Tons De Anti-Clichê
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Tudo parecia um conto de fadas. Realmente a Temari estava aos beijos com o Shikamaru, e eu e Neji trocávamos risadas, e piadinhas sobre o casal vinte. Meu celular tocou várias vezes, vibrou algumas vezes, e eu o peguei do bolso do short depois de várias ligações perdidas. Estava na tela do whatsapp para atender a chamada. Era o Tsu, capacho da minha querida mãe que não lembra da filha, no inferno.
Revirei os olhos, e atendi a chamada ― Oi Tsu. Estou ocupada, e não tô afim de falar. Estou estudando para a prova de matemática. ― quase deliguei na cara dele, mas ouvi um suspiro do outro lado da linha. ― Tsu? ― falei, estranhando o silêncio.
Ele pareceu tomar coragem para falar o que tinha que falar ― Seus pais foram assassinados ontem a noite, Lithli. ― eu congelei, o celular simplesmente escorregou da minha mão e foi bateria, capa, e o celular para cada lado. O casal que estava sendo zoado por nós, me olhou assustado.
Até que as lágrimas escorreram, pelo meu rosto. Eu sequer conseguia mover os lábios para dizer o que havia acontecido.
― Respira, respira. ― Temari me abanando. ― O que aconteceu mulher? ― ela me olhava, espantada.
― Meus pais foram assassinados ― disse a última parte em enfase, e desabei no chão. As lágrimas retornaram, a escorrer. E neste momento Neji estava do meu lado enxugando minhas lágrimas. Ele me ajudou a me levantar, e eu o agarrei segurando as costas da camisa. Afundei meu rosto em seu peito, eu estava inconsolável.
― Gente vou levar ela pro quarto, beleza? A gente se vê amanhã. ― pegou minha mão, nos entrelaçando os dedos. E fomos a caminho do dormitório.
Chegando lá, não tivemos mas nada para falar ou fazer. Era apenas eu, ele, a solidão. E sem esquecer as quatro paredes. Ele fez carinho na minha cabeça, e acabei ficando tão sonolenta. Meus olhos tão vermelhos quanto o vestido pendurado na maçaneta da porta do banheiro. Meu rosto inchado afundado nos travesseiros, abraçada ao corpo do garoto jovem.
A minha única vontade era de fechar os olhos e não abrir mas, sabe. Minha mãe morreu, sabendo que eu a odiava. Mas eu só tinha falado isso para ver qual seria sua reação. Ela até fingiu não ligar, mas sempre que passava pelo banheiro, depois de uma das nossas discussões noturnas ela estava chorando.
Mas depois de uma hora dentro do banheiro, ela saia sempre sorrindo.
Quando dormia eu sempre ia checar, e via seus pulsos cortados, meu pai sempre falava que era as agulhas. Uma das piores desculpas que ele dava era essa.
Minha própria mãe fazia quase as mesmas merdas que eu fazia.
Ela vivia traindo meu pai com o Tsu.
Fumando cigarros, e se embriagando.
Mesmo assim eu ainda dizia a ela, “Se você continuar a fumar eu vou embora de casa.” Mas eu fumava, ela não podia ela tinha que me proteger e me colocar neste inferno. Quando ela conseguia ser legal, estragava tudo. Ou dava em cima dos meus amigos, ou meu ficante. Ou também tinha vezes que ela me colocava de castigo pelo horário que eu costumava chegar.
Com os raios de sol, quase derretendo meu rosto eu acordei. Liguei o ventilador, e fiquei encolhida na cama. Até Temari entrar dizendo:
― Amiga, todo mundo já está sabendo. ― ela pulou na cama, me cutucando. ― E agora?
― Sabendo… ― fiz uma pausa, tentando me lembrar do que eles exatamente sabiam. ― como eles descobriram? ― perguntei incrédula, me levantando quase em um pulo. Com os olhos de Temari me seguindo.
― Primeira página no jornal. ― ela pegou o jornal, e realmente estava. Com a seguinte matéria.
“Corpos encontrados em um quarto de hotel, desfigurados. Baseado em fatos feitos com os corpos, as identificações das vitimas foram confirmadas, são Srta. Kin Mitsashi e Ray Mitsashi, o hotel foi fechado para mas investigações e uma última pericia no local. Enquanto a camareira que encontrou os corpos em tal estado, esta em choque tentando se recuperar.
A recepcionista disse o seguinte: ― O senhor Ray, entrou sozinho. Mas depois de meia hora a sua esposa chegou pedindo um quarto. Ambos pediram uma suíte máster separada. Eu cheguei a estranhar, mas não perguntei nada. Apenas entreguei a chave do quarto, e eu até estava na espera da minha substituta para eu ir embora.
Estamos todos abalados, foi uma grande perda.”
― Meu deus, ― levei a mão a boca ― isso tudo está tão estranho, meus pais… ― segurei as lágrimas ao ouvir batidas na porta.
― Eu atendo, vai ― ela apontou pro banheiro. Enquanto ela deu pulinhos até a porta, ― diretora Shizune? ― ela entortou a cabeça, não entendendo o motivo de está ali.
― A Tenten está? Precisava conversar com ela sabe. ― Temari abriu a porta.
― Ela foi tomar banho, se recompor ela está tão abalada, triste. Temo pelo pior. ― ela deu batidas na porta e logo prosseguiu ― é a diretora, e ela quer falar com você.
― Eu já vou sair, vou tomar banho. ― falei com uma voz chorosa.
Após tomar banho, coloquei uma roupa
Uma blusa branca regata larga, um cardigã preto, um short desgastado mas para preto. Uma botinha pequena, um cordão com duas letras K & R.
Sai do banheiro com uma cara de defunta. Realmente com os olhos vermelhos, e olheiras que nem a base seria capaz de fazer tal milagre de esconder. Suspirei algumas vezes, e cruzei os braços esperando um discurso solidário da parte da diretora nova. Enfim a Tsunade estava de férias nada que viesse ao caso agora.
Mas o discurso solidário que eu esperava não veio em compensação, eu recebi um abraço tão apertado. Era o que eu estava precisando.
― Se precisar de ajuda, eu estou aqui. ― ela sorriu fraco ― eu sei que estava esperando um discurso, sobre… ― nem sequer fez menção. ― você sabe.
― Tudo bem. Você poderia me liberar das aulas hoje? Não tô com cabeça, eu sei que é meu primeiro dia mas… o Tsu vai vir me buscar para resolver as coisas a respeito. ― revirei os olhos, e peguei meu celular.
― Claro, mas é só hoje. Estamos quase no final do ano, então... ― Shizune saiu do quarto, e eu logo em seguida.
Liguei para Tsu, com o dinheiro que eu tinha na carteira pagaria um daqueles gostosões para me levar em casa. E fiz isso, em menos de vinte minutos estava na porta da mansão, com alguns familiares na porta, tia Cecilia (brasileira) veio me abraçar aos prantos. Assim que eu atravessasse aquela porta, eu poderia deixar a armadura de lado junto com os contos de fadas.
E encarar a dura realidade.
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