Tokyo Sounds

2 O segredo de Zero!


Notas iniciais
Nesse capítulo um novo personagem nos é apresentado e parece que ele tem um modo de pensar muito diferente. Além disso Zero explica do que havia feito no último capítulo. Obrigado por lerem, tenham uma boa leitura e não se esqueçam de comentar! ;3

Zero me pegou em seus braços e eu senti uma brisa batendo em meu rosto. Ele corria em uma velocidade impressionante, eu olhei para ele, vendo uma expressão séria em sua face. Quando me dei conta estávamos no terraço de um prédio, de lá se dava para ver a cidade toda. O brilho era espetacular, as luzes da cidade naquela noite, tudo estava tão calmo, era até difícil de acreditar que aquilo era real.

–- Bom... Para começar você já deve ter percebido como eu sou rápido... O fato é que eu posso me mover até 340 metros por segundo, sim é a velocidade do som. – Disse Zero. Eu continuei a olhar fixamente para ele como se eu fosse uma criança de cinco anos. – Isso é porque eu sou algo que chamam de “Sound”, além de correr na velocidade do som tenho outras habilidades como uma super audição, lançar rajadas sonoras e manipular o som como eu quiser. Acho que isso já deve bastar, não preciso falar mais nada.

–- Eu não me importo que você seja um mutante ou sei lá o que, queria apenas entender como pode ser capaz de decidir se uma pessoa vive ou morre. – Tudo bem, sei que esse meu comentário pareceu meio ingrato, mas por mais que um criminoso tenha cometido o mais cruel dos crimes, não acho que qualquer ser humano tenha o direito de julgá-lo e puni-lo com a morte.

–- Isso já entra na parte que não preciso explicar... Vou lhe deixar em casa e esquecemos isso tudo bem? Você não precisa mais falar comigo na escola se não quiser... Não me importo, tudo volta a ser como antes. – Eu fiquei arrasada com aquelas palavras, afinal tudo que eu havia conseguido neste dia foi por água abaixo com uma única pergunta idiota que eu fiz, mas ao mesmo tempo eu fiquei aliviada, esse cara era capaz de matar uma pessoa e não sentir nada com isso, ele estava tão tranqüilo, aquilo foi tão frio.

Ele me deixou em casa, e eu demorei a pegar no sono aquela noite, fiquei horas pensando no que havia acontecido. Meus pais não estavam em casa aquela semana, haviam viajado a negócios. Como madruguei pensando em Zero, no domingo eu dormi o dia inteiro. E então segunda-feira chegou, era hora de ir para a escola, eu iria ver Zero pela primeira vez depois do que havia acontecido. Para minha surpresa aquele era o primeiro dia de um aluno novo. Ele estava em pé na frente da sala enquanto o professor lhe apresentava.

–- Turma, a partir de hoje um aluno novo se juntará a nós, ele foi transferido de uma escola de Quioto. Seu nome é Yudei. – Era um garoto de cabelos compridos prateados, seus olhos eram de uma coloração escura, quase totalmente preta apenas um pouco acinzentada, além disso, usava uma faixa branca amarrada na cabeça. Também tinha um colar de prata no pescoço com um símbolo muito bonito como pingente.

Não haviam mais lugares na sala então ele pôs uma nova carteira na segunda fileira e se sentou atrás de Zero. Senti que Zero não gostou muito daquilo, ele adorava ser o último da fila. Viajei em meus pensamentos sobre Zero e tudo que havia acontecido. Cheguei até a cogitar a ideia de que ele era um espião do governo em nossa escola a procura de alguma coisa, ou um alienígena, ou até mesmo algum tipo de andróide com uma tecnologia super avançada.

Quando me dei conta o sinal havia tocado, estava na hora do almoço. Eu andei pelos corredores com meu almoço e vi alguns garotos rodeando Yudei, eles liam uma notícia no celular sobre um bandido que havia sido morto por algum tipo de justiceiro. Na hora me lembrei de Zero, então fiquei atrás de uma parede ouvindo a conversa.

–- Eu acho isso totalmente errado, como um simples cara pode decidir sobre a vida de uma pessoa?! – Falava um dos garotos em volta de Yudei.

–- Então um ser humano decidir sobre a vida de qualquer outro ser é aceitável, mas quando se trata de outro ser humano é errado? – Perguntou Yudei. Cerrei os olhos, e então me virei ficando encostada na parede. Afinal ele tinha razão no que havia dito. O ser humano podia caçar qualquer outro animal sem problema nenhum, mas quando surge algo mais forte que ameaça a vida dos seres humanos isso imediatamente é enfrentado como algo inaceitável.

–- É claro que esse cara não é um humano, da pra notar pelo jeito que o corpo do bandido ficou... Acho que a polícia devia prendê-lo, antes que ele mate mais alguém e saia do controle – Dizia outro garoto que estava ao redor de Yudei.

–- Quando o assunto é matar, nada supera os humanos. – Após esta frase, Yudei se levantou e caminhou na direção da parede em que eu estava escondida. A frase dele novamente me impressionou e quando eu fui sair daquele local meu olhar se cruzou com o dele, parecia até que ele sabia que eu estava ali ouvindo tudo aquilo.

Porém naquele momento eu só conseguia pensar no que o garoto havia dito, e se ele estivesse certo? A polícia agora estaria atrás de Zero e era tudo culpa minha, eu tinha que falar com ele novamente, não importa o que ele havia me dito. Esperei a aula acabar, após o almoço eu não tinha aula nem com Zero e nem com Yudei, foi fácil manter a calma, então corri o mais rápido que pude até a saída da escola e fiquei esperando Zero sair, escondida eu comecei a segui-lo.

Ele era muito misterioso, eu tinha que saber mais coisas sobre ele, seguindo ele cheguei até um hospital onde ele entrou. Quem estava ali? Será que era algum familiar? Alguém ferido por ele mesmo? Eram muitas dúvidas, mas tudo que eu podia fazer era esperar do lado de fora do hospital, esperei por uma hora, e não agüentei mais, já estava escurecendo eu tinha que ir para casa. No caminho eu ouvi alguns gritos e provocações então ao olhar atrás de um muro, em um terreno baldio, lá estava Yudei a frente de um garotinho menor.

Eu o reconheci ele era da minha classe na turma da manhã, a frente de Yudei estava um grupo de seis garotos, eu também os reconheci, eles sempre incomodavam o garoto mais magro, transformavam a vida dele num inferno.

–- Cara qual é o seu problema? Você não tem nada a ver com isso, chegou hoje de outra cidade. – Falou o que parecia ser o líder dos seis garotos.

–- O meu problema? Seis marmanjos querendo bater em um cara muito menor do que todos eles, com todos achando isso normal e você me pergunta qual o MEU problema? – Respondia Yudei. Era impressionante como tudo que saia da boca daquele rapaz me tocava de um jeito inexplicável. Os garotos ficaram muito enfurecidos, eles apertaram os punhos, alguns seguravam pedaços de madeira, mas logo soltaram e foram embora.

Yudei se virou estendendo a mão para o garoto magro no chão, ele usava óculos, tinha um cabelo dividido ao meio e suas roupas eram bem arrumadas. Quando Yudei estendeu suas mãos, ele pôs as mãos sobre o rosto e começou a chorar, Yudei o pegou pelos ombros levantando-o e limpando suas roupas que estavam um pouco sujas de poeira. – Se quiser eu posso te acompanhar até em casa...

–- Não é necessário, eu moro aqui perto. – Respondeu o garoto.

–- Tudo bem então, eu vou indo.

–- Espere Yudei... Obrigado. – Exclamou o garoto estendendo a mão para Yudei, que respondeu apertando a mão do garoto. Após isso ele se virou e veio em minha direção.

–- Olha quem está por perto outra vez... – Comentava Yudei fitando-me. Eu estava tão impressionada com a coragem dele que nem me lembrava mais de Zero no hospital.

–- Porque fez isso? O garoto passa por aquilo todos os dias, já até estava acostumada, mas com você se metendo... É inesperado o que eles poderiam ter feito... – Eu dizia olhando seriamente para Yudei.

–- Muitos garotos sofrem disso todo dia, uma hora eles se esgotam e acabam dando um fim a isso tragicamente. O que ganhamos com isso? Nada. Por outro lado perdemos grandes cidadãos e o mundo continua se enchendo de babacas como aqueles que após a morte dele, apenas encontrariam outro para incomodar. – Explicou Yudei.

–- Isso é realmente verdade, me sinto mal por ver isso todos os dias e nunca ter feito nada para mudar, apenas me conformo com as coisas. Eu sou uma imprestável. – Disse enquanto olhava para baixo. Yudei se aproximou de mim, pôs as mãos em meu rosto e levantou minha cabeça.

–- Não se culpe, a maioria das pessoas são assim, eu que sou o diferente. Sabe, eu fiquei desapontado ao ver que você não estava na mesma sala que eu depois do almoço. – Naquele momento eu arregalei os olhos corando muito.

–- E-Eu... Tenho que ir, já está tarde, foi bom falar com você. – Eu falei toda nervosa já me virando e começando a caminhar.

–- Se não lembra, meu nome é Akani Yudei, quando precisar de mim é só chamar... Yuki. – Eu apenas acenei para ele e continuei andando, estava muito nervosa.

Ao parar em um cruzamento, já estava perto de chegar em casa, esperei o trem passar para que eu pudesse atravessar, foi nesse momento que meu coração parou como da vez em que descobri sobre Zero. Um vulto passou diante de mim, ao olhar para o horizonte pude perceber que se tratava de uma pessoa, ela ultrapassou o trem sem dificuldades, eu tive certeza de que era Zero, porém senti que havia alguém atrás de mim, e ao me virar pude ver Zero fitando-me fixamente, ele parecia assustado, talvez pelo mesmo motivo que eu naquele momento.