Too Close For Comfort
4 Capítulo 4: O que deu nessa garota?
No outro dia, depois do meu horário de História, procurei-a por todos os lados e a encontrei a alguns metros, já fechando o armário dela. Quando me viu, acenou timidamente, olhou pra baixo e seguiu para o prédio B.
O meu impulso era de ir atrás dela, mas fiquei parado. Afinal, eu sabia que ela não ia querer falar comigo, não naquela hora. Resolvi escrever um bilhete e colocá-lo no armário dela.
Annie,
Me desculpa por ontem. Eu não queria te magoar.
É só que não sei o que acontece comigo quando to contigo...
Espero que esteja bem.
Kurt
(...)
No final da aula eu conversava com o Derick quando Annelise se aproximou timidamente de nós e disse ‘oi’. O Derick se tocou na hora e deu a primeira desculpa que apareceu na cabeça dele, e que não prestei atenção, porque meus olhos se concentravam em outro lugar e estranhamente meus ouvidos nada podiam ouvir.
— Kurt, eu vi o seu bilhete. Me desculpa por ter reagido daquela forma tão infantil... É que tudo ta confuso pra mim..
— E se hoje a gente...
— Não, hoje não – ela olhou rapidamente no relógio de pulso e continuou – me desculpa, Kurt, mas eu tenho que ir. Amanhã a gente conversa melhor, pode ser?
— Claro...
E antes que eu pudesse fazer ou dizer qualquer outra coisa, ela se inclinou pra mim e me beijou na boca, e depois saiu sem olhar pra trás.
Ela é maluca! Mas isso só me faz sentir mais atraído por ela. Eu devia desistir dessa maluquice, só que eu gostava de estar com ela. E quanto mais eu pensava em Annie, mais eu me dava conta de que eu não conseguiria me livrar daquele sentimento que ia se formando dentro de mim...
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[Annie]
Ai, meu Deus. Estou tão confusa! Eu não posso me deixar envolver! Não posso deixar que esse sentimento por ele tome conta de mim!
Não depois de tudo o que... e logo, logo ele vai descobrir!
Eu não sei o que eu faço, porque eu gosto tanto de estar com ele; o meu coração bate mais rápido. Mas ao mesmo tempo a minha me mente acelera e me alerta para me afastar dele. Meu coração o quer, a minha mente o repele.
Ai, Kurt, por que você meche tanto comigo? Eu te quero pra mim...
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[Kurt]
Talvez esse sentimento seja precipitado, ou até mesmo efêmero, mas é o que eu sinto agora. À noite, eu não conseguia tirar da cabeça aquele “beijo” que ela me deu. Não pelo beijo em si – pelo amor de Deus, né, não foi nem um selinho direito – mas pelo significado contido nele. Se ela me beijou, mesmo depois de ter evitado que eu chegasse mais perto há apenas um dia antes, era porque... será que ela estaria... ah, eu não sei, deixa pra lá.
Me peguei pensando nisso tudo e percebi que estava me tornando muito sentimental por causa dessa garota ( quanta ironia eu me sentir assim!). Mas ela não é qualquer garota, e eu a queria pra mim...
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