Too Close For Comfort
2 Me recuperando de uma queda.
-AI MEU CABELO! –Eu estava na cozinha preparando um milk-shake em quanto escutava Leticia dar seus gritos escandalosos como sempre.
-Bella, você tá bem...?-Anne falou entrando na cozinha e chegando perto de mim pra olhar pro meu rosto.
-Não. –Falei meio magoada e ouvi Leticia e Evelyn entrarem na cozinha dando aquelas gargalhadas altas. –Minha cabeça doí com esses gritos de jegue de vocês! –Me virei pra elas e as encarei, nós estávamos usando pijamas iguais, camisolas rosas e curtas e com rendas em baixo e claro o famoso ursinho rosa que estava mais pra bicho papão, e tomando milk-shakes do mesmos sabores, isso era patético, quando foi que chegamos aquilo?
-Nossa! Olha pra sua cara, você tá horrível! –Leticia falou pegando um espelho em cima do balcão e enfiando na minha cara para refletir meu rosto. Eu estava realmente horrível, parecia que eu estava doente ou coisa pior, tinha olheiras em baixo dos meus olhos e eu estava meio verde.
-LETICIA! –Anne exclamou me fazendo pular de susto.
-NÃO! Não ela, tem razão... Eu já devia ter superado isso, já se passou 2 meses e eu... –Travei ao dizer a ultima frase, se continuasse eu ia seilá, desabar no choro.
-É, você tem razão, se você ta assim agora eu não quero nem ver semana que vem quando você ver ele e... –Evelyn dizia mexendo nos seus cabelos e olhando para o balcão pensativa.
-CALEM A BOCA VOCÊS! –Anne gritou me fazendo rir.
-É, calem essas matracas que eu já estou enlouquecendo... –Eu gargalhei verdadeiramente em 2 meses. –Venham o lanche já está pronto! –Eu falei colocando milk-shake nos últimos copos e escutando aquelas retardadas gritarem igual umas loucas, fala sério, parecia que agente estava numa festa infantil.
Fomos para a sala, eu havia preparado sanduíches de manteiga, pipoca de doce e sal e milk-shakes de morango, depois do que havia acontecido naquele trágico dia nós fazíamos isso com frequência, sempre assistindo um filme ou algo assim. Já era quase duas da manhã e eu não me sentia mole ou sonolenta como de costume, acho que me acostumei depois das noites mal dormidas nos últimos 2 meses.
Meu pai havia viajado com a minha “Madrasta” que parar falar a verdade era pessoa que mais tinha vontade de matar naquele momento, minha mãe estava no Canadá e minha “IRMONSTRA” tinha que ficar a muitos metros de distancia de mim antes que eu a matasse, aliás, foi ela que causou toda aquela dor que eu sentia naquele momento.
Apagamos as luzes e nos sentamos, enquanto Anne mechia no controle da televisão.
-Que filme agente vai ver mesmo? –Leticia perguntou passando um gloss no escuro.
-Você tá mesmo passando gloss? –Evelyn perguntou sem responder a pergunta de Leticia, que somente confirmou com a cabeça. –Madrugada dos mortos, respondendo sua pergunta.
-Mais esse filme é ridículo, tem certeza? –Perguntei fazendo cara de nojo.
-Tenho, você vai gostar depois, sério. –Anne falou com um sorriso no rosto e apertando alguns botões dando indicio de que o filme iria começar, mas... Aquela frase me doeu o coração, me trouxe lembranças que não eram pra serem lembradas naquele momento:
“-Mas de volta para o futuro é ridículo, você te certeza? –Dei um sorriso meio sapeca abraçando Tom e sentindo seu perfume de bebê.
-Tenho e não é ridículo! –Ele me deu um beijo na testa. –Você vai gostar depois, sério. –Ele deu um sorrisinho que destacou sua covinha...”
-BELLA...? –Olhei pros lados e deu de cara com a Leticia estralando os dedos na frente do meu rosto tentando chamar minha atenção, Anne e Evelyn também me observavam de boca aberta e o filme havia acabado de começar.
-O que? –Me fiz de desentendida.
-A terra tá... Te chamando. –Anne levantou a sombracelha e eu senti que iria chorar, eu sentia muita, mais muita dor no coração.
-Não é nada é só que... EU NÃO VOU AGUENTAR ISSO POR MUITO TEMPO! –Lágrimas começaram a cair do meu rosto e então eu percebi o quanto eu era depressiva, meu deus, aquilo era desesperador. –Eu vou dormir e vocês... Podem ficar ai tá? –Me levantei cambaleando e subi as escadas correndo, ouvi Anne me gritar mais e daí? Eu estava sendo dramática, até parece que eu ia mesmo olhar para trás.
Depois de 5 minutos de drama dentro do meu quarto, eu percebi que eu sei chorar rápido demais e então alguém bateu na porta.
-EU NÃO VOU ABRIR, VOLTEM A VER O FILME DE VOCÊS! –Gritei mal-humorada mais sabia que no fundo era o drama que atingia meu espirito.
-Olha... Sou eu tá? Vim pegar o resto das minhas roupas e eu acho bom você abrir se não eu ligo pro papai. –A voz que eu menos queria ouvir no mundo falou através da porta e eu senti meu coração pesar ainda mais, eu poderia matar aquela garota. Fui com passos pesados até a porta e abri dando de cara com o cão. –Olha aqui Michelle, você não tem mão não?
-E já não te basta o papai ter me hospedado em hotel só pra mim ficar longe de você? Ele tem medo que você me mate e eu também, você é tão... Estranha. –Michelle pôs as mãos na cintura e eu senti aquele cheiro de chiclete de morango que ela tinha, ela usava um vestido rosa florido e uma sapatilha bege, tipo bem patricinha mesmo... Os seus cabelos loiros batiam na cintura e seus olhos azuis eram meigos, ela usava um gloss rosa choque e fazia cara de fresca. Ela parecia um anjo, mais só parecia por que, pra falar a verdade ela era o contrário de anjo.
-Ele não é o seu pai, ele é o meu pai! E ele não está com medo de mim te matar, eles está com medo de mim ser presa por ter te matado! –Coloquei as mãos nas cinturas e fiz a mesma cara de fresca que ela, provocando-a. — As chaves já estão na porta e você tem mãos e pernas para pegar tudo o que você quiser naquele seu quarto irritante com pôsteres da Hillary Duff!
-Sua cara tá péssima... Mais gostei do seu perfume! –Ela jogou a cabeça de lado tentando me observar um pouco mais.
-Obrigada e eu odiei o seu... Fala sério você tem cheiro de goma de mascar! –Falei gargalhando, nossa... Como eu adorava aquilo.
-Eu não te perguntei. –Ela me olhou séria.
-Então morra, por favor. –Falei dando um sorriso falso e fechando a porta na cara dela. Assim que fechei a porta não aguentei, tive que dá pelo menos um sorriso.
Uns 20 min. Se passaram, e eu achei melhor sair daquele quarto, ela devia ter ido embora, não seria possível que ela fosse mais lerda do que eu pensava. Abri a porta devagar e coloquei minha cabeça do lado de fora, olhei para os lados e estava silêncio total no corredor, nenhum sinal dela, respirei fundo e sai do quarto.
Desci as escadas que eram cobertas por um longo tapete bege florido, virei em direção à cozinha e encontrei as meninas, sentadas nas cadeiras e conversavam baixinho.
-Bom... Muito obrigado por me avisarem que a minha maior inimiga está aqui. –Dei um sorriso e me sentei ao lado de Evelyn e em frente á Anne e Leticia.
-Agente não sabia se era uma boa ideia subir lá em cima. –Leticia falou logo.
-Ela ainda está aqui? –Perguntei olhando para os lados da cozinha esperando que aquela idiota aparecesse de dentro da geladeira talvez.
-Não... Ela foi embora faz dois minutos, aquela filha de uma... –Evelyn ia dizendo.
-Evelyn... –Anne impediu que ela terminasse o “adjetivo” –Você tá bem Bella? –Anne perguntou agora se virando pra mim.
-É... eu estou, fico bem melhor quando lembro que amanhã vou ver o Harry! –Dei um sorriso de lado me achando bipolar.
-Ok... Acho que agora devíamos ver o filme né? –Leticia falou batendo palmas animada.
-Só calem a boca antes que a Bella comece a chorar! –Evelyn falou fazendo todas nós rimos.
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