Too Close
3 Derretimento
A assassina virou-se e se deparou com um alto cavaleiro. Havia sido pega! Mas por alguma razão, suas pernas não se mexiam e ela não conseguia correr. Talvez fosse pela beleza do rapaz à sua frente. Deveria ser dois ou três anos mais velha que ela. Os cabelos eram escuros ao tom do ébano e meio compridos, até os ombros, e os olhos eram de um verde tão intenso que, quando vistos contra a luz, pareciam azuis. A pele era clara, mas não tanto. O rosto do rapaz era marcado por uma pequena cicatriz na diagonal, ao lado de seu olho direito e, trazia na cabeça, um Elmo bem polido e Barbatanas.O jovem andou calmamente até a garota de cabelos róseos e olhou em volta, ignorando o fato de ela ser uma mercenária. Até que algo chamou sua atenção. Um par de sapatos pretos e meio sujos saindo de baixo de uma pilha de caixas.
- Oh Cath, de novo não. – O cavaleiro suspirou e tirou algumas caixas de cima de sua, aparentemente, conhecida. Mas quanto mais tirava, mais caixas caíam.Então o rapaz colocou o braço no meio das caixas e, depois de procurar um pouco com a mão, encostou em um tecido macio, porém muito viscoso. Começou a puxar com certa dificuldade aquilo que agarrara, torcendo para ser Catherine.E era. Suja, descabelada, fedida e atordoada, mas era. A batina estava totalmente imunda e a sacerdotisa mal podia ficar de pé.- Aukyyyy... É você...? – Catherine estava tonta, porém balança a cabeça para espantar o mal estar. – Auky! – A loira agarrou o pescoço do cavaleiro e apertou com força.- Hey! Você tá fedendo, vê se me larga! – O rapaz tentava se livrar da sacerdotisa, sem muito sucesso. Até que, poucos segundos depois, ela mesma o largou.- Que legal! Então você é uma mercenária! – Novamente, os olhos azuis de Catherine brilharam e ela se aproximou da assassina. – Diga, qual seu nome? Hein? Qual é?-... – A moça estava estática diante daquela cena. Até que um terrível cheiro fez com que ela se afastasse um pouco e encarasse a roupa da outra jovem com nojo.- Você a assustou, só para variar. Deixa que eu cuido disso. Eu sou Aukyner Aclahayr. E você, minha jovem? – O rapaz de nome Aukyner se curvou respeitosamente.- Lynne... Kallisto... – A mercenária murmurou, ainda embasbacada com as palavras e ações do belo cavaleiro. Mas logo depois de revelar seu nome, colocou ambas as mãos na frente da boca e arregalou os olhos. A última coisa que um mercenário poderia fazer era revelar seu nome.- Bonito nome. Agora vamos Cath. Você tem que tomar um banho. – Aukyner puxava a sacerdotisa antes mesmo de ela ter outro ataque ao descobrir o nome da mercenária.- Mas Aukyyyy...! – Sendo arrastada, a loira não podia fazer nada a não ser cruzar os braços e ficar emburrada.Deixada para trás, Lynne apenas observava os dois sumirem no horizonte. Nenhum deles pareceu se incomodar com a sua profissão. E ambos também não perceberam o seu objetivo. Para sua sorte, ela tinha dois meses para completar o trabalho. Iria tentar novamente amanhã. Assim, ela partiu rumo a alguma pousada, apenas tendo como lembrança o rosto daquele cavaleiro que derreteu as muralhas de gelo em seu coração.~*~- ESTÁ GELADA!! – Gritava Catherine, mergulhada em um tonel cheio de água, feito de madeira, onde tomava banho.- Estaria quente se tivesse chegado antes do pôr-do-sol. – Falava calmamente uma noviça de cabelos castanhos, amarrados em uma trança que descia por suas costas.- Já disse que foi o Auky que me atrasou! Ele me obrigou a ir até a Cavalaria de Prontera com ele! Eu sei que ele fez de propósito... AIE! – Berrou novamente a sacerdotisa quando a jovem noviça derramou outro balde de água gelada em cima de sua cabeça para tirar o resto da espuma.- Então você foi enrolada por ele de novo. – Riu baixo a noviça, saindo do quarto da loira. - E ele vai me pagar caro por isso! – Catherine falou firme, levantando de um pulo e saindo do tonel. Mas antes de chegar à sua toalha pendurada, escorregou no sabonete e caiu de costas no chão. – AAAAAHH! Uff. Se vai me pagar... Ai ui. – Murmurava a sacerdotisa, levantando-se devagar.
Fale com o autor