Too Close For Comfort
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Sabe quando você sente que o chão sumiu embaixo dos seus pés? E que todo o ar acabou? É exatamente o que estou sentindo agora, pode parecer gay para um garoto, mas essa era a total verdade. Eu estava de frente para ela, os olhos azuis elétricos me encaravam cheios d’água, mas ela não se permitiria chorar, não na minha frente. Entenda, Thalia nunca foi uma garota comum, ela era diferente de todas, forte, determinada e sempre que eu falava na palavra “namoro” ela me cortava de modo simples e sutil. Havia algo que ela não estava querendo contar, e eu queria saber mais sobre ela, queria saber mais sobre a garota que me deixava noites sem dormir.
_ Thalia eu...
_ não! Não diga mais nada Luke, acabou.
_ por favor, apenas leia esse papel – ela suspirou fortemente e me deixou sozinho naquele parque.
Quem visse aquela cena, ficaria com pena de mim, mas não era isso que eu precisava, cansado de ficar ali parado feita uma estatua, eu simplesmente andei até meu carro e segui para casa, quando abri a porta do apartamento, absolutamente tudo me lembrava ela. Na minha própria casa, eu bufei irritado e fui para a cozinha, peguei uma garrafa de vodca e fui pro quarto. Nada melhor que encher a cara quando se termina um relacionamento, o meu travesseiro tinha seu perfume.
_ MAS QUE INFERNO! – eu o taquei longe, ele bateu na mesa do computador, derrubando alguma coisa de vidro, levantei e fui ver o que era. uma foto... Minha e de Thalia, do dia em que viajamos para o litoral, só para ver o por do sol.
*Flashback*
Nós corríamos pela areia, riamos tanto que quase não conseguíamos correr, até que eu fingi que cansei e ela se aproximou. Eu a agarrei pela cintura e ela gritou assustada.
_ Luke! – ela sorriu e ficou me olhando, eu simplesmente me perdia naqueles lindos olhos – eu te amo! – eu sorri bobo e a beijei.
_ eu também te amo Thalia!
Depois do momento mimimi, nós continuamos brincando na areia, eu a deixei desenhando e fui mergulhar, quando estava voltando, vi Thalia admirar algo que havia escrito e sorrir pra mim. Eu me surpreendi quando estava escrito: Thalia ♥ Luke
Eu a beijei enquanto o mar apagava a parte de cima de nossos nomes, seria algo que eu lembraria sempre.
*Flashback off*
Eu havia acabado com a garrafa de vodca entre uma lembrança e outra, minha cabeça doía muito, eu fechei os olhos sentindo certo alivio ao fazer isso, alivio do meu corpo e não da minha mente. O rosto dela, o sorriso, a voz, tudo ficava na minha mente, até eu pegar no sono.
– Thalia Narrando-
Eu havia chego em casa fazia uns dez minutos, e o bilhete que Luke havia me entregue estava em cima da mesa de centro desde então. Eu encarava o pedaço de papel dobrado de qualquer jeito tinha dez minutos. Aquilo iria me perseguir eternamente, era melhor acabar logo. Eu suspirei e peguei, e comecei a ler.
“Nunca quis dizer as coisas que eu disse, para fazer você chorar, posso dizer que sinto muito? É difícil esquecer e sim, eu me arrependo, de todos esses erros. Eu não sei por que você está me deixando, mas eu sei que você deve ter suas razões. Há lágrimas em seus olhos, eu assisto enquanto você chora, mas está ficando tarde. Eu estava invadindo seus segredos? Eu estava perigosamente perto? Você está me afastando quando eu quero entrar. O que eu estava a ponto de descobrir, quando eu cheguei perigosamente perto? Acho que nunca saberei.
Lembra quando escreveu nossos nomes na areia e você disse que me amava. E agora eu descubro que você mudou de ideia, estou perdido nas palavras. E tudo o que eu sinto por você, eu escrevi em um pedaço de papel, esse que esta na sua mão, você não entenderá, o quanto dói eu te deixar (...) Todo esse tempo, você esteve me dizendo mentiras, escondidas em bolsas que estão debaixo de seus olhos, e quando eu te perguntei. Você sabia que estava certo. Mas se você descontar em mim agora, quando eu mais preciso de você, mas você só me desaponta. Você não vai pensar sobre o que está prestes a fazer, pra me deixar pra baixo? Eu estava perigosamente perto Thalia? É, eu acho que nunca saberei”
Ao final daquela carta, eu já estava chorando, eu não queria, mas era preciso... Sei que Luke ficaria melhor sem mim! Eu amassei o papel e joguei longe. Eu peguei o telefone e disquei os números tão conhecidos por mim. Chamou, chamou, chamou e caiu na secretaria eletrônica...
_ Luke! Eu sei que você está aí, sei que está me ouvindo e que não atende essa droga de telefone por puro orgulho. Mas me ouça, eu... Isso é difícil pra mim ok? Simplesmente não da mais pra mim, você nunca me decepcionou Luke, nunca! E eu infelizmente terei que fazer isso com você. Me perdoa! Adeus – eu desliguei o telefone.
– Luke Narrando-
Eu ouvia o telefone tocar, mas eu não queria levantar, a pessoa insistiu tanto que eu levantei correndo, quando cheguei na sala, caiu na secretaria e a voz dela ecoou pelo cômodo silencioso.
_ droga Thalia! – eu gritei socando a parede. Entrei no banheiro e tomei um banho rápido, querendo tirar a ressaca, mas a verdade era que eu ainda estava um pouco bêbado. Coloquei uma roupa qualquer e saí. Eu dirigia em alta velocidade em direção a casa dela. Quando eu virei a avenida, de frente para a rua dela, a vi andando na rua, cabisbaixa. Eu acelerei mais, e depois eu não sei o que aconteceu, tudo escureceu.
– Thalia Narrando-
Eu andava pela rua, quando houve um acidente... Aquele carro! Eu conhecia aquele carro! Eu corri na direção do acidente, querendo não acreditar, mas quando eu cheguei mais perto, eu o vi. Metade de seu corpo pra fora do vidro e a outra dentro do carro, ele estava com a cabeça suja de sangue e desacordado.
_ LUKE! – eu gritei e me aproximei do carro – Luke, por favor, acorda – o desespero bateu, eu não sabia o que fazer, minhas mãos tremiam e eu só fiquei lá, parada, chorando tentando acreditar que aquilo era um sonho.
_ senhorita, se afaste, por favor – ouvi uma voz ao longe, meus olhos estavam embaçados por causa das lagrimas – senhorita!
_ sim? – já havia ambulância e o corpo de bombeiros no local
_ afaste-se para removermos o rapaz – eu assenti e voltei para a calçada.
Eles tiraram Luke com todo cuidado e o colocaram na ambulância, e seguiram para o hospital, um bombeiro se aproximou e perguntou:
_ você conhecia o rapaz do carro? – eu o olhei desolada e afirmei
_ era meu... – eu deixei a frase morrer, Luke não era mais nada meu aquela altura do campeonato. Eu continuei olhando para o chão, sem saber o que fazer.
_ você está bem? – o bombeiro perguntou
_ sim, eu vou... Pro hospital, obrigada – eu andei em direção a minha casa novamente, para pegar a carteira e ir para o hospital.
Horas se passaram e eu ainda não havia tido uma noticia se quer de Luke, eu estava sozinha naquele corredor enlouquecedor. Nenhum medico, enfermeiro, ninguém passava por ali. Eu estava quase desistindo e indo perturbar a recepcionista pela milionésima vez, quando um medico parou em minha frente.
_ Doutor? Como ele está? – havia certo desespero em minha voz, e talvez ate arrependimento.
_ eu sinto muito, mas, ele está em coma. Não sabemos quando irá acordar, o acidente foi realmente feio, ele teve traumatismo craniano, algumas costelas quebradas e o fêmur fraturado. – o chão acabara de se abrir sob meus pés, eu não sei descrever o que sentia naquele momento. Tristeza? Arrependimento? Talvez
_ eu posso, por favor, pelo menos vê-lo?
_ sim claro. Com licença, eu preciso ir ver outros pacientes – o medico me deixou sozinha novamente naquele corredor, agora de frente para a porta do quarto, onde me disseram que ele estava. Girei lentamente a maçaneta, rezando para que quando entrasse Luke já estaria acordado, mas a cena que eu vi partiu imensamente meu coração. Lá estava ele, meu Luke, meu querido e amado Luke, aquele no qual eu magoei e por minha culpa estava naquela situação. Ele estava deitado naquele leito, com tubos na garganta e no nariz, os cabelos cor de areia caídos na testa com algumas pontas sujas de sangue, pálido, com uma expressão serena.
Eu me aproximei e toquei sua mão fria, suspirei e me sentei na beirada da cama.
_ eu acho que você deveria saber... O real motivo de eu ter terminado tudo, eu tenho medo Luke, medo de me magoar de novo, medo de ser vulnerável demais. Esse era o meu segredo, que eu vivia escondendo de você. Me perdoa Luke... Eu realmente espero que um dia, nos encontremos novamente. – eu falava com certa dificuldade porque estava chorando – eu te amo! – eu dei-lhe um beijo no canto dos lábios e dei-lhe meio que um abraço sem jeito – adeus Luke, boa sorte, volte logo querido. – suspirei e saí do hospital, saí da vida de Luke, talvez para sempre, ou talvez não.
É, eu sei que você provavelmente irá me xingar por não ficar com ele no hospital, já que ele estava daquele estado por minha culpa. Mas eu não poderia causá-lo mais sofrimento. Tudo o que fiz, foi por ele.
Dois anos depois...
– Luke Narrando-
Eu entrei em uma cafeteria e pedi um cappuccino, minutos depois, uma pessoa extremamente conhecida por mim, que eu não via há tempos, entrou na mesma cafeteria. Destino? Coincidência? Eu não sei, talvez.
Eu não me movi, continuei tomando meu cappuccino tranquilamente, eu sentia seu olhar sobre mim, até que então retribui. Ela estava mais bonita do que me lembrava, ela sorriu e me chamou com a mão. Eu me levantei e me sentei em sua mesa.
_ Olá Thalia – sorri de lado
_ Luke! Como você está?
_ melhor impossível – conversamos sobre coisas aleatórias, sem relembrar o passado e sem tocar no assunto acidente, no qual eu fiquei sete meses em coma e com uma cicatriz nada bonita na coxa. Depois de alguns minutos, eu olhei o relógio e disse – me desculpe Thalia, mas eu tenho que ir...
_ ah tudo bem! – ela pegou um pedaço de papel, escreveu algo e me entregou.
_ até mais – eu peguei o papel e saí.
A noite, depois de chegar do trabalho, fui tirar o celular do bolso e um papel caiu no chão, eu o peguei e tinha escrito um numero de celular e embaixo: Me liga qualquer hora, precisamos colocar o papo em dia... xxx Thalia.
Eu sorri maroto discando os números que estavam no papel...
_ Thalia? Oi, sou eu... Que tal um pub mais tarde?
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