Tomoeda High
1 Rei da Morte
O Colégio Tomoeda abria seus portões para mais um ano letivo.
Era um abril fresco e limpo de nuvens; uniformes em padrão escocês e camisas alvas e limpas formavam uma massa dispersa de calças longas e saias plissadas que balançavam na brisa leve. A mesma brisa estava carregada do aroma das cerejeiras em floração – por algum motivo, árvores tão comuns naquela cidade não haviam sido plantadas no terreno do colégio, mas havia muitas delas nos bairros vizinhos, e vez ou outra uma pétala desgarrada vinha flutuando no vento.
Uma daquelas pétalas pousou sobre uma cabeça de cabelos curtos e castanho-claros, ficando ali acomodada como um enfeite singelo. A dona daqueles cabelos, uma garota de pele alva e olhos verdes esmeraldinos, não pareceu se dar conta do pequeno objeto pousado sobre ela. Estava encostada no muro da escola, ao lado do portão, a maleta escura padronizada dos alunos em suas mãos. Aparentava estar por volta dos catorze anos, o busto erguia suavemente a blusa branca e as feições de rosto eram delicadas e límpidas. Mantinha as pernas obstinadamente unidas, como se, apesar do muro às costas e a maleta a sua frente, ela temesse uma rajada de um vento sorrateiro a lhe erguer a saia quadriculada, que lhe cobria até pouco acima dos joelhos.
Não seria uma má ideia, Tsubasa pensou distraído, e imediatamente arrependeu-se. Era um bom rapaz, o tipo de rapaz disciplinado que policia até seus próprios pensamentos. Aquela garota tinha um ar tão puro e inocente, e tão atraente ao mesmo tempo... Essa divagação ele deixou passar, porque não podia ignorar. Era uma garota linda como um anjo, capaz de lhe despertar os instintos menos angelicais possíveis.
Antes que fosse até a garota no portão, outro rapazinho se adiantou e foi ao encontro dela. Tsubasa suspirou resignado; aquilo já era de se esperar. Syaoran era muito mais impulsivo que ele, decidia-se muito mais rápido.
E esse era o motivo pelo qual vivia fazendo besteiras.
— Oi gatinha. Tem uma flor nascendo na sua cabeça, sabia?
O sorriso dele era leve, mas havia um traço de um sentimento que estava longe da compaixão. Ironia ou sarcasmo, talvez, mas jamais solidariedade. A menina podia ser tímida, mas não era ingênua. Sabia que aquele garoto estava tirando uma com sua cara.
Syaoran continuou a aproximar-se, avançando como se quisesse arrancar uma resposta ou qualquer outra coisa dela, ou pelo menos foi assim que o instinto de preservação da garota pressentiu. Ela soltou uma exclamação de medo e afastou-se de mau jeito, tropeçando numa rachadura da calçada. Imediatamente largou a maleta, sabendo que estava prestes a se chocar contra o cimento.
Mas o choque não veio. A mão pequena e alva, erguida no ar ao soltar a alça da maleta, agarrou uma outra que se estendeu para ela, maior, magra e bronzeada. Syaoran a sustentou antes que ela fosse ao chão, mas ela ainda se apoiou no pavimento com a outra mão.
— Ei, você tá bem? — Syaoran indagou.
O tom irônico mudara drasticamente; ele não estava habituado a causar medo em garotas. Geralmente a reação delas era bem outra. Mas o susto estampado naquele rosto que o encarava o fez perder toda a ação.
— S-sim— Ela ergueu-se rapidamente, limpando a poeira que roçara atrás da saia.
A mão que apoiara no pavimento estava cheia de marquinhas de pressão que as pedras minúsculas lhe deixaram. Mas a outra continuava presa naquele aperto quente e forte. Ela soltou-a de repente, sem que Syaoran se desse conta. Abaixou-se para apanhar a maleta e correu para dentro da escola.
— Você é um babaca mesmo— Tsubasa declarou solenemente, aproximando-se do irmão.
O outro lhe lançou um olhar perdido, como se estivesse ouvindo a voz dele de muito longe. E então, ao assimilar o que ouvira, voltou-se para o garoto, irritado. — Que foi que você disse?
Ambos eram gêmeos idênticos – mesma altura, mesmo porte físico, esguio e forte, ainda em desenvolvimento. Mesmos cabelos castanho-escuros, crescendo revoltos e emoldurando rostos de traços finos e tez bronzeada. Mesma idade – quinze incompletos. Apenas a cor dos olhos era diferente: embora ambos fossem de um profundo tom âmbar, Syaoran era portador de heterocromia, sendo a sua íris direita de um azul-claro cintilante.
Suas personalidades também possuíam algumas diferenças. Tsubasa, o gêmeo mais velho, era centrado, impassível, racional e possuía todos os atributos que Syaoran fazia questão de recusar para si. Este, expansivo, volátil, insensato, era quem sempre fazia os estragos que Tsubasa precisava consertar. Mas ele encarava isso como seu dever de irmão, ao passo que Syaoran procurava ajudá-lo quando reconhecia a própria culpa.
O que, no entanto, era coisa rara de acontecer.
— Quem você chamou de babaca?— Syaoran repetiu, os punhos cerrando-se instintivamente. Não era de brigar fisicamente com o irmão, o que não o impedia de bater boca com ele regularmente.
— Quem você acha? — Tsubasa resmungou, dirigindo-se ao portão da escola, e Syaoran inconscientemente o seguiu. —Chegar na garota daquele jeito, derrubar ela no chão... Tudo isso só pra fazer ela levantar a saia?!
— Como é?
Syaoran parou, fazendo o irmão estancar também. — Eu não fiz nada disso. Ela se assustou comigo e quase caiu, foi só. Eu até ajudei ela a se levantar. E quando foi que ela levantou a saia afinal?
Tsubasa fitou o irmão, atônito. — Cara. A saia dela levantou assim que ela largou a maleta e quase caiu. Soprou um vento na hora, não mostrou muito, mas alguém no seu ângulo de visão com certeza teria visto.
— Mas eu não vi.
— Impossível. Você é um tremendo pervertido, não tinha como.
— Eu já disse que não, merda! Tava mais preocupado com aquela cara de medo que ela fez. Parecia até que eu ia atacar ela ou algo assim...
— É, parecia mesmo.
— Olha, quer calar a boca? Eu não fiz nada disso que você falou. Não vi saia levantada de ninguém. Aliás, se você reparou nisso, o pervertido de verdade aqui é você.
Tsubasa estreitou o olhar. Syaoran tinha vencido, e ele era nobre o bastante para se dar por derrotado de vez em quando. — Ok. Mas de onde eu estava, não vi muita coisa também.
— Ótimo então— Syaoran sorriu triunfante, voltando a caminhar entre os alunos. — Nenhum de nós viu nada, logo não temos que nos preocupar em causar constrangimento pra... — Ele fez uma pausa pensativa. — Como será que era o nome dela?
A garota mal havia atravessado o pátio, quando uma estudante veio correndo ao seu encontro. Os cabelos negros esvoaçavam às costas, os olhos escuros brilhavam de contentamento. Estendeu os braços para a outra e chocou-se contra ela, num abraço apertado.
— Sakura-chan!— a voz da morena era doce e melodiosa. Segurou o rosto da outra entre as mãos, como para examinar se era o mesmo de sempre, e voltou a abraçá-la com todas as suas forças.— Que saudade!!!
— Também senti saudades, Tomoyo-chan— Sakura murmurou sem graça, dividida entre a alegria por encontrar a amiga e o desespero por poder respirar.
Afinal Tomoyo soltou-a e segurou suas mãos, contemplando-a sorridente.— Nossa, você está enorme. E seu cabelo ficou lindo, adorei esse corte! Vai deixar assim mesmo, né?
— Acho que vou, ele é bem prático— Sakura passou os dedos pelas duas mechinhas que caíam do lado do pescoço, mais longas que o resto dos cabelos. — E o seu tá maior a cada dia, tá muito lindo!
— É, a kaa-san não quer que eu corte— a morena fez um beicinho de decepção.
— Ah, mas ele tá tão bonito assim...
As duas foram pelo pátio aberto, apinhado de alunos que se reuniam junto aos murais, procurando suas salas. Enquanto buscavam o mural que continha a lista de turmas referentes à série delas, as duas garotas continuavam a pôr os assuntos em dia.
— Então, como foi se mudar pra cá?
— Fiquei morrendo de medo, claro. Tanta gente aqui!
— Claro, é Tokyo. Isso aqui é um formigueiro de gente. Comparada com Enoshima, que só deve ter umas quatro ou cinco pessoas...
— Ah Tomoyo-chan, você também morou lá!
— Pois é, por isso eu to dizendo. Quando a kaa-san veio trabalhar aqui eu fiquei super deslumbrada com os prédios, o barulho, a fumaça, as luzes...
— Poxa, deve ter sido um choque.
— Nem, eu tinha cinco anos. Nessa idade, qualquer coisa pra mim era uma novidade. Ainda tem aquelas fotos que eu te mandei pelo e-mail?
— Hah, tenho todas elas. Aquelas bem antigonas da Torre de Tokyo, dos templos... Você já fotografava super bem, mesmo criança. Já pensou em ser fotógrafa profissional?
— Claro... Se a kaa-san não quiser que eu assuma algum cargo na fábrica...
— Poxa, sua mãe continua não te dando folga, né?
— Tem coisa que não muda nunca, Sakura-chan...— Ela balançou a cabeça animadamente, sacudindo a franja negra sobre os olhos. —Mas e então, foi tranqüila a mudança? Fujitaka-san com certeza aceitou numa boa você vir morar com o Touya-san, hein?
— O Touya-nii que não gostou muito da ideia— Sakura deu um sorrisinho brejeiro. — Ninguém mandou ele ter passado na Toudai e vindo morar aqui. Agora eu tenho um lugar onde ficar, e posso tranquilamente estudar na capital. Porque, se fosse por ele, eu passava o resto da vida lá em Enoshima.
— Ah, ele é um cara legal, garanto que adaptou a casa inteira pra chegada da imouto-chan dele— Tomoyo riu.
— É mesmo? Bom, se você considera aquele projeto de quitinete de “casa”, e me arrumar um saco de dormir como “adaptar”, então tudo bem...
As duas conversavam e riam, enquanto avançavam no meio de alunos que emperravam a vista do mural do nono ano. Logo encontraram os nomes Kinomoto Sakura e Daidouji Tomoyo na lista da mesma sala.
— Legaaaal!!!— elas comemoraram.
Eram amigas de infância, tendo convivido na cidade litorânea de Enoshima até os cinco anos. Depois que a mãe de Tomoyo herdou uma fábrica têxtil, decidiu se mudar para a capital levando a filha, e desde então Sakura só tinha contato com a amiga por telefone ou interfone.
Aqueles quase dez anos de distância pareciam ter sumido no tempo quando se reencontraram. Apesar das pequenas diferenças entre elas – a inocência e a alegria de Sakura e a calma e maturidade de Tomoyo – ambas eram bem parecidas, tanto em seu porte atraente e delicado, que já despertava a atenção de alguns alunos próximos, como pelo carinho que nutriam uma pela outra. Mesmo suas diferenças compensavam uma a da outra. Elas só faltavam ser irmãs de sangue, porque tinham proximidade o bastante para isso. Tanto era quem nem aqueles anos de distância puderam apagar aquele laço.
— Tomo-chan— uma garota magra e baixinha aproximou-se das duas, lutando para passar entre os outros alunos.
Sakura interrompeu a comemoração das duas ao ver a menina. Percebeu que era uma conhecida de Tomoyo, e resolveu segurar as mãos das duas para puxá-las para longe daquele bolo de gente.
— Desculpa— ela pediu à garotinha, — é que tava meio cheio ali...
— Pois é, primeiro dia— a garota deu de ombros. Tinha um rosto simpático e pequeno, que parecia menor sob as lentes enormes e redondas dos óculos que usava. Os olhos eram escuros como os cabelos, que caiam lisos e aparados nos ombros. Estendeu a mão para Sakura, sorrindo. — A propósito, sou Naoko. Você deve ser Sakura-san, certo?
— Só Sakura, por favor— ela a cumprimentou, sorrindo de volta.
— Tomoyo-chan falava muito de você, as meninas estão ansiosas pra te conhecer— Naoko contou.
— Nem deu pra eu esconder minha empolgação— Tomoyo disse à Sakura.— Imagina, minha amiga que eu não via desde criança, vir estudar comigo na minha escola! E na minha sala, ainda por cima! Acho que o deus da sorte está do meu lado esse ano.
— Né, todas as meninas do nosso grupo vão estar na nossa sala— Naoko olhou para o mural à distância, pensativa. — Mas não sei se é o deus da sorte que está do nosso lado. Vocês viram qual vai ser a nossa sala?
— Ehh— Sakura tentou lembrar; eram tantas novidades ao mesmo tempo que mal podia guardar as informações que recebia. — Acho que era a 4-O, não?
— Exato— Naoko murmurou, ficando séria de repente. — “Shi no Ou”. Traduzindo...
— “Rei da Morte”— Tomoyo lançou um olhar descrente à garota de óculos e voltou-se para Sakura. — Não liga, a Naoko adora superstições. Mas eu estudo na Tomoeda há mais de cinco anos e nunca vi nenhum Rei da Morte passeando por aqui.
— Ainda— Naoko ergueu a sobrancelha.— Vai ver ele só estava esperando a oportunidade certa...
— Você... acha mesmo?
Tomoyo então lembrou-se do quanto sua amiguinha de infância era medrosa, e não conteve uma risada ao ver os olhos verdes dilatados num rosto lívido. — Naoko-chan, a Sakura acabou de chegar em Tokyo. Ela já tá assustada demais com essa cidade pra você ficar atazanando a coitada com suas histórias malucas.
— Oh, é mesmo?— ela fez uma cara arrependida.— Foi mal, Sakura, esquece o que eu falei. Aliás, tenho certeza que esse tal de Rei da Morte nem existe mesmo...
Mas o tom pouco seguro que ela usou não serviu para tranquilizar muito a caloura.
No ginásio de esportes os alunos se reuniram em filas milimetricamente organizadas para ouvir os discursos de boas-vindas do diretor e dos administradores da escola. Como os alunos do nono ano se encontravam nas últimas fileiras, Tomoyo pôde, em voz baixa, apresentar as outras amigas de seu grupinho – Chiharu, uma garota enérgica de enormes marias-chiquinhas , e Rika, uma menina de ar doce e quieto e cabelos curtos e ondulados. Tinham a mesma estatura e tipo físico de Naoko, e quase o mesmo tom de olhos e cabelos, embora só Naoko usasse óculos. As três também pareciam se completar, do mesmo modo que funcionava na amizade entre Sakura e Tomoyo, o que fez a Daidoji pensar que a garota recém-chegada não teria dificuldades em se entrosar com todas em breve.
— E então, viram mais alguém novo por aqui?— Chiharu sussurrou. —Só vejo os mesmos meninos sem graça de sempre.
— Ouvi dizer que dois cambistas iam entrar na Tomoeda esse ano— Tomoyo cochichou para elas.
— É mesmo— Naoko acrescentou.— Dizem que são britânicos.
— Adoro britânicos— Chiharu suspirou, sonhadora, e então olhou para uma das fileiras de garotos próxima a elas.— Muito mais interessantes que esses molequinhos que temos aqui.
Sakura olhou na direção que ela encarava, percebendo que Chiharu parecia se referir a um garoto em especial – moreno, cabelos curtos, de costas para elas.
Rika sorriu levemente, entendendo a quem a amiga estava se referindo, e as outras agiram da mesma forma. Exceto por Sakura, que havia acabado de chegar e ainda não conhecia as pessoas ao redor delas.
Seu olhar, no entanto, se concentrou nos dois rapazes à frente do moreno. Praticamente iguais, até nos cabelos despenteados e nos ombros largos, destacando-se em altura dos demais rapazes. Ela fitou-os demoradamente, fascinada e de um estranho modo alarmada com aquela semelhança, quando sentiu alguém lhe bater de leve no ombro.
— Os gêmeos Li— Chiharu lhe contou num murmúrio quase inaudível. — São chineses, vieram pro colégio ano passado. O original é totalmente fofo, mas o clone é um cretino.
— Original... Clone?— Sakura indagou atônita.
— É— Chiharu riu. —A gente achou que essa coisa de “gêmeo bom” e “gêmeo mau” era batida, então todo mundo chama o Li Syaoran de clone do irmão dele, o Tsubasa.
— Um clone defeituoso, na verdade— Tomoyo ponderou.— Syaoran tem olhos de cores diferentes. Além de ser um delinquente, enquanto o irmão é estudioso e sempre anda na linha.
Sakura lembrou do momento em que fitou aqueles olhos de cores diferentes quando esteve prestes a cair no chão.
A sensação não foi de já ter visto aqueles olhos antes. Nunca viu alguém com heterocromia, na verdade. Mas havia algo naquele rapaz, uma energia estranha ou algo do tipo, que a encheu de pavor por um momento. E agora que olhava para aqueles dois juntos, a sensação lhe perpassou de leve, fazendo um arrepio gelar sua espinha.
— Ei, que foi?— Tomoyo indagou logo.
Sempre percebia quando havia algo de errado com a amiga. Nem aquela percepção os anos haviam alterado. Sakura sorriu fracamente e meneou a cabeça em negativa. Decidiu que aquele não era o melhor momento para contar o que ocorreu na entrada do colégio.
— Bom, espero que esse tal clone não esteja na nossa sala então— concluiu.
— Infelizmente, seu desejo não vai poder ser realizado— Chiharu disse. — Vi o nome dos dois Li na nossa turma.
Tomoyo notou o empalidecimento tomar Sakura outra vez e começou a ficar preocupada. E enquanto o ginásio era tomado pelas palmas dos alunos que saudavam o discurso da vice-diretora, Naoko aproveitou o ruído para comentar consigo mesma que aquilo era bem coisa do Rei da Morte.
Tsubasa baixou as palmas e voltou o rosto levemente para trás. Podia ver a cara de tédio do irmão, que odiava mortalmente os discursos de abertura do ano letivo. Mais atrás podia ver o grupinho de meninas liderado por Tomoyo, e a garota de olhos verdes próxima a ela. Imaginou que fossem conhecidas, talvez até da mesma turma.
Lembrou então que ele e Syaoran estariam na mesma turma de Tomoyo naquele ano. Segundo ouviu dizer, alguns alunos novos entrariam na Tomoeda naquele ano; talvez a garota fosse uma deles.
Como seria seu nome? Syaoran também ficou se perguntando antes de chegarem ao ginásio. Ela realmente tinha mexido com os irmãos. Tsubasa havia lido o nome de uma Sakura na turma em que estariam... Mas Sakura era um nome tão comum naquele país, não podia ser... Além do mais, seria uma coincidência muito grande.
E falando em coincidências, Tsubasa refletiu, vendo o olhar do irmão se voltar na direção da garota de olhos verdes. A expressão naquele rosto de ar geralmente relaxado e zombeteiro era outra, totalmente desconhecida. Tsubasa nem sabia como definir o que seria; logo ele, que conhecia seu irmão melhor que ninguém.
Apenas de uma coisa ele tinha certeza.
“Problemas à frente.”
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