Token Wife (DRAMIONE)
2 O Começo
Notas iniciais
—Você não vai casar comigo?! Por que não?!
Se sua voz parecia calma, é porque ele avia aprendido a controlar-se. Por dentro seu estado era diferente. Havia até mesmo parado de se arrumar para prestar atenção na resposta da mulher que continuava despida em meio a seus lençóis.
—Oh, Draco. Eu vou, sim, me casar com você. — Disse a loira enquanto ajustava-se na cama. — Eu apenas não me importo com essas condições bobas.
—Bobas?! Você concordou!- Estava começando a demonstrar sua irritação. Respirou fundo ao parar de frente para ela, a camisa ainda na metade do cominho em seus braços. – Eu preciso de uma esposa! Tem que ser apenas por três meses. Então podemos nos divorciar. Tem mais do que dinheiro o suficiente nisso para você concordar com um pedido tão simples!
O brilho nos olhos dela se intensificou.
—Dobre! — Exclamou. — Dobre o valor!- A diversão estampada nos lábios dela foi o fim.
Ela estava tirando vantagem.
E ele não iria permitir.
Havia colocado naquela proposta uma quantia boa o bastante. Tinha certeza que conseguiria de graça. A questão é que precisava de uma candidata a altura e não tinha tempo a perder com formalidades. Mas não desceria ao nível de uma qualquer para isso.
Sorriu e terminou de vestir-se calmamente. Podia sentir os olhos dela atentos a cada movimento seu. Curiosa para saber o que se passava com ele ou o que faria a seguir. Ele passou direto por ela e atravessou o quarto. Já estava com a mão na maçaneta quando ela percebeu o que se passava e o chamou.
—Você vai sair? Assim?!
Virou-se para ela, sua face era neutra e sua voz foi suave, mas seu tom chegava bem perto da impessoalidade. Era esse! Seu tom de negócios.
—Você deixou muito claro o seu posicionamento. E eu estou deixando o meu.
O rosto dela iluminou-se. Talvez tivesse pensado que ele estivesse a caminho de atender a seu pedido. Que o acordo estava selado. Mas seu sorriso murchou ao reparar no frio dos olhos dele. Enganou-se quando pensou que aquela seria a sua postura de trabalho. Não usava seu tom de negócios, pois a voz que seguiu-se foi cortante e a fez tremer de medo. Ele não falaria assim com seus parceiros de mercado, ou com alguém com quem quisesse fechar um contrato. Ela soube naquele momento, aquela entonação era como falava com seus subordinados. E percebeu que nunca passaria desse nível para ele.
—Meu tempo é precioso demais para desperdiça-lo aqui.
Ela permaneceu atônita no quarto, enquanto ele rumava para as escadas da pequena mansão.
Comprara aquele lugar por questões estratégicas. Depois da Guerra, ainda haviam alguns locais onde não se conseguia aparatar. O Ministério dizia que isso seria resolvido em breve. Mas ele nunca foi de esperar. Precisava de um local onde conseguisse acesso a Londres Trouxa, onde andava fazendo negócios. Usava do Pó de Flú para chegar ali.
Para manter o lugar, utilizava apenas de uma faxineira que vinha quando ele não se encontrava. Não queria levantar suspeitas. Tratava-se apenas de um lugar de entrada e saída, não morava nela. Mantinha a Malfoy Manor em Wiltshire, mas não traria qualquer uma para seus aposentos. E assim, este lugar ganhou mais uma função. Era mais privado que um hotel.
Pequenas mãos esticavam-se com dificuldade em direção ao um vaso colorido em cima de um pequeno pedestal.
—--x---
—Orion! Não! Não é brinquedo!
Com dificuldade, a moça que fazia a limpeza no corredor ao lado conseguiu alcançar o menino e impedi-lo de causar problemas. Sentou-se no chão para tentar igualar suas alturas e falou com muita calma ao pequeno de olhos azuis.
—Isso é muito, muito, caro!
“Preciso arrumar outro emprego logo. Não posso tirar meus olhos de Orion por um instante!” pensou enquanto o pegava no colo.
—Quem está ai? O que está fazendo?
As perguntas vieram do acesso ao segundo andar que estava às suas costas e, ao virar-se, sua surpresa não poderia ter sido maior.
Draco Malfoy estava encostado no corrimão da elegante escadaria de mármore. Apesar de sua expressão surpresa, ele estava lindo. O suficiente para que ela se perdesse nesse pensamento. Os cabelos platinados característicos de sua família emolduravam seu rosto aristocrático, o terno de grife delineava seu físico e os primeiros botões de sua camisa, que estavam abertos, faziam aos seus olhos a maior das regalias.
—Você...- Ele começou. “É agora.” Pensou ela. “Serei zombada e despois demitida.”-... é a faxineira?
A falta do tom de ofensa a fez pensar que, talvez, devido a distância e o tempo que se passou desde que se viram pela ultima vez, ele não a tenha reconhecido. Que o tom levemente surpreso era apenas por não esperar encontrar alguém ali aquela hora.
—Me foi dito que você estava fora, então eu vim para limpar. Desculpe-me. Sairei agora mesmo.- Tentou manter sua cabeça o mais baixa possível sem levantar suspeitas.
Enquanto ela falava, ele a observava. Ainda não acreditava que via em sua frente a princesa da Grinfinória. Deixara as rixas e picuinhas da escola no passado. Não se importava com isso. Hoje fazia negócios com não-bruxos. Mas seu estado de surpresa ainda era visível. Não apenas porque lhe foi dito que a responsável pela limpeza era trouxa ou porque ELA era a responsável pela limpeza, mas pelo estado em que estava a mulher à sua frente.
“Esquálida. Esta malnutrida e magra. Cabelos mais bagunçados do que da última vez que a vi e roupas surradas e manchadas.” Seus olhos vagavam por ela da cabeça aos pés. E então se focaram na criança em seus braços, que se esticava em busca de atenção. “Até mesmo trouxe o filho com ela. Talvez não consiga pagar por uma baby-sitter.” E parou ao pensar nisso. “Um filho. Ela tinha um filho.”
Milhões de perguntas se formavam em sua cabeça. Por que ela estava ali? No mundo trouxa e com um emprego daqueles? Em sua casa. Por que estava naquele estado? Onde estava Potter e Weasley? Eles que sempre a cercaram e a protegeram como dois idiotas. Por que não ouvira falar mais dela após a Guerra?
Voltou ao foco quando ela levantou-se coma criança, fazendo menção de ir embora.
—Espere! –Ele queria respostas para suas perguntas. Mas quando ela se virou, já do lado da porta dos fundos, a primeira pergunta que lhe escapou foi: — Você é casada?
Isso a surpreendeu de tal forma que parou abruptamente à soleira da porta.
—N-não. – respondeu relutante. Perguntava-se que tipo de situação era aquela e queria ir embora o mais rápido possível.
—E quanto ao pai da criança?
—Ele...Ele se foi.
—Um namorado, então?
—Não...
“O que é isso?!” pensou ela. De todas as perguntas que poderiam ser feitas, aquelas foram, sem sobra de duvidas, inusitadas. Tanto quanto as perguntas, ela não entendia o porquê de ter respondido.
—Eu posso ter um trabalho para você. Vamos conversar mais adentro da casa. –Ele subia as escadas em sinal para que ela o seguisse.
“Trabalho? Mais adentro da casa? Do que ele esta falando?!” Ela estava em pânico. Não sabia o que estava ocorrendo. Ele poderia ter visto quem ela era. O que a apavorava, pois não sabia o que ele faria por ter uma sangue-ruim em sua casa. Ou poderia não ter percebido. E ela não iria querer que o fizesse. Precisava sair dali, rápido.
E com um curto pedido de desculpa pelos modos rudes, ela saiu correndo da casa com a criança em seus braços.
—--x---
A chuva forte batia na janela enquanto a jovem de olhos castanhos tentava se concentrar nas palavras que ouvira há pouco tempo atrás.
—Colocar Orion para adoção?!- Repetiu incrédula.
—Srta. Granger.- Disse uma senhora na casa do 40, enquanto arrumava seu terninho cinza de corte reto.- É para o seu próprio bem. Como a assistente social responsável pelo caso...
Não terminara de ouvir. Colocou a mulher para fora sem se importar com o resto enquanto gritava para ela o quanto aquela ideia era ultrajante.
O dia não estava dos melhores. Primeiro o encontro com Malfoy; depois a proprietária do pequeno apartamento em que morava nos subúrbios de Londres avisou-lhe que ria aumentar o alugue; agora, tinha mais, a dor de cabeça que enfrentava devido a discussão com a assistente social. De fato, não era seu dia de maior sorte.
“Não vou desistir do Orion. Conseguir dinheiro dessa forma pode ser difícil... mas Orion é minha vida. Minha única fonte de felicidade.” Estava certa disso. Não era de hoje que pensava assim. “Mas e quanto ao que é melhora para ele...?” Esta também era uma duvida antiga.
KNOCK KNOCK *
Batidas à porta. Tinha medo de abri-la e ser a assistente social novamente.
—Granger!
Sobressaltou-se. Conhecia aquela voz. Não a confundiria. O que ele estava fazendo ali? Como a encontrara?
—Precisamos continuar a nossa conversa de mais cedo.
Não tinha nada o que conversar com ele. Não sabia o que fazer. Não queria encara-lo, mas tinha medo do que pudesse acontecer se o recusasse. Malfoy podia usa magia. Foi pensando nisso que abriu a porta e o deixou entrar.
Ofereceu-lhe um lugar para sentar, mas ele recusou. Ver aquele homem, em toda sua glória, em pé no meio de seu pequeno e húmido apartamento trouxa era uma imagem que seu cérebro inteligentíssimo não conseguia associar corretamente. Parecia errado.
Respirou fundo e resolveu fazer uso da coragem, que sabia que tinha em algum lugar e a qual usava em ocasiões especiais.
—Como soube onde eu moro?
Sua resposta veio sem mais delongas.
—Perguntei para a agência de limpeza pela qual te contratei. Eu não tenho muito tempo então eu serei rápido.
Seus olhos eram sérios e ele deu um passo mais para perto da moça entes de dizer.
—Casa comigo?
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