Together By Fate.

12 Capítulo 11 - O fim da noite.


Pov Sophia

Nós atravessamos a avenida e andamos em direção ao calçadão da praia. Andamos alguns metros sem rumo e em silencio, todos tensos e cansados demais para falar alguma coisa. Era como se estivéssemos acabado de sair de um filme de ação. Com polícia, bandidos, tiros e mocinhos que fogem no momento certo. Eu estava trêmula e meus pés estavam muito sujos e machucados. Ninguém parecia querer quebrar o silêncio, até que Helena se manifestou.
— Fala sério! Olhem para nós! Nós quase fomos mortos, corremos durante horas e agora estamos aqui, andando pelo calçadão, de mãos dadas, como se nada tivesse acontecido! – só quando ela disse isso, eu reparei que ainda estava de mãos dadas com Bernardo. Ele também parecia não ter se dado conta disso. Nós nos encaramos e uma coisa estranha passou pelo olhar dele, provavelmente deve ter passado pelo meu também. – Já disse que naquela noite nada fez sentido? — Ignorei qualquer sentimento contrário e soltei a mão dele, me afastando o máximo que consegui. Thalassa parou de andar e começou a olhar para as roupas dela
— Cara, eu to parecendo uma mendiga! – Pietro examinou as roupas dela e deu uma risadinha. Na verdade, quem visse de longe iria pensar que nós éramos: ou jovens batedores de carteira, ou mendigos ou esquizofrênicos que gostavam de rolar na lama. Sujos, descabelados, cansados, suados, provavelmente fedendo e extremamente tensos. Eu duvido que alguém conseguisse pensar algo bom de nós. Respirei fundo tentando me concentrar, peguei meu celular e olhei que horas eram. 4:55. Nós passamos uma noite toda correndo? Era o que parecia.
— Querem saber? Vamos parar um pouco ok? – Páris disse. Ele e Hele continuavam de mãos dadas, assim como Pietro e Tessy. Eu não vou negar, eu também queria alguém que segurasse minha mão num momento surreal como aquele... Mas olhando para o lado e vendo a única pessoa disponível, eu preferi ficar solta.
— Ótimo, eu preciso do mar. – Tessy disse. Ela parecia a ponto de cair no choro e se eu bem a conheço, só não estava chorando ainda porque Pietro estava por perto.
— Descansem um pouco enquanto eu vou procurar um táxi. – Páris disse soltando a mão de Helena. Que por sua vez, pegou a mão dele de novo.
— Eu vou com você. – Páris sorriu para ela e então eles saíram andando de mão dadas.
— Eu vou pro mar, ele me acalma... – Thalassa disse com a voz trêmula. Eu assenti com a cabeça e ela saiu andando lentamente em direção ao mar. Pietro e Bernardo conversavam alguma coisa as minhas costas, alguma coisa que não me interessa e que eu realmente não queria saber. Eu andei instintivamente em direção ao mar, mas antes de chegar nele, parei e me sentei na areia. Pensei em ir atrás de Thalassa, mas me toquei que aquele era um momento muito dela. Desde que eu a conhecia que ela tinha essa ligação com o mar. Eu sempre me perguntei por que gostar tanto do mar, até que uma vez, alguém perguntou o que significava o nome dela... Não era um nome comum. Thalassa. Então ela disse: “Significa Vinda do mar.” Então eu soube da onde vinha tanto amor pelo mar. Minha mãe sempre me disse que nomes tem poder. Eu sorri sozinha ao pensar em minha mãe... Se ele descobrisse o que acabou de acontecer, me mataria. Vi Pietro andar na direção de Tessy, que agora brincava de chutar as ondas ao mesmo tempo em que senti alguém se sentar ao meu lado e não precisei olhar para saber quem era.
— Isso tudo é culpa sua, Bernardo. – eu disse num tom de voz vazio. Enquanto me virava para encara-lo.
— Eu não te obriguei a vir comigo. – ele disse me encarando
— Quem eram aqueles caras? – eu estava tensa a ponto de começar a chorar
— Gente do mal. – ele disse enquanto ria sem humor.
— O tipo de gente que o seu pai se esforça pra prender, é o tipo de gente que você ajuda... – eu não consegui completar a frase. Enterrei meu rosto nos meus joelhos e senti as lagrimas virem. Aquela noite tinha transformado o meu emocional que sempre fora de pedra, em um emocional de vidro.
— Por que você faz isso, Bernardo? – eu disse encarando-o e desistindo de esconder as lágrimas.
— Você não entenderia. Coisa minha, motivos meus... – ele disse evitando me encarar. Ele parecia que iria chorar também. Eu assenti.
— Tem razão, eu não entenderia e prefiro realmente não entender. Depois de hoje eu quero ainda mais distancia de você. – eu respondi com a voz trêmula
— Eu não te obriguei a vir, Sophia. – ele disse enxugando com delicadeza uma lagrima no meu rosto
— Também não fez nada que impedisse. – eu disse afastando a mão dele do meu rosto. Antes que Bernardo pudesse responder, um assobio chamou nossa atenção. Páris e Helena haviam conseguido o taxi.

Depois de um longo tempo tentando convencer o motorista do táxi a levar 6 jovens imundos e de prometermos pagar a mais, nós finalmente estávamos indo para casa. O táxi ia rápido como se o motorista tivesse pressa em não sujar o carro dele. Em pouco tempo chegamos na minha casa. Minha e de Bernardo. Os meninos pagaram a corrida enquanto eu abria a porta. Não precisei acender as luzes, porque o sol já estava amanhecendo e ninguém mais iria ficar acordado. Em silencio, subimos as escadas e nos jogamos nos quartos, eu pelo menos, dormi assim que deitei.

Notas finais
gostarammm?