Notas iniciais
Annary: Demora mea culpa mea maxima culpa. Mentira, Lady demorou meio século para me responder então culpa dela também. Agora vocês vão descobrir o que goteiras durante uma noite toda fazem com um Instituto! Lady:Aqui está mais um cap espero que gostem :)

POV Angel

Eu estava sonhando com cachoeiras. E depois com as Cataratas do Niágara. E depois com alguém apertando a descarga em uma privada na qual eu estava dentro. Não sonhei com algo além de quedas d’água, e quando acordei não vi nada além de uma queda d’água imensa em cima de mim.

Okay, na verdade não era uma queda d’água, e muito menos imensa. Mas ainda tinha uma goteira soltando água de cinco em cinco segundos no meio da minha testa de forma irritante até que eu perdi a paciência e saí da cama, já molhada.

Vesti a primeira blusa xadrez e a primeira calça jeans que eu encontrei e saí do quarto, vendo que o resto da construção não estava diferente. Havia goteiras por toda parte, o chão alagado, a chuva ainda caindo pela janela e Roll gritando no andar debaixo.

Como parecia que era a última a acordar, andei em direção à escada para fora da ala residencial, mas escorreguei na água e caí, sendo levantada segundos depois por Hannah, que em uma mão tinha uns 4 baldes e no braço que usou pra me levantar mais quatro.

–É uma tristeza não termos runas para consertar construções –ela disse. –Seria muito mais fácil hoje.

–Concordo. Onde estão os outros?

–Em outros cômodos. Parece que o Instituto não sobreviveu bem à tempestade, e até encontrarmos alguma forma de arrumar é isso que temos. Pode me ajudar?

–É claro –disse, pegando os baldes de um dos braços e distribuindo nas minhas mãos.

Entramos em todos os quartos para procurar por goteiras, ou pelo menos os que não estavam trancados. Eu tentei não prestar atenção nos que eu tive acesso, mas era quase impossível, então notei uns três livros quase virando pasta no chão de Lena, roupas alagadas no chão de Daniel, um tabuleiro de xadrez com as partes de madeira bem prejudicadas no quarto de Alex e nos outros a maioria era roupa de cama molhada, como no meu.

Quando terminei no último da minha metade de quartos, fui para o corredor, me segurando nas paredes. Aparentemente Hannah não teve a mesma ideia, porque saiu do quarto onde estava, tropeçou e saiu chiando na água, não me dando tempo para sair e me fazendo cair também.

Seria muito mais digno falar que logo conseguimos nos levantar, e fomos andando civilizadamente até o andar de baixo, mas essa não é a verdade. A verdade é que começamos a gritar de adrenalina, e ambas sentadas, descemos os degraus chiando, como se estivéssemos em um desenho animado, ainda tendo tempo de empurrar Helena, que passava distraída, antes de finalmente pararmos por falta de água e nós três começarmos a rir histericamente.

–Isso foi tão divertido! –Exclamou Lena, que estava se levantou com um pulo e com um sorriso enorme no rosto. –Vamos fazer de novo!

–Não! –Praticamente gritei, ao mesmo tempo que Hannah fazia o mesmo.

–Chato.

Quando Lena terminou de falar, os outros começaram a chegar na sala, e a olhar com assombro para nossas roupas molhadas. Alex foi o primeiro a falar.

–Ahhn...Devo perguntar?

–Não –respondi a ele, me sentando no sofá, enquanto os outros faziam o mesmo. –Não mesmo.

–Muito bem! –Disse Roll. –Vamos a análise dos danos. Gabriel, Heitor?

–A sala de armas está inundada –dizia Heitor.

–Verdade –concluiu Gabriel. –Depois temos que secar as armas antes que fiquem completamente enferrujadas.

–Antes fosse a ferrugem! A noite conseguiu molhar duas pilhas de livros que estavam no chão, e nem tem sol para secar eles!

–Sério que é com isso que se preocupa, Helena? –Perguntou Julian.

–A verdade?

–Chega de falar de livros! –Disse Roll, em resposta a pergunta sarcástica de Lena, baixando o megafone –Vocês duas –disse, olhando para mim e para Hannah –, como estão os quartos?

–Molhados –respondi.

–Colocamos baldes em todos os não trancados –concluiu Hannah por mim.

–Muito bem –falou a diretora, ao mesmo tempo que pegava o megafone. –Todos para a sala de treinamento!

–Comandante Roll, estamos bem aqui! –Reclamou Daniel, esfregando os ouvidos.

–E a sala está alagada! –Continuou Ems. –É mais fácil dar uma volta por aí.

–Melhor ainda! Assim todos vocês vão poder limpar a sala enquanto treinam. Não é incrível?!

–Estamos sendo tratados como escravos –Disse Julian.

–É, a Roma antiga e os gladiadores voltaram –Disse Heitor. –E nós somos os gladiadores escravos.

Nós nos virando para irmos para a sala de treinamento, mas fomos interrompidos por um portal que se abriu, jogando um garoto meio ruivo de pele morena em pé, ao lado de suas bagagens, mas o chão molhado o fez escorregar e ir deslizando até nós, quase trombando em Heitor, que deu um passo pro lado e deixou o garoto continuar até bater as pernas na parede e soltar um gemido.

–Ei, tá tudo bem aí? –Perguntou Helena para o garoto, olhando de soslaio para Heitor que assobiava fingindo estar distraído.

–Ah, claro que sim –respondeu o garoto, se levantando e tirando água de sua blusa preta –Só estava quase em posição de abertura sem ser bailarino. É algo muito confortável.

–Um mal melhora e já vem outro –murmurou Lena em resposta, dando um soco de leve em Heitor que dava risadas baixas. Os dois deviam logo se beijar, se se gostavam tanto.

–Gabriel Blackheart, de 14 anos, certo? –Perguntou Roll.

–Correto –respondeu o garoto.

–Bem, chegou logo na hora de irmos treinar –eu disse. – Talvez devesse deixar suas coisas no quarto antes de ir.

–Não, obrigado, vou deixar aqui mesmo.

Seguimos para a sala de treinamento com rodos e panos a mão, conversando baixo um com os outros, até chegarmos a sala, que realmente não estava nas melhores condições, com pelo menos 7 goteiras, o chão molhado e as armas também.

–Isso é um desperdício de talento de Caçadores de Sombras –disse Gabriel.

–Concordo com o garotinho –falou Emily, andando pra porta –E é por isso que eu vou cair fora daqui antes que o tédio tome conta do meu ser e me mate.

Ela se virou, caminhando até a porta até escorregar em uma aglomeração de água maior e escorregar pra cima de Julian.

–Se estamos presos aqui –ele disse –,você também tá. Somos uma equipe.

–Já ouvi isso em algum lugar –murmurou Gabriel. –A diferença é quem estava dizendo.

–Cala, Gabe. E eu voto em fazermos Símbolos de Equilíbrio, quem tá comigo?

–Estou com você, Lena –Ems disse. –Mas quem aqui está com uma Estela?

–Presente! –Exclamou o mais novo Gabriel, sacando uma Estela do seu cinto.

Passamos os próximos minutos revezando uma Estela para marcar dez Caçadores de Sombras, e quando todos estavam devidamente em equilíbrio, começamos a secar as armas.

Eu estava concentrada no meu trabalho, até que um pano úmido atingiu minha cara. Olhei de um lado para outro, até ver Lena sorrindo maleficamente do outro lado da sala.

–Guerra de panos! –Gritei, ao mesmo tempo em que mandava o pano para cima de Helena, e o meu outro para qualquer direção.

Não tínhamos secado nem metade da sala e estávamos todos em posição de ataque, alguns com até mais de um pano, quando finalmente Roll chegou. Estava com papéis na mão e a testa franzida, mas não parecia com raiva de termos não feito o que ela mandou. Pelo menos não totalmente.

–Tudo bem, Roll? Você não está parecendo muito legal –falou Alex.

–Estou bem. E tenho três notícias.

–Ai vem coisa –falou Hannah.

–Continuando –falou mais alto. Apostava que logo pegaria o megafone. –Tenho três notícias. A boa é que eu arranjei alguém para concertar as goteiras, e enquanto ele faz o trabalho dele nós vamos fazer uma excursão!

Esquecendo das palavras “a boa” no início da frase, todos comemoramos. Afinal, merecíamos um descanso por ter limpado todas aquelas armas e aquela sala hoje.

–A outra boa –Roll continuou –, é que recebemos mais uma moradora, Class Hills, de Creta.

Com o fim dessa fala, uma garota morena que parecia ter 17 anos entrou na sala, acenando. O assustador é que ela parecia ser do tamanho de Helena.

–Quantos anos você tem? –Perguntou Lena.

–Tenho 17.

–Isso!! Eu não sou mais a baixinha! –Disse, correndo em círculos, balançando os braços. Se eu virasse um pouco os olhos para o lado, podia ver Heitor com a mão na cara e com um sorriso. –Hahahahaha , eu sabia que o sofrimento tinha que acabar um dia! Adeus apelidos! Sem ofensas, Class. Você parece ser bem legal.

–Não ofendeu. Tenho estatura mediana, se quer saber, e já aprendi a lidar com isso.

–Eu sabia que você era legal. E estatura mediana?? Eu sou uma gigante!!

–Pare com isso, Lena Microscópica –disse Gabriel, a pegando pelo vestido. –Você ainda é Lena Microscópica –concluiu, recebendo uma língua esticada.

–Bem, se já acabamos com essa discussão sobre altura, a notícia ruim. Vocês estão indo para as ruínas Tebas, e é um belo lugar, mas tem um monstro grego esperando por vocês lá.

Notas finais
Lady: Obrigada por terem lido!! Annary: Qual monstro grego vivia em Tebas? Valendo uma cesta de doces virtual e imaginária!