Todos os monstros são reais - Fic Interativa
6 Capítulo 5
Notas iniciais
POV Heitor
Eram mais de 4:30 da manhã em Atenas, e eu estava exausto.
Não consegui dormir, e as duas da matina resolvi simplesmente levantar da cama e ir para o quintal para esfriar a cabeça, sem me dar ao trabalho de trocar de roupa e pegando apenas uma lanterna, algumas adagas e minha espada curta da família Flaresand, sobrenome do homem que havia me “adotado” quando eu não tinha mais ninguém. Ver vampiros na tarde anterior, a mesma raça do submundo que matou minha mãe, não tinha ajudado em nada meu humor, sobretudo a parte de eu não ter nenhuma arma para matar algum. Qualquer um.
Já havia atirado adagas e mais adagas em um tronco de árvore, que agora estava perfurado em diferentes pontos, antes de finalmente parar. Não porque queria, mas porque estava finalmente ficando cansado.
Ia tirando a última adaga dos pés da árvore quando ouvi um ruído. Deixei a lanterna cair no chão, nem pensando em usá-la, e olhei ao redor, pegando minha espada curta, conseguindo ver algo mais escuro que as sombras da madrugada se movendo. Não pensei, simplesmente corri o mais rápido que pude, saltando em cima da sombra e colocando minha espada sobre ela, só assim parando para ver sobre o que eu parei, e não foi uma surpresa agradável.
–Helena?!
–Sim, sou eu, agora dá pra sair de cima de mim e tirar essa espada do meu pescoço? É incrivelmente desconfortável.
Levantei imediatamente, e automaticamente estendi a mão para ajuda-la, mas ela a recusou e se levantou sozinha, parando na frente do meu campo de visão e da luz da minha lanterna. Ela estava com seu cabelo solto, finalmente mostrando o comprimento dele e suas ondulações, e usava um macacão-vestido florido, e ela estava linda.
–Em primeiro lugar –eu disse, inclinando minha cabeça para baixo para poder olhá-la nos olhos azul esverdeados –,o que faz aqui? E em segundo, por que você dorme com esse tipo de roupa?
–Primeiro a mais fácil. Eu não durmo com esse tipo de roupa. Simplesmente tenho uma crença que quando se está em um lugar... digamos público, o mínimo que se deve fazer é trocar de roupa antes que alguém acabe te vendo como não deve. Belo pijama, falando nisso.
–Você é meio insolente, não é? –Perguntei a ela por perguntar, era mais como se eu quisesse só esclarecer antes de ficar irritado.
–Não sabia que elogiar um pijama de alguém agora era chamado de insolência. De qualquer modo, estou aqui procurando fazer amizades, e você?
–Só estou treinando, mas não vejo como possa ser da sua conta, sendo que nem me agradeceu por eu ter te salvo ontem.
–É, verdade, não agradeci, devia estar ocupada correndo do lugar em que você nos convenceu a ir –disse com censura, me fazendo dar as costas pra ela e andar a caminho do Instituto, quase deixando minhas coisas para trás, mas não antes de ela concluir o que dizia. –Mas tem razão, não foi legal não ter agradecido antes. Obrigada.
Virei-me para a direção dela, de braços cruzados.
–E por que se importa com o que é “legal”?
–Porque quando se é legal com as pessoas, elas acabam te dando a amizade delas. E eu gosto de ter amigos. E como você tem algum tipo de problema comigo é melhor tentar ser superlegal com você. E falando em amigos, se eu não for agora, nunca vou conseguir nenhum novo. Até depois! –Terminou com um aceno e saiu correndo.
Se algum monstro grego não me matasse, essa garota poderia fazer muito bem o trabalho.
***
A tarde daquele dia já tinha começado e todos estávamos treinando, inclusive a nova baixinha, Hannah, e Emily, já que todos nós estávamos sendo vigiados por Caroline, mas ninguém tinha visto Helena em nenhum momento do dia, só uma mensagem falando que ela precisou sair mas estava bem, e como o amigo dela falou que acontecia as vezes ninguém se manifestou para a procura, mesmo que eu quisesse.
Enquanto Emily treinava em silêncio com Gabriel, eu o fazia o mesmo com Daniel, e Hannah ficou com Caroline, já que estávamos em número ímpar.
Não sabia o que os outros estavam pensando enquanto trocavam golpes com lâminas, mas eu ainda pensava em que tipo de amigo uma garota fofinha, inocente e ,sou obrigado a admitir, extremamente bonita, iria encontrar no meio da madrugada. Estávamos tão imersos lutando/ pensando que só percebemos que tinha gente na porta quando um deles pigarreou.
–Toc toc –disse o garoto de cabelos castanhos, sorrindo sarcasticamente.
–Estávamos começando a pensar se deveríamos ir pra outro Instituto –continuou a garota, com cabelos curtos da mesma cor.
–Quem são vocês? –Perguntou Hannah. –E como nos acharam aqui?
–Bem, eu sou Angel Morgenstern, e esse aqui do meu lado que acabei de conhecer enquanto esperava vocês no andar de baixo é Alex... Qual é mesmo seu sobrenome?
–Nighshade. E uma garota de vestido nos viu e nos trouxe para cá. Ainda temos tempo de participar do treino?
–Claro que sim! –Disse Caroline. –Sou Caroline Herondale, diretora do Instituto. Esses são Gabriel, Emily, Daniel, Hannah e Heitor.
–E a garota que vocês viram antes –disse Gabriel –se chama Helena. Agora sabemos onde ela está. Talvez eu devesse...
–Ah, não, você não vai atrás dela –o xingou Emily, apontando o dedo. -Se eu estou sendo forçada a ficar um treino inteiro sem sair todos vão fazer o mesmo, e você está incluso.
–Pra mim você estava começando a gostar da menina. Não acha que alguém devia ir?
–Tanto faz. Ela já tem idade o bastante para se virar sozinha, você não vai atrás dela.
–E por que você não quer que eu vá? –Perguntou Gabriel, com um sorriso malicioso no rosto.
–Querem parar com isso?-Implorou Daniel
–É muito simples parar –disse. –Tá na cara que é ciúmes, vocês se amam e pronto. Assumam! –Conclui, só depois parando para pensar e descobrindo que não foi uma boa ideia, já que os dois começaram a discutir, fazendo Caroline se juntar a eles e os outros se afastarem.
–Pelo Anjo! –Começou Hannah
–Não é sempre assim, é? –Perguntou Angel.
–Na verdade é pior –Disse Daniel, segundos antes de vermos algo tão esperado quanto inesperado. No meio da discursão, Gabriel segurou Emily e a puxou pra perto, a beijando e sendo correspondido por algum tempo, que provavelmente duraria mais, se Helena não tivesse chegado na porta naquele momento, com o cabelo novamente trançado, sorrindo e encostando no batente da porta.
–Ora, ora. E não é que eu consegui chegar em um momento interessante!
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