Notas iniciais
Olá, capítulo novo! Desculpem a demora, está muito corrido para mim, mas aqui está. Boa Leitura!!!

P.O.V Magali Lima

Ao meio de todo esse apocalipse, fui atacada por um desses monstros terríveis, contudo, bem no momento que tal monstro pulou em cima de mim, uma luz me cobriu me fazendo mudar de local instantaneamente.

Em menos de um segundo, apareci num local fechado, onde o clima estava totalmente frio. Deitada no chão, vejo uma moça bonita com um vestido preto. Antes que eu pudesse fazer algo, ou entender que era aquela moça, sinto meu corpo enfraquecer e aos poucos perco minha consciência...

~~~~~*~~~~~

— O-onde estou?? – Gaguejo.

Acordo e logo percebo que estou deitada numa cama, coberta com três lençóis. Realmente, o frio aqui era tão grande que apenas com um lençol eu não aguentaria tanto frio. Olho a minha direita e vejo uma mulher loira de óculos levando alguns livros. Era simplesmente a melhor bruxa que eu já havia conhecido, uma tremenda cozinheira e ainda por cima, minha tia preferida.

— Tia Nena é você?

— Ah, meu amor. Que bom que acordou. – Diz ela colocando os livros em cima de uma estante de madeira. Todas as paredes do cômodo onde eu estava eram aparentemente feitas de pedra.

— Tia, onde a gente está?

— Só um momento que já te explico tudo. Vista esses casacos que estão em cima do armário ao lado. – Diz apontando para o local.

Tia Nena sai do cômodo levando alguns lençóis com ela e acabo fazendo o que ela fala. Realmente estava muito frio. Ainda bem que a calça que eu estava vestida era apta para climas de baixa temperatura.

Visto as roupas e espero Tia Nena, sentada. Aqui definitivamente não era sua casa. O ambiente que estávamos era algo totalmente medieval. Armário de madeira, estruturas da parede feitas de pedra e o clima gelado, indicava que realmente não estávamos no Limoeiro, ou melhor dizendo, não estávamos no Brasil.

~~~~~*~~~~~

Me dirijo a sala da casa e acompanhada de um chocolate quente, minha tia me explica tudo. Eu não podia acreditar numa coisa dessas. Certo que já tinha enfrentado e visto quase tudo, mas nunca pensei que ia presenciar o fim do mundo com meus próprios olhos.

— Tia, onde estão meus pais?! E meus amigos?

— Não se preocupe, minha linda. – Fala tranquilamente minha tia acariciando minha bochecha gentilmente. – Todos eles estão num local onde os demônios não acessarão. Ângelo e os outros estão cuidando deles, não precisa se preocupar.

— Graças a Deus. – Respiro aliviada. – Mas tia, por qual motivo você disse que eu seria de extrema importância nessa guerra?

— É porque seu poder é um dos mais poderosos existentes nesse universo, Magali.

Olho ao lado e não posso acreditar, bruxa Viviane! A feiticeira que sempre quis se apoderar da lua e dominar o mundo! Me assusto e corro para trás de tia Nena, que instantaneamente, me tranquiliza.

— Minha linda, não se preocupe. Ela está aqui para nos ajudar.

— C-Como?!

— É isso mesmo, pirralha – Diz Viviane alisando seus cabelos negros. – Já deixei de lado essa história de governar o mundo depois de inúmeras derrotas que tive por conta de vocês.

— Ela também preza por esse mundo assim como você, sobrinha. Além disso, ela também quer que a Ramona viva num mundo pacífico onde ela possa ser feliz.

— Onde ela está falando nisso? – Pergunto me referindo a Ramona.

— Os anjos estão cuidando dela, e ela está ajudando as pessoas feridas por estes demônios ridículos. Apesar de Ramona ser poderosa, suas habilidades com magia são justamente para teletransporte e cura. Não creio que ela estivesse segura conosco.

Foi uma surpresa saber que a Ramona tinha adquirido poderes de cura. E também fico surpresa em saber que uma bruxa como a Viviane se importa tanto assim com a filha ao invés de usá-la para interesse próprio. Entretanto, uma coisa ainda me intrigava...

— Tia Nena que história é essa de que eu tenha um dos poderes mais poderosos existentes nesse universo?

— Magali, eu sei que já existiu ocasiões que você liberou seus poderes, não é verdade?

Relembro algumas vezes que tive acesso a meus poderes. A última vez que consegui usá-los foi quando a turma estava lutando contra o Cascão com os poderes do Capitão Feio.

— Sim, mas na última luta, meus poderes foram bloqueados para sempre pelo Cascão. Parece que as células que me davam poder foram totalmente destruídas.

— E aí que você se engana! – Diz Tia Nena. – Os poderes de uma bruxa não podem ser apagados definitivamente, apenas de forma temporária, quase como um bloqueio.

— Isso mesmo. – Acrescenta Viviane. – Mesmo que você tenha perdido seus poderes na ocasião, sangue de bruxa corre nas suas veias, portanto, é impossível quebrar esse vínculo que vem de gerações apenas com um truque barato.

— Espera, então isso quer dizer...

— Seus poderes ainda existem, porém, dormentes. E você nunca mais teve acesso a eles porque não entrou em contato com nenhum item mágico ou também, não teve contato direto com a magia.

Então realmente meus poderes não tinham se extinguido para sempre. Fico feliz por isso, mas ainda assim não tenho muita confiança de ser de grande ajuda.

— É bom saber que meus poderes ainda existem, mas na última batalha eu perdi justamente por falta de experiência, além de que não sei como desbloquear meus poderes.

— Por isso que te trouxe aqui. Nós duas vamos desbloquear seus poderes e te passar tudo que é preciso para se dar bem nessa batalha.

P.O.V Mônica Souza

Cebola, Cascão, Castiel e eu escapamos pelo portal que foi aberto. Um estrondo ecoou pelos céus.

— Possivelmente os demônios que estavam aparecendo eram cada vez mais poderosos que os outros que vinham até então. – Diz Monique sobrevoando os céus em sua forma de Andarilha. – Tenho que ir lá acabar com eles! Provavelmente os outros já devem estar pelo mundo afora...

— Que outros? – Indaga Cebola curioso.

— Alguns aliados poderosos. Espero...

— Eu vou procurar a Magali. Ela é minha namorada e pode estar correndo perigo! – Afirma Cascão.

— Eu vou com você. Não posso deixar minha melhor amiga a mercê desses bichos.

— Vocês deviam voltar para o castelo. Apenas lá é seguro no momento.

— Você sabe muito bem que eu não saio daqui nem que você queira. – Diz Castiel firmemente e revoltado.

Nós estávamos determinados a entrarmos de cabeça nessa guerra. Não posso dizer do Castiel, mas todos nós sempre enfrentamos vários perigos: Penha, Capitão Feio, Agnes, entre outros desafios.

— Vocês todos são uns idiotas. – Diz Monique em um suspiro. – Está bem. Eu vou enfrentar os demônios. Mônica, cuide de tudo. Sei que você é forte.

— Pode deixar.

Com isso, Cebola, Cascão e eu corremos em direção a casa da Magali, enquanto Monique e Castiel se dirigiam ao local onde se encontrava a luz brilhante e os demônios.

~~~~~*~~~~~

Após chegarmos à rua onde ficava a casa da Magali, arrombo a porta que estava trancada e verificamos cômodo por cômodo, mas não tínhamos sequer sinal da minha amiga. A casa estava totalmente vazia.

— Maga!!! Maga, cadê você?

— Amor, aparece!!!

Depois que tivemos certeza que não havia ninguém, paramos na sala de estar onde ficava a porta de entrada da casa.

— Droga, onde será que a Magali se meteu? Será que esses malditos demônios estão com ela? Maldição!!! – Cascão estava apreensivo.

— Calma, mano! Existe a probabilidade do Ângelo ou de algum anjo ter levado ela para o local onde estávamos. Com certeza ela não foi atacada aqui dentro, visto que a casa tá praticamente imaculada. – Afirma Cebola.

O Cê tem razão. Não a nenhum sinal de briga ou de que teve alguma confusão em qualquer parte da casa. Apesar do caos lá fora, parece que nada disso abalou aqui dentro.

— De qualquer forma vamos continuar atrás dela! – Afirmo saindo correndo porta a fora.

Ao termos saído da casa nos deparamos com uma figura bisonha que surge em nossa frente. Ele tinha aparentemente dois metros e meio de altura, o corpo era totalmente coberto por pelos grossos e sua face lembravam a de lobos selvagens, sedentos por carne.

— Oh meu Deus, isso...

— É um lobisomem!!! – Escuto Cascão gritar euforicamente ao meu lado.

O monstro mitológico pula em cima de nós três ao mesmo tempo com a intenção de nos golpear mortalmente com suas presas.

— Espalhem-se!!!

Corro para a direção Norte, enquanto vejo Cascão e Cebola correrem para laterais opostas. Graças ao tamanho e peso desse monstro somos facilmente mais ágeis que ele.

— Mônica, o que vamos fazer? – Pergunta Cebola que correu para atrás de mim junto ao Cascão. – Não podemos ficar aqui e enfrentar essa besta-fera!

— Calma, gente. Esse cara não é grande coisa. – Digo calmamente. – Apenas se escondam. Depressa!

— Mô... Eu confio em você!

Escuto meus amigos se distanciarem ao mesmo momento em que vejo a criatura vindo em minha direção.

— Agora o show vai começar!

Desvio para o lado esquerdo evitando uma investida frontal do monstro que tentara me agarrar com as garras de sua mão direita. Mesmo errando a primeira investida, o monstro vem como um furioso lobo em uma extrema velocidade e ao pular em cima de mim me derruba no chão, iniciando uma luta corpórea onde ele me forçava a ficar no solo.

— Mônica!!! – Ouço meus amigos gritarem em uníssono.

— Estou bem! Continuem onde estão!!!

Usando minhas duas pernas, aplico um forte chute duplo no peitoral do monstro que acaba voando para cima, mas rapidamente caindo no chão com certa suavidade. Ao mesmo tempo me recomponho me levantando e não tirando o olhar dele.

— Eu não gosto de usar agressividade, nem usar minha força, mas se você ameaça os meus amigos, eu não tenho escolha!

Corro para cima do lobisomem o golpeando fortemente no focinho com minha mão esquerda e antes que ele pudesse reagir, reúno toda minha força para lhe aplicar um gancho com minha mão direita fazendo com que ele caia no chão totalmente desnorteado.

— Mônica, isso foi demais!!! – Exclama Cascão vindo rapidamente em minha direção. – Você pareceu a Viúva Negra no filme dos Avengers!

— Não é pra tanto, Cas! – Agradeço coçando a nuca com a mão esquerda um pouco envergonhada.

— Agradeço a você por nunca ter nos batido com essa força. – Brinca Cebola visivelmente perplexo com a situação.

— Apesar das provocações, óbvio que não iria bater a sério em vocês, né? – Confesso lembrando de quando éramos crianças onde Cebola e Cascão viviam me irritando. – De qualquer forma, vamos sair daqui e procurar a Magali nas outras casas!

— Sim! – Concordam meus amigos convictos de nossa missão.

— Aonde pensam que vão tão rápido? É feio não falar com antigos amigos, sabiam?

— O quê?

Viro para trás logo vendo quatro figuras conhecidas flutuando. Uma delas tinha uma máscara branca com um chifre que curva para cima onde deveriam estar o nariz e os olhos, dava para ver apenas sua boca. Seu cabelo é curto e loiro com uma franja dividida, trajava uma roupa formal, com terno, gravata, calça social e sapatos.

— Porta-Voz? – Pergunto surpresa ao ver o velho conhecido flutuando em nossa frente.

Ao lado dele estavam Perna de Pau e Absinto, também trajando trajes formais como de costume. Absinto usa um terno preto com dois botões e uma gola fechada com um pano branco onde ficaria seu pescoço, usa uma bermuda acima dos joelhos e sapatos com meias brancas até a canela, no lugar onde seria sua cabeça, há um meteorito em chamas. Perna-de-Pau usa um terno preto com alguns alfinetes em seus ombros, seu rosto é coberto por uma máscara marrom com costuras onde seriam seus olhos, em sua cabeça, havia uma grande cartola preta.

Logo me direciono para a última figura. Sangria usa um vestido preto com ombreiras e avental brancos, sua máscara lembra a cabeça e bico de um pelicano com olhos enormes pretos que parecem pedras de joias. Ela carrega um pequeno guarda-chuva e usa um chapéu pontudo com dois pequenos chifres, um de cada lado.

— E os outros também estão aqui! – Cebola fica ao meu lado e questiona: – Por que vocês estão aqui? E por qual motivo estão assim? Vocês não haviam ressuscitado e perdido essas formas fantasmagóricas?

— Percebemos que depois de tanto tempo aprisionados naquela dimensão, os poderes que adquirimos após a morte se estabilizaram em nossos seres. Em meio a todo esse caos, achamos que seria melhor fazer uso dessas habilidades para autodefesa. – Responde Porta-Voz. – E respondendo a sua outra pergunta, estamos aqui pura e simplesmente por ordens superiores.

— Ordens superiores? Então o Ângelo ou algum anjo mandaram vocês aqui para nos ajudar?

— Pelo contrário. – A voz do menino mascarado repentinamente se torna sombria. – A ordem é de matar vocês.

— Como?!

Vejo a cabeça de Absinto vindo em nossa direção rapidamente como um meteoro atingindo duramente o solo próximo de onde estou. O impacto faz com que Cebola, Cascão e eu voássemos para trás. Caímos no chão, mas prontamente me recomponho me levantando da queda. Percebo que o "meteoro" lançado contra nós já havia voltado para a parte superior do corpo de Absinto.

— Mas como?! Por que estão nos atacando?! – Pergunto curiosa e furiosa ao mesmo tempo.

— Para ser sincero, Mônica, esse não era nosso desejo. Temos gratidão por vocês terem nos ajudado com aquela situação contra a Jumenta Voadora, mas o grande Astaroth prometeu que se levássemos suas cabeças a ele, nós seríamos presenteados com um país inteiro para governar. – Porta-Voz gesticula abrindo levemente os braços.

— Eu sabia que vocês não eram confiáveis!!! – Grita Cascão apontando para o menino fantasma. – Vocês! Vocês bem no fim são tão ruins quanto a Berenice!!!

— Sangria.

Ouço um alto grito de dor vindo de Cascão que segurava fortemente sua perna direita, ela estava levemente ferida pelo ataque de Absinto.

— Cascão!!! – Grito indo ao encontro de Cascão, tentando ajudá-lo a se levantar, mas sem ideia do que estava acontecendo.

— Devo-lhes avisar que algumas de nossas habilidades agora foram aguçadas pelo próprio Astaroth. Sangria agora pode além de manejar sangue, atacar feridas abertas e fazer com que um simples arranhão torne-se tão doloroso e fatal quanto uma ferida de tiro.

— Ora, seus... Vamos ver a resposta que você tem contra isso!

Materializo o Sansão gigante que Monique havia me concedido e arremesso com força na direção do Porta-Voz, mas vejo Perna-de-Pau ficar a sua frente e receber o golpe. Ao mesmo instante, uma forte dor surge na minha cabeça e eu acabo ficando de joelhos tentando amenizar o sofrimento que me atinge.

— Como é esquecida, Mônica... – Ouço leves risos vindo do Porta-Voz. – Você sabe muito bem que o Perna-de-Pau tem a grande habilidade de transferir a dor que ele sente para outras pessoas.

— Droga... Então será o nosso fim? – Falo sem esperanças.

— Já chega!!!

Vejo Cebola ficando na minha frente, tentando me proteger de nossos ex-aliados.

— Ora, se não é o grande planejador ambicioso que quase levou seus amigos ao encontro da morte! Renda-se, rapaz. Você sabe que não tem a mínima chance contra nós quatro.

— Será mesmo? Acho que também se esqueceu que sei de um ponto fraco de vocês, fantasmas!

Olho para cima e vejo Cebola pegando no bolso de sua calça um pequeno saquinho com um certo pozinho branco dentro. Parecia...

— Sal?! Cebola, nós estamos vivos. Isso não nos atingirá agora. – Fala Porta-Voz tentando fazer pouco caso.

— Isso é o que vamos ver! Tomem!!!

Cebola joga o saquinho na direção dos Filhos de Umbra e uma explosão concentrada surge bem onde os meninos fantasmas estavam.

— Mônica, vamos fugir! Depressa!!!

— T-tá!

Pego Cascão no colo que aparentemente não conseguia andar direito em virtude da dor. Rapidamente Cebola e eu corremos até o fim da rua, entrando num quintal longe da vista de Porta-Voz.

— Cascão! Você está bem? – Pergunto ao deitá-lo no chão com cuidado. Ele acena pra mim positivamente me deixando aliviada. Viro agora para Cebola com uma certa dúvida. – Cê, como você sabia que o sal ainda funcionaria contra eles?

— Eu pesquisei sobre isso. Dizem algumas mitologias que uma vez que o corpo fica muito tempo em forma espectral mesmo voltando a vida em algum período, eles podem acessar tanto a forma humana quanto à forma fantasmagórica. Nesse caos todo, imaginei que poderíamos nos deparar com fantasmas, então aproveitei e peguei um pouco de sal quando estávamos na casa da Magali.

— Beleza. O sal os atrapalhou, mas e agora, careca? Com certeza eles vão vir atrás da gente e somos muito inferiores a eles em poder. – Afirma Cascão visivelmente apreensivo.

— Deixem comigo, eu tenho um plano! – Exclama Cebola cheio de confiança.

— Ah, mas que droga... – Dissemos Cascão e eu praticamente em uníssono.

P.O.V Sairaorg Gremory

Estava em um local bastante isolado, distinto das guerras que aconteciam. Acho que aqui era o único lugar onde os humanos não vinham, e por isso, meus súditos não faziam um banho de sangue por aqui. Poderia não estar matando humanos com minhas próprias mãos, mas me divertia os visualizando matar e torturar sem parar por uma bola de cristal. Observava todas as nações do mundo sendo atacadas por vários demônios.

Mesmo países com bastante poder de fogo, tanques de guerra, armas de variados tipos, era inútil contra meus subordinados. Realmente a carnificina estava à solta em todo o planeta.

— Asuna...

Maldita Andarilha! Até quando resistirá a mim? Preciso daquele corpo e daquela força comigo. Fico irado toda vez que meu pai a trata como se fosse sua. Não admito que ninguém me recuse! Essa vadia luminosa ainda vai morrer pelas minhas mãos, caso não queira ser minha escrava.

— Sairaorg!!!

Olho a minha frente e vejo um homem voando até mim com suas asas brancas enormes, trajando uma armadura dourada e empunhando uma espada de cor prateada. Ele é alto, de pele morena, musculoso e tinha cabelos ruivos lisos. Aquele ser pousa em minha frente me encarando ódio.

Parece que o exército celestial estava mandando seus arcanjos para derrotar meus demônios. Isso é deveras interessante... Parece que irei me divertir um pouco enfim.

— Finalmente encontrei você, maldito miserável!!! – Grita o arcanjo furioso.

— Ora, ora, se não é um dos servos de Gabriel, o grande arcanjo Jehudiel.

Jehudiel era um dos arcanjos mais poderosos a serviço de Deus. Seu poder era o maior dentre aqueles que faziam parte do exército de Gabriel. Sua grande força era reconhecida por ser imensa dentre todos do exército celestial segundo boatos.

— Está aqui tão cedo, caro colega? Sente-se aqui, tome uma pequena xícara de sangue humano, é delicioso. – Sorrio maliciosamente vendo a expressão enojada do ser a minha frente.

Toda a mesa a minha frente se evapora, junto com a xícara e o líquido quente que se encontrava nela. Ele havia lançado uma rajada de energia com sua mão esquerda.

— Se não quisesse, era só falar. Não precisava destruir tudo, “Jehu”. – Meu sorriso apenas se estende.

— Eu não vou permitir que o mal que você está fazendo continue a avançar perante esse mundo, Sairaorg. Você voltará para o Inferno e deixará o corpo desse jovem que você possuiu.

— Quero saber como você pretende fazer isso, amigo. Estou bastante curioso. – Digo com um sorriso, agora, sarcástico.

— Desse jeito! – Logo escuto um grito de guerra vindo dele.

Numa velocidade de no mínimo dez vezes acima da luz, Jehudiel me ataca com sua espada com a intenção de me cortar ao meio, mas paro o golpe com minha mão esquerda.

— O que há, Jehudiel? Me parece um pouco cansado. – Digo segurando sua espada com uma das mãos, ainda sentado em meu trono. – Acho que você sabe que não me derrotará assim.

— Maldito, você está mais poderoso que antes?

O anjo se afasta de mim, um pouco ofegante. Dava pra ver que esse ataque, apesar de sério, não foi feito com todo o seu poder.

— Como pretende acabar comigo se não me ataca com toda sua força? – O provoco.

— Ainda desejo salvar a alma do jovem que se encontra dentro de seu corpo. Separarei sua alma da dele e darei um fim definitivo a sua existência.

Olho Jehudiel apontar sua espada em minha direção e logo observo uma grande energia provinda da arma vindo até mim, contudo a desvio com um tapa da minha mão direita, fazendo com que a energia exploda nos céus.

— Você sabe muito bem como eu, que isso é impossível. Agora João e eu somos um só, seus poderes concedidos por Deus uniram-se aos meus e isso aumentou ainda mais minha força.

— Não fique cantando vitória! Você sabe que em algum momento outros anjos e arcanjos virão atrás de você. Nem mesmo seu poder será capaz de derrotar a força total do mundo celestial.

— Se são tão poderosos, qual o motivo de não terem vindo até agora?

— Ainda não foi chegada a hora. Você é forte, mas acha mesmo que pode derrotar todos nós sozinho? Com certeza Gabriel e Miguel irão vir aqui e acabar com sua raça!

— Amigo, não sou só eu. Trouxe para essa brincadeira Belzebu, Astaroth e Mammon. Eles estão do meu lado, caso não saiba... – Digo esfregando as minhas unhas. – Existe no submundo demônios que além de odiar humanos, desejam fazer da Terra um parque de diversões.

Sua face que antes era de pura raiva, agora transmitia espanto e terror.

— Parece estar com medo, Jehudiel. – Falo rindo freneticamente. – Provavelmente pensaram que seria apenas eu o único perigo a enfrentar, correto? Mas olha só, você tem um exército super poderoso, enquanto eu tinha apenas alguns demoniozinhos que só servem para brincar de destruir. Seria meio chato e injusto eu não ter ninguém de peso para equilibrar a guerra, não é? Após derrotar vocês, tomaremos o Inferno também. Cansei do meu pai estando naquele Reino fazendo o que bem entende. E após isso, comandarei uma verdadeira invasão ao reino dos céus!

— Eu vou acabar com você agora!!!

Jehudiel me ataca numa velocidade superior à de antes, novamente com a intenção de me cortar em sentido vertical, mas desvio sem dificuldades, fazendo com que ele acerte apenas o trono onde eu estava sentado. O poder do corte da espada era extremamente forte, tanto que foi capaz de causar um pequeno rasgo no espaço-temporal por pouco tempo.

— Devo reconhecer que seu poder é extremamente forte. Não deseja se aliar a mim? – Digo flutuando no céu.

— Cale a boca, seu desgraçado!!!

Jehudiel numa sequência incrível de golpes de espadas dignas de um arcanjo tenta me acertar, mas sem nenhuma precisão. Realmente esse arcanjo é mais forte que os outros, mas seu coração demonstra certa inquietude.

— Como é que eu me aliaria a um ser maligno como você? Meu dever é com o meu Deus e com a paz!

— Então me diz o motivo de estar aqui. – Falo parando o movimento da espada com os dedos, polegar e indicador, da minha mão direita.

— Estou aqui para te destruir! O que mais seria?

— Mesmo depois de receber ordens para não fazer isso?

— O que você quer dizer?! – Ele gagueja um pouco.

— Sei da rigidez que todo o exército dos céus tem para com seus servos. Ninguém ou nada deve superar as ordens de seus superiores. E você, Jehudiel, traiu a ordem de seu comandante Gabriel para vir lutar comigo. Tão ingênuo...

— Como sabes disso?! – Me pergunta suando frio.

— Eu li sua aura e sua mente. Vi que Gabriel tinha ordenado vocês para ir pelo mundo destruir todos os demônios de classe inferior, mas que nenhum viesse atrás de mim. E você o desobedeceu, Jehudiel!

Sua face cai e fica cabisbaixa. Parece que a raiva está consumindo cada vez mais o seu corpo.

— Você não é tão diferente de um demônio pelo que parece. – Sorrio maliciosamente vendo a expressão dele totalmente perdida e envergonhada por ir contra uma ordem.

— Cala a boca!!!

— Será que desobedecer a seu superior te trará algo grave? Te transformará em um anjo caído ou algo assim?! Seria hilário!!! – Rio freneticamente novamente.

— Já mandei você calar essa boca, seu demônio imundo!!! – Grita o arcanjo com uma tremenda raiva.

Jehudiel me ataca novamente com sua espada e a defendo com meu braço esquerdo. Estendo minha mão direita em seu peito e disparo um raio poderoso de energia luminosa que o faz rolar no chão. Pensei que tinha matado ele, mas o mesmo consegue se levantar com muito esforço ficando em pé.

— É incrível. Você é realmente resistente, Jehudiel.

— A armadura que estou vestindo é feita diretamente por meu Deus para que eu enfrente todo o mal. Saiba que nem mesmo uma energia capaz de destruir esse universo é capaz de destruí-la por completo!!!

— Oh, que grande resistência, parabéns! – Bato palmas de forma sarcástica. – Mas nem mesmo tal armadura é capaz de sair intacta de meu poder.

A armadura ficou com partes quebradas, apesar de não serem muitas. Realmente, ele não estava errado ao vir tão confiante. Nem mesmo o meu poder de antes destruiria esta armadura por completo.

— Vejo que não me atacou com todo seu poder ainda, Jehudiel. Será que você ainda tem esperança de que essa alma se salve? A alma de João?

Ele fica em silêncio, não esboçando nenhuma reação.

— Pois saiba que se não acabar comigo, muitas pessoas ainda irão sofrer, morrer. Isso tudo pois você é capaz de se importar com uma única alma mais do que com bilhões existentes nesse planeta. Vai mesmo fazer isso?

— Você está certo.

— Hum?!

— Você me fez superar minhas dúvidas. Me desculparei com João no outro mundo. – Diz Jehudiel se levantando. – E vou acabar com você. Vamos espada, me fortaleça!

Um tremor grande abala a terra onde estávamos. Um poder surreal cobria toda a espada, junto com uma luz extremamente forte que rodeia todo o seu corpo.

— Receba esse golpe que seria até mesmo capaz de destruir todo um universo!!! Todo o meu poder, minha fé está contida nesse ataque, que será responsável por destruir até mesmo a sua alma!

Jehudiel ergue sua espada em minha direção confiante de sua força.

— Higher Supreme Extermination!!! – Grita ele.

— O quê?!

Um raio enorme vem em minha direção e me atinge com toda a força. Sou obrigado a me pôr em posição de defesa para que o golpe não me ferisse. A potência do golpe era extremamente poderosa, tendo sido capaz de me fazer recuar alguns metros, o que fez com que eu me chocasse com as pedras que tinham atrás de mim.

— Admito que sua força é admirável, mas a nossa diferença de forças é tão distante quanto o céu e a Terra. Deixe-me mostrar o que de fato é um poder de verdade!

Elevo meu poder e desfaço minha posição de defesa segurando o raio o concentrando em minhas mãos em forma de bola. Com algum esforço consigo desfazer tal energia, reduzindo-a a um completo nada.

— N-não... Isso é impossível! Não pode ser...

— Sei reconhecer um bom adversário. O poder que você demonstrou era louvável. Realmente digno. Porém, se quiser me derrotar, ainda precisa de muito mais que uma simples energia como essa.

Jehudiel cai cansado no chão, suas forças esgotadas totalmente. Vou até onde ele está. O último ataque dele drenou toda sua energia corporal. Mesmo arcanjos se cansavam caso usassem toda sua energia.

— Vocês dizem que demônios são malvados, mas vejo que está sofrendo muito. Não se preocupe. Vou acabar com sua dor agora, considere isso como um gesto de piedade. – Sorrio perversamente.

Pego a espada que ele empunhava mirando bem nele, em um simples gesto corto seu pescoço fazendo com que sua cabeça caia e o seu sangue angelical escorra. Pego sua cabeça decapitada e a carrego junto comigo até o topo da montanha que eu estava anteriormente. Materializo uma nova poltrona e coloco tal cabeça em cima da mesma. Um novo troféu!

— Poxa, toda essa batalha me deu uma sede e uma fome enorme.

Tinha esquecido o resto de seu corpo abaixo da montanha. Sendo assim, teletransporto seu corpo até mim e perfuro a ferida que tinha feito no meu primeiro ataque, retirando o coração e o colocando em um prato de prata. Todo o sangue que havia em seu corpo, o transporto para três taças de vidro que estavam vazias. Materializo também um garfo e uma faca para degustar o coração angelical enquanto bebo seu sangue.

— Bom apetite. – Sussurro para mim mesmo.

Ganhar essa luta era algo óbvio, mas ainda assim é uma vitória, ao qual, apenas me orgulho de mim mesmo e do meu poder.

P.O.V Magali Lima

Tia Nena e Viviane tinham sentado ao meu redor no chão. Eu fiquei em pé parada. Minha tia feiticeira havia me convencido a lutar contra os demônios que entraram na Terra, mas não sei se seria de tanta ajuda. No fim, nem eu tinha tanta certeza se controlaria de novo meus poderes como daquela vez.

— Tenha calma, minha sobrinha. – Diz Tia Nena. – Se você não acreditar em si mesma, não conseguirá fazer bom uso das suas habilidades.

— S-sim, tia.

Após uns minutos de silêncio, minha tia e a feiticeira Viviane começam a recitar palavras que não consigo entender, e ao recitar essas palavras, duas auras amareladas saem de seus corpos e me envolvem de forma que começo a levitar no ar. Várias informações vem a minha mente.

Uma energia flui em meu corpo como nunca senti antes, e ao mesmo tempo, uma dor insuportável invade minha mente, entretanto, uma paz transborda em meu coração de modo que meu ser não tenha uma reação exata ao momento. Aos poucos, tanto a dor quanto a “anestesia” parecem perder efeito, fazendo com que o brilho em meu corpo vá se apagando aos poucos.

Retorno ao chão e abro meus olhos lentamente. Estava vestindo um vestido preto que cobria todo meu corpo. Meus cabelos negros soltaram de suas presilhas e um poder imensurável transbordava em mim. Minhas forças tinham voltado e os poderes que eu tinha eram extraordinariamente maiores do que o que eu possuía antes. Sinto como se eu pudesse vencer um exército de 500.000 homens apenas com um pensamento.

— Realmente Nena, você tinha razão. – Diz Viviane parecendo perplexa com a maneira que eu estava agora. – Eu não consigo medir com precisão a força dela. Está além de minha imaginação.

— Magali, realmente, você é a herdeira legítima da casa de Hécate. É com certeza a bruxa mais poderosa que já esteve na Terra.

Esboço um sorriso de satisfação. Eu ficaria muito feliz com essa notícia caso não estivesse numa guerra. Meu eu normal pularia de alegria ao ver meus poderes atuais, mas as circunstâncias impediam qualquer felicidade extrema.

— Obrigada, tia. – Expresso minhas palavras em agradecimento. – Também tenho que te agradecer a todo o conhecimento sobre batalhas e feitiçarias que implantou em minha mente.

— Do que você está falando? – Pergunta Viviane.

— No meio do desbloqueio de poder, invoquei um feitiço sagrado que fazia a Magali, além de recuperar os poderes, ter uma sabedoria incrível sobre magias e poderes diversos para derrotar os demônios. Não adiantaria ter tanto poder se não soubesse como usá-lo. – Responde Nena à Viviane.

— Tia Nena, Viviane, muito obrigada. Eu me sinto capaz de ajudar Ângelo e os outros agora. Por favor, orem por mim.

— Oh, minha sobrinha. – Diz minha tia me dando um forte abraço. – Eu tenho que te pedir desculpas. Várias bruxas nessa guerra estão lutando e morrendo ao redor do mundo. Envolver você que não é totalmente do mundo da magia nessa guerra me parte o coração, mas é preciso. Nenhuma bruxa nascida nesse mundo tem a capacidade de ter tal poder que você possui, por isso preciso de sua ajuda. Agora, vamos! Também preciso ajudar você.

— Não. – Digo num tom sério. – Fiquem aqui, as duas. É o único local seguro para as bruxas no momento. Contatem outras bruxas e as tragam para cá. É muito perigoso saírem daqui.

— Magali...

— Eu ficarei bem, não se preocupe! Não se esqueça que dentro de mim tenho a sabedoria de vários magos e mestres de diferentes gerações. Com toda a certeza não me derrotarão fácil. Vencerei e acabarei com essa guerra!

Lin to totur.

Antes de sair, digo algumas palavras que instantaneamente matam dezenas de demônios de que estavam a alguns quilômetros de distância. Mesmo que eles morressem tentando chegar perto do castelo, o fiz por pura precaução, tanto da minha tia, quanto também para salvar outras pessoas vítimas desses demônios.

Deixo o castelo depois do conjuramento. É hora de voltar ao campo de batalha! É hora de derrotar esses demônios e tomar a cabeça de Sairaorg!!!

P.O.V Astaroth Fireclaus

Ah, o sangue humano.

A carnificina.

O cheiro da morte e os gritos de desespero tomavam conta de uma cidade que outrora parecia tão pacífica. Por quanto tempo esperei por uma oportunidade de causar o terror e inúmeros outros tipos de maldade que existem, aqui no mundo humano. Porém, algo me incomodava. Senti a intensidade da batalha do grande Sairaorg. Mesmo que ele seja tão poderoso, o seu oponente parecia ser tão poderoso quanto eu ou Belzebu.

— Não há com o que se preocupar, ó grande Astaroth. O senhor Sairaorg literalmente “almoçou” o arcanjo que estava o desafiando. Não precisa se preocupar. – O ser em minha frente dá uma risada breve. – Mesmo que os arcanjos tenham ganhado mais poder, eles ainda não são páreos ao nosso líder.

— Já esperava por isso. Obrigado pela confirmação, Phóbius.

— Eu que tenho que te agradecer, grande Astaroth, por ter me libertado da prisão em que eu me encontrava. Aquela bendita caixa de Pandora...

— Seus poderes podem ser fundamentais para a destruição do exército celestial, por isso o libertei.

Phóbius, conhecido antigamente como “O fantasma de todos os medos”. Responsável por vários suicídios, depressões e assassinatos de pessoas durante a Idade Média humana. Com seu corpo escuro com uma forma que lembrava a de uma minhoca, ele é uma entidade que é poderosa em descobrir o medo das pessoas e as transformar em realidade.

— Eu não te decepcionarei, Astaroth. Tens a minha palavra!

Notas finais
O que acharam?