Todos são estranhos, afinal
4 Família.

— COMO É? — Gritou Ultear, tentando levantar a cabeça para finalmente focalizar o rosto de Igneel, porém apenas deu de cara com a camisa que dava uma visão deliciosa para seu abdômen bem definido. A morena sentiu suas bochechas arderem um pouco por causa disso.
— Acalme-se, Ul! — Suplicou o rosado, temendo que os movimentos dela estragassem tudo. — Você tem que se acalmar!
— Me acalmar uma ova, Igneel! — Desistiu de tentar encontrar o rosto dele e repousou a cabeça no chão. — Você me convenceu a jogar Twister para apenas me dar essa notícia? Como você pôde ser tão irresponsável? Vivo dizendo para você preencher os formulários corretamente! Como sua inutilidade pode ser tão grande?
— Ul, você não mede mesmo o quanto suas palavras podem ferir, não é mesmo? — Fez drama o Dragneel, movendo sua perna para uma bola azul. — Sei que errei, mas a culpa é toda sua!
— Minha? — Indagou a morena, desacreditando nas palavras do amado. — Como pode ser tão cretino?
— Como? Cretino? Não creio que usou essa palavra para se referir a mim! Sua vez. — Avisou.
— Usei sim e ouso repetir: Igneel, seu cretino! Sabe quantos milhões podemos perder? Virgo, por favor. — Pediu Ultear, indicando com um movimento de cabeça a roleta.
— Quadrado vermelho. — Avisou a governanta assim que obteve o resultado.
— Tá, tá. Eu sei. — O Dragneel revirou os olhos enquanto a morena tentava alcançar com a mão o quadrado. — Não é algo tão grande.
— É sim! — Exclamou chocada. — Você é impensável, mesmo! Quero ver quando tiver que explicar isso para Natsu e Aries!
O rosado engoliu em seco. Isso sim seria um problema.
— Ainda não tinha pensado nisso... — Admitiu.
— Viu? Eu tinha razão. — Esticou o braço o máximo que pôde, quase atingindo seu alvo. — Como sempre, aliás.
— Você não é nem um pouco convencida, né? — Virou o rosto para baixo a fim de vê-la. — Quer saber? Desisto. — Soltou todo seu peso em cima de Ultear, que não pode evitar soltar um grito com o movimento repentino.
— Você está louco, Igneel? — Indagou tentando se levantar, entretanto sendo impedida por ele, que mantinha-a firmemente prensada no chão. — O que pensa que está fazendo?
Ele ignorou-a, apenas observando silenciosamente sua expressão.
— Sabia que adoro vê-la assim, com o cabelo todo bagunçado? — Balbuciou.
— O-o-o quê? — Perguntou, começando a ficar nervosa. Ele dizer isso enquanto mantinha seus corpos tão próximos e em tal posição ajudaram — e muito — sua mente a pensar em coisas nada puras. Tentou recobrar o controle de si mesma: — O que pensa que está fazendo na frente de sua filha?
— Meredy está lendo um livro agora mesmo. — Respondeu, os olhos rosados cravando nos castanhos. — Ela não está reparando no mundo à sua volta neste momento.
Droga!; Ultear praguejou mentalmente.
— Então, Virgo... — Começou cogitar, e então percebeu que a governanta se fora há muito, como se soubesse o que aconteceria. — Você planejou isso desde o começo, seu pervertido! — Acusou.
— Pervertido? Eu? — O Dragneel piscou os olhos inocentemente. — A única com pensamentos impuros aqui é você. — Aproximou-se um pouco mais, fazendo a morena respirar ofegantemente. — Pensamentos que posso muito bem tornar realidade. — Beijou seu pescoço de forma provocante, fazendo-a arfar.
— Seu demônio! — Insultou, contradizendo toda a vontade de ceder que seu corpo tinha. — Exijo que me solte neste instante!
— Tsc! Como é mandona! — Reclamou o rosado com um muxoxo, afastando do pescoço alvo. — Só saio de cima se pedir desculpa por me chamar de cretino. — Impôs.
— Pedir desculpa por falar a verdade? Nunca! — Recusou-se.
Igneel então puniu-a com dois minutos inteiros de cócegas. Somente quando a morena pediu perdão é que decidiu dar seus movimentos por encerrados e sair de cima dela. É claro que Ultear, vingativa como é, acabou socando-lhe o rosto na primeira oportunidade e voltou para seu quarto pisando duro.
— Isso doeu de verdade! — Bufou ele, massageando a região avermelhada onde fora acertado. — Essas mulheres complicadas que me rodeiam...
— Mas você as ama, certo? — Disse Meredy, aproximando-se.
— Pensei que estava concentrada em seu livro! — Surpreendeu-se.
— E estava, porém é difícil se concentrar em qualquer coisa com a Ul rindo igual uma hiena.
Igneel segurou o riso.
— Deve ser mesmo.
— Você diz deve porque está mais concentrado em provocá-la, não? — Ele apenas deu de ombros. — Ora, papai, tome jeito! — Bronqueou, virando-lhe as costas e partindo em direção à seu quarto.
— Realmente... Só mulheres complicadas. — Voltou a repetir, deixando um sorriso tomar-lhe os lábios. — E sim, é claro que as amo. São minha família, afinal.
E então, vendo-se sozinho ali na sala, optou por ir até a cozinha pegar gelo para colocar no inchaço na bochecha causado pelo soco de Ultear.
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