Tokyo
4 Tokyo Love History
"Você nem liga para o nosso encontro
Para mim você é a primeira pessoa que
me deu felicidades
e me ensinou o que é a dor"
— Robin... posso.. posso te perguntar uma coisa?
Ele olhou um tanto quanto confuso em direção à ela, mas acabou por assentir com a cabeça.
— Você não teria me beijado... se... realmente não gostasse de mim não é mesmo?
O mais lógico seria ele responder sem nenhuma hesitação e principalmente sem ferir os sentimentos dela. Mas Robin não era exatamente o tipo de pessoa que seguia a lógica. Ele avaliava os fatos, a pergunta, a situação.. Analizava tudo... tornava complexo o que deveria ser simples.Afinal, ele era um líder, um investigador e pensador nato, era isso que um líder de veria fazer e isso que um líder deveria ser.
— Por que está me perguntando isso?
Não era?
— Não me responda uma pergunta com outra... – ela replicou, magoada.- Se está em dúvida... Então... Isso aqui não está certo...
As vezes ele esquecia que não era preciso ser um líder o tempo todo.
— Star...-Ele chamou, colocando uma das mãos no ombro dela.
— Não Robin...-Ela retirou a mão dele de seu ombro.- Eu... acho... que ... eu preciso pensar um pouco...
—Star!- Ele chamou novamente, mais confuso- Pensar no quê? Não tô te entendendo...
— Nada Robin...- Ela balançou a cabeça e saiu voando para longe dele.
— Star!!!! –ele chamou mais uma vez estendendo o braço esquerdo para tentar alcança-la, o que não foi suficiente pois ela já estava distante.- Mas que... droga foi essa?- ele perguntou para si mesmo
"Fiquei sofrendo sozinha e você disse que não ia me esquecer
Hoje é um dia especial só nosso e você nem lembra
Você enjoou de mim? Você disse
que não ia esquecer de mim"
"Ravena, Você está bem?"- Jericho perguntou com os olhos e o rosto, colocando novamente a mão timidamente sobre seu ombro.
—Estou.- Ela respondeu mecanicamente- É só...
"Cale-se"
— Não é nada. – Disse por fim, colocando o capuz sobre a cabeça, escondendo a sombra de tristeza que tomara conta de suas feições.
Jericho maleou a cabeça e segurou mais firme no ombro de Ravena, tentando lhe transmitir confiança. Ela no entando nem se moveu.
—Rae? –Ele mecheu os lábios, embora soubesse que não pronunciara nada audivel.
—Jericho? Amigão você tá ai???? — A voz de Mutano chamou pelo comunicador
— Poh cara deixa de ser idiota!- Cyborgue falou ao fundo- Como você quer que ele responda?
—A... eh...—Ele disse se lembrando- Se tiver alguém ai com você será que..
— O que você quer Mutano? – Ravena perguntou cortando-o bruscamente.
— RAVENAAA! – Ele gritou fazendo com que ela abafasse o som da voz dele com as mãos- Cara o que você tá fazendo com o Jericho?
—Meditando...
—Ah! Você nunca me deixa meditar com você e...
— Fala logo o que você quer.
— Vão chamar ele pra farra sim ou não?- Arauto perguntou ao fundo, um tanto impaciente com a demora.
— Farra?- Ravena reptiu com um tom de voz um tanto quanto engraçado.
— É.. é... é Que a gente queria fazer uma reunião só de meninos sabe??? Com salgadinhos , quadrinhos, video games e coisas assim!
"Será que ele cansou de ser perseguido pelas fãs?" –Ravena pensou sarcasticamente.
—Quer participar Ravena?- Mutano perguntou esperançoso.
— Eu realmente devo parecer um menino para você não?
— Ah.. é..- Ele respondeu como se tivesse se lembrado de que ela não era um menino- Pergunta para o Jericho se ele vai querer participar então??
Ravena olhou em direção a Jericho que, como sempre, lhe sorriu de volta fazendo um sinal de positivo com a mão direita.
— Ele vai.
—Legal!— Mutano exclamou, para ele, quanto mais pessoas, maior a festa.
Ravena desligou o comunicador e o entregou para Jericho, levantando-se e indo em direção a escadaria do templo. Jericho apenas a seguiu devagar, segurando firmemente o violão.
Desceram as escadarias do templo- que eram muitas, pois o templo normalmente era colocado nos lugares mais altos possíves... Talvez para que pudessem proteger as pessoas dos maus espiritos ou algo semelhante.
Ao lado das escadas muitas árvores de floridas, as quais espalhavam sua flor cor-de-rosa pelo ar, que chegando ao solo formavam um tapete. Para ver esse belo cenário, lampadas tipicamente japonesas e vagalumes iluminavam o lugar.
Aquilo tudo era tão diferente da vida urbana nos arredores do hotel.
—CARAAAAA! COMO VOCÊS DEMORARAM!
Foi assim que foram recebidos ao chegar no hotel, as boas vindas do mutantezinho verde, claro.
—É, mas chegamos não chegamos?- Ravena respondeu sem nenhuma paciencia.
—Rae, cê tá bem?- Cyborg perguntou- Cê tá meio pálida sei lá...
—Estou ótima.
Cyborg achou melhor não discordar, verdade seja dita: eles já tinham abusado demais da boa vontade de Ravena e com certeza aquele último black-out no Karaokê demonstrara isso.
— Vamos começar a festa ou não?- Arauto perguntou, em um tom animado e impaciente ao mesmo tempo.
— Festa? Que festa, gloriosos amigos?- Estelar perguntou,enquanto passava pela recepção do hotel.
— É só para meninos Estelar!- Cyborg respondeu alegremente, mas ao olhar o nariz e olhos avermelhados da alienigena logo se surpreendeu.
— Você estava... chorando?- Mutano perguntou, com sua curiosidade um tanto quanto incômoda, e logo foi repreendido por Cyborg com um forte cascudo.
—Não eu só estou um pouco... resfriada...Atchin!— Ela forçou um espirro para colocar mais veracidade em sua fala.
—Se você diz... –Mutano balbuciou, não muito convencido.
—Deve tentar descançar...- Ravena falou por fim... na verdade aquela frase saira em um impulso, um pensamento alto.
Estelar a encarou por alguns instantes, como se estivesse analizando tudo em sua amiga- poderia chama-la assim mesmo agora?-.Era um devaneio na verdade... pensava e pensava com os olhos concentrados na feiticeira.
—Estelar... você está bem?- Mutano perguntou, estranhando o comportamento da mesma.
—Estou sim.- Ela respondeu rapidamente, forçando uma certa animação- Devo estar com um pouco de febre.. e delirando- Atchin!
Jericho lhe estendeu um lenço que ela rapidamente tomou em mãos, indo para o seu quarto quase que correndo.
— Que estranho...- Arauto soltou, meio complexado com toda aquela situação.
—O que é estranho? – Robin perguntou, também se juntando á eles.
—A Estelar saiu daqui correndo e...
—Vou para o meu quarto- Ravena informou, também saindo dali.
—Ravena? – A voz chamou, após dar duas batidas contra a porta.- É o Robin posso entrar?
"Não entendo os corações dos homens
Você sorri sem graça
Por que você sorri desse jeito?
Não consigo te entender isso"
As luzes que eram vistas da varanda eram realmente muito bonitas, no entanto isso não era suficiente para acalmá-la.
Porque ele estava ali.
— Algum problema Robin?- Ela perguntou por fim, quebrando o silêncio.
— Não é que... eu estava pensando.. A gente deveria pesquisar por aqui.. alguns heróis para tomar conta de Tokyo...
—Não é sobre isso que você veio falar.-
Ela cortou, queria que o assunto terminasse o quanto antes para que o quanto antes ele saísse de seu quarto- embora apreciasse sua compania, seus poderes não pareciam sentir o mesmo apreço por ele. Além disso, ela o conhecia suficientemente bem para saber que aquilo era apenas uma desculpa para um assunto totalmente diferente.
—Não.. não é...
— Eu sei. Eu te conheço Robin. Eu sei que se você quizesse tomar alguma decisão em relação aos Titans você tomaria sozinho ao invés de me consultar.-
Ele poderia ter ficado impressionado com a forma direta que ela lhe falara. Ele poderia ter ficado impressionado por ela conhece-lo tão bem ao ponto de chegar à tal dedução. Mas não estava. Ela era a Ravena e com certeza o conhecia.
Ele sorriu sem graça.
— Veio falar sobre o que..?
Ela não entendeu esse sorriso dele, e também nem gostaria.
— É complicado... Mas.. sei que eu posso contar pra você e com você... As vezes eu acho que você é a unica pessoa madura e séria na equipe...- Ele disse, não imaginando o quanto aquilo soara como um desabafo.
O vento que antes era frio agora parecia extremamente cortante, mesmo que Robin tivesse dito coisas certas e até agradáveis sobre ela, aquilo lhe pareceu mais como se fosse uma desaprovação.
"Você pode falar o que quiser de
mim mas te amo tanto do mesmo jeito
Mesmo assim consigo
ficar com você,pois me sinto feliz"
"Séria.. não seria infeliz?"- pensou, mas nada disse.
—É que...a Estelar...
"Sempre ela."
—Ela ficou com ciúmes... de você.
A feiticeira olhou o menino prodígio com espanto, que logo foi trocado pela vontade quase incontrolável de rir. Não podia acreditar no quão ridículo era aquilo que Robin lhe contara- ao menos para ela.
— Ciúmes de mim? Não é ela por um acaso a namorada do menino prodígio?- comentou sarcasticamente, enquanto sentia se enforcar por dentro com os espinhos de suas próprias palavras.
Robin ficou um tempo em silêncio- ele não sabia o que responder ao certo.
—Ravena.. acho que ela ficou com ciúmes porque.. eu hesitei em dizer que eu.. gostava dela...
Ela arqueou a sombrancelha, de certo não compreendia então onde ele queria chegar, lógicamente, o melhor seria perguntar.
— E porque você hesitou?
—Eu.. não sei.. talvez aquela coisa toda do seu pai tenha aproximado a gente...
É melhor nós voltarmos a ser amigos
Consigo te perdoar por qualquer coisa
Até na cidade de Neon
Ela arregalou os olhos e entreabiu os lábios- talvez tenha quebrado algum objeto de "brinde". O que.. estava acontecendo?
Ela logo percebeu.
— Acho.. que a gente é só amigo... você só está confundindo as coisas.- ela falou por fim. Sabia que aquela ânsia de tê-lo perto dela provavelmente o estaria afetando.
—É... tem razão! – Ele respondeu, como se tivesse saido de um sonho enquanto coçava a cabeça nervosamente.- Não sei o que eu estava pensando no fim das contas...Vou falar com a Estelar.
Ravena apenas assentiu com a cabeça, vendo-o sair apressadamente de seu quarto.
Assim que ele bateu a porta ela deixou-se cair sentada no chão, vagando com os olhos sem encontrar um ponto fixo nas luzes da cidade, que agora ficavam embaçadas devido a água salgada que tomava espaço neles.
— O final é sempre assim, tudo que eu disse foi falando para fora.. no fim das contas eu vou sempre ansiar para te-lo por perto, mesmo que esse sentimento nele tenha sido criado por mim...
Ela nem acreditava que aquela lágrima prateada escorria do seu rosto. Ela supostamente não deveria ter tais sentimentos- ou qualquer um que fosse. Mas ele tinha feito aquele "milagre".
Deveria ser por fazer milagres.. que ele era conhecido como 'prodígio'.
Não me diga adeus se não vou correr atrás de você
Encontrar com você foi um milagre
Por tanto não me deixe
— Robin.
História de amor interminável
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