vez que Law via a morte tão de perto. O garoto não era de se impressionar fácil, mas, dessa vez, mal conseguia voltar a si mesmo. O que o espantava não era o falecimento do paciente, mas a forma natural como a as pessoas envolvidas reagiam. Nenhum sentimento, nenhum diálogo. Pareciam robôs programados para fazer seu trabalho e somente seguir em frente após um salvamento, ou após uma perda. Ao olhar para frente, o estudante novato viu um Yass tão natural quanto a equipe médica. O monitor continuava a andar em direção à clínica, agia como se já estivesse acostumado àquilo que acabaram de presenciar. Law sabia que cenas como aquela eram extremamente normais em um hospital, e que a robotização dos médicos e enfermeiros era tão normal quanto, mas seu parceiro de projeto se mostrava igualmente frio. Será que a morte deixou de ser algo impactante e ele não havia percebido? O terceiranista se perguntava.

Law se juntou a Yass e logo chegaram à clínica. Passaram a tarde fazendo os trabalhos simples, mas que eram de grande ajuda. Ao fim do dia, já no carro de volta à escola, a dupla conversava:

- Você visita muito hospitais? – O novato perguntou tentando entender o comportamento do colega mais cedo

- Não, geralmente eu não tenho tempo, mas por que a pergunta?

- É que...você parecia tão natural hoje diante da morte daquele cara...parecia que já estava acostumado a essas coisas...

Yass não respondeu de imediato, o olhar estava fixo na pista a frente. Após alguns instantes de silêncio, o veterano se pronunciou:

- Quando eu tinha uns 10 anos, eu e meu pai fomos ao banco. Sabe quando você é criança e quer sempre se meter nos assuntos de gente grande? Eu era assim o tempo todo. Estávamos na fila de um dos caixas, num dia tranqüilo, sem nada de anormal. Até que um grupo de assaltantes entrou no banco. Eles renderam os seguranças e anunciaram o assalto e que todos nós éramos reféns. Houve uma manifestação das pessoas em pânico, mas que foi rapidamente controlada pelos criminosos. Meu pai me segurava o tempo todo, firme. Ele dizia que não era para eu me preocupar que tudo ia acabar bem. Eu lembro que eu estava apavorado.

Law ouvia atentamente às palavras da dupla, que continuava:

- Depois de um tempo, a polícia chegou e eles iniciaram as negociações. Os ladrões começaram a liberar os reféns pouco a pouco até que libertaram meu pai, mas não queriam me deixar ir. Meu velho se recusava a ir sem mim, tentou a força voltar para onde eu estava, mas estava sendo arrastado pelos assaltantes. Um deles bateu com a arma na cabeça dele, deixando-o inconsciente. Eu chorava muito. As outras pessoas que estavam sendo libertadas junto com meu pai o levaram pra fora. No fim, só restavam eu e um senhor de aproximadamente quarenta anos. Ele tentava me acalmar dizendo que não iria deixar que os bandidos fizessem nada de mal a mim. Foi quando a polícia e os assaltantes começaram uma troca de tiros. O senhor me encobriu totalmente, formando um escudo para que nenhuma bala perdida pudesse me atingir. Eu tapava meus ouvidos para não ouvir o som dos disparos. Não adiantava muito, é claro. Quando a zoada cessou, eu me afastei um pouco da envoltura do senhor para poder olhá-lo. Ele me perguntou eu estava bem, e quando eu ia abrir a boca pra responder, uma rajada de sangue jorrou da boca dele melando meu rosto e minha camisa. O senhor havia sido atingido por uma bala nas costas. Tudo que eu consegui fazer foi balançar positivamente a cabeça, respondendo à pergunta que ele havia me feito. Ele, então, desmoronou pro lado, ainda com vida. Eu tentei segurar ele, manchando minhas mãos em seu sangue. Mas segurá-lo era tudo que eu podia fazer. O senhor que havia salvado minha vida estava morrendo bem na minha frente e eu não podia ajudar em nada.

O novato mal piscava ao ouvir tudo aquilo. Yass prosseguiu:

- Eu era uma criança de dez anos e me sentia a pessoa mais impotente do mundo naquele momento. Quando a polícia entrou no banco, após terem se saído melhor na troca de tiros, já era tarde demais. Ele havia morrido. Suas ultimas palavras foram: ‘’Que bom que nada te aconteceu’’. Desde então eu resolvi que nunca iria passar por aquilo de novo e que iria ser um cirurgião. É por isso. É por isso que eu já sou familiar com a morte.

Os olhos de Law estavam arregalados. O garoto estava totalmente espantado com a historia do parceiro. Jamais teria imaginado que Yass havia passado por aquela situação. Ele não tinha idéia do que falar naquele momento e sabia que qualquer coisa que falasse ali seria inútil. Então, o novato voltou-se para frente e ficou em silêncio o resto do caminho de volta.