Together
24 Relacionamento
Notas iniciais
— Hm... Então namorar é isso? – perguntei com os olhos fechados sentindo os carinhos dele em meus cabelos.
Estamos embaixo de uma árvore, nos protegendo da luz do sol, eu com a cabeça apoiada no colo de León, ele sentado mexendo nos meus cabelos e os passarinhos cantando e fazendo barulho junto com as crianças que brincavam nesse parquinho.
— Isso o que? – ele pareceu não entender.
— É estar assim? Sempre? – perguntei novamente. – Dada a minha falta de experiência, eu queria apenas saber se será sempre assim. – falei sentindo minhas bochechas queimarem, e sem conseguir abrir os meus olhos para encará-lo.
— Não sei a definição ao certo também. – ele pareceu indiferente. – Pra mim é querer estar junto, é realmente gostar de alguém, e querer que tudo saia do jeito que você espera, para dar certo. – respondeu e quando menos eu espero, sinto seus lábios nos meus, e eu abro meus olhos surpresa, encontrando suas íris esverdeadas me olhando com paixão. – E beijar sem pedir permissão, é claro.
— Bobo. – ri me colocando sentada ao seu lado. – Eu não fazia ideia que eu me sentiria tão bem namorando uma pessoa como você.
— Como eu? – ele ergueu uma das sobrancelhas. – Eu sou tão mal assim?
— Claro que não. – balancei a cabeça. – É que você é diferente de mim né?
— Diferente como?
— Diferente, faz mais o tipo da minha irmã, garoto descolado e popular. – falei rindo, mas percebi ele ficar tenso. – Falei alguma coisa de errado?
— Não. – disse rápido evidentemente incomodado. – Olha, eu gosto de você e ponto. Não importa quantas diferenças nós tenhamos, é você que eu escolhi. E eu gosto tanto da sua ingenuidade e da sua delicadeza. – acariciou minha bochecha.
— Gosta da minha falta de experiência também? – perguntei vendo que eu era uma das poucas garotas desse mundo que ainda prezavam pelo amor verdadeiro.
— Eu não diria falta de experiência. – ele riu me deixando sem graça. – Você é uma folha em branco, e é a minha folha em branco, que eu vou preencher com cuidado e amar com todo o meu coração. – me olhou e eu abaixei a cabeça envergonhada. – Todas as garotas que eu namorei, ou fiquei, já tiveram uma história, um namorado que nunca esqueceram, ou outro cara que amavam mais do que me amavam. – riu parecendo se lembrar de alguma situação trágica. – Você não. Eu olho nos seus olhos e acho que isso tudo que estamos vivendo é tão puro e avassalador, que não sei como não encontrei uma pessoa assim antes.
— Você me comparou a uma folha em branco. – eu murmurei admirada com as suas palavras tão delicadas.
— Me desculpe se te ofendi, não era minha intenção, juro. – ele disse rápido, um pouco desesperado, e eu me segurei para não rir. – É que... Foi à única comparação que eu consegui fazer na minha cabeça no momento, me desculpe.
— Não, calma. – sorri o tranquilizando. – É que ninguém nunca me chamou de inexperiente de uma maneira tão poética. – falei rindo, tentando disfarçar minha vergonha. – Você deveria escrever alguns versos, têm palavras muito bonitas guardadas dentro do seu coração.
— Você sempre enxerga o melhor de mim, eu acho isso incrível. – me deu um selinho.
— É que eu não tenho motivos pra enxergar o pior em você. – enlacei nossas mãos.
— Pensando agora, eu deveria ter te comparado com uma flor, ou melhor, uma rosa branca. – disse com um sorriso torto, olhando nossos dedos entrelaçados. – Você me faz bobo e apaixonado, tenho vontade de te dizer as coisas mais lindas. E talvez eu não tenha palavras bonitas no meu coração, e sim você, unicamente você, é a minha inspiração. – disse, eu ri e ele franziu a testa. – Isso soou brega demais, não é?
— Você é um poeta e não sabe disso. – continuei rindo. – Se você está me dizendo que ser romântico é brega, acho que não podemos namorar. – falei brincando arrancando risos dele. – Eu adoro romantismo, é uma coisa que mais me encanta nos dias de hoje.
— Agora eu sei. – ele sorriu. – Mas mudando de assunto, conseguiu se resolver com a Francesca?
***
Eu e León estamos voltando para minha casa. Vamos aproveitar que o meu pai não está em casa para conversarmos, ficar falando bobeira e quem sabe assistir um filme também? Não sei. Agora que estou com ele, não sei como agir. Acho que não sou uma boa namorada, mas eu nunca namorei antes, então eu mereço um desconto né?
— Cor favorita. – perguntei, estávamos em um jogo de perguntas e respostas.
— Verde e a sua?
— Azul.
— Pensei que fosse violeta. – ele disse todo risonho agarrando a minha mão. — E nós já fizemos esse joguinho antes, agora que eu me toquei.
— Engraçadinho. – balancei a cabeça em reprovação. — Então me pergunte algo que você queira saber.
— Filme preferido. – perguntou e eu pensei um pouco.
— Titanic.
— Bem velho. – murmurou rindo e eu revirei os olhos. – Gosto de Os Vingadores, embora não tenha sido como eu gostaria que fosse.
— Sério? Eu gostei quando assisti. E falando nisso, Esquadrão Suicida está em cartaz, quando estrear nos poderíamos ir ver.
— Uau, minha namorada entende de filmes, é isso mesmo? – perguntou e eu ri.
— Nunca tenho nada pra fazer, então ir ao cinema me cai bem às vezes. – dei de ombros.
— Achei que você gostava de filme de romance.
— Claro que eu gosto, acho que toda garota gosta, mas umas mais e outras menos, o meu gosto por filme de romance é balanceado, prefiro mais de ação me faz esperar pelo que não é tão óbvio.
— Você é maravilhosa. – beijou a ponta do meu nariz. – E se a gente assistisse a algum filme hoje?
— Ótima ideia, a gente pode ver Guerra Civil.
— Ótima ideia. – repetiu e me deu um sorriso lindo.
— E depois Como Eu Era Antes de Você.
— Pensei que não gostasse de romance. – fez biquinho.
— Eu falei que o meu gosto é equilibrado, e não que eu não gosto. – estreitei os meus olhos em direção a ele.
— Ah é. Você disse que seu filme preferido é Titanic, então apesar de tudo, você é uma garota romântica.
— Você sabe que eu sou.
— Como Eu Era Antes de Você é um título legal.
— Você vai se apaixonar, a história é linda, eu li o livro.
— Apaixonado eu só sou por você. – disse e eu sorri.
— Mais uma declaração. – murmurei pra ele. – Estou achando que você ganha no quesito romantismo.
Ele sorriu, mas logo vi aquele sorriso lindo se desmanchar. Não entendi, e olhei para onde ele estava olhando. Era minha irmã beijando o Maxi em frente à porta de minha casa. Diego também estava ali, sentado aos degraus da escada conversando com Francesca e... Natália?
Olhei para León que parecia ter perdido todo tipo de expressão. E eu só não sei se foi por causa da Natália ou da minha irmã sendo engolida pelo Maxi.
— León? – o chamei.
— Hm. – ele não me olhava.
— Tá tudo bem? – perguntei num sussurro me sentindo pequena de repente.
— Por que não estaria? – respondeu irônico soltando a minha mão e enfiando a mão no bolso da calça jeans tirando o celular. – Preciso ligar pra minha mãe, avisar que estou aqui. – disse discando rapidamente os números. – Só um minuto. – e se virou de costas.
Abracei meu próprio corpo e me afastei indo até a porta de minha casa sem que ele percebesse. Era a Natália que o deixava daquele jeito? Por quê? Pensei que ela não mexesse tanto com ele.
— Oi Vilu... – Diego tentou me cumprimentar, mas eu passei reto, não aguentaria falar com eles e ter que olhar para a Natália ao mesmo tempo. Eles se gostavam ainda? Será? Será que o León só está comigo para esquecê-la? Ah não, estou insegura de novo.
— Ei espera! – Francesca disse correndo atrás de mim, enquanto eu andava desesperada dentro de casa em direção ao meu quarto.
Assim que entrei em meu quarto sentei na cama emburra, só esperando Francesca chegar e me vir com um monte de perguntas. Dito e feito, ela entrou sem fôlego no meu quarto, com a mão no peito, evidenciando a falta de ar.
— O. Que. Você. Tem? – perguntou pausadamente tentando recuperar a respiração perdida.
— Por que você estava conversando com aquela menina? – rebati, não respondendo a sua pergunta.
— Espera – ela riu. – Você está com ciúmes? – perguntou e eu não respondi. Ela riu em seguida. – Vilu, não seja boba. Estávamos conversando sobre os Tigres que o pai dela está cuidando na África.
— E o que ela está fazendo aqui?
— Ela é amiga da sua irmã oras, precisa de mais um motivo? – suspirou. – O que é que tá acontecendo amiga?
— Fran, o León ainda gosta dela. – admiti o que eu não queria acreditar.
***
León
— Cadê a Violetta? – perguntei depois de falar com a minha mãe.
— Entrou em casa um pouco brava. O que você fez? – Diego perguntou.
— Nada, que eu saiba. – dei de ombros.
— É normal Diego, o León tem o dom de chatear nós meninas. – Natália disse tentando me alfinetar e logo saindo.
Olhei mais uma vez para Ludmila e senti o meu estomago embrulhar. Quando foi que ela se tornou tão vulgar? Tudo bem que ela nunca foi santa, mas desse jeito? Não, ela não era assim.
— Se doendo Vargas?
— Pelo que?
— Ludmila. – deu voz aos meus pesadelos.
— Tenho mais o que fazer Diego.
— Pelo visto essa coisa de pegar a irmã da ex, não vai dar muito certo.
— A Ludmila não é a minha ex. – falei cerrando os meus punhos.
— Claro que não. Afinal ela não quis ser nem a atual.
— Vai querer mesmo desenterrar o passado?
— Não, mas só to te avisando pra tomar cuidado. A Ludmila gosta de você, e você sabe. Agora não machuca a Violetta não, ela não merece.
— Não fala mais nada Diego. – falei já sem paciência. – Vou atrás da Violetta.
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