Notas iniciais
Olá!! Mais um capítulo. Espero que gostem. Boa Leitura!!!

P.O.V Cebola Menezes

“Por favor, me dê mais uma chance.”

Foram as últimas palavras que eu disse para a garota que eu mais gostei nessa vida, antes de dar aquele beijo tão especial e vitorioso, mas será que realmente eu fiz a coisa certa?

Desde aquele dia, nem no facebook, nem nos grupos de whatsapp ou na banda, ela fala comigo, nem sequer me olha ou me cumprimenta. Creio que devo ter sido imprudente, mas será que, por causa disso, ela vai me isolar da vida dela completamente? Sinceramente, não sei..., apenas creio que a Mônica ainda sinta algo por mim, mesmo com as minhas mancadas.

Saio na rua cabisbaixo, pensando no que posso fazer daqui pra frente. Sento em um banco perto do campinho que eu jogava futebol quando criança, logo tentando elaborar algum plano para reconquistar a Mônica.

Meus neurônios estavam trabalhando, até que ouço uma voz doce chamando pelo meu nome.

— Cebola, tudo bem com você? – Vejo a garota com uma camisa preta e um short curto, usando tênis, ela carregava uma mochila nas costas.

— Oi, Jessica. – Fico surpreso ao ver a Jessica vestida daquele jeito, ela no dia-a-dia parece ser bem menos formal do que na escola e, sinceramente, que pernas torneadas são aquelas? – bem sim, só estava pensando em alguns problemas da escola...

— Se você parar de ficar babando pelas minhas pernas, talvez eu possa te ajudar. – Jessica fala, rindo da minha cara.

Tento me recompor rapidamente, mas logo bate aquela “bad” novamente em mim, tirando toda a graça do momento. Ela senta ao meu lado, colocando a mão no meu ombro.

— Você não está assim por causa da escola, né? O que aconteceu realmente? Pode me falar.

— Na verdade..., é a Mônica... Eu estou pensando nas vezes em que fui idiota, egoísta com ela, e agora estou aqui, sozinho, por não valorizar a garota que mais amei na vida. – Desabafo.

— Não fique tão deprimido. – Diz ela, alisando meu rosto. – A Mônica, você, eu... Somos humanos e cometemos erros às vezes. Ninguém é perfeito. Por acaso, já passou pela sua cabeça o fato de que vocês dois podem não terem sido feitos um para o outro?

— Será mesmo? – Pergunto olhando em seus olhos.

— Me diga..., além da Mônica, você já tentou algo com outras garotas?

— Sim, mas nunca nada sério. – Afirmo olhando em seus lindos olhos azuis.

— Então garoto, desencana! Se ela não te quer, é porque não te merece, simples. Você é um garoto legal, brincalhão, divertido, além de ser um gatinho. – Jessica fala dando uma piscadinha para mim.

— Poxa, muito obrigado, Jessica! Acho que eu realmente precisava ouvir isso. Valeu por me ajudar, sério!

— Não foi nada. Agora tenho que ir pra casa, o pessoal lá já deve estar preocupado. – Ela me dá um beijo na bochecha, me deixando corado. – Fique bem, tá? Tchau.

— T-tchau. – Aceno com uma mão para ela, que vai correndo para casa.

Fico pensando no que ela me disse. Ela tem razão. A Mônica não é a única garota no mundo, e se não deu certo nada entre nós dois até agora, por que ficar insistindo? Jessica, obrigado! Você é um anjo que caiu do céu. Me aproximar de você cada vez mais, é algo ótimo.

~~~~~*~~~~~

O show de fato foi um sucesso! Foi o melhor que fizemos, mas junto com isso, hoje não deixei de notar que a Mô e o DC estavam afastados um do outro. Será que ela ficou afetada com o beijo de ontem?

Vejo ambos sentados na calçada em frente à casa da Mô. Me aproximo sem eles me verem para poder observar o que estava acontecendo. Ela estava o olhando com uma cara de pouquíssimos amigos e o DC estava "normal", para variar.

— Aconteceu algo? Desde semana passada você vem me tratando friamente e indiferente comigo.

— DC, o que tenho para falar é sobre o nosso relacionamento. – Mônica fala, com algumas lágrimas no rosto. – Simplesmente não tenho mais forças para seguir adiante. É melhor a gente se separar.

— Como assim? Por que? – Pergunta DC indignado.

— Temos maneiras e costumes muitos distintos, DC. Sem contar nas nossas brigas que vem se tornando frequentes. Você não parece possuir o mesmo carinho e amor que sentia por mim no início do nosso namoro. Não me dá mais atenção! Faz as coisas escondidas de mim... – Ela suspira. – Não dá mais, DC. Não dá! Desculpe...

— Mônica, olhe, eu vou tentar mudar. Juro! Me dê mais uma chance. – DC se ajoelha a altura de onde ela está sentada. Uau, nunca vi o DC fazer algo desse tipo, ele parece realmente desesperado. – Vamos começar do zero. Vamos...

— Shiu! – Mônica tapa a boca dele com sua mão, o calando instantaneamente. – Quantas vezes você já me falou isso? Quantas vezes você já me pediu desculpas pelas suas mancadas? Quantas vezes você já falou que ia mudar por nós dois? Estou cansada, DC! Siga sua vida, e eu seguirei a minha. Espero do fundo do meu coração que você seja feliz.

Mônica se levanta e entra em sua casa, o deixando sozinho, em prantos. Ele se levanta depois de alguns segundos, cabisbaixo em direção oposta à minha.

— Isso! Eu sabia!! A Mô ainda gosta de mim! Agora o DC está fora de combate e…

— E o super Cebola está pronto pra atacar!!

— Ah, Denise!! – Exclamo caindo para trás com o susto que a ruiva me dera. Ela simplesmente brotou do nada. – Não sabe bater na porta antes de entrar não?

— Achou que só você tinha notado que os dois estavam em situação de atrito? Se liga, amore! Eu já vinha acompanhando essa treta dos dois a semanas. – Diz Denise segurando sua câmera. – Agora vou upar isso no meu blog para amanhã. Minha internet está o ó do borogodó, então só amanhã para a notícia sair. Tchauzinho!!

Vejo Denise correndo em direção a casa dela que fica aqui perto. A verdade é que nem a manchete dela, nem nada mais importa, agora é o meu tempo de agir e reconquistar a Mônica novamente.

P.O.V João Santos

Tendo acabado de chegar do colégio, tomo um banho, me vestindo casualmente com uma camisa preta e uma bermuda rosa clara. Vou até o computador e acesso o facebook, vejo as postagens dos meus colegas da minha antiga escola e da minha atual. Ao descer o feed, paro em uma postagem da garota da minha turma da escola, chamada Denise. A postagem me chama atenção. Eram duas fotos da Mônica com o DC, e ao que pude perceber, eles não estavam de bem um com o outro. Leio a postagem e, ao saber que aqueles dois se separaram, percebo um certo ânimo tomando conta de meu corpo.

Tinha chegado no bairro só a alguns dias, mas meu coração batia tão forte toda vez que essa garota, de nome lindo chamada Mônica, vinha em minha direção e falava comigo. Ela tem uma energia tão legal, é extrovertida, bonita, além de também ser uma líder nata. Será paixão?

Fico alguns minutos vendo as postagens da Denise em sua página focada em registrar fatos sobre os amigos e "inimigos" dela. Tem até a foto de uma garota francesa de boina vermelha desmaiada em cima de um barco, com uma hashtag dizendo "#VacilonaMorreCedo".

Rio daquela legenda, mas sou interrompido com o barulho de batida na porta da frente da minha casa, logo lembro quem poderia ser.

— Poxa vida, deve ser ela!

Corro para pegar a chave, destrancando a porta, e a minha frente aparece uma garota do meu tamanho, carregando diversas malas de cor preta. Ela tem cabelos curtos na cor roxa, pele clara, e ela, no geral, é um pouco fortinha. A garota usava um visual meio dark. Fico feliz ao vê-la.

— João!! – A menina pula em mim, me empurrando para trás. – Que saudades que eu tinha de você!!!!

— Também estava com saudades de você, minha maninha Melissa! – Digo, retribuindo o abraço forte que ela estava me dando no momento. – Você estava demorando tanto!

— Rapaz!!! Ter que mudar a passagem de volta do intercâmbio que eu recebi foi difícil, viu? – Afirma Mel entrando em casa colocando as malas encostadas na parede da sala, logo sentando-se no sofá. – Se você acha o Brasil um país burocrático, tem que ver como é a Dinamarca.

— O mais importante é que você está aqui, minha irmãzinha fofinha!! – Não aguento e pulo em cima dela dando novamente um forte abraço na minha querida irmãzinha.

— Fofinha não! Você sabe que detesto que me chamem de gorda. – Fala dando leves risadas.

Melissa e eu sempre fomos muito próximos. Nascemos no mesmo dia e mesmo sendo muito diferentes no jeito de ser, nos amamos como ninguém. Raramente nossos pais tinham ou tem tempo para nós, em virtude de seus trabalhos, e essa carência afetiva faz com que nós sempre tenhamos uma ligação mais do que profunda.

P.O.V Lysandre Maddox

— Você devia deixá-la um pouco em paz. – Aconselho ao Castiel, assim que o mesmo vem até mim, depois de novamente ter confrontado Monique que havia fugido.

Aquilo já chegava a ser normal para mim, desde que viramos amigos, era rotina. Sim, eu também sinto que a Monique está escondendo algo, mas perseguir ela e a prender contra uma parede para que ela fale o que está a afligindo, não é nada aconselhável de se fazer.

— Eu não posso! Eu sinto que logo vai acontecer alguma merda e eu estou tentando fazer com que essa merda não aconteça! – Confessa com ódio Castiel, assim que senta ao meu lado no banco perto da árvore.

— Talvez não aconteça nada. Talvez esteja só com vontade de proteger ela de tudo. – Sugiro discretamente.

— Por que iria querer protegê-la? Ela não é nada minha. – Me pergunta confuso.

— Se vocês não são nada um do outro, então porque não a deixa em paz? – Indago ironicamente e ele ri.

— Lysandre irônico, nunca pensei que poderia ver você assim. – Diz rindo e eu dou um sorriso amigável.

Minha atenção se volta para uma garota que entra pelo portão da escola junto com o João. Vários garotos a olham e assim que eu desvio o olhar dela, Castiel me encara malicioso.

— O que foi? – Digo erguendo uma sobrancelha.

— Vejo que se interessou pela garota, não é? – Sugere meu amigo e eu arregalo meus olhos.

— Eu apenas a olhei. – Me defendo e Castiel começa a rir alto.

— Foi mal cara, mas você olhou de um jeito. – Diz ainda rindo e eu tenho uma ideia.

— Se é assim, então você está completamente apaixonado pela Monique, e não venha negar! Ontem você cochilou na aula e começou a chamar o nome dela enquanto dormia. Não sei como ela não te ouviu. – Digo e logo ele cora.

— Eu disse? – Exclama surpreso e ainda corado.

— Espera..., você estava sonhando com ela? – Pergunto ainda mais surpreso. Eu estava brincando e acabei por descobrir coisas comprometedoras.

— Sonhando com quem? – Pergunta Rosa chegando com Monique que estava tentando fugir, mas Rosa a segurava para não escapar.

— Me deixa ir!!! – Grita Monique, logo Castiel se levanta ligeiro.

— Sonhar com ninguém! Eu não sonhei com ninguém! – Grita nervoso Castiel olhando para Monique que parou de tentar fugir e o encarou.

— Castiel! – Grita uma outra garota, especificamente, a loira que é afim do Castiel. Rapidamente meu amigo abraça Monique que fica surpresa. – Mas o que?! – Exclama Carmem surpresa e depois, com ódio. Ao ver a cena, ela passa reto, desistindo de vir até nós.

— Posso saber quem lhe autorizou a me abraçar? – Pergunta Monique tentando parecer irritada, mas só estava tentando esconder a risada.

— Ninguém, mas eu não iria querer uma chata no meu pé. – Dá de ombros Castiel e Monique revira os olhos.

— Por que não abraçou a Rosa? Ela até estava mais perto. – Indaga Monique.

— Ela tem namorado. – Responde ele normalmente e Monique suspira agora irritada.

— Desisto! – Diz ela e quando vai sair, o celular de todo mundo começa a tocar.

— Mas o que?! – Exclama chocada Rosalya. A expressão no rosto do Castiel era de irritação, e Monique parecia que ia ter um ataque de fúria.

Assim que pego meu celular entendo o motivo. Todos da escola haviam recebido uma foto de um número desconhecido, e a foto nada mais é, que a Monique nua.

— Eu vou matar quem fez isso! – Grita com ódio Monique, logo ela sente olhares malicioso para cima dela.

— E ainda por cima é uma montagem mal feita! Não é nem parecido com seu corpo. – Exclama pasmo Castiel, Monique fica sem expressão.

— Olha..., não sei se acho graça ou raiva. – Diz ela e Castiel sorri maliciosamente.

Achei que a Rosa ia perguntar o motivo do Castiel saber que era montagem, mas percebo que a Monique havia contado tudo para ela, assim como o Castiel, havia contado para mim.

— Belo corpo. – Diz um cara passando por nós assobiando.

— O próximo que vir com gracinhas, eu quebro os dentes! – Grita Castiel e Monique ri.

— Você acha que eu ligo? Já fizeram coisa piores comigo. Se acham que isso vai me constranger, estão enganados. Posso até querer matar quem fez isso, pela infantilidade e falta de caráter, mas não me importo realmente. – Confessa ela e Castiel tenta esconder um sorriso.

— Mas quem será que fez isso? – Pergunta Rosa e Monique parece pensar.

— Deve ser uma pessoa que tem bastante dinheiro para contratar um bom hacker e também, editor de fotos. E principalmente, alguém com um ódio imenso por você. – Digo depois de analisar os fatos.

Monique depois de alguns minutos parece ter imaginado quem poderia ter sido, mas antes de falar algo, Castiel sai correndo pelos corredores.

— O que foi isso? – Pergunta Rosa e Monique estremece.

— Ele sabe quem pode ter feito isso, e eu estou com medo do que ele possa fazer, se a encontrar. – Diz Monique.

— E quem é? – Pergunta Rosa ainda sem entender.

— A Carmem, e aposto que o Castiel acha que isso é culpa dele. Afinal, ele não teria outro motivo para ir à “caça” dela. – Diz Monique.

Eu peço licença para elas, dizendo que vou atrás do Castiel, pois realmente preciso encontrá-lo, conheço o temperamento do meu amigo.

P.O.V Melissa Chieses

Já havia tocado o sinal, e eu me sentei na frente de uma garota de cabelos brancos compridos e bem vestida, logo ela e sua amiga loira de olhos azuis, se viram para mim.

— Oi, sou Rosalya, e ela é Monique, mas pode nos chamar de Rosa e Mo. – Diz ela sorrindo junto com a Monique e eu rio.

— Não achei que alguém que não fosse apresentado pelo meu irmão, iria puxar assunto tão cedo comigo. – Digo confessando e elas riem.

— Se nós contarmos para você como nos conhecemos, realmente essa apresentação é a mais normal. – Diz a Mo, e a Rosa concorda.

— Que cabeça a minha, não disse meu nome. Sou Melissa, mas podem me chamar de Mel. – Digo e elas sorriem.

— Amei seu cabelo! – Diz Rosa soltando um gritinho.

— Lys. – Grita Monique se levantando assim que um garoto de cabelos brancos se aproxima de nós. – Encontrou o Castiel? – Pergunta nervosa a garota.

— Não, ele simplesmente sumiu, e eu também não achei a Carmem. – Explica ele, Monique se senta mais branca que o normal. – Meu nome é Lysandre, como se chama? – Pergunta ele dando um beijo em minha mão cordialmente.

— Melissa. – Dou um sorriso levemente corada. – Mas então, o que está acontecendo? – Pergunto e Rosa me conta tudo.

— Então agora não sabemos o que o Cast foi fazer. – Suspira Rosa.

— Mas vocês não têm ideia do que ele possa fazer? – Pergunto e Rosa dá de ombros.

— Não. O Castiel é imprevisível quando está zangado. – Explica Lysandre.

Quando olho para Monique, vejo que ela estava suando frio. É estranho, mas parece que ela sentiu que há algo errado realmente acontecendo.

~~~~~*~~~~~

Já estávamos na segunda aula e nada do Castiel e da Carmem aparecerem. Aposto que se Monique levantasse, ela desmaiaria. Sua expressão facial estava péssima, aquilo era estranho, pois ela não parecia estar assim pelo fato da foto ou do Castiel ter sumido.

Rosa tentava acalmar a amiga, sem que o professor visse, e o Lysandre conversava comigo sobre outras coisas, para descontrair a tensão.

— Licença professor, será que posso entrar? – Pergunta Carmem e o professor concorda. Logo a menina vai até ele mostrando um papel que ele assina, depois Carmem vai até seu lugar.

— Senhor Salvatore? – Chama o professor assim que um ruivo entra e vai direto para o seu lugar, que era atrás do Lysandre. Esse devia ser o tal de Castiel.

— O que foi? – Pergunta com um sorriso vitorioso.

— Posso saber o motivo do atraso? – Pergunta o professor.

— É o mesmo motivo da Carmem. Nada demais. Senão acreditar, pode perguntar para o próprio diretor. – Responde Castiel e o professor apenas volta a passar a matéria.

P.O.V Monique Lockwood

— Mas o que você fez com a Carmem, afinal? – Pergunta Rosa, assim que estamos sentados no refeitório com nossas bandejas cheias de comida. Eu estava sentada de frente para o Castiel, e Rosa de frente para o Lys, sendo que eu estava ao lado dela, e o Cast do Lys.

— Nada que ela não merecesse. – Responde Castiel com um sorriso vitorioso.

— Nada que ela não merecesse? – Indago. – Ela estava com a maquiagem borrada como se tivesse chorado. O que você fez, Castiel? – Pergunto seriamente e ele sorri malicioso.

— Você fica sexy séria. – Diz ele e percebo que aquilo era só para mudar de assunto.

— Fala logo o que fez! – Ele revira os olhos.

— Apenas a encontrei, fingi que a queria e “peguei” o celular dela “emprestado” sem ela perceber. Depois que ela ficou derretida por mim, disse algumas coisas tipo: “eu e você nunca vamos dar certo”, “você é uma patricinha idiota”, e outras coisas que prefiro não comentar. – Relata friamente, logo continua: – Depois disso procurei a prova e mostrei para o diretor que já estava por dentro dessa foto. Ele até quis te chamar, mas eu dei um jeito para que você não se envolvesse mais. O diretor vai fazer com que ela fique três dias depois da aula limpando a bagunça da escola, e vai chamar os pais dela, que com toda a certeza vão cortar a mesada dela por uns dois meses, ou seja, sem compras. – Diz por fim dando de ombros.

— Isso nem é tanto. – Confesso e ele sorri divertido.

— Achei que era o único que pensaria assim. Acho que a parte mais legal foi poder ter humilhado ela. Já a dos pais só vai trazer tristeza para uma patricinha do tipo dela, que vai chorar, por não poder comprar roupas novas. – Diz Castiel divertido, e eu rio.

— Você tem ideias boas. Confesso. – Digo e ele me dá um olhar cúmplice.

— Até iria querer um obrigado vindo de você, mas como fui eu que te meti nisso, acho que isso foi minha obrigação. – Confessa e eu concordo.

— Mas foi divertido, nem sempre me divirto tanto. Acho que eu te devo uma, por me divertir. – Digo e logo coro, pois o que eu disse ficou em duplo sentido. – Quer dizer... – Começo, mas ele me interrompe.

— Eu sei que não foi à segunda opção que você sugeriu, por mais que eu gostaria que fosse. – Diz sorrindo e eu coro mais ainda. Volto minha atenção a Rosa e me odeio por isso. Rosa pare com esse sorriso sugestivo!

— Quer saber? Eu vou pegar mais suco. – Digo me levantando e Castiel se levanta também.

— Vou junto! Quero mais uma barra de chocolate.

Nós saímos indo até a bancada, onde continha a comida, e a mulher que atendia a todos.

— Lys? – Pergunto a ele que concorda rindo.

— Rosa? – Pergunta arqueando uma sobrancelha. Suas mãos estavam no bolso da calça, e confesso que aquela pose foi muito sexy.

— Ah, sim. – Digo e desvio o olhar rapidamente, mas não escapo de uma risada gostosa e maliciosa do garoto que agora estava atrás de mim, na fila.

P.O.V João Santos

Meia noite e novamente a insônia me bate, realmente por que é sempre há essa hora? Não que eu tenha medo dessa hora, mas é sempre nessa hora que dá ruim nos filmes de terror!

Ando até a cozinha para beber um copo d’água, minha irmã já estava dormindo no quarto dela e meus pais haviam ido visitar/pousar nos nossos parentes na cidade vizinha.

Logo que termino de tomar água, vou até meu quarto e encontro minha irmã com um roupão. Aproximo-me e ela se vira para mim, corada e sorrindo levemente.

— O que faz aqui, Mel? – Pergunto e ela cora mais.

— Eu não sei, quer dizer, não sei explicar..., é só que... – Ela para de falar e tira o roupão, ficando nua.

— Mas que diabos?! – Exclamo e logo percebo que não é minha irmã, mas sim, outra coisa, uma coisa nada humana. – Quem é você? – Pergunto assustado, a criatura começa a rir perversamente e depois começa a girar rapidamente até desaparecer.

Saio do meu quarto, indo em direção ao quarto da minha irmã, mas o corredor parecia infinito. Assim que desisto por cansaço, uma mão aparece, mas não era a mão da minha irmã.

Segure. — Diz a voz doce. Eu a conhecia de algum lugar, só não sabia qual. – Vou lhe ajudar em tudo!

— Quem é você? – Pergunto e sinto-a sorrir, ela parece ser alguma amiga, mas não sei quem realmente é.

No momento certo, você irá saber! Agora venha! Há alguém preocupada com você.— Explica e eu logo seguro em sua mão.

Tudo começa a ficar branco e eu acordo com minha irmã desesperada tentando me acordar.

— Até que enfim você acordou! – Suspira ela me abraçando, aliviada. – Você não acordava. Fiquei preocupada!

— Tenho um sono pesado. – Digo tentando fazer com que ela não se preocupe, o que funcionou, pois ela riu.

— É bom controlar isso, ou vou te matar se me der mais um susto desses. Agora se arruma, ou vamos nos atrasar. – Diz ela saindo do quarto.

Agora a pergunta é, como vou saber o que é real, se os pesadelos parecem tão reais? Não estou com medo, realmente não estou, mas por que esses pesadelos estão me deixando cada vez mais fraco?

~~~~~*~~~~~

Estava na minha casa, na sala de estar. Já tinha ido na escola de manhã, e minha tarde estaria “livre”. Minha irmã não estava aqui, havia ido fazer compras em outro bairro.

O que não saia da minha cabeça era os sonhos e o meu corpo que parecia mudar de forma constantemente, pois em uma hora me sentia forte, com forças para levantar um caminhão, e na outra hora, me sentia fraco, capaz de não levantar nem ao menos uma colher.

— Por qual motivo isso está acontecendo comigo?! Por quê?? Por quê? – Me questiono.

Do nada, um vaso de planta que estava a minha frente explode em pedacinhos fazendo os vidros caírem para todos os lados, no chão. Isso foi tão repentino que levanto do sofá do tamanho do susto que levei.

Como aquilo explodiu do nada? Será... será que eu fiz isso??

— Não! Isso é bobagem! Alguém deve ter jogado algo da rua pela janela que quebrou o vaso, assim fiquei com a impressão de ter explodido. – Digo a mim mesmo.

As palavras saíram, mas a dúvida ainda era a mesma. Pode parecer infantil (pois, geral diz que sou um crianção), mas acredito na existência de seres com poderes. Afinal, de onde os autores tiram inspiração para criarem seus personagens? Super-heróis, vilões… tudo isso teve um estopim! Mas algo me intriga...

— Será que de fato foi culpa minha, esse vaso ter explodido?

Olho para os lados e vejo que não havia ninguém por perto. Estendo minhas mãos ao vaso quebrado, me concentrando mentalmente.

— Ordeno que retorne ao normal!

Rapidamente o vaso que havia se quebrado, começa a se regenerar, até ficar inteiro novamente. Sem acreditar no que meus olhos me mostravam, corro até o objeto que estava em minha frente e confirmo que ele estava sem nenhuma rachadura.

— Mas... mas...

Olho para o meu lado esquerdo vendo um copo cheio de limonada que minha irmã havia feito antes de sair de casa. Estendo minha mão ao copo, e após isso, ele começa a borbulhar de forma incrível, parecendo que estava sendo fervido a uma temperatura muito alta. Sem aguentar de animação, grito.

— Isso é demais!!! Eu tenho superpoderes!! – Exclamo animado fazendo uma dancinha. – Mas espera aí! Quais serão os poderes que eu possuo? – Pensando um pouco, chego a uma rápida conclusão. – Já sei como testar!

Fecho os meus olhos e aos poucos, uma ventania leve atinge o meu corpo, sinto meus pés se afastando do solo. Ao abri-los, percebo que estava tocando o teto da minha sala com a cabeça.

— Caramba, eu posso voar!!! – Grito em euforia.

Sem pestanejar, fico flutuando por toda a sala soltando várias risadas com minha descoberta repentina. Talvez eu ainda possua mais poderes.

Você é muito ingênuo. Essas habilidades não são nem um milésimo do que podemos fazer! Saiba que, mais para frente, faremos todo o planeta sofrer a fúria. A verdadeira fúria! Apenas espere...

Essas palavras repentinamente ecoam em minha mente, logo me fazendo cair de bunda no chão me deixando com lágrimas nos olhos que escorreram pelo meu rosto, que eu logo seco com a minha camisa.

— Aii, droga! – Reclamo me levantando e esfregando a mão na minha parte traseira.

Mas afinal..., o que é isto que vem acontecendo comigo nesses dias? Por que logo comigo coisas estranhas e obscuras vêm acontecendo? Será que...

— Ô João, acorda criatura!

"Volto" ao mundo real e vejo Monique me chamando na porta de casa, que estava aberta, eu devo ter esquecido de trancar.

Será que ela viu o que aconteceu?

— Ah, oi, Monique. – A cumprimento, enquanto vou em sua direção. – Se está procurando a Melissa, perdeu viagem, pois ela não está. Foi ali no bairro das Pitangueiras fazer umas comprinhas.

— Que droga! – Exclama irritada. – O professor de artes pediu um trabalho, e a gente combinou de fazer hoje.

— Calma! O trabalho é daqui trinta dias. – Falo rindo balançando as mãos. Parece que ela não viu minha humilhante queda ou qualquer outra coisa que tenha acontecido.

— Eu sei, mas odeio deixar as coisas para última hora. – Ela afirma olhando para o lado.

Olho para Monique, e algo me parece diferente nela, mas não sei o que exatamente é. Ela me parece estar insegura e com medo de algo. Será que agora também consigo sentir os sentimentos de outras pessoas?

— Monique, você está bem?

— Claro. Por que?

— Nada não, só curiosidade. – Ela me olha confusa.

De fato, vejo nela, além de medo e insegurança, um grande ódio e uma profunda tristeza. Se me perguntar como sei disso, não vou responder, pois sinceramente não sei, só sinto que essa garota esconde alguns segredos de todos a sua volta.

P.O.V Xaveco Lorota Diniz

Ah! O pôr do sol, tão lindo! Quase me lembra uma obra de arte que a Marina facilmente desenharia.

Essa visão maravilhosa me faz pensar na vida, e em como a galera estava toda agitada. Admito que sinto inveja de alguns dos meus amigos, como o Cebola e o Cascão, de estarem tão envolvidos em situações amorosas. Tá legal que algumas vezes ocorrem confusões para lá de complicadas, mas ainda assim, tudo se dá bem no final, e os dois ficam com alguém.

Não só eles, mas o Titi, o Jeremias, o Toni, o Luca e até os recém-chegados, João e Lysandre, são alvos de comentários das garotas. Sei que parece besteira, mas por que eu sempre sou o cara mais inútil? Por qual razão as garotas nunca se interessam por mim? Só por que não sou bombado, estiloso e popular? Sinceramente, acho que a aparência atualmente vale mais que o caráter e a personalidade. Tudo bem que não sou nenhum santo, mas sou fiel, cuidadoso e atencioso com as pessoas que amo, principalmente com meus pais.

— Deixa disso, Xaveco! Uma hora você começa a conhecer alguém! Foco, foco!

Inclino a cabeça e começo a caminhar em direção a pracinha. Cruzo uma esquina e vejo uma cena que não gostaria nem um pouco de ter presenciado. A pessoa mais multimídia e informada da turma, estava ficando com o Titi, em plena praça. Eu sempre soube que a Denise tinha queda por ele, mas nunca pensei que eles realmente ficariam. Imaginava que ela tinha mais respeito pela Aninha, mas ainda assim, não foi isso que mais me doeu. O que me doí, é que eu sempre fui apaixonado por ela, sempre mesmo! Mas, nunca falei isso para ninguém, nem mesmo para o Cebola, que é um dos meus amigos que eu mais confio. Não diria que é vergonha, mas sim, medo, pois não sei se aguentaria um "não" vindo dela.

Sigo meu caminho para longe deles, em direção a minha casa, mas antes de cruzar a rua, percebo a Aninha passando por eles e agindo como se ambos não existissem, completamente tranquila.

— Talvez seja assim que eu tenha que me portar com certas pessoas daqui em diante...

Notas finais
O que acharam? Até o próximo!!!