Tomadoi
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Espero que gostem e boa leitura!
Um dia normal se iniciava. Uma manhã linda, com o vento soprando nas folhas das árvores, passarinhos cantando uma melodia contagiante, o sol brilhava sua forte luz em todas as coisas. Um dia perfeito para dar uma volta, passear com os amigos, se distrair. Mas, uma pessoa parecia bastante inquieta. Tinha um ar de quem não sabia o que fazer. Estava aflita.
Tachikawa Mimi andava de um lado a outro do pequeno parque que havia perto de sua casa. Voltara ao Japão para poder visitar seus amigos e outros familiares, mas se deparou com um grande problema. Era fato que Izumi Koushirou e Kidoo Joe tinham uma queda por ela, disso já estava ciente desde as aventuras no Digital World. Mas, parece que dessa vez, os dois tiveram a mesma ideia para atormentar a pobre portadora da sinceridade: ambos se declararam para ela abertamente, para quem quisesse ouvir. Agora estava em um dilema. Não queria magoar nenhum dos dois. Sua mente estava em uma completa confusão.
Não sabendo muito o que fazer, resolveu procurar a portadora do brasão do amor. Ela saberia melhor que ninguém ajudar a pobre alma aflita.
- Mimi-chan! Foi tão lindo o que fizeram hoje! – Sora comentava com a morena, tomando um suco de laranja.
- Foi tudo muito lindo Sora-san, mas agora não sei o que faço! Não quero magoar ninguém. – Mimi respondeu, dando um gole na sua vitamina.
- Bom, isso é difícil, afinal, os dois amam você... Só não imaginei que logo eles teriam coragem de falar isso pra todo mundo ouvir...! Fiquei surpresa hoje! – Sora comentou pensativa.
- Droga! Só queria passar umas férias tranquilas com meus amigos... Isso é pedir muito? – A sincera Mimi esbravejou e alto e bom som.
Todos da lanchonete lançaram-lhe um olhar confuso. Por que aquela menina estava gritando tanto? Mimi viu o que fez e resolveu sentar-se, fingindo que nada havia acontecido. Sora olhava a amiga com um pequeno sorriso, entendendo o que a amiga estava passando. Afinal, Taichi e Yamato fizeram o mesmo com ela. Resolveu então tentar aconselhá-la o melhor que pudesse.
- Mimi-chan, isso com certeza foi inesperado. Mas você tem que pensar bem sobre isso. Não importa muito se você vai magoar um ou outro agora. O que importa é sua felicidade. Qual dos dois mexe mais com seu coraçãozinho? – Sora perguntou em tom materno, o que deixou Mimi mais tranquila para pensar.
- Koushirou-kun é legal... O pouco tempo que passei com ele quando o grupo se separou, foi muito bom... Apesar de ele ter me ignorado enquanto mexia na droga do notebook! – Mimi reclamou, se lembrando do infeliz episódio.
- Mas depois ele te salvou, não foi isso que me contou? – Sora questionou, ainda em tom materno.
- Sim... Acho que comecei a gostar dele quando isso aconteceu... Mas também tem o Joe, que largou o grupo só pra não me deixar sozinha... E ele também me aconselhou bastante aquela época... – A morena falava pensativa.
- Sim, sim...! Está indo pelo caminho certo...! Pense nas atitudes deles, o que você gosta neles e, finalmente, o que você sente por eles. – Sora a orientou. Não poderia fazer mais que isso. A decisão de com quem iria ficar era da mais nova.
Depois da longa conversa, Mimi se despediu de Sora e foi pra casa. Lá, em seu quarto, era o melhor lugar para se pensar.
Quando chegou à sua confortável casa, sua mãe veio correndo em sua direção. Parecia bem animada com alguma coisa.
- Mimi-chan! Chegaram algumas coisas pra você! São lindas! Estão no seu quarto! – A mãe falava em tom eufórico.
- Tá mama... Obrigada por me avisar... – Mimi respondeu a euforia de sua mãe com receio.
Subiu as escadas lentamente, não querendo imaginar o que seria. Quando abriu a porta, encontrou um lindo buquê de lírios branquinhos junto com um envelope. Também vira um ursinho de pelúcia marronzinho e com uma carinha feliz. Este acompanhava um envelope também. Mimi estava com medo de abrir as cartas, mas o fez. Teria de abri-las uma hora ou outra. A primeira que abriu foi a que acompanhava o buquê. Era de Koushirou.
“Mimi-san,
Perdoe-me por ter pegado você de surpresa hoje. Não sabia que Joe estava com a mesma intenção de se declarar a você. Na verdade, não sabia que ele nutria algum sentimento mais forte por você. Independente disso espero não ter te espantado muito. Peço que, por favor, pense com carinho na resposta que me dará.
Koushirou.”
Mimi ficou fitando o papel verde claro por um tempo. É fato que sempre que ficava a sós com o portador da sabedoria, seu coração acelerava mais que o normal. Também sempre fantasiou sobre reinos distantes, em que ela era a princesa e ele, o príncipe. Mas, isso lhe vem a mente Joe, naquela vez em que fora com Taichi tirá-la do castelo dos Gekomons. Pensando no mais velho, resolveu abrir a outra carta.
“Mimi,
Não sei como começar essa carta. Primeiramente, quero desculpar-me pelo vexame de hoje. Você deve ter ficado muito ruim depois daquilo. Não era minha intenção te assustar daquele jeito, a ponto de sair correndo. Se for algo que falei, desculpe-me. Droga, não sou muito bom com as palavras. Mesmo que eu estude por anos, ainda assim não saberei escrever algo decente pra você. Só peço que pense bem no que falei hoje. Aquilo foi verdadeiro e difícil de falar em público. Desculpe-me! Não estou te pressionando! Bom, vou encerrar por aqui, antes que eu fale mais besteiras... Mas, estarei esperando ansioso sua resposta.
Joe.”
Pronto. Agora era definitivo. Estava mais confusa do que quem sai de um brinquedo que só gira. Agora, mais que nunca, estava confusa. Apesar de seu coração bater forte por Koushirou, o mesmo acontecia com Joe. Não sabia mais o que fazer. Não sabia o que responder aos dois. Resolveu deitar-se em sua cama e pensar, até o cérebro explodir.
Passou-se um tempo e, como estava ocupada só pensando, acabou sendo vencida pelo cansaço mental. Dormiu ali mesmo, abraçada ao ursinho e sentindo o cheiro maravilhoso dos lírios. Acabou tendo um sonho.
No sonho, Mimi estava em perigo. Um bando de Digimons de nível Kyuukyokutai estava atacando ela e Lilymon. O Digimon planta estava em seu limite. Não aguentaria mais atacar e defender do jeito que estava fazendo. Seus movimentos ficaram lentos, enquanto recebia vários golpes fortes. Mimi sentia-se impotente, não podendo ajudar a amiga. Foi então que viu alguém chegar. Um Digimon nível Kanzentai acompanhava essa pessoa. Não seria o suficiente contra todos aqueles de nível máximo. Foi então que o digivice dessa pessoa brilhou, fazendo seu parceiro evoluir para o Kyuukyokutai também. Estava escuro e difícil de ver. Forçou os olhos para ver se enxergava algo. O que viu a deixou sem palavras. Lutando contra todos aqueles digimons, estava Koushirou, junto de seu HeracleKabuterimon. Chegou a ter esperanças quando o viu, mas depois de um tempo, HeracleKabuterimon também havia cedido. Estava esgotado. Voltara a ser um pequeno Motimon. Foi quando viu um dos digimons se aproximarem. Este ela reconheceu como sendo Venom Vandemon.
Viu que ele conversava de forma sarcástica com Koushirou, mas não conseguia distinguir do que falavam. Fez um grande esforço e conseguiu ouvir a última parte da conversa.
- Ok. Pode levar minha alma com você, desde que a deixe em paz. – Koushirou falava em tom sério.
- Deixarei a menina em paz. Só queria me vingar dos digiescolhidos. Você será o primeiro, como aviso. A menina volta, para falar o que aconteceu com você. – Venom Vandemon proferia, dando uma gargalhada no final.
- Tudo bem, só acabe com isso logo. E deixe ela fora disso. – O menino gênio falou, diminuindo o tom de voz.
- Assim seja! – O Digimon vampiro falou em tom de satisfação e, por fim, lançou seu ataque mais poderoso em direção ao menino e seu Digimon.
- NÃÃÃÃÃOOOO!! – A morena gritou, mas já era tarde demais.
Em um pulo, Mimi levantou da cama. Estava suando frio e esperava do fundo do coração que aquilo fosse realmente só um pesadelo.
Desceu as escadas correndo e foi em direção a cozinha. Precisava beber alguma coisa para poder colocar seus pensamentos em ordem. Depois de beber um copo cheio d’água, resolveu assistir um pouco de televisão.
Passou a tarde inteira na frente da TV. Não conseguia parar de pensar naquilo. Foi então que, aos poucos, foi se tocando da grande preocupação que tinha com Koushirou. Ela se preocupava com Joe também, mas era uma preocupação diferente. Joe era mais como um irmão que ela não teve. Seria difícil falar isso ao mais velho. Pensando melhor, sempre gostara mais de Koushirou. Depois de mais um tempo de devaneios, ela já tinha sua resposta.
No dia seguinte, reuniu-se com os dois. Queria ser o mais direta possível, sem magoar ninguém.
- Que bom que vieram meninos...! – Mimi falou aliviada ao ver os dois, principalmente Koushirou. Depois daquele pesadelo, realmente queria ver se o ruivo estava bem.
- E então...? – Joe parecia nervoso com a resposta que receberia.
- Tentarei ser o mais direta possível. Joe, eu gosto muito de você, mas não desse jeito. Você sempre me aconselhou, sempre me estendeu a mão quando mais precisei. Você é como um irmão mais velho pra mim... – Mimi falou, como se tivesse dificuldades para selecionar as palavras. Não queria magoá-lo de jeito nenhum.
- Então quer dizer que não tenho chances... Na verdade, eu já sabia que isso iria acontecer. Só me declarei a você para depois eu não ficar com cara de retardado arrependido. Tudo bem, respeitarei sua resposta Mimi. – Joe falou um pouco decepcionado. Esperava ter uma chance que sabia que não tinha. Sabia que o coração da pequena já tinha dono.
- Por favor, não fique magoado comigo... – A morena falou em tom preocupado. Não queria perder uma amizade tão boa quanto a dele.
- Tudo bem. Não tem como ficar magoado com você, Mimi. Quando precisar de conselhos então, pode me procurar, ok? – Joe falou, olhando para o relógio.
- Tudo bem...! – Mimi respondeu aliviada.
- Preciso ir! Estou atrasado! Minha família vai me matar! É aniversário do meu irmão hoje! Até mais gente! – Joe se despediu e saiu correndo em direção de sua casa.
Restaram somente Koushirou e Mimi. O clima estava meio tenso. Mimi não sabia como respondê-lo. Gostava muito dele. O amava demais. Mas, a vergonha não a deixava expressar seus sentimentos.
- Koushirou-kun... Eu... – A portadora da sinceridade estava com dificuldades para falar.
- Mimi-chan, me responda. Você me ama ou tem algum outro além do Joe e eu? – Koushirou estava apreensivo com a falta de resposta.
- V-vocês meninos são uns idiotas mesmo...! N-não conseguem ver através dos gestos de uma menina? – Mimi perguntou gaguejando.
Só então Koushirou notou a vermelhidão no rosto da menina, o jeito contraído de conversar com ele, a gagueira sem motivos. Foi então que ele percebeu que era correspondido. Mas, queria ouvir da boca da menina, então se fez de desentendido.
- Não consigo... Só tenho certeza depois que ouço. Pode me responder? – Koushirou perguntou seriamente, se aproximando da menina.
- V-você complica as coisas desse jeito...! – Mimi respondeu nervosa e corada.
- Desculpe, mas só tenho certeza depois de ouvir da boca da pessoa. – O ruivo respondeu. Estava gostando da brincadeira.
- Eu te amo... – Mimi falou em tom baixo.
- O que? Não ouvi direito. – Koushirou colocou uma das mãos no ouvido, como para que ouvir melhor.
- Eu te amo! E para com a brincadeira! – A morena vociferou.
- Ok, ok! Agora eu ouvi! – O ruivo falou, rindo ao final da frase.
Mimi estava tão brava que não notou que a distância entre eles havia encurtado. Quando deu por si, estavam a milímetros de distância. Podiam sentir a respiração um do outro, se juntarem em frente a seus rostos. O ar quente se misturava, fazendo com que ficasse difícil respirar. Koushirou a olhava nos olhos, coisa que raramente faziam por vergonha. Então, a mínima distância é anulada. Koushirou tomou coragem e selou seus lábios nos dela, em um beijo doce e demorado. Mimi abraçou o pescoço do menino, enquanto este a laçou pela cintura, unindo mais os corpos. Depois de um tempo, quando a respiração se fez necessária, eles cessaram o beijo.
- Fico feliz com sua resposta, Mimi-chan. – Koushirou falou com uma sorriso, abraçando a morena ainda.
- No fim, acho que a resposta seria essa mesmo, apesar de ter ficado confusa por um tempo. – Mimi respondeu, ainda abraçando o pescoço do ruivo.
- Eu te amo Mimi-chan.
- Eu também te amo, Koushirou-kun.
Notas finais
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