Tomorrow 7
1 Katarina
Notas iniciais
Dia 16, Sábado
Havia acabado meu turno e fui para casa. Assim que cheguei, encontrei Josh fazendo o jantar.
– Kat! – ele veio até mim. – Saiu mais cedo hoje? – ele soltou meu cabelo.
– Sim, mas estou exausta! Tive que atender muitas crianças e nas horas vagas resolver as coisas da ONG. – suspirei.
– Você precisa descansar, e eu vou pôr o jantar. – ele me deu um beijo na testa e colocou a travessa de lasanha na mesa.
Eu me joguei no sofá e peguei o celular. Havia uma ligação de Bárbara, então resolvi retornar.
– Alô? – disse Bárbara ao atender. Eu pude ouvir o choro de uma criança e alguém falando atrás, o que parecia ser a TV, mas depois alguém a chamou, provavelmente Fabian.
– Bárbara? Vi que tinha uma ligação sua então...
– Ah, é eu e... Lorenzo não, solta isso! Aninha espera um segundo. – ela se afastou do telefone mas ainda pude ouvir sua voz. – Fabian, vai ver o que Valentina tem por favor, ela deve estar com fome! – gritou ela.
– É...
– Ah, desculpa, Fabian está se arrumando pra a próxima corrida e eu tenho que cuidar das crianças e da nossa viagem para a Alemanha! – ela respirou fundo e começou. – Então, Mari me ligou e me avisou sobre a reunião, vai ser sábado que vem! Sim, seu aniversário e você vai, ok? Ok.
– Eu não sei se vou poder, eu tenho que ver com Josh. – respondi.
– Leva ele! Eu vou levar as crianças e Fabian, ele disse que ia viajar só no sábado pra poder ir comigo, não é fofo? – falou Bárbara apaixonada.
– É sim. – eu ri. – Tudo bem. Eu vou!
– Ótimo! – gritou ela. – Agora eu realmente preciso ir, tchau!
Ela não havia desligado, eu ainda pude ouvir a gritaria na casa dela, mas então resolvi desligar, já estava confusa o suficiente.
Eu e Josh jantamos e conversamos sobre a reunião e depois fomos dormir.
Dia 17, Domingo
Segunda-feira era o dia. Minha ONG finalmente estaria pronta. Criei ela há dois anos, mas venho trabalhando no projeto com meu amigo Thomas há cinco, para deixar tudo certo e receber doações suficientes para começar. A ONG vai ajudar as crianças de países pobres a cuidar dos dentes e da higiene, temos o objetivo de evitar cada vez mais as doenças entre eles.
Thomas é organizador de eventos e artista decorador, então, ele programou uma festa de inauguração da ONG, segunda-feira à noite. Dia 25.
O que me anima ainda mais é saber que conseguimos apoio de empresas tão importantes, e minhas amigas vão estar lá.
Ainda era domingo, mas sim, eu estava mais do que ansiosa para este dia!
– Bom dia. – disse Josh se virando para mim.
– Bom dia. – respondi o abraçando.
– Ah, esqueci de te contar que essa semana vou ter que ficar no trabalho até mais tarde um pouco, porque Thaís vai viajar, e Mykaella e eu vamos ficar “encarregados” de tudo.
– Tudo bem. Só volte a tempo para a reunião de sexta, ok?
– Ok. – ele sorriu.
Tomamos café da manhã e depois ele saiu para uma reunião com uma cliente da empresa, e eu fui para a casa de Thomas. Ele era meu amigo desde a faculdade, e sempre me ajudou com os projetos.
– Ah, oi, Kat! – disse Thomas me olhando com seus olhos verdes arregalados.
– Oi! Uh, comprei café no caminho, para a gente. – disse eu entregando os copos para ele.
– Ótimo! Muito obrigado! Sério mesmo, não sei quando vou terminar de ajeitar esse meu apartamento. – ele pôs os copos no balcão vazio da cozinha e observou o local.
Ele havia acabado de comprar aquele apartamento, e como artista queria decorar sua casa de forma inusitada, o que levaria mais tempo do que apenas colocar os móveis. Na sala de estar havia um sofá de três lugares e uma mesa de centro rodeada por caixas de papelão. No balcão da cozinha que era ligada a sala, haviam alguns pratos ainda embrulhados, uma garrafa de refrigerante e um pacote de salgadinho aberto.
Sentamos no sofá e ele trouxe umas pastas onde ele havia colocado todas as suas ideias para o evento. Passamos horas olhando as cores das cortinas, a organização das mesas, as luzes, o Buffet, a ordem dos discursos. E finalmente terminamos.
– Isso tem que ficar perfeito. – disse Thomas.
– Isso vai ficar perfeito. Está tudo muito bom, Thomas, de verdade! – falei.
Ele passou a mão nos seus cabelos castanhos claro, e pegou as pastas para guardá-las. Depois voltou a sentar do meu lado.
– E então, como está indo na clínica? – perguntou ele. Eu havia criado uma clínica odontológica para crianças assim que acabei a faculdade, com a ajuda de um professor muito amigo meu, que me apoiou nos meus projetos, e até hoje eu administro e trabalho nela.
– Está indo tudo muito bem. Acredito que depois do lançamento oficial da ONG, vou procurar um lugar maior para expandir a clínica. – respondi.
– Que ótimo, mesmo. – ele sorriu. Ficamos em silêncio por alguns minutos e então ele trouxe a TV para a sala e ficamos assistindo por algum tempo, até que dormimos.
Quando acordei já estava no final da tarde. Havíamos visto dois filmes e Thomas pedira pizza. Não me dei conta que a essa hora Josh já deveria estar em casa.
– Hm... Thomas... Que horas são?
– São 17h. – disse ele bocejando.
– Ah, não, preciso ir! – falei levantando e calçando as botas.
– Espera! – retrucou Thomas. – Você tem certeza? – ele olhou intensamente para mim. Ele sabia que eu e Josh vínhamos brigando em casa, frequentemente. Costumava contar tudo a Thomas, mas acho que isso deveria ter deixado em segredo.
– Uh... Sim. – tentei soar firme.
– Katarina... Você sabe que não precisa continuar com ele... Digo, tem certeza que são só brigas mesmo? – ele chegou mais perto.
– Sim, Thomas. Estamos bem. É sério. Eu o amo. – falei.
– Tudo bem... – seus olhos pareciam pesar, como se quisesse olhar para mim, mas ao mesmo tempo queria se afastar. Não... Não podia pensar nisso. – Se precisar... Digo, vir aqui, ou conversar... Eu estou aqui. – ele falou baixinho.
– Sim. Obrigada. – engoli seco.
Ele me acompanhou até a porta e então ele me segurou pelo braço. Ele não podia estar falando sério. Ele não podia. Senti um tremor subir pelo meu corpo. E aconteceu o que eu mais temia. Ele me beijou.
– Não! – olhei para ele assustada, mas por algum motivo eu queria que aquilo continuasse. Mas era errado.
– Me desculpe... – falou ele. – É. Você tem que ir. – e fechou a porta.
No caminho pra casa tentei parar de pensar naquilo. Tudo estava indo tão bem. O evento, a clínica, a ONG, tudo estava perfeito. Até agora.
Eu sempre soube que Thomas tinha uma queda por mim, mas ele me disse isso quando estávamos no segundo ano da faculdade. Não sabia que aquilo duraria tanto.
Dia 18, Segunda-feira
Era meu horário de almoço. Desci para o restaurante perto da empresa de Josh para irmos almoçar juntos. Noite passada não foi nada boa. Ele começou a ter ataque de ciúmes, discutimos por um bom tempo. Ele nunca fora assim. Não sei o que deu errado. O que me fez piorar foi ter vomitado duas vezes noite passada. Acho que a pressão deixou meu estômago abalado, ou algo assim.
Todos os dias ele almoçava lá, porque era perto da empresa dele, então fui lá falar com ele.
Ao entrar o restaurante estava lotado, a área interna estava toda ocupada, então o garçom me indicou uma mesa no jardim. Sentei-me e olhei ao redor para ver se ele estava lá. Nenhum sinal dele.
Esperei uns 20 minutos pela comida, e assim que ela chegou eu avistei Josh. Ele havia arranjado uma mesa na área interna. Mas ele não estava sozinho. Ele estava com a mulher que ele disse que era cliente da empresa. Mas ela não parecia estar negociando com ele.
Eles passaram um tempo em pé. Ele tirou o casaco dela e pegou sua bolsa para colocar na cadeira. E depois ele a beijou.
Ver aquilo foi a pior dor da minha vida. Pior do que estarmos brigando, pior do que um divórcio, foi ver aquilo na minha frente. Ele estava me traindo. Eu me levantei e fui até lá.
– Josh... – minha voz falhou. Eu queria chorar. Mas não conseguia. Eu queria gritar. Mas não conseguia.
– Uh... Querida, você estava aqui? – ele se levantou com um sorriso bobo no rosto. – Esta aqui é...
– Sua nova namorada, não é? – as lágrimas saíram dos meus olhos rapidamente. Então dei um tapa na cara dele. – Por que você fez isso? O que eu fiz de errado? – ele olhou para mim. – Eu me esforcei tanto...
– Esse é o problema. – disse ele, frio. – Você se esforçou demais. Quando a relação é verdadeira não é preciso esforço. Não é preciso mentir para agradar o outro, por pouco que seja. Tudo ocorre naturalmente. Não é preciso muito. – ele ajeitou o terno e passou a mão no rosto. Como se nada tivesse acontecendo.
– Seu idiota! – eu gritei.
Sai do restaurante sem comer, sem pagar, com todos olhando para mim. Entrei no carro e tentei ligar para minhas amigas, mas nenhuma atendia. Então tive que ligar para Thomas.
Dia 19, Terça-feira
Passei a noite na casa de Thomas. Senti-me mal muitas vezes e me senti tonta. Pensei que estava com virose ou algo assim, mas Thomas disse que quando muita coisa acontecia com ele, ele também se sentia assim. Então ele me deu um chocolate quente e ajeitou o sofá para eu dormir e ele dormiu num colchão de acampamento do meu lado.
– Bom dia, moça! – ouvi Thomas dizer. Então abri os olhos.
– Não, não é bom dia... – falei me sentando. Thomas me abraçou por alguns minutos. Mesmo depois do acontecido, não podia negar que ele era um grande amigo. Não ligava para o que tinha acontecido entre mim e ele. Eu só conseguia pensar no que Josh havia feito comigo.
– Está melhor? – ele havia trazido um café da manhã que comprara na cafeteria da rua.
– Sim. Quer saber, que se dane! – eu tentava não ligar, mas no fundo eu ligava, ainda me importava, e estava magoada. Eu sempre fiz isso. É melhor esconder os sentimentos a deixar que os outros saibam demais.
– Hm, sei... Tudo bem. Vou respeitar seu espaço. – ele sorriu. – Eu preciso ir trabalhar, ou vou ser demitido, já faltei três vezes semana passada! – ele se levantou e colocou o casaco. – O banheiro é no final do corredor, uh, não tem muita comida, mas eu deixei umas coisas no balcão, se quiser, qualquer coisa pode ligar para mim, e pode ficar o tempo que quiser. Você vai ficar bem?
– Vou sim. Obrigada. De verdade. – eu sorri.
Assim que ele saiu, peguei um pão de queijo, mas só o cheiro me deixou enjoada. Então tomei só o café e fui tomar banho.
Passei o dia assistindo a programação sem graça da TV, enjoada e tentando comer alguma coisa. Algo estava errado. Então resolvi descer e ir à farmácia.
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