Notas iniciais
Annary: Esse é um capítulo beem Carsen(Helena e Heitor, para quem não sabe(valeu, Eros,pelo nome!)) Tomara que gostem! Lady: Oiie, dessa vez um cap muito fofo para vocês!!

POV Helena

Nota mental: sumir por um dia com a intenção de salvar todos não vai fazer a diretora do Instituto em que você estiver esquecer de que você descumpriu uma regra.

Na verdade, eu acreditava que Roll estava muito triste por ter uma biblioteca suja já que sempre acontecia algo que nos fazia não a limpar, e por isso ela estava caçando qualquer desculpa para fazer pelo menos alguns de nós limpá-la, e os escolhidos foram eu e Heitor, e por isso eu tinha acordado antes de todos os outros e estava indo em direção à biblioteca com meu macacão-vestido florido e com meus cabelos soltos e carregando um pano seco para a limpeza.

Não demorei para chegar até lá, mas ela estava incrivelmente silenciosa. Tinha combinado com Heitor de estarmos lá cedo, mas não me surpreendi ao não encontra-lo lá. De qualquer maneira, era meu trabalho, e comecei a fazê-lo imediatamente, imersa nos títulos até que algo que parecia ser um pedaço de madeira me tocou e eu fiquei paralisada pela surpresa. Mal me virei e já recebi um beijo de Heitor, que se vestia com um uma blusa de malha e uma calça jeans –o visual menos informal que eu já vi nele depois do pijama –além de segurar do lado oposto um espanador.

–Bú! –Disse, sorrindo.

–Queria me matar de susto e ter que limpar tudo sozinho?

–Claro que não! –Exclamou, segurando minha cintura –É bem óbvio que você é muito mais organizada que eu e eu nunca acabaria isso sem você, mas eu não preciso de você só para a limpeza. Sabe disso.

–Às vezes começo a duvidar –baixei a cabeça, movendo minha mão para tirar uma dele, que cedeu apenas para ir para o meu queixo.

–Não precisa ter dúvidas –relatou, erguendo minha cabeça na direção da dele exatos vinte centímetros mais alta. –Já conversamos sobre isso. Se eu fosse como você e pensasse, jamais teria beijado Class. Ou um espelho, porque ela é tão bonita quanto eu então não faz diferença.

–Isso era pra me animar?

–Era. Era pra falar que te acho incrivelmente e quase impossivelmente muito mais bonita que eu, principalmente quando solta o cabelo. Na verdade, sem falar porque sou seu namorado e coisas do tipo, arriscaria a falar que você é a adolescente mais bonita do mundo, assim como Helena de Troia.

Sorri, e vendo isso como um sinal de rendição, ele me beijou de novo e de forma mais intensa.

–Tudo bem, galã, mas é melhor pararmos com isso se queremos não ser castigados por não cumprirmos o castigo.

Ele bufou e me soltou, pegando de volta o espanador do lado ao contrário.

–Eu já fui ao seu quarto e já vi a bagunça dele, mas o mínimo que você tem que saber é que é o lado das penas que se usa.

–Tenho uma coisa para te contar.

–Conte –eu disse, enquanto pegava um exemplar de “Romeu e Julieta” e tirava o pó, passando para “O mercador de Veneza” e depois para “Morro dos Ventos Uivantes”.Eu queria tanto parar e ler todos!!!

–Detesto ordem, estou de ressaca e bagunço tudo que eu toco.

–Você não me bagunçou.

–Ah, é? –Procurou meus olhos e fez uma cara provocadora.Ele tinha me pegado. –Sendo assim, querida, acho que você deveria fazer todo o trabalho enquanto fico aqui lendo.

–Não venha com essa de “querida” para cima de mim –reclamei, jogando o pano com poeira na cara dele e pegando o espanador. –Ainda sinto o gosto amargo da bebida na sua boca, e olha que eu nunca bebi. Vá, fique na sua ressaca que eu faço isso sozinha.

–Te adoro? –Arriscou, jogando o pano de volta na minha cara.

–Guarde suas palavras gentis para quando eu estiver morrendo de raiva por ter limpado mais de dez prateleiras de livros sozinha. Vai precisar delas para não morrer.

***

POV Heitor

Lena já estava na sétima estante, o relógio já batia às onze da manhã e eu estava na página 91 de “O Morro dos Ventos Uivantes” depois de ter quase morrido de tédio lendo algumas páginas . Você só percebe que está no fim da picada quando se identifica com o Heathcliff, e eu estava no fim da picada.

–Está terminando, Catherine? –Gritei.

–Quem é Catherine? –Perguntou-me Helena, virando a cabeça de uma estante, com um ar provocante e ao mesmo tempo enciumado. Não sabia que uma garota com aquele humor era capaz de sentir ciúmes, e era muito satisfatório descobrir isso.

–Acredita se eu disser que é uma personagem de livro?

–Ahhh! Sim, Heathcliff, e não terminei graças ao senhor. Você devia ser a dama da história, e eu o cuidador do estábulo.

–Você está estragando minha relação com o Heathcliff–falei, em tom de birra e fazendo biquinho, fazendo ela gargalhar.

–Heitor, Helena? –Perguntou Angel, que acabava de chegar ao lado de Alex. –O que estão fazendo aqui?

–Cumprindo nossa pena comunitária em nome de todos com alergia ou incomodo a pó –falei, antes que Helena sequer pudesse fazê-lo.

–Resumindo, estão de castigo –falou Alex com um sorriso sacana no rosto. –De qualquer forma, é até bom. Estamos procurando um tabuleiro de xadrez, o meu estragou com as goteiras. Algum de vocês sabe onde tem um?

–Aqui –falou Helena, saindo de trás da estante, toda empoeirada e com uma caixa nas mãos. –Acabei de limpar peça por peça, então imploro que tenham cuidado. O outro lado da sala, onde recebemos as pessoas, está limpo, por sinal.

–Obrigada, Lena, vamos pra lá -falou Angel, apertando o braço de Alex que segurava o tabuleiro –E eu sinto muito pelo que eu disse ontem, não foi verdade.

Eu assenti enquanto Helena ficava com uma cara confusa. Esperamos os dois saírem e ela logo perguntou.

–Eu vou querer saber pelo quê Angel está se desculpando ou não?

–Acho que não quer saber que ela disse que você não me merecia. Mas sabe, tudo depende da interpretação. E o mínimo que você merece é alguém que saiba fazer limpeza –disse, sorrindo.

–Acho que não tenho como ficar com raiva de quem diz a verdade. E acho que também vou ter que ser legal com um monte de gente agora–ela disse, voltando para sua limpeza e me fazendo rir da menção do nosso “primeiro encontro”.

Esperei alguns segundos depois que ela já tinha voltado a sair do meu campo de visão e levantei da poltrona com o livro na mão, caminhando em direção a estante em que Lena estava trabalhando, chegando sorrateiramente e abrindo o livro na página que eu estava.

–“ Os maiores sofrimentos que eu tenho no mundo são os sofrimentos dele, e sinto todos eles desde o início; a grande preocupação na minha vida é ele mesmo. Mesmo que tudo mais sucumbisse e ele permanecesse, eu ainda continuaria a viver; e se tudo permanecesse e ele perecesse, o mundo se tornaria completamente estranho para mim.”

Ela parou de limpar e virou para mim, ainda mais suja –eu já estava desconfiando que ela gostava da sujeira –e sorrindo largamente. Acho que só não prendia o cabelo por minha causa, mas pra mim estava tudo certo desse jeito.

–Você tem que decidir se é Páris, Heathcliff, Heitor ou Cath. Decidir seriamente, eu diria.

–Eu acho que eu ficaria "linda" de chapéu e com um dos vestidos da Cath, não concorda?

Ela riu junto comigo e ficou na ponta dos pés para bater a poeira do espanador na minha cara, me fazendo tossir.

–Acredita se eu falar que ergui os pés acidentalmente e joguei poeira na sua cara acidentalmente? –Ela disse, ainda rindo.

Peguei poeira concentrada do meu rosto e desenhei a runa do amor no rosto dela. Como eu queria que fôssemos mais velhos ou que ela não fosse politicamente correta...

–Cresça alguns centímetros. Quando isso acontecer, eu acredito–falei, sorrindo, e pausando quase imediatamente quando lembrei de uma coisa pendente. –Tem uma coisa. Você pegou malas para ir para Idris com Gabriel e o irmão dele, mas ainda assim não falou, e vocês voltaram rápido demais para não terem notícias.

Ela mordeu o lábio inferior e pousou o espanador na prateleira.

–Bem, eu não deixei nenhum recado realmente pela pegadinha. Combinei isso com Gabe e Jem antes de sair. Achei que seria legal o nosso retorno com todo mundo sóbrio brigando com a gente e nos dando chance de explicar, e não o desastre dos bêbados.

–Pegadinha é bem a sua cara mesmo –repliquei, tentando dar um sorriso que não vinha. Não era acostumado a ser falso.

–Perdão. Não sabia que ficaria tão triste, ou que você acreditaria mesmo que eu te abandonei sem nem dizer tchau –ela disse, com um tom melancólico.

–Ei, é sério, tá tudo bem –eu disse, sorrindo pela explicação mas nervoso por dentro. Não suportava vê-la tão triste e se ela chorasse eu não ia conseguir me segurar, estava sentindo.

–Eu sei. E não voltamos tão cedo de mãos vazias. A Clave recusou-se a falar qualquer coisa para Jem, mas eu e Gabe fizemos uma busca nos arquivos enquanto Jem tentava informações vocais. Os monstros estão se reunindo, os sensores dos Caçadores mais no fim do Peloponeso não param de apitar, e os monstros não aparecem em lugar nenhum. Eles estão lá, mas não estão, e deixam rastros por toda parte. Os números de mortes por monstros não param de aumentar, e relatos já descreveram desde o Leão de Neméia até a Hidra.

–QUÊÊ?! –Exclamei, surpreso pelas notícias e por não sabermos de nada. Por que ninguém nos contou nada?!–Como...

–Shiu! –Lena sussurou, me tampando a boca depois de ter se esticado ao máximo. –Tem alguém aqui. Alguém além de nós e de Angel e Alex.

Ambos curiosos, andamos até o fim da estante, onde conseguimos colocar nossos olhos para fora e ver quem estava lá: Emily e Gabriel.

Notas finais
Lady: E aí gostaram?? Comentem o q acham que Ems e Gabriel foram fazer na biblioteca? Annary: Eu duvido que vocês adivinhem que livro eu tô lendo. Mesmo com umas diquinhas fora das notas...