Together By Fate.
21 Capítulo 20 - Olhos e bocas.
Notas iniciais
Quarta, 23:00
Pov Sophia.
Eu estava deitada, esperando que o sono chegasse, mas ele não chegava. No dia anterior, eu tinha discutido com Bernardo e isso ainda me perturbava. Ele disse que preferia não tocar no assunto e que era para agirmos como se não tivéssemos brigado, mas era impossível. Nem ele conseguia disfarçar. Apesar disso, ele continuou fingindo ser meu namorado, — em público — inclusive me beijando. Eu me perguntava se tinha sido um erro ter me aproximado de Bernardo, se o melhor a fazer não seria voltar a odiá-lo e tentar fazer com que Felipe se afastasse sozinha. Vi que apenas pensar não me levaria a nada. Me levantei, andei até meu guarda roupa e peguei o maior moletom que encontrei. Vesti e foi o suficiente pra cobrir o baby doll que eu usava. Bernardo já tinha me visto em mais situações constrangedoras do que eu gostaria de imaginar e não iria me ver vestida de baby doll de novo. Abri a porta do meu quarto e respirei fundo encarando o corredor escuro. Atravessei o corredor e dei duas batidas na porta dele, que estava estranhamente fechada. Assim que bati, escutei ele mandar que eu entrasse. Entrei devagar e fechei a porta, cruzando os braços em seguida. Bernardo estava sentado na cama, com os cabelos bagunçados e o rosto cansado, como se assim como eu não tivesse conseguido dormir. O quarto era iluminado apenas por um abajur, na cabeceira da cama dele. Além disso, ele estava apenas de cueca, o que tirou minha atenção.
— Tá com saudade de dormir comigo? – ele disse rindo com escárnio. Eu sorri.
— Um pouco. – eu disse sincera – Mas é que eu queria conversar com você. – ele me olhou confuso e deu dois tapinhas no lugar em frente a ele
— Senta. Eu tava sem sono mesmo. – eu me sentei de frente pra ele, sem encara-lo.
— Bernardo, eu não quero mais que você me ajude. – eu disse olhando para minhas mãos que tremiam. Senti os olhos de Bernardo me encararem
— E por que não? – ele perguntou num tom indiferente
— Porque isso não tá sendo bom nem pra mim, nem pra você... – ele me interrompeu
— Como assim não tá sendo bom pra mim? Eu nunca disse iss... – dessa vez eu interrompi ele
— Talvez fosse melhor se nós esquecêssemos tudo e voltássemos a nós odiar. Ou pelo menos ficássemos indiferentes um ao outro. Você não se mete nos meus problemas e eu não me meto nos seus. – eu disse sem querer encara-lo. Ele soltou uma risada fraca e sem humor nenhum.
— Eu não conseguiria voltar a te odiar nem se eu quisesse, Sophia. – eu esqueci que estava evitando encara-lo e encarei-o surpresa. Fiquei mais surpresa ainda quando vi os olhos dele. Castanhos avermelhados. Eu já tinha visto os olhos dele milhares de vezes, mas nunca daquele jeito, nunca tão perto e nunca tinha parado para prestar atenção na cor. Engoli em seco e relembrei meu pesadelo, onde eu me afogava num “mar” exatamente daquela cor.
— Bernardo... Seus... – eu disse tentando encontrar as palavras – Seus olhos. – foi tudo que eu consegui dizer.
— São perturbadores? Te dão medo? – ele disse sustentando o olhar no meu. Eu assenti com a cabeça sem conseguir desgrudar nossos olhos.
— Perturbadores, com certeza. – eu disse com a respiração pesada – Eu sonhei com eles. – o olhar dele passou de provocativo para confuso e depois para incrédulo.
— Como? – ele perguntou
— Eu sonhei que eu me afogava num lugar exatamente da mesma cor que seus olhos, no dia que sonhei com a morte do meu pai. – eu disse ainda admirando os olhos dele – Eles são perturbadoramente lindos.
— Entendeu por que nem se eu quisesse eu voltaria a te odiar? – ele disse parando de me encarar e olhando para baixo. – Eu também sonhei com seus olhos, Sophia. – ele disse voltando a me encarar. – Não como eles estão agora. Agora eles estão escuros, como se tivesse uma tempestade dentro de você. – ele disse fazendo o contorno dos meus olhos com o dedo. Eu fiz o mesmo com ele
— Os seus também mudaram de cor. Estão mais vermelhos. Como se algo dentro de você pegasse fogo. – ele riu enquanto pousava a mão no meu rosto e acariciava-o.
— Talvez realmente tenha algo dentro de mim pegando fogo. – ele disse sussurrando e aproximando nossos rostos devagar. Ele roçou nossos lábios, como se quisesse ter certeza de que eu não iria me afastar, e eu não me afastei. Aquele foi o primeiro beijo que fez meu coração se acelerar. O primeiro que me fez ter vontade de outro. Me fez esquecer do mundo. A boca de Bernardo se encaixava na minha com perfeição e ao mesmo tempo em que era extremamente gentil e carinhosa, era maliciosa. Eu estava tão nervosa que logo perdi o folego e me afastei. Quando encarei Bernardo, ele já me encarava com as sobrancelhas arqueadas. Não precisei ser vidente nem nenhum tipo de vampira para saber o que aquele olhar significava: “Tem certeza de que ainda quer o Felipe?”. Eu não tinha mais certeza de nada.
— Bernardo, eu vou dormir. – eu disse me levantando sem encara-lo. Ele segurou minha mão antes que eu pudesse sair
— Soph... – disse quase cantando meu nome. Eu encarei ele com uma careta e ele riu
— Durma aqui comigo... – ele continuava cantando. E eu não consegui não rir. Tanto pela proposta quanto pelo jeito que ele falou.
— Sério isso?
— Sério... – ele disse me puxando e fazendo com que eu me sentasse de novo – Dorme aqui, Soph.
— Acho melhor não. – eu disse olhando pra ele
— Por que? Somos namorados, não somos? Namorados dormem juntos! – ele disse com um ar divertido. Eu ri.
— Somos, mas... – ele me interrompeu
— Além disso, já dormimos juntos outras vezes.
— Foi diferente! – eu protestei.
— Ah! Vamos Soph! Juro que não encosto em você. – ele disse me olhando malicioso. Eu sorri
— Vai ser preciso mais que isso pra me convencer. – eu disse isso e ele se aproximou de mim
— Ah, é? – chegou tão perto que eu pude sentir a respiração dele
— Não sou tão fácil assim! – eu disse rindo e me levantando antes que ele me beijasse novamente. Corri até a porta e antes de sair eu disse rindo
— Boa noite, Bernardo. Sonhe comigo.
— Boa noite, Sophia. Sei que você vai sonhar comigo. – ele disse rindo ainda mais.
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