Todos os monstros são reais - Fic Interativa
16 Capítulo 15
Notas iniciais
POV Angel
Acordei com uma batida insistente na porta do meu quarto.
Levantei da cama e espreguicei, olhando para o relógio no meu criado mudo, que marcava uma da tarde. Por que será que Roll não tinha nos acordado com um megafone horas antes naquele dia?
–Alex? –Me surpreendi ao abrir a porta. Estaria tudo legal se eu não estivesse toda descabelada e tivesse dormido só de blusa.
–Bom dia!
–Ai, Raziel, o que faz aqui? –Disse, enquanto tentava abaixar meu cabelo e minha blusa.
–Vim te acordar, oras –me respondeu, sorrindo para minha tentativa frustrada de me deixar descente.
–Tudo bem, acordou, agora fica aí fora enquanto eu fico descente –falei, enquanto empurrava a porta contra ele e a fechava.
Vesti logo uma blusa xadrez e uma calça jeans, penteei o cabelo e saí do quarto, encontrando Alex tirando sujeira das suas unhas.
–Bom dia! –Eu disse.
–Bom dia de novo! Tinha mais graça do jeito que estava antes.
–Peço perdão por tirar a sua graça –disse sarcasticamente. –E então? O fim do mundo chegou e ninguém me avisou, para Roll não ter usado o megafone?
–Ela estava dormindo quando a coisa toda deu bosta. James foi o primeiro a acordar aqui, e aparentemente viu Gabriel e Ems dormindo juntos no sofá e deu o alarme. Não foi algo legal, e estou muito surpreso de você ter continuado a dormir.
–Tendo a ter o sono pesado –eu disse, sorrindo um pouco. –E esse cara é muito desagradável!
–Nem me fale –concordou Alex, com a cabeça. –Eu já quis soca-lo umas mil vezes, e olha que eu nem sou o mais prejudicado em toda essa história.
–Verdade. E cadê todo mundo?
–Treinaram a manhã toda e saíram para almoçar fora e tomar sorvete.
–Grandes amigos e parabatai –resmunguei. –E você ficou...?
–Porque fiquei de te acordar e te levar pra Biblioteca de Atenas. Todos iriam pra lá pra ver se achavam alguma coisa sobre onde os monstros estão se escondendo.
–Acho que seria mais interessante matar alguma coisa, mas tudo bem, vamos lá.
Descemos as escadas e saímos do Instituto, comigo logo dando de cara com...
–Zebra?!
–Pois é, né –me respondeu, fazendo uma careta para não rir.
–Desde quando tem zebras na Grécia fora de Zoológicos?
–Bem, história engraçada. Enquanto você dormia, resolvemos que não podemos nos locomover com eficiência porque não temos meios de transporte. Depois de uma breve discursão sobre qual era o meio de transporte mais eficiente acabamos concordando que, mesmo com esses bichos sendo muito estranhos com corpo de cavalo e orelha de coelho, e sempre lembrando a “Shereque” , jumentos são mais confiáveis que os cavalos, e com uma votação nada justa Roll comprou uns para o nosso uso.
–Sim, mas isso não explica porque temos uma zebra no quintal! –Disse, exasperada. Só acontecia doideira naquele Instituto?!
–Na verdade é um jumento –agora ele estava quase deitando no chão de tanto rir. –Helena cismou que zebras eram mais legais e passou a manhã inteira pintando esses bichos com tinta em spray pra cabelo com todos os acordados, até Emily ajudou!
–Por que esse tipo de coisa só acontece quando estou dormindo? –Perguntei, e ele riu e deu de ombros.
–São os mistérios da vida. Anda, sobe aí, temos que ir.
***
POV Alex
Já estávamos zegando há alguns minutos quando chegamos perto das Colunas Coríntias Parei meu zebrento e desci, estendendo a mão para Angel descer da minha garupa.
–Se eu conheço bem livros, e eu conheço –ela disse, aceitando minha mão com uma pergunta estampada na cara –,não vejo nenhum por aqui, muito menos uma biblioteca deles.
–Resolvi que podemos fazer coisas muito melhores por aqui ao invés de uma biblioteca.
–Ah! –Exclamou, com um sorriso no rosto. –Lugar bem interessante, alias. Com muitas, muitas e muitas colunas.
–Pois é –eu disse. –E esses gregos antigos não tinham um bom gosto não. As colunas Jônicas são muito melhores para se fazer em massa.
–Mas talvez “Colunas Jônicas” não tenham a mesma sonoridade...como posso dizer? “tocante” quanto “Colunas Coríntias.
–Uma boa explicação –falei, sorrindo e indo a frente entre as construções.
–Sabe o que é estranho? –Ela perguntou, olhando para as obras. –Já se passaram dias desde que James, Gabriel e Helena voltaram de Idris e ninguém nos contou o que se passou lá.
–Sabe aquela coisa de você perder tudo enquanto está dormindo? –Falei, olhando pra reação dela de frustração.
–Outra coisa?! E o que eu perdi?
–Aparentemente, monstros aparecendo e desaparecendo pelo Peloponeso, e matando mundanos e Caçadores. Minha teoria é um feiticeiro fazendo portais para esses monstros, mas estão desconfiando de coisas gregas mesmo.
–Tipo...?
–Sereias, labirinto, dragões, gigantes.
–Opa! Volta dois!
–Labirinto?
–É. É do Labirinto do Minotauro que estão suspeitando? Aquele que foi destruído há muitos e muitos anos?
–Segundo a teoria feita por Daniel, Helena, Gabriel, Class e eu mesmo, o Labirinto voltou como os monstros, e podia muito bem ser ele.
–Ah –ela disse e ficou em silêncio. Ficamos em silêncio por uns segundos antes de ela voltar a falar. –Bem, já que vamos morrer...
Falou e me puxou para um beijo longo. Agarrou minha nuca e eu a cintura dela, descendo minhas mãos aos poucos, até ser interrompido por uma salva de palmas e uns assobios. Vinham de Gabriel e Emily, a poucos metros de nós.
–Que raios fazem aqui? –Angel sibilou, e eu estava quase fazendo o mesmo.
–Estamos em uma fuga –falou Gabriel.
–Se James passar por aqui, nunca nos viram –completou Emily. –Agora podem continuar com o que estavam fazendo aí, já estamos de saída.
Concluiu e os dois foram embora correndo, de mãos dadas e aos risos.
–Só podem estar de brincadeira com a gente –falou Angel, com raiva.
–É o carma –falei sorrindo. –Agora, onde estávamos?
Me aproximei dela de novo, mas ela se afastou com uma expressão tensa no rosto.
–Acho que teremos que esperar um pouco –falou, correndo para onde Emily e Gabriel estiveram a pouco. –Olhe o que achei! –Exclamou, levantando uma coisa, que parecia uma pena que brilhava em ferro.
Corri até Angel, e ela me passou o objeto, que era mesmo uma pena de ferro.
–Ruim? –Ela perguntou.
–Se for o que estou pensando, é péssimo –falei, pegando a pena. –Acho que temos que falar com alguém, e logo.
–Ah, bem, isso não é problema. Daniel e Hannah estão logo ali atrás daquela colina fazendo justamente o que não estávamos.
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